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A ponte, o rio, o castelo

Peço desculpas aos amigos que já me conhecem há mais tempo, mas este texto é uma versão adaptada do que eu escrevi no blog que eu mantinha quando morei em Berlim. Naquela ocasião, tinha um blog basicamente para mandar notícias a todos no Brasil de maneira mais fácil. É lógico que, com esta finalidade, o texto lá tinha outro enfoque. Mas o que eu fiz aqui foi basicamente apenas reorganizar as mesmas informações. Ando sem tempo por causa do mestrado, e acho que é melhor publicar algo assim do que deixar o blog sem atualização por muito tempo.

É bom lembrar também que minha viagem aconteceu em 2009. Aproveitei uns dias depois que o curso de alemão terminou, antes de voltar ao Brasil, e fiz uma viagem para conhecer Praga, Viena e Budapeste (além de Weimar e Nurembergue na própria Alemanha). Como o texto anterior foi escrito bem na época da viagem, as informações estavam frescas e, portanto, vão depender menos da minha (des)memória atual. Mas, considerando o tempo transcorrido, algumas coisas certamente mudaram. Acho que o que eu escreverei aqui vai servir mais de orientações gerais para quem está pensando em conhecer a capital da República Tcheca. Para informações mais específicas, o melhor é mesmo um guia da sua preferência.

Igreja de Týn: uau!

A primeira nota que eu vou repetir então é a seguinte: assim como em relação a Amsterdam, decepcionei-me um pouco com Praga. Quem leu o texto de Amsterdam já vai pensar: mas que cara chato, deve ser super exigente! Claro que, olhando agora com a distância de três anos, a perspectiva muda um pouco. Mas, conversando com amigos que já estiveram lá, até mesmo depois de mim, algumas observações foram parecidas. O primeiro ponto que me desagradou muito foi o que eu interpretei como falta de educação (bastante) generalizada. Hoje em dia, é verdade, credito muito dessa impressão a diferenças culturais: é só o jeitinho deles! Há quem coloque o fato como consequência dos anos em que o país viveu sob a Cortina de Ferro. Pode ser. Também percebi que uma certa dificuldade em lidar com inglês gerava falas mais ríspidas. Mas a experiência que eu tive em Budapeste — que também esteve atrás da Cortina de Ferro e também tem uma língua igualmente bizarra e diferente para nós — foi tão distinta, tão mais acolhedora, que eu tendo a achar que a grosseria é, de certa forma, um hábito local.

Veja bem: não estou dizendo que todos os tchecos são mal-educados, ou que vão te tratar mal! Tenho que admitir que parte do desconforto também veio da quantidade avassaladora de turistas que toma as ruas da parte histórica da cidade todos os dias. E imagine ser morador local e ter que lidar com isso sempre! Deve ser bem complicado, admito. Mas quem trabalha com turismo ganha dinheiro com esse movimento todo e tem que estar preparado. Um conhecimento razoável de inglês e um pouco mais de cordialidade ajudariam bastante.

Outra questão é que a gente acha que vai ver uma cidadezinha pequena e toda “fabricada” há centena de anos, sem grandes modificações. Mas Praga é uma cidade grande, com os problemas correspondentes. Afaste-se um pouco do centrinho turístico e você verá trânsito pesado, fumaça, prédios genéricos… enfim, a velha história das falsas expectativas!

Tenho que admitir: a cidade tem cantinhos lindos

Não dá, porém, para negar: um bom pedaço da cidade é, de fato, lindo! Tente imaginar aquilo tudo sem as toneladas de turistas, sei lá, alguns anos antes da queda do comunismo. Tudo bem que a cidade devia estar bem mais largada sem o dinheiro do turismo, mas acho que a essência estava preservada. Por isso, uma das dicas é: conheça a cidade em uma viagem romântica, acho que a experiência será bem diferente da minha, já que fui para lá sozinho. Ou então leve sua mãe, que vai ficar tão deslumbrada com a cidade que vai compensar qualquer perrengue da viagem em si. Acho que essas são as melhores combinações para se conhecer Praga. Para cair na farra, creio que a Europa oferece melhores alternativas em outras paragens.

Art nouveau pelas ruas de Praga

Praga, aliás, costuma ser associada com Berlim pelos viajantes. De fato, de acordo com o sítio da Deutsche Bahn, a viagem direta entre as duas cidades dura em torno de 4 horas e meia. Aliás, no meio do caminho fica Dresden, que é uma cidade linda e vale a parada por pelo menos um dia. Como eu estava em Nurembergue antes, não peguei este trem (que tem o nome de EuroCity), mas dizem que a viagem é confortável e tranquila.

A primeira dificuldade começa aqui. A estação principal de trens em Praga chama-se Praha hlavní nádraží (abreviação Praha hl.n), e foi onde eu cheguei de Nurembergue. Há, contudo, ao norte, outra estação de trens internacional chamada Praha-Holešovice. Quando eu pesquisei na época, cheguei à conclusão de que a maioria dos trens internacionais (como para Viena, a cidade seguinte na minha viagem) passava pelas duas estações. Minha pesquisa atual diz a mesma coisa em relação aos trens que chegam de Berlim: o EC chega primeiro na Holešovice e depois vai para a hlavní nádraží. Assim, ao final da minha estadia em Praga, resolvi dirigir-me até a estação principal para comprar meu bilhete para Viena.

Fui até o guichê em que estava escrito “international tickets”. Você supõe que a pessoa que trabalha ali consegue se comunicar minimamente em inglês. Mas não foi o que aconteceu. A tia conseguiu me explicar que o trem saía na verdade da estação Holešovice, mas não conseguia interagir muito mais do que isso. Tentei perguntar, por exemplo, se podia comprar logo o ticket ali, para garantir meu lugar no trem. Ela limitava-se a gritar: “not here!” e o nome da outra estação. Fui para o balcão de informações, que também tinha uma placa “international” em cima. Ao fazer a mesma pergunta, a outra tia também se limitou a gritar: “not here, this information, not sell!” Desisti e tratei de correr para a outra estação para não perder o trem.

Estação Praha hlavní nádraží (imagem obtida em http://citarol.rajce.idnes.cz/)

Se você estiver chegando de trem na cidade, acho que este não será um grande problema — tanto faz parar numa estação ou na outra. O único problema, caso você chegue na hlavní nádraží, será aceitar que aquela estação xexelenta serve a uma das principais capitais turísticas da Europa. OK, por fora, a estação, que data de 1871, é até bonita. Mas para quem estava (mal) acostumado com as estações alemãs, ter que desembarcar não numa plataforma, mas no meio dos trilhos, foi uma péssima recepção. Eu, que sou brasileiro, até que levei numa boa; divertido foi olhar a cara de pânico dos japoneses. Bem, mas isso foi em 2009, talvez agora a situação esteja melhor. A Holešovice, embora seja desinteressante do ponto de vista arquitetônico, é mais nova e mais funcional. O problema será se você for deixar a cidade de trem. Aí acho que o melhor é pedir ajuda no hotel para se informar melhor a respeito da estação de saída. A boa notícia é que ambas as estações são conectadas pela linha C do metrô. Em último caso, dá para ir de uma para outra com certa rapidez (foi, aliás, o que eu fiz).

Mapa do metrô de Praga

Resolvido o problema da estação de trem, tome cuidado com o táxi: o pessoal notoriamente cobra preços bem acima da realidade. Só vi o alerta no Lonely Planet no final da viagem, então levei certamente vários golpes. Achava estranho ver corridas relativamente curtas ficarem mais caras do que eu pagava em Berlim, mas na hora da conversão você sempre se enrola (a República Tcheca não faz parte da Zona do Euro) e eu acabava pagando. No final tive a certeza: para ir até a estação de trem (errada), pedi para o albergue onde eu estava chamar o táxi para mim. Qual não foi minha surpresa ao ver que o preço ficou bem mais barato. Então, fica a dica: evite os táxis ou peça para alguém (hotel, restaurante) chamar para você.

Uma das estações da linha A do metrô

De todo modo, a cidade é bastante compacta, e o legal é andar à pé para ver a beleza das ruas. Ainda assim, caso bata uma preguiça e a caminhada seja um pouco maior, o metrô de Praga é eficiente e algumas estações, na linha A (verde) são bonitas, revestidas de placas metálicas coloridas, como mostra a foto acima. Dá para ir até Malá Strana, do outro lado do rio, onde fica o castelo (com a linha verde). Nem pense em andar sem bilhete: em apenas quatro dias na cidade eu passei por dois controles. Uma das situações, aliás, foi bem bizarra: o cara me pediu o bilhete, quando eu já estava saindo da estação, em tcheco; como eu não entendi e ele não estava vestido com nenhum uniforme (supõe-se que os fiscais têm que se disfarçar de passageiros), eu ignorei, falei um “sorry” e segui em frente, achei que ele estava pedindo alguma coisa, sei lá. O cara me deu um encontrão e eu comecei a entrar em pânico: a estação estava cheia, mas o que fazer? Só então ele resolveu falar em inglês: “ticket”. Aliviado, mostrei o bilhete a ele. Enfim: se alguém vier falar com você em tcheco no metrô, mostre logo o bilhete por precaução. Se ainda assim ele continuar falando, fuja que é fria.

Outra estação da linha A

Baladas de Berlim

Já conversei com pessoas de diferentes perfis que viajaram para Berlim. Pessoas jovens e mais velhas, casais em lua-de-mel, pais com filhos, solteiros convictos, gente namorando… e a cidade tem potencial para agradar a todos. Mas o fato é que, tirando talvez aqueles que estejam com crianças pequenas, todos querem experimentar pelo menos uma das famosas baladas de Berlim. Neste texto, tentarei falar um pouco sobre as principais. Não conheci todas (não que eu não tenha tentado…), mas tenho uma ideia a respeito por conta do que li e da impressão de amigos que foram. É sempre bom lembrar também que minha última visita à cidade foi em 2009, então as coisas podem estar um pouco diferentes. De todo modo, acho que as principais noites da cidade não mudaram.

Antes de começar, aqui vai um alerta: em Berlim, há leões-de-chácara nas entradas das principais boates, que podem barrar quem vai entrar ou não. Eu sei, também acho isso um saco e, a princípio, não combina nada com a fama libertária e democrática de Berlim. O lance é que aqui, mais do que gente bem vestida, talvez o que eles queiram dentro de uma balada seja o contrário: gente com cabeça aberta e uma vibe moderna. Não dá, claro, para generalizar: cada balada tem sua orientação, e, para falar a verdade, acho que as regras são bem fluidas, dependem muito do (bom) humor de quem está na porta. Em todo caso, aqui vão algumas impressões:

a) saiba onde está pisando. Em Berlim há noites bem direcionadas, algumas voltadas até para fetiches específicos (!!!) e isso, claro, repercute na seleção da porta. Não dá para querer entrar num lugar desses se você não está no mesmo “padrão”. Além disso, não custa nada dar uma fuçada no site das boates, pesquisar umas fotos na internet, para saber mais ou menos em que direção vai o público de cada lugar. Sei que às vezes a curiosidade antropológica fala mais alto, mas se você odeia tecno, isto provavelmente vai estar estampado na sua cara quando você estiver tentando entrar naquela boate em que esse tipo de música toca. A pesquisa prévia ajuda também porque, às vezes, eles perguntam se a pessoa sabe quem vai tocar no lugar. Se for um DJ mais conhecido e você não souber disso, vai voltar pra casa com certeza.

b) evite grupos grandes, evite ir sozinho: já entrei na Berghain algumas vezes sozinho, mas fui barrado uma vez na Watergate quando estava desacompanhado. De qualquer forma, senti que eles não gostam daqueles grupos muito grandes, principalmente os que falam outra língua. Já vi um grupo inteiro de italianos, que conversavam animadamente durante a espera, ser barrado. Preconceito? Também acho, mas não fui eu quem inventou isso. Assim, se você está num grupo com várias pessoas, tente dividi-lo em pequenos subgrupos, entrando separadamente na fila. Não tem problema conversar em português na fila (sempre fiz isso), mas de forma discreta, sem gritaria.

c) capriche no “look moderno”: não precisa ir vestido como a Lady Gaga, mas sapato e camisa social em Berlim é quase certeza de ser barrado no baile. Para as meninas, vestidos e sapatos muito formais também. Jeans e tênis surrados são muito mais garantidos. E você ainda estará bem mais confortável para curtir a balada até de manhã.

O chato é esperar na fila um bom tempo e, na hora “h”, ser barrado. A sensação de perda de tempo é inevitával. Vá preparado para isso. Mas não fique muito chateado. Sabe o que eu percebi? Que gente que é barrado num dia volta em outro e entra (conheci gente nessa situação). Aliás, uma vez na Berghain, vi um cara quue estava logo na minha frente ser barrado e, mais tarde, ele entrou de alguma forma, pois estava lá dentro (não sei se voltou para fila depois e acabou passando). Feitos tais alertas sobre a entrada, vamos aos locais em si:

Entrada da Berghain. Imagem obtida em http://example magazine.com/features/post/762/Berghain-Berlin

1) Berghain: o nome do lugar é um mistura de Kreuzberg com Friedrichshain, os dois bairros vizinhos über cool de Berlim. Quando estive da primeira vez na cidade, em 2007, era “o lugar” para se conhecer. Em 2009, aliás, ganhou o 1.° lugar na revista DJ Mag como o melhor club do mundo. Outros lugares apareceram depois, e muita gente apostou que a Berghain ia perder seu posto. Mas o fato é que ela continua funcionando firme e forte, e as filas gigantescas não parecem ter diminuído. Isto, é claro, tornou a Berghain praticamente uma atração turística e, segundo apurei com amigos que ainda moram lá, o lugar talvez tenha ficado “turístico demais”. Mas acho que ainda vale a experiência de ir lá pelo menos uma noite para conhecer.

Pista principal da Berghain. Imagem obtida em http://mastersofmedia.hum.uva.nl/2011/06/29/berghain-adventures-in-techno/

O lugar é uma antiga usina de energia (por isso não se assuste com a fachada) e por dentro mantém esse ar meio industrial, com um pé direito bem alto na maior parte. Num lugar desses, a música não poderia deixar de ser tecno, ou um eletrônico mais pesado, podendo haver variações, dependendo do dia da semana. No sábado, que é a noite principal, o público é bastante gay, mas sempre é bem misturado — principalmente no bar que fica no segundo andar, chamado de Panorama, onde, aliás, a música costuma ser menos pesada. De qualquer forma, depois de alguns shots de Jäggermeister, você vai achar a experiência superinteressante. Para rebater, beba algumas Africolas, uma versão-tubaína alemã do famoso refrigerante.

Tenho que advertir que não são permitidas fotos no interior da Berghain. Eles inclusive pedem que você deixe câmeras na chapelaria na entrada, podendo retirá-las quando for embora (se você se lembrar). A ideia seria que as pessoas se sentissem livres para fazer o que quisessem lá dentro, sem medo de serem fotografadas. O fato é que com o advento dos smartphones, ficou mais difícil controlar as fotos, mas eu não arriscaria ser expulso do lugar só para ter uma lembrança da balada.

A Berghain fica atrás da estação Ostbahnhof, é só pegar o S-Bahn, descer lá e ir seguindo o fluxo. Se estiver com medo de se perder, vá de táxi, os taxistas normalmente sabem onde fica.

Watergate. Imagem obtida em http://berlin.unlike.net/locations/171-Watergate

2) Watergate: tentei ir à Watergate pouco depois de chegar em Berlim, quando passei três meses na cidade, mas fui barrado na porta. Eu até sabia o DJ que estava tocando no dia (era o Sven Väth), mas acho que o leão de chácara não gostou do fato de eu estar sozinho e não ter entendido o alemão grunhido dele logo de cara. Depois, até pensei em tentar de novo, levando algum amigo, mas fiquei com receio de dar com os burros n’água novamente.

Watergate. Imagem obtida em http://www.e-concierge.de/ blog/2009/05/30/clubmotoren-watergate/#.T3edp3jRXoA

Mas as fotos internas do lugar, com o teto de luzes multicoloridas, chamam muito a atenção. E na mesma seleção de 2009 da revista DJ Mag, em que a Berghain ficou em 1.° lugar, a Watergate abocanhou o 8.° lugar, o que, para uma seleção mundial, não é pouca coisa. A boate fica numa região agitada de Kreuzberg, próxima à estação do metrô Schlesisches Tor (do U1), e tem uma vista para o Rio Spree e para a ponte Oberbaumbrücke que é um dos seus atrativos.  A Watergate sempre recebe DJs estrelados (como o próprio Sven Väth ou a Ellen Alien, que tocou também durante o período em que eu estava morando lá); por isso, é sempre bom dar uma olhadinha na programação, para o caso de te perguntarem na porta.

Weekend. Imagem obtida em http://www.shift.jp.org/ en/archives/2008/11/berlin_night_club.html

3) Weekend: fica nos “fundos” da Alexanderplatz, no topo de um prédio que tem o logo da Sharp em uma das fachadas. É a boate indicada no guia da Wallpaper de Berlim (ou pelo menos na última edição que eu baixei). Funciona de quinta a domingo, mas me parece que os dias mais animados são… a quinta e o domingo, sendo que neste último a noite é gay (chamada de GMF). A música, de qualquer forma, é invariavelmente eletrônica, com ênfase no house — embora, ultimante, pelo que apurei, a ênfase no eletrônico tenha se perdido um pouco. Entre na fila que costuma se formar na porta e, depois de pagar o ingresso, há um elevador que te leva para uma das duas pistas de dança: uma fica no 12.° andar, a outra no 15.°. Dependendo do dia (e do movimento), só uma delas abre. A vista do 12.° é melhor, por causa dos janelões que rodeiam boa parte da pista. O deslocamento entre os dois andares é só por elevador (um saco, mas faz parte da vibe do local).

Vista do terraço da Weekend. Imagem obtida em http://www.fuse.be/fuse/?p=5131

Se você for mais para o final da primavera ou no verão e o tempo estiver bom, poderá ainda conhecer o terraço, acessível por uma escada a partir do 15.° andar. As vistas são ótimas e, se estiver ventando muito, há distribuição de cobertores para você se proteger enquanto fica jogado em algum dos sofás, conversando e bebendo.

Além dessas, conheci outras, como o Club der Visionäre, bem low profile, que fica na beira de um canal do rio Spree, em Treptow, e é visitado de dia ou em after hours. Também fui ao lendário KitKatClub, a respeito do qual quero falar um pouco.

O KitKatClub já existe há alguns anos; surgiu depois da reunificação e tentou reviver um pouco do clima cabaret-decadence que havia em Berlim antes da guerra. Já passou por vários lugares e está agora em Kreuzberg, num local perto da estação Heinrich-Heine-Straße do U-Bahn. Quando fui da primeira vez a Berlim, era um destino certo para um after hours depois da noite de sábado, mas perdeu muito do público quando a Berghain passou a funcionar domingo adentro non stop. Atualmente, sobrevive como clube de fetiche e, por isso, a entrada é bastante controlada, mas eles costumam relaxar um pouco se você chegar no domingo de manhã para o after hours.

Minha opinião? Bem, digamos que foi uma experiência antropológica. Por ser uma boate dedicada a fetiches, há pessoas vestidas de tudo quanto é jeito, e isso nem é o que mais chama a atenção: algumas delas ficam nuas e outras chegam a fazer sexo em alguns lugares. Tentei fazer cara de paisagem o tempo todo, mas no final até achei a experiência interessante, considerando que estava em Berlim. Em todo caso, como bons alemães, seu espaço é respeitado e ninguém te assedia se você não quiser — até porque você será, provavelmente, a pessoa mais “normal” do lugar. Se você gosta da proposta ou quiser uma experiência dessas para contar para os amigos quando voltar, vá fundo.

A Trésor abriu há menos tempo e todo mundo achou que desbancaria a Berghain, mas isso não aconteceu. Fica perto de onde está o KitKatClub, em Kreuzberg. Nunca fui, mas é uma opção a mais em Berlim, e lá acontecem algumas festas temáticas. Em todo caso, parece que a Berghain, a Watergate e a Weekend seguem como a tríade de baladas mais interessantes de Berlim.

Chicago – alguns aspectos práticos

1) Onde ficar?

O famoso letreiro luminoso do Teatro Chicago, no Theater District

A área central de Chicago é conhecida como “The Loop”, onde boa parte das atrações ficam (como o Millennium Park, o Art Institute of Chicago e a Sears Tower). É uma região compacta e de fácil locomoção à pé, além de ser cruzada por várias linhas do metrô — aliás, o nome da região deve-se ao fato de que várias linhas do metrô elevado percorrem o Loop de forma circular. Só que eu fiquei com a impressão de que o Loop é uma área basicamente comercial, daquelas que à noite fica bem vazia. Não sei até que ponto essa impressão é verdadeira, mas, se for para ficar no Loop, o melhor é escolher um hotel próximo ao chamado “Theater District” de Chicago (na área da esquina da Dearborn St com a Randolph St, no norte do Loop), onde muitos teatros da cidade ficam. Essa região pareceu-me bem movimentad à noite.

Vista da área norte de Chicago

Eu escolhi ficar o bairro de Near North, imediatamente ao norte do Loop, do outro lado do rio. Embora não tenha grandes atrações turísticas, a região tem vários hotéis, é próxima ao Loop (dá para ir à pé, basta cruzar o rio), além de ser cortada pelas linhas vermelha, roxa e marrom do metrô. Além disso, o trecho da Michigan Avenue que atravessa o bairro é conhecido como “Magnificent Mile”, pela alta concentração de lojas — o que pode animar os visitantes mais consumistas. Também é uma área com opções de bares e restaurantes — embora não tão estrelada como a área a oeste do Loop, de que falei no texto anterior –, facilitando quem não quer ir muito longe à noite para jantar. Finalmente, não muito longe do Near North, no bairro que fica logo em seguida ao norte, chamado Gold Coast, há uma área com ampla oferta de diversão noturna, entre a Rush e a State Streets. Por tudo isso, escolhi o Near North para ficar.

Entrada do hotel Dana, onde me hospedei

A propósito, o hotel em que eu fiquei foi o Dana Hotel and Spa, para o qual consegui um boa tarifa pelo booking.com. O atendimento foi atencioso, a localização é excelente e os quartos são bons — à exceção de um vidro do banheiro, que permite a visualização por quem estiver no quarto. Claro que isto pode “apimentar” uma relação em crise, mas pode também causar constrangimentos caso não exista muita intimidade entre os viajantes. Há também um bar no terraço do hotel, com lindas vistas da cidade.

Vista do terraço do nosso hotel à noite

2) Quanto tempo ficar?

Não gosto muito de sugerir o tempo que cada pessoa deve passar em um destino, já que cada um tem seu ritmo de fazer turismo e dispõe de mais ou menos tempo para ficar na cidade, de acordo com a programação. Eu, pessoalmente, não gosto de fazer as coisas correndo, mas também gosto de aproveitar a mesma viagem para conhecer vários lugares.

O que você tem que ter em mente é que Chicago é um destino “isolado” nos Estados Unidos, que fica difícil conhecer se não for de avião. Não dá para fazer como Boston e Nova Iorque, ou Miami e Orlando. Por isso, ir até lá e passar só um dia não deve compensar o “desvio”. Se for para fechar em um número, eu diria que 3 dias completos são razoáveis para conhecer a cidade.

3) Aeroportos

Chicago é servida por dois aeroportos, o O’Hare (código ORD) e o Midway (código MDW), mas o mais provável é que você chegue pelo O’Hare, já que ele é o segundo aeroporto mais movimentado dos Estados Unidos. É também onde está baseada a companhia United Airlines. O aeroporto é realmente gigantesco; por isso, recomendo chegar com bastante antecedência para não perder o voo.

De qualquer forma, ambos os aeroportos estão conectados ao “El”, o O’Hare com a linha azul e o Midway com a linha laranja. Estima-se o tempo de viagem até o centro em 45 minutos, a partir do O’Hare, e em 30 minutos, a partir do Midway.

Usamos o “El” tranquilamente quando chegamos no O’Hare e, após duas conexões, descemos bem próximos ao hotel. Na volta, como nosso voo saía do O’Hare relativamente cedo, ficamos com receio de depender do horário dos trens e pegamos um táxi. Não me lembro exatamente do valor da corrida, mas o Lonely Planet estima algo entre 35 e 45 dólares (eu acho que custou um pouco mais que isso, mas não tenho certeza).

4) Usando o metrô

Mapa do metrô de Chicago

Conforme relatei no texto anterior, o sistema de metrô de Chicago é conhecido como “El”, ou simplesmente “L”, de elevated, já que ele corre, em boa parte, por cima das ruas da cidade. Achei o sistema seguro, e mesmo à noite não tivemos problemas — embora a frequência possa assustar um pouco. Como disse acima, conseguimos pegar o metrô já na chegada, no aeroporto de O’Hare, sem problemas.

The El

Ainda no aeroporto, adquirimos um cartão que dava direito a viagens ilimitadas por três dias, ao custo de 14 dólares. Há outro para um dia, que custa US$ 5,75, e outro para sete dias, com preço de US$ 23,00. Como a viagem simples custa US$ 2,25, não sei dizer se valeu à pena, mas pelo menos usamos o metrô durante todo o período na cidade (que foi exatamente de três dias), sem preocupações. Todos os preços das tarifas você encontra no sítio da CTA (a Chicago Transit Authority).

Cuidado com malas muito grandes: algumas estações centrais (e antigas) são limitadas no quesito acessibilidade, o que significa ter que subir e descer escadas.

5) Praias em Chicago?

Sim, o Lago Michigan tem algumas praias dentro da cidade. Não as conheci, pois, quando visitei Chicago, no final de setembro, o clima já estava razoavelmente frio (durante o dia não passava dos 15 graus). Em todo caso, o Lonely Planet diz que as praias ficam bem animadas durante o verão; por isso, se você for entre junho e agosto, tente ver como é uma praia em Chicago e depois venha aqui contar suas impressões.

As principais faixas de areia de Chicago são a North Ave Beach, em frente ao Lincoln Park (região norte da cidade), Oak St Beach, no bairro de Gold Coast e a 12th St Beach, perto do Planetário Adler.

6) Mais restaurantes

No texto anterior, eu falei da crescente cena gastronômica de Chicago, com vários restaurantes estrelados no Guia Michellin. Mas o viajante com orçamento limitado (ou o mão-de-vaca) pergunta se não há outras dicas de restaurantes mais em conta.

Experimentei três restaurantes indicados no Lonely Planet numa faixa de preço mais tranquila. Aqui vão minhas impressões:

Twin Anchors e a cerveja "Maudite"

a) Twin Anchors (1655 N Sedgwick St): na região conhecida como Old Town, próximo à estação Sedgwick das linhas marrom e roxa do metrô, fica esse restaurante despretensioso, com decoração old school. Chamou a atenção a simpatia da atendente, que achou curioso dois brasileiros em Chicago. A especialidade local são as carnes — gigantescas, por sinal, dá para dividir tranquilamente. E ainda tem cervejas locais (como a da foto acima).

Restaurante Opera

b) Opera (1301 S Wabash Ave): na região ao sul do Loop, fica próximo ao Field Museum e ao Shedd Aquarium; a estação de metrô mais próxima é a Roosevelt (linhas vermelha, laranja ou verde). Dada a proximidade, almoçamos lá antes de fazer nosso passeio na beira do lago (de que falei nesse texto). Estava meio vazio, mas adorei a decoração oriental meio kitsch do lugar. Como a Chinatown de Chicago não fica muito longe dali, é essa a orientação do cardápio. E também tem cervejas locais!

Cerveja Krank Shaft no Opera

c) Nacional 27 (325 W Huron St): no bairro do Near North, fomos lá porque era perto do nosso hotel. Com pratos inspirados em vários países da América Latina (há ceviches no cardápio, por exemplo), a principal fonte é mesmo a cozinha mexicana. Fomos jantar durante a semana e estava meio vazio, mas parece que nos finais de semana rola ritmos latinos em uma pista de dança que há no local.

7) Para os chocólatras

Se você é chocólatra como eu, não deixe de conhecer a loja Vosges Haut-Chocolat, em Old Town, pertinho da estação Armitage, das linhas marrom e roxa. A proprietária, Katrina Markoff, apresenta chocolates misturados a sabores bem diferentes do usual: não tive coragem de comer o chocolate com bacon, mas o de sal negro e caramelo era delicioso! Outras misturas exóticas incluem chocolates com blood orange, banana e curry indiano, para ficar só em alguns. As plaquinhas com caramelo e um toque de sal também estavam deliciosas, trouxe para casa e todo mundo gostou. Aliás, pode ser uma boa lembrancinha para a família e os amigos.

Sears Tower, vista do passeio de barco no rio

Este texto é uma continuação desse aqui.

5) Subir na Sears Tower e sentir um frio na barriga enquanto pisa em uma de suas plataformas de vidro: talvez seja o programa mais “turistão” de uma viagem a Chicago, mas quem se importa? O prédio (cujo nome oficial é Willis Tower), mesmo antes da queda das Torres Gêmeas, já ocupava o posto de mais alto dos Estados Unidos.

Vista da Sears Tower

A torre foi planejada, claro, para servir à companhia Sears (que já teve lojas inclusive no Brasil); porém, atualmente, é ocupada por várias empresas. Tem 108 andares, mas o Skydeck, a plataforma de observação, fica no 103.° andar. As vistas da cidade e do lago são lindas, e de lá é possível ver como, além do miolo do “The Loop”, a altura dos prédios diminui consideravelmente. Aliás, de lá se vê como a cidade é espalhada.

Japinhas em uma das caixas de vidro da Sears Tower

O grande barato do passeio, contudo, é entrar em uma das “caixas de vidro” que se projetam da fachada do prédio. Instaladas recentemente (em 2009), essas estruturas permitem que o visitante “saia” do prédio e “flutue” sobre a cidade, vendo a rua Wacker Drive a seus pés, lá embaixo (são 412 metros de altura!). Confesso que fiquei meio receoso de início (tenho medo de altura), mas quando vi uma japonesa saltitando sobre a plataforma, concluí que era seguro. Depois do medo do primeiro passo, fui me acostumando com a sensação. A propósito, o andar é todo fechado, inclusive as janelas — não há uma parte externa de observação, como no Empire State Building, em Nova Iorque.

Vista da Sears Tower para o norte. O prédio preto ao fundo, com duas torres em cima, é o John Hancock Center

Outra opção para ver a cidade lá de cima, (um pouco) mais baixa, é o John Hancock Center, mais ao norte da cidade. O observatório fica no 94.° andar, mas é possível tomar um drink apreciando a vista no Signature Lounge, que fica no 96.° andar.

Uma das cúpulas do Chicago Cultural Center

6) Admirar as cúpulas de vidro da antiga Biblioteca: o Chicago Cultural Center fica no centro da cidade, bem em frente à Wrigley Square do Millennium Park, e foi originalmente a Biblioteca Pública da cidade. Hoje em dia, abriga um escritório de turismo, onde é possível pegar informações sobre o prédio e sobre a cidade — a tia que nos atendeu foi simpaticíssima e teceu vários elogios ao Brasil, que ela havia conhecido há pouco tempo. Também tem exibições de arte e concertos na hora do almoço (veja a programação no escritório de turismo).

A outra cúpula do Chicago Cultural Center

Mas o grande objetivo da visita é ver as duas cúpulas de vidro gigantescas criadas por Louis Comfort Tiffany, uma das quais é a maior do mundo. Lindamente decoradas, as cúpulas são verdadeiros vitrais e enchem os olhos e o prédio de uma luz especial.

Pizzaria Uno, onde supostamente a iguaria foi inventada

7) Experimentar a famosa pizza de Chicago: essa famosa “iguaria” de Chicago mais parece uma torta que uma pizza. Tem uma massa alta, assada numa espécie de forma-assadeira redonda e alta. Não há muito consenso sobre o lugar que teria inventado esta receita local de pizza, mas um dos principais restaurantes apontados é a Pizzaria Uno (29 E Ohio St, na área de Near North), onde fomos. Dada a fama do lugar, chegue cedo, ou prepare-se para esperar um pouco. A decoração do lugar não tem nada de sofisticada, mas faz você se sentir dentro de um típico restaurante americano, o que torna a experiência, na minha opinião, interessante.

A cara da pizza...

Nossa pizza veio com pimentões, cebola, tomate e champignons por cima e, se eu me lembro bem, não há muitas variações (embora, salvo engano, haja uma versão mais simples, com menos “adereços”). É uma delícia, mas é também uma bomba: a desculpa perfeita que você estava procurando para sair da dieta, principalmente se a pizza for acompanhada de uma das cervejas que eles servem no local. Essa pizza da foto é tamanho pequeno, mas há versões maiores; ela foi, porém, perfeitamente suficiente para encher duas pessoas. Vá por mim, só peça uma maior se você estiver com mais pessoas, ou prepare-se para deixar muita comida no prato.

Não experimentei, mas, de acordo com o guia do Lonely Planet, a cadeia Giordano’s, com vários restaurantes pela cidade, oferece opções honestas caso a espera da Uno esteja muito longa.

Detalhe do mural "As Quatro Estações", de Marc Chagall

8) Andar pelo centro e descobrir obras de grandes nomes da arte: como eu mencionei no início da primeira parte do texto, o centro da cidade, conhecido como “The Loop”, é um verdadeiro museu a céu aberto, reunindo obras de artistas consagrados. Poucas cidades no mundo talvez ofereçam em suas ruas uma oferta tão qualificada de obras de arte — o que não deixa de dar uma certa invejinha. Não deixa de ser uma forma de democratizar o acesso à arte: afinal, ver um Picasso na esquina e não dentro de um museu certamente muda um pouco os paradigmas. Aqui vai um pequeno guia das principais obras:

Chicago, de Joan Miró

a) Chicago, de Joan Miró (69 W Washington St): lembra as esculturas do Miró que estão no Museu Reina Sofia em Madri ou na Fundação dele em Barcelona, mas num tamanho bem maior.

Picasso

b) Sem Título, de Pablo Picasso (50 W Washington St): pertinho da escultura do Miró, embora não tenha título, a escultura lembra um babuíno metálico gigante.

As Quatro Estações, de Marc Chagall

c) As Quatro Estações, de Marc Chagall (praça perto da esquina entre a Dearborn e a Monroe St): é, na verdade, um mural em forma de mosaico, bem ao estilo Chagall.

Flamingo, de Alexander Calder

d) Flamingo, de Alexander Calder (esquina das ruas Dearborn e Adams, em frente ao Kluczynski Federal Building): o pai dos móbiles modernos deu sua contribuição à arte de Chicago com essa linda escultura abstrata vermelha, que constrasta com as linhas retas e os vidros pretos do Kluczynski Federal Building, outro prédio do Mies van der Rohe.

Monument with Standing Beast, de Jean Dubuffet

e) Monument with Standing Beast, de Jean Dubuffet (100 W Randolph St): uma forma branca abstrata feita de fibra de vidro, com seus contornos bem delineados, parece ter sido desenhada à mão e recortada em um papel.

O "El" passando em frente à Harold Washington Library Center

9) Pegar o “El”, o famoso metrô elevado de Chicago, e ir parar em algum bairro residencial da cidade, conhecendo um outro lado dela: como disse acima, fora do miolo do The Loop, a cidade é bem diferente, com menos arranhacéus e um ar mais residencial. Ao norte há distritos como Near North, Gold Coast, Lakeview e Wrigleyville, com restaurantes, lojas e bares que podem render um bom passeio de algumas horas.

A estrutura do "El" sobre as ruas do centro da cidade

Mas o legal é pegar o metrô elevado da cidade para fazer o passeio, que faz você se sentir em um dos muitos filmes ou séries que se passam em Chicago, como “Curtindo a Vida Adoidado” ou “E.R.” (que ganhou na Globo o nome de “Plantão Médico”). O metrô elevado é algo que em qualquer outra cidade poderia ser sinônimo de degradação urbana (imagine morar perto de uma linha elevada de metrô), mas que acabou virando um dos símbolos de Chicago.

O apelido “El” (ou simplesmente “L”), aliás, vem de elevated em inglês. Apesar disso, algumas estações no centro da cidade são subterrâneas. O “El” chega até os aeroportos O’Hare e Midway e é possível comprar bilhetes múltiplos para vários dias (pretendo falar disso em outro texto).

Sobremesa no Blackbird

10) Aproveitar o crescente circuito gastronômico de Chicago: para quem não quer ficar só na pizza, Chicago tem ganhado destaque dentro dos Estados Unidos como destino gastronômico e conta com vários restaurantes estrelados no Guia Michelin. O precursor parece ter sido Charlie Trotter, e seu restaurante (chamado de… Charlie Trotter’s) tem duas estrelas do guia. Ainda assim, não me animei a conhecê-lo, pois fiquei com a impressão de que é um lugar muito formal (exige-se paletó, e os cozinheiros não podem rir na cozinha!!!)

Quis muito conhecer o restaurante Avec, da chef Koren Grieveson, recomendado tanto pelo Lonely Planet como pelo guia do Wallpaper, que parece não ser muito caro, tem uma decoração interessante (parece uma caixa de madeira), com algumas mesas comunais, sem contar o menu em si (tâmaras com bacon defumado chamaram minha atenção!). Só que estava fechado! Acabei indo no Blackbird (uma estrela do Michelin), que fica ao lado e tem a ajuda do mesmo chef executivo, Paul Kahan. O que eu achei: nos deixaram esperando do lado de fora, onde fazia um pouco de frio (não havia feito reserva porque era uma terça-feira e no hotel onde estava não acharam necessário). Depois de entrarmos, o atendimento foi atencioso, a comida estava boa (mas não achei inesquecível), e o preço foi um pouco salgado. O mesmo “grupo” ainda tem outro restaurante nas redondezas: o The Publican.

Parece que a tal culinária molecular também faz sucesso lá. O Alinea, do chef Grant Achatz, já foi mencionado pela jornalista Alexandra Forbes, do blog Boa Vida. E tem mantido suas 3 estrelas do Guia Michelin. Também achei interessante o Topolobampo, de comida mexicana, um dos preferidos na cidade pelo casal Obama (uma estrela no Michelin). Também chamaram minha atenção o Hot Chocolate e o Green Zebra, para os vegetarianos.

De todo modo, o que é preciso dizer é que você vai ter que sair do Loop para comer melhor. A região a oeste do Loop (que, assim como o Meatpacking District de Nova Iorque, já foi uma área de frigoríficos), principalmente a W Randolph St, se estabeleceu como um dos destinos gastronômicos: basta ver que, das minhas dicas, o Avec, o Blackbird, o The Publican e o Hot Chocolate ficam na região. Ir para o norte – para as áreas de Near North, Gold Coast e Lakeview — também é uma boa aposta.

Então, o que você está esperando para conhecer a cidade da Oprah e do Obama? Renovada e revitalizada, a cidade tem uma vibe de que é a próxima aposta americana, de que está em ascensão. E seus simpáticos habitantes, que ainda não adquiriram aquele ar blasé dos novaiorquinos, ficam orgulhosos de mostrá-la a quem se aventura por aquelas paragens.

Chicago

Estava querendo escrever um texto sobre Chicago há tempos! Na viagem que fiz aos Estados Unidos em 2010, Chicago talvez tenha sido a grande surpresa. Certo, é uma cidade cheia de arranhacéus, mas isso não significa que ela seja feia ou opressora. Na verdade, os prédios altos ocupam só mesmo o miolo de Chicago; olhando-a por cima, dá para ver que o resto da cidade é bem menos vertical e bastante esparramado. Além do mais, o Lago Michigan – que mais parece um mar de tão grande — faz um contraponto ao mar de prédios.

O lago e os prédios vistos da Sears Tower

Chicago também é uma cidade que respira arte. O Art Institut of Chicago tem um acervo que não deixa nada a dever aos museus de Nova Iorque e de Washington. Há, ainda, esculturas de artistas como Picasso, Miró, Calder e Chagall encrustradas no centro da cidade, ao ar livre, para que qualquer um possa admirá-las. Alguns dos citados prédios são verdadeiras obras de arte da arquitetura moderna, desenhados por arquitetos de peso, como o holandês Mies van der Rohe; já o canadense Frank Gehry, o mesmo arquiteto que fez o Guggenheim de Bilbao, assinou um auditório de música no Millennium Park. E há ainda um circuito de teatros para aqueles com alguma saudade da Broadway.

Como eu fui em 2010, minhas observações são meio genéricas. Na verdade, meu objetivo com esse texto é mais convencer o leitor a visitar esta cidade que costuma ficar de fora dos roteiros da maioria dos brasileiros que visitam os Estados Unidos. Aqui vão meus 10 motivos para conhecer a “Windy City”, como Chicago é conhecida:

Calçadão em frente ao Lago Michigan

1) Fazer um passeio à pé pela margem do Lago Michigan até o Planetário Adler: como afirmei acima, o Lago Michigan, visto de sua margem ou mesmo do alto dos prédios do centro de Chicago, é bem vasto, perde-se de vista, dando a impressão de um mar bem calmo. Não vi se algum barco faz passeios por ele, mas um simples passeio pela margem já serve para apreciar sua beleza e ver o contraste entre as águas calmas de um lado, e o “mar de prédios” do outro. É impressionante como dois elementos tão distintos parecem harmonizar-se perfeitamente ali.

Buckingham Fountain

A partir do Millenium Park, aproxime-se da margem e comece a descer, rumo ao sul. Você logo verá a linda Buckingham Fountain, na área que já é chamada de Grant Park (embora a separação em relação ao Millenium Park parece ser apenas de uma rua). Embora exista uma avenida que acompanha a margem do lago, o calçadão (lakefront path) é amplo e bem tranquilo.

Shedd Aquarium

Siga descendo e logo você vai chegar ao Shedd Aquarium, o mais antigo do mundo! Não o visitei, mas há um mirante por ali de onde já é possível tirar lindas fotos. Mais adiante você verá o Field Museum, outra atração que pode servir de pausa no passeio. É um museu de história natural, e tem como grande atração Sue, a ossada mais completa de um Tyrannosaurus rex já encontrada!

Field Museum

Planetário Adler

Eu preferi contornar o aquário por fora e seguir pelo longo caminho que leva até o Planetário Adler, com sua linda cúpula. Na verdade, ele fica na ponta de uma península que avança sobre o lago. Como ele fica projetado, “entrando” no lago, as vistas dali são lindas! O planetário é o mais antigo das Américas e tem apresentações frequentes. Se você não quiser ver nenhuma apresentação, pode visitar só o prédio, onde há uma exposição abordando as descobertas sobre o universo e com alguns artefatos das expedições espaciais americanas; nesse caso, paga-se um valor só para a admissão (há um ingresso promocional que combina a visita com algum show). Independentemente de você visitar ou não o planetário por dentro, se o dia estiver bonito (como estava quando eu fui), não deixe de sentar-se um pouco no gramado do planetário para apreciar a vista da cidade e do lago.

Planetário Adler

Jardim em frente ao planetário e sua linda vista

Também às margens do lago, mas ao norte do caminho aqui descrito (depois do rio), fica o Navy Pier, com um daqueles parques de diversão típicos de filmes americanos — há uma roda gigante com mais de 40 metros de altura!

Cloud Gate, a grande atração do Millennium Park

2) Ver a arte por um outro prisma no Millennium Park: bem central, logo ao norte do Art Institut of Chicago, o Millennium Park é um dos lugares mais visitados da cidade. As grandes atrações do parque são intervenções de arte contemporânea que mostram como é possível (e interessante) mesclar obras de arte em um espaço público aberto.

Cidade e pessoas refletidas no Cloud Gate

A mais famosa delas, o Cloud Gate (apelidado carinhosamente de The Bean, ou “O Feijão”), é uma escultura gigantesca do artista anglo-indiano Anish Kapoor, feita de aço, com o formato de um… feijão (ou portão, você escolhe). O cloud do nome deve-se ao fato de que a estrutura é tão polida que reflete o céu. Mas todo mundo fica brincando de ver o próprio reflexo em diferentes formas, e que rendem muitas fotos legais.

Imagem projetada em um dos blocos da Crown Fountain

Outra obra/escultura/instalação do Millennium Park é a Crown Fountain. São duas “torres” de granito, uma de frente para a outra, mas com um grande espelho d’água entre ambas. O legal é que na parte de frente das torres há uma espécie de tela em que são exibidos vídeos — quando eu fui presenciei esse divertido vídeo de gente cuspindo água (foto acima).

Pritzker Pavilion

Também no parque fica o Jay Pritzker Pavilion, uma “concha” multiforme destinada principalmente a apresentações de música clássica (mas também para outras performances artísticas). Foi desenhado pelo arquiteto Frank Gehry, o mesmo do Guggenheim de Bilbao, e tem aquelas placas curvas, típicas do arquiteto e também presentes no museu espanhol. A maioria das apresentações são públicas: há alguns assentos fixos, mas muita gente senta no gramado mesmo.

Wrigley Square

Também no parque ficam a Wrigley Square — um semicírculo de colunas ao redor de uma fonte, cujo nome homenageia os doadores da família do magnata do chiclete William Wrigley Jr – e o Lurie Garden, com plantas nativas da região de Chicago.

Lurie Garden

Art Institute of Chicago, com seus leões

3) Conhecer o Art Institute of Chicago e apreciar obras-primas da arte americana: o acervo do Instituto de Arte de Chicago é enorme, equiparando-o, por exemplo, ao Metropolitan Museum em Nova Iorque. Há as tradicionais alas destinadas a artefatos egípcios, asiáticos, e à arte greco-romana. Há também um bom acervo de arte europeia e de impressionistas (como o Sisley que eu coloquei abaixo).

Quadro de Alfred Sisley

Art Institute of Chicago, Modern Wing

O Art Institute of Chicago tem atualmente dois prédios: o da frente, em estilo clássico, é vigiado por leões que são um dos símbolos da cidade; o anexo, chamado “Modern Wing”, do arquiteto italiano Renzo Piano, foi inaugurado em 2009.

Nighthawks, Edward Hopper

Mas meu grande interesse em visitar o museu foi ver algumas obras-primas da arte dos Estados Unidos, como coisas da Georgia O’Keeffe (que estudou lá) ou esse lindo quadro do Edward Hopper que me emocionou bastante ao vivo…

 

Passeio de barco pelo Rio Chicago

4) Fazer um passeio pelo rio que corta Chicago e ver seus arranhacéus por outros ângulos: se o tempo permitir (se você não for no auge do inverno ou se não estiver chovendo muito), recomendo com entusiasmo um passeio de barco pelo rio Chicago. Organizado pela Chicago Architecture Foundation, o passeio permite ver a área central da cidade (conhecida como “The Loop”) e boa parte dos prédios que a compõem de um ângulo diferente.

Nossa adorável guía

Os ingressos são vendidos na lojinha da fundação, localizada na Michigan Avenue, bem em frente ao Art Institute of Chicago. Já os barcos saem perto da ponte da Michigan Avenue que cruza o rio. Nossa guia era uma simpática senhora que sabia tudo sobre os prédios que nos circundavam e que apareciam a medida que o barco avançava. Ela nos contou que Chicago foi praticamente destruída em um incêndio em 1871 (colocaram a culpa em uma pobre vaca, depois a redimiram) e que, assim, a reconstrução foi oferecida a jovens e ousados arquitetos, que fundaram o que ficou conhecido como “Escola de Chicago”.

Tribune Tower

Wrigley Building e sua torre do relógio

Marina City, ou "Sabugo de Milho"

Chamaram a minha atenção, durante o passeio, a Tribune Tower, em estilo neogótico (onde funciona o Chicago Tribune); o Wrigley Building, com sua torre do relógio em estilo clássico; o Marina City (também conhecido como “Sabugo de Milho”, pela semelhança), uma tentativa de trazer de volta residentes para a área central da cidade; o IBM Plaza, projetado pelo arquiteto holandês Mies van der Rohe; a fachada sóbria e gigantesca do Merchandise Mart; a Sears Tower, claro, de que falarei a seguir; a Lake Point Tower, já perto do lago, com três pontas arredondadas, super exclusiva por estar sozinha em uma península; e o Aqua, com suas formas orgânicas que se projetam para fora do prédio.

IBM Plaza, do Mies van der Rohe

Merchandise Mart

A imponente e isolada Lake Point Tower

As projeções "orgânicas" do Aqua

Na Folha

Hoje a Folha de São Paulo publicou um texto sobre blogs que escrevem sobre viagens (link aqui, para assinantes). Citou 7 blogs, entre eles o  Viajo, Logo Existo. Quando soube, fiquei surpreso. Não conheço ninguém na Folha, nem nunca fui procurado por algum jornalista que estivesse escrevendo matéria a respeito. Dentre as dezenas de blogs sobre viagem escritos em português, o meu certamente não era dos mais visitados.

Certo, meu blog aparece na matéria ao lado do ótimo blog da minha amiga Anna (o Nós no Mundo), e está entre os blogs que ela recomenda na coluna à direita (isso me lembra que eu preciso organizar minha lista de favoritos urgentemente). Mas acho que para ela a menção foi uma surpresa também — aliás, foi a Anna que me avisou que meu blog havia sido indicado no jornal. Além disso, na lista dela há vários outros blogs sobre viagem, algum já bem conhecidos, de modo que a simples menção do Viajo, Logo Existo no seu blog não parece ser a explicação para a escolha de ambos. De qualquer forma, mesmo com a surpresa, claro, fiquei muito feliz com a citação, que, acredito, é um reconhecimento de que o blog tem seu mérito.

O outro lado da moeda é que isso traz maiores desafios. Da última vez que eu verifiquei o contador, foram 713 acessos hoje, quando a média de visitas aqui oscilava entre 20 e 50 acessos por dia (o que eu já achava muito! Imaginava quem eram essas 50 pessoas que apareciam, como tinham chegado até o blog etc). A menção no jornal, parece, trouxe muito mais gente nova até aqui.

Acontece que o blog, como cita a reportagem, é amador, “no melhor sentido da palavra”. Significa que eu realmente amo tudo o que eu escrevo, mas o blog não paga minhas contas. Embora nunca tenha querido ganhar dinheiro com isso aqui — escrevo porque gosto do assunto –, tenho meu trabalho normal, que, aliás, tem estado bem movimentado ultimamente. Os dois últimos textos que escrevi sobre Berlim foram criados, em grande medida, em raros momentos de calmaria que apareceram nas últimas duas semanas. Os textos do blog costumam dar um pouco de trabalho, seja porque nem sempre as palavras fluem com as ideias, seja porque eu tento verificar ao máximo a fidedignidade de todas as informações que publico aqui. Com o aumento do número de visitas, aumenta a responsabilidade sobre o conteúdo, e aumenta a necessidade de torná-lo mais dinâmico, de publicar mais.

Aos visitantes que apareceram hoje por aqui pela primeira vez, dou as boas vindas. Espero que gostem do conteúdo e tenham paciência quando as publicações tornarem-se um pouco esparsas. Aos que já conheciam o blog (amigos), obrigado por acompanhá-lo e por ajudar a divulgá-lo. Comentem sempre e, se tiverem alguma questão específica sobre os destinos já publicados, não hesitem em perguntar. Prometo responder logo, no horário do cafezinho.

Sistema de transportes de Berlim

Na parte de baixo da foto, a principal linha do S-Bahn de Berlim, que corta a cidade ao meio (por onde passam o S3, o S5, o S7 e o S9)

É claro que bater perna pela cidade é sempre a melhor forma de conhecê-la; e, no caso de Berlim, eu já indiquei um roteiro à pé que cobre algumas das principais atrações da cidade (primeira parte aqui, segunda aqui). Mas Berlim tem atrações espalhadas e, nesse caso, ir à pé pode não ser uma opção (tudo depende de onde você estiver hospedado, claro).

Táxis de Berlim (fonte www.morgenpost.de)

Os táxis de Berlim não estão entre os mais caros da Europa, e eu nunca tive problemas com os taxistas de lá, desses que a gente costuma ter em quase todos os lugares (como não querer ligar o taxímetro, ficar dando voltas, suspeita de adulteração do taxímetro etc). OK, uma vez, saindo de uma boate à noite, o taxista se recusou a me levar em casa: só que a corrida era realmente curta e a fila de táxis na porta estava bem grande, então eu até entendi a recusa.

De qualquer maneira, o transporte público de Berlim é bem amplo, chega a muitos lugares e usá-lo não é muito complicado. O metrô funciona 24 horas nos finais de semana, o que é bem útil aos baladeiros de plantão. Durante o período que passei na cidade, usava o metrô com bastante frequência, inclusive à noite, e nunca tive problemas. Também usei algumas vezes o ônibus e o sistema de bondes (tram): esses meios de transporte, contudo, exigem um pouco mais de pesquisa e de orientação na cidade; se for necessário usá-los, melhor se informar antes no hotel.

Mapa do metrô de Berlim com as linhas do U-Bahn e do S-Bahn

Quanto ao metrô (que é o mais usado pelos turistas), há dois sistemas, o que pode tornar as coisas um pouco confusas: o S-Bahn e o U-Bahn; ambos, entretanto, são perfeitamente integrados e você pode nem perceber a diferença. E qual seria a diferença entre eles? Bem, em tese, o U-Bahn seria subterrâneo, enquanto o S-Bahn correria na superfície, mas isso não é 100% verdadeiro: às vezes o U-Bahn sobe para a superfície (algumas partes da U2, por exemplo), e em alguns trechos o S-Bahn é subterrâneo (como na S1). Eu diria que o sistema S-Bahn vai mais longe, chegando aos subúrbios mais distantes e mesmo a cidades do entorno — você pode usá-lo, por exemplo, para ir visitar os palácios prussianos em Potsdam. Já o U-Bahn circula na área mais central de Berlim. Esses dois sistemas são em geral indicados com as letras “U” ou “S” seguidas do número da linha: U1, S7 etc. De qualquer forma, como você pode ver no mapa, as linhas também são indicadas por cores.

Metrô passando por cima da Oberbaumbrücke, ligando Friedrichshain a Kreuzberg

A propósito, o sistema é dividido em três zonas: A, B e C, sendo a primeira mais central e a última mais externa. Os bilhetes são vendidos com três combinações possíveis de zonas: AB, BC ou ABC. O bilhete AB atende perfeitamente as necessidades dos turistas: você só vai precisar comprar um válido para a zona C se for para o aeroporto Schönefeld (ou, a partir, de junho deste ano, para o novo aeroporto Berlin-Brandenburg) ou se for visitar Potsdam, como eu mencionei acima.

O sistema é baseado todo na responsabilidade do usuário. Assim, não há catracas nas estações; entretanto, fiscais aparecem de surpresa às vezes durante o trajeto e você tem que mostrar um bilhete válido para eles. Não consegui descobrir o valor atual da multa se você for pego sem um bilhete válido (andar sem um é chamado em alemão de Schwarzfahren), mas ela é bem salgada. Sem contar o constrangimento dos locais te olhando com cara de reprovação. Durante meus três meses em Berlim, peguei uns três controles apenas; se você gosta de correr riscos e viver perigosamente, vá fundo.

Bem, mas se não há catracas nas estações, como eles sabem se o seu bilhete é válido ou não? Em primeiro lugar, comprar e validar o bilhete são coisas diferentes feitas em máquinas diferentes, OK? Depois de comprar, você tem que validar o bilhete em umas maquininhas amarelas ou vermelhas que ficam na entrada da estação ou da plataforma (você introduz o bilhete no buraco e ele vai carimbar a hora e a estação onde você o validou). A partir daí, ele é válido por 2 horas — considerando-se o bilhete padrão, válido para uma viagem apenas. Nesse período, você pode fazer quantas baldeações forem necessárias, e inclusive mudar o meio de transporte: sair do metrô e ir para um bonde ou um ônibus, por exemplo (nesses casos, basta mostrar o bilhete válido para o condutor). Atenção: não são aceitas nessas duas horas viagens de volta (aquela que você faz voltando para a estação onde o bilhete foi validado). Ainda que você tenha ficado no seu destino menos de duas horas, é necessário adquirir um novo bilhete para voltar. De qualquer maneira, fica a dica: deixe para validar o bilhete quando o metrô estiver entrando na estação, assim você ganha tempo para usá-lo durante as duas horas de validade.

Maquininha para validar o bilhete. Imagem obtida do blog http://heinbloed-cruiseguides.blogspot.com/

Há bilhetes diários (válidos até as 3h da manhã do dia seguinte àquele em que você o validou), semanais (válidos por 7 dias), mensais e anuais: tudo depende de quantos dias você vai ficar na cidade e se vai usar o sistema de transporte todos os dias. Faça as contas para ver se vale à pena: divida o valor desses tickets múltiplos pelo valor de um bilhete unitário, e veja quantas vezes você terá que viajar para compensar o investimento. Por exemplo: atualmente, o bilhete semanal custa € 27,20 (para a zona AB), enquanto o bilhete único está saindo a € 2,30 para a mesma zona. Assim, você teria que fazer pelo menos 12 viagens nesse período para compensar o preço. Para saber todas as tarifas em valores atualizados na época da sua viagem, consulte o site da Berliner Verkehrsbetriebe, a companhia que controla o sistema de transporte da cidade (o link que eu coloquei aqui leva direto à parte das tarifas, em inglês).

No caso dos bilhetes múltipos, o prazo de duração começa a contar quando você o valida inicialmente. Não é necessário validá-lo toda vez que você for andar de metrô: basta mantê-lo na carteira ou na bolsa para mostrá-lo caso o fiscal apareça. Se você for andar de ônibus ou de bonde, mostre-o ao condutor.

Bilhetes do metrô para viagens curtas (Kurzstrecke)

Para viagens curtas, use o bilhete Kurzstrecke (short trip, em inglês), válido se a viagem for de até 3 estações de metrô ou 6 paradas de ônibus ou bonde.

Todas as estações têm terminais de autoatendimento para compra dos bilhetes, nos quais é possível escolher o inglês, facilitando a vida dos turistas. Em caso de dúvidas, as principais estações contam com guichês com funcionários que podem orientá-lo. Nunca usei esses guichês, então não posso dizer se o atendimento é atencioso ou se eles falam inglês.

Mapa do Tram (bondes)

Os dois mapas que eu coloquei aqui no texto mostram as rotas do metrô (sistemas U-Bahn e S-Bahn) e dos bondes (Tram) — se você não conseguir orientar-se por eles, pode baixar os arquivos em formato pdf do sítio da Berliner Verkehrsbetriebe para seu computador ou tablet (mapa do metrô aqui; mapa dos bondes aqui). Para o turista, acho que só vale à pena usar o ônibus em duas situações. Em primeiro lugar, há duas linhas para o aeroporto Tegel (TXL) que saem de lá e vão até a Alexanderplatz (linha JetExpressBus TXL) e à estação Zoologischer Garten (linha ExpressBus X9). A partir desses locais, é tranqulilo integrar-se ao sistema de metrô. A viagem até a Alexanderplatz dura entre 28 e 40 minutos, de acordo com o site da BVG.

 A propósito, Berlim conta atualmente com dois aeroportos: o Tegel e o Schönefeld (SXF). Já teve três: até um tempo atrás, ainda funcionava o aeroporto Tempelhof — coisas de uma cidade que passou anos divida em duas. De todo modo, está previsto para 3 de junho de 2012 o início da operação do aeroporto Berlin-Brandenburg (BER) — na verdade uma extensão do que hoje é o Schönefeld. Com o início das operações do novo aeroporto, está prevista a desativação do Tegel, o que torna sem efeito as dicas que eu dei acima a respeito dele. Em todo caso, até esta data, é uma boa opção usar o ônibus para ir até lá (verifique antes se a data de inauguração foi postergada). Para o Schönefeld — e também para o novo Berlin-Brandenburg, basta pegar a linha S9 do metrô, lembrando que é necessário adquirir um bilhete válido para a zona C.

A segunda situação em que vale à pena (e muito) usar ônibus são as linhas 100/200, de que já falei aqui. São linhas regulares (não são linhas especiais para turistas) que saem da Alexanderplatz e chegam à estação Zoologischer Garten, passando por caminhos diferentes. Elas interessam porque passam por vários pontos turísticos: a 100 passa pela Unter den Linden, pelo Parlamento, pela Haus der Kulturen der Welt, pelo Schloss Belevue, pela Siegesäule, dentre outros lugares. A segunda serve à Potsdamer Platz, à Filarmônica e ao Kulturforum. Se você tiver um bilhete múltiplo, pode subir e descer várias vezes, fazendo boa parte do roteiro turístico da cidade sem se cansar. E o melhor: do ônibus, você ainda vê a cidade.

Para encerrar, os cartões Berlin CityTourCard e Berlin WelcomeCard, além de oferecerem descontos em atrações turísticas, também permitem o uso do sistema de transporte público, ilimitadamente, por 48 horas, 72 horas ou 5 dias.

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