Tailândia, Vietnã e Camboja: precisa de visto?

Estátua de Buda nas ruínas de Ayuthaya, Tailândia

Estátua de Buda nas ruínas de Ayuthaya, Tailândia

O sudeste asiático é um destino distante do Brasil (literalmente). Ainda assim, cada vez mais brasileiros têm procurado conhecer aquele canto do mundo. Em minha recente viagem para a Tailândia, o Camboja e o Vietnã, encontrei poucos brasileiros, é verdade. De todo modo, como o número de países que exigem visto do Brasil é cada vez menor, surge a dúvida a respeito da necessidade de se obter um para viajar até esses países.

Tailândia

Para a Tailândia, não é necessário obter visto prévio para viagens a turismo. Na entrada, foi-me concedida autorização de permanência de três meses no país. O guia do Lonely Planet que eu usei para planejar minha viagem diz que a autorização costuma ser de 30 dias. Entretanto, de acordo com fontes diplomáticas que eu consultei, o Brasil faz parte de um seleto grupo de países que tem autorização de permanência de até 90 dias na Tailândia. Ponto para nós!

Controle sanitário no aeroporto de Bangkok

Controle sanitário no aeroporto de Bangkok

Por outro lado, visitantes de alguns países (entre eles o Brasil) precisam comprovar que têm vacina contra febre-amarela ANTES de entrar na fila da imigração. Depois que você sair do avião e entrar no aeroporto propriamente dito vai ver alguns guichês onde está escrito “Health Control” (veja a foto). Vá até um deles, preencha um formulário que é fornecido ali mesmo e o funcionário, depois de olhar seu cartão de vacinação, lançará um carimbo com a autorização sanitária. Só depois disso você deve entrar na fila da imigração. Se você entrar sem o carimbo da autoridade sanitária, vai perder tempo, pois eles vão te mandar voltar lá.

Lembrando que o cartão de vacinação que deve ser apresentado é aquele internacional, obtido nos postos da ANVISA dos aeroportos. Além disso, esse cartão costuma ser verificado pela companhia aérea já aqui no Brasil quando o destino final é a Tailândia (o nosso foi consultado pela Turkish Airlines quando fizemos o check in em São Paulo). Antes do pouso, são distribuídos os formulários da imigração e da alfândega que precisam ser preenchidos e entregues para as autoridades no aeroporto.

Vietnã

Visto vietnamita

Visto vietnamita

Já para o Vietnã, é necessário o visto para brasileiros. Há duas formas de obtê-lo. A primeira é direto na Embaixada, que fica em Brasília, no bairro do Lago Sul (endereço aqui). Para quem mora em Brasília, o procedimento é bem tranquilo. Basta ir até a Embaixada em horário comercial com os documentos que constam neste link, incluindo um formulário preenchido, que está disponível no link também.  O valor da taxa que eu paguei, em janeiro de 2012, foi de R$ 90,00, para visto de 15 dias e uma entrada. Os dados da conta para depósito do valor (uma conta do Banco do Brasil) podem ser obtidos pelo e-mail que consta no link indicado acima. Deixa-se o passaporte lá e uma semana depois ele já está disponível com o visto.

Portão no antigo palácio imperial de Hue, Vietnã

Portão no antigo palácio imperial de Hue, Vietnã

Para quem não mora em Brasília, é possível mandar tudo por Sedex para a Embaixada. Contudo, acho que a forma mais fácil é tentar obter o visto na chegada no Vietnã. Quando desembarquei em Hanoi, logo vi um guichê para solicitação do visto (visa, em inglês). É necessário, porém, obter previamente uma espécie de carta de aprovação, que é enviada por e-mail. Imprima e leve  com você para apresentação no momento da entrada, além de uma foto 3×4. Os detalhes podem ser obtidos pelo mesmo e-mail que consta do link mencionado. Encontrei um casal de brasileiros num trem no Vietnã que tinha usado esta opção e disseram que foi bem tranquilo. A taxa paga, inclusive, parece ser mais barata que a que eu paguei na Embaixada em Brasília. Em todo caso, paga-se duas taxas diferentes: para obter a carta que é enviada por e-mail, e no momento da obtenção do visto no aeroporto.

Caso você tenha obtido o visto previamente no Brasil, basta seguir direto para a fila da imigração, sem precisar preencher formulário algum. A autorização de permanência, porém, respeita estritamente o período que você pedir no momento da solicitação do visto (no meu caso, por exemplo, foi exatamente de 15 dias; existem, porém, vistos de 30 e de 90 dias).

Camboja

Visto cambojano

Visto cambojano

Brasileiros também precisam de visto para entrar no Camboja, embora sua obtenção seja simples. Não há embaixada no Brasil, então a obtenção do visto se dá na chegada mesmo. No aeroporto de Siem Reap, logo depois do desembarque, há uma placa escrito “Visa”; não vá direto para a imigração, pois eles vão te mandar voltar. Primeiro paga-se a taxa de 20 dólares (valor pago em fevereiro de 2012). Pode-se pagar com notas maiores, eles dão o troco em dólar mesmo. Também é necessário apresentar uma foto 3×4 — então, fica a dica, providencie algumas fotos já no Brasil. No mesmo momento, o funcionário já pega seu passaporte e os formulários de imigração entregues no avião. Chega a ser engraçada a fila de funcionários por onde passa seu passaporte a partir de então (não tirei nenhuma foto porque fiquei com receio de ser proibido). De todo modo o trâmite é rápido, quase automático. No final da tal fila, eles vão gritar seu nome e você pode pegar seu passaporte, já com o selo colado. Preste atenção, porque a pronúncia do nome pode ser bem difícil de entender. Depois, é só ir até o guichê da imigração. Concederam-me autorização para permanência de 30 dias.

Ruínas do Angkor Wat, Siem Reap, Camboja

Ruínas do Angkor Wat, Siem Reap, Camboja

Para encerrar o texto, lembro que o Brasil possui embaixadas em Bangkok e em Hanoi. Qualquer problema, não hesite em contactá-las. Não temos embaixada no Camboja, mas a embaixada em Bangkok é responsável por lá também.

Praga — Malá Strana e o castelo

Vista do Castelo, com a Ponte Carlos no meio e o bairro de Staré Mĕsto ao fundo

Vista do Castelo, com a Ponte Carlos no meio e o bairro de Staré Mĕsto ao fundo

Praga (cujo nome em tcheco é Praha) é basicamente dividida em duas pelo rio Vltava. De um lado está o centro histórico, no bairro conhecido como Staré Mĕsto (cidade antiga). Do mesmo lado, um pouco mais além, fica Nové Mĕsto (cidade nova). Do outro lado do rio, fica o castelo e o bairro Malá Strana. Unindo os dois lados, a famosa Ponte Carlos, cheia de estátuas e de turistas.

Entrada do Castelo de Praga

Entrada do Castelo de Praga

Comecemos pelo castelo e por Malá Strana. Na verdade, o “castelo” é um complexo de construções e edifícios, e não apenas uma única estrutura. Na minha opinião, vale muito a pena visitar a Catedral de São Vitus. Não é cobrada entrada e ela é linda por dentro, com vitrais impressionantes — há um inclusive do Alfons Mucha, o famoso artista art nouveau de Praga.

Fachada da Catedral de São Vitus

Fachada da Catedral de São Vitus

Vitral do Alfons Mucha dentro da Catedral

Vitral do Alfons Mucha dentro da Catedral

Lá dentro, contudo, uma cena me mostrou que tipo de problemas o excesso de turistas pode trazer. Em frente à escadinha que dá acesso ao túmulo do Rei Carlos IV — o tal que construiu a ponte e a própria catedral — havia uma corda vedando o acesso. Um papel dizia: “fechado por motivos técnicos”. Acontece que um pequeno grupo de turistas estava sendo acompanhado por uma guia em espanhol, e como ela falava muito bem, eu estava ouvindo (filando) um pouco das explicações. De repente, quando eles chegaram na frente da escada que desce ao túmulo, ela falou: “ahora vamos a bajar para ver el túmulo del Rey Carlos IV”, simplesmente tirou a cordinha e desceu com os espanhóis. Eu fiquei olhando aquilo, incrédulo, e ela apenas me lançou um olhar maléfico. Ou seja: o túmulo está fechado para a turistada, mas dependendo da visita guiada que você pagou, você pode ver. Não seria mais honesto avisar que só é possível visitar o túmulo se você contratou um guia credenciado pela igreja? Mas, numa cidade onde os turistas brotam do chão, esse tipo de coisa não devia me espantar, não é verdade?

A linda fachada da Basílica de São Jorge

A linda fachada da Basílica de São Jorge

Você pode andar pelas ruas de dentro do castelo sem pagar nada também, mas para visitar alguns outros edifícios, é necessário comprar um passe. Há o circuito pequeno e o circuito grande. Comprei o circuito pequeno porque me interessou visitar a Basílica de São Jorge, que tem uma linda fachada barroca em vermelho. Por dentro, que decepção: não há praticamente nada, a não ser alguns restos bem apagados de pinturas murais que um dia ornaram a igreja. O outro lugar incluído no “pacote” era o antigo Palácio Real; da mesma forma, tirando alguns quadros de reis e nobres, não há nada de especial. Os jardins do castelo são bonitos e agradáveis de qualquer forma, e não se paga nada para andar por eles. Para chegar ao castelo, pode-se usar tanto a estação Malostranská como a Hradčanská (ambas da linha verde A). Não usei, mas o sítio do castelo sugere também o bonde número 22, descendo na estação Pražský hrad (que significa exatamente Castelo de Praga).

Lindas pedras entalhadas da Galeria Nacional

Lindas pedras entalhadas da Galeria Nacional

Como o castelo fica numa parte alta da cidade, as vistas lá de cima sobre a cidade são lindas. Dá para ver a Ponte Carlos e o bairro de Staré Mĕsto. Logo ao lado da entrada do castelo, fica a Galeria Nacional. O acervo não me chamou muito a atenção, pois é bem clássico, mas a fachada do prédio é incrível, toda com pedras entalhadas.

Santuário Nossa Senhora de Loreto

Santuário Nossa Senhora de Loreto

Capela de Sant'Ana no interior do Santuário

Também nesta parte alta, não muito longe do castelo, fica o Santuário de Nossa Senhora de Loreto, de que gostei bastante. A fachada barroca me lembrou muito as igrejas mineiras; dentro, há uma linda construção representando a capela de Sant’Ana, a mãe de Maria. A entrada no Santuário é paga. Só desagradou a visita a grosseria da tia que estava “cuidando” do museu. No caso nem foi comigo, mas com um casal de franceses mais velho, que não fez nada demais, apenas se aproximou de uma parte em que não se podia entrar (e não havia nada indicando nisso). Achei boa a resposta do senhor: “desculpe-me, não sabia que não podia ir por ali, mas afinal pagamos para entrar, eu queria apenas olhar o que tem lá.” Fiquei tão revoltado com o tratamento dado a eles que fiz questão de tirar fotos escondidas, já que elas são proibidas lá. As fotos aí de cima são fruto consciente da minha desobediência civil.

Essa escultura bizarra fica logo na entrada do Museu Kafka. Mas o interior vale à pena!

Essa escultura bizarra fica logo na entrada do Museu Kafka. Mas o interior vale à pena!

Na parte baixa deste lado do rio, em Malá Strana, logo depois da ponte, fica a Igreja de São Nicolau (há duas em Praga, uma outra em Staré Město). Também não muito longe dali fica o Museu Franz Kafka, que foi uma grande surpresa para mim. O acervo não é lá essas coisas, mas é organizado de forma muito interessante.

Na parte de cima recria-se a história do escritor, inclusive o caminho que ele percorria em Praga para ir à escola todo dia. Ele dizia, aliás, que Praga é “uma mãe com dentes afiados”. Também conta os vários conflitos que ele teve com o pai e que foram apresentados no livro “Cartas ao Pai”. Achei interessante a parte dedicada às quatro mulheres que ele amou, um aspecto da vida dele que eu não conhecia. Na parte de baixo, há ambientes bem interessantes criados com inspiração em seus livros. Em um corredor de arquivos intermináveis e telefones antigos tocando sem parar, cria-se a sensação sufocante da burocracia que o escritor tantas vezes descreveu — como no livro O Processo. Também há um filme em uma sala branca reproduzindo a interminável jornada descrita em O Castelo, e uma reprodução do instrumento de tortura apresentado em A Colônia Penal. Essas partes são um pouco angustiantes, mas perfeitamente de acordo com a atmosfera dos livros. Saí de lá bem impressionado.

Jardins que rodeiam o Castelo

Jardins que rodeiam o Castelo

Este passeio por Malá Strana e o castelo pode facilmente tomar um dia. Mas você pode preferir deixar o Museu Franz Kafka para outro dia, principalmente por que dá para associá-lo ao Museu Alfons Mucha e conseguir desconto (o que eu pretendo explicar no próximo texto). É possível, claro, fazê-lo mais rápido, se você não visitar muitas coisas no castelo ou não entrar, por exemplo, na Galeria Nacional ou no Santuário Nossa Senhora de Loreto.