Peço desculpas aos amigos que já me conhecem há mais tempo, mas este texto é uma versão adaptada do que eu escrevi no blog que eu mantinha quando morei em Berlim. Naquela ocasião, tinha um blog basicamente para mandar notícias a todos no Brasil de maneira mais fácil. É lógico que, com esta finalidade, o texto lá tinha outro enfoque. Mas o que eu fiz aqui foi basicamente apenas reorganizar as mesmas informações. Ando sem tempo por causa do mestrado, e acho que é melhor publicar algo assim do que deixar o blog sem atualização por muito tempo.
É bom lembrar também que minha viagem aconteceu em 2009. Aproveitei uns dias depois que o curso de alemão terminou, antes de voltar ao Brasil, e fiz uma viagem para conhecer Praga, Viena e Budapeste (além de Weimar e Nurembergue na própria Alemanha). Como o texto anterior foi escrito bem na época da viagem, as informações estavam frescas e, portanto, vão depender menos da minha (des)memória atual. Mas, considerando o tempo transcorrido, algumas coisas certamente mudaram. Acho que o que eu escreverei aqui vai servir mais de orientações gerais para quem está pensando em conhecer a capital da República Tcheca. Para informações mais específicas, o melhor é mesmo um guia da sua preferência.
A primeira nota que eu vou repetir então é a seguinte: assim como em relação a Amsterdam, decepcionei-me um pouco com Praga. Quem leu o texto de Amsterdam já vai pensar: mas que cara chato, deve ser super exigente! Claro que, olhando agora com a distância de três anos, a perspectiva muda um pouco. Mas, conversando com amigos que já estiveram lá, até mesmo depois de mim, algumas observações foram parecidas. O primeiro ponto que me desagradou muito foi o que eu interpretei como falta de educação (bastante) generalizada. Hoje em dia, é verdade, credito muito dessa impressão a diferenças culturais: é só o jeitinho deles! Há quem coloque o fato como consequência dos anos em que o país viveu sob a Cortina de Ferro. Pode ser. Também percebi que uma certa dificuldade em lidar com inglês gerava falas mais ríspidas. Mas a experiência que eu tive em Budapeste — que também esteve atrás da Cortina de Ferro e também tem uma língua igualmente bizarra e diferente para nós — foi tão distinta, tão mais acolhedora, que eu tendo a achar que a grosseria é, de certa forma, um hábito local.
Veja bem: não estou dizendo que todos os tchecos são mal-educados, ou que vão te tratar mal! Tenho que admitir que parte do desconforto também veio da quantidade avassaladora de turistas que toma as ruas da parte histórica da cidade todos os dias. E imagine ser morador local e ter que lidar com isso sempre! Deve ser bem complicado, admito. Mas quem trabalha com turismo ganha dinheiro com esse movimento todo e tem que estar preparado. Um conhecimento razoável de inglês e um pouco mais de cordialidade ajudariam bastante.
Outra questão é que a gente acha que vai ver uma cidadezinha pequena e toda “fabricada” há centena de anos, sem grandes modificações. Mas Praga é uma cidade grande, com os problemas correspondentes. Afaste-se um pouco do centrinho turístico e você verá trânsito pesado, fumaça, prédios genéricos… enfim, a velha história das falsas expectativas!
Não dá, porém, para negar: um bom pedaço da cidade é, de fato, lindo! Tente imaginar aquilo tudo sem as toneladas de turistas, sei lá, alguns anos antes da queda do comunismo. Tudo bem que a cidade devia estar bem mais largada sem o dinheiro do turismo, mas acho que a essência estava preservada. Por isso, uma das dicas é: conheça a cidade em uma viagem romântica, acho que a experiência será bem diferente da minha, já que fui para lá sozinho. Ou então leve sua mãe, que vai ficar tão deslumbrada com a cidade que vai compensar qualquer perrengue da viagem em si. Acho que essas são as melhores combinações para se conhecer Praga. Para cair na farra, creio que a Europa oferece melhores alternativas em outras paragens.
Praga, aliás, costuma ser associada com Berlim pelos viajantes. De fato, de acordo com o sítio da Deutsche Bahn, a viagem direta entre as duas cidades dura em torno de 4 horas e meia. Aliás, no meio do caminho fica Dresden, que é uma cidade linda e vale a parada por pelo menos um dia. Como eu estava em Nurembergue antes, não peguei este trem (que tem o nome de EuroCity), mas dizem que a viagem é confortável e tranquila.
A primeira dificuldade começa aqui. A estação principal de trens em Praga chama-se Praha hlavní nádraží (abreviação Praha hl.n), e foi onde eu cheguei de Nurembergue. Há, contudo, ao norte, outra estação de trens internacional chamada Praha-Holešovice. Quando eu pesquisei na época, cheguei à conclusão de que a maioria dos trens internacionais (como para Viena, a cidade seguinte na minha viagem) passava pelas duas estações. Minha pesquisa atual diz a mesma coisa em relação aos trens que chegam de Berlim: o EC chega primeiro na Holešovice e depois vai para a hlavní nádraží. Assim, ao final da minha estadia em Praga, resolvi dirigir-me até a estação principal para comprar meu bilhete para Viena.
Fui até o guichê em que estava escrito “international tickets”. Você supõe que a pessoa que trabalha ali consegue se comunicar minimamente em inglês. Mas não foi o que aconteceu. A tia conseguiu me explicar que o trem saía na verdade da estação Holešovice, mas não conseguia interagir muito mais do que isso. Tentei perguntar, por exemplo, se podia comprar logo o ticket ali, para garantir meu lugar no trem. Ela limitava-se a gritar: “not here!” e o nome da outra estação. Fui para o balcão de informações, que também tinha uma placa “international” em cima. Ao fazer a mesma pergunta, a outra tia também se limitou a gritar: “not here, this information, not sell!” Desisti e tratei de correr para a outra estação para não perder o trem.
Se você estiver chegando de trem na cidade, acho que este não será um grande problema — tanto faz parar numa estação ou na outra. O único problema, caso você chegue na hlavní nádraží, será aceitar que aquela estação xexelenta serve a uma das principais capitais turísticas da Europa. OK, por fora, a estação, que data de 1871, é até bonita. Mas para quem estava (mal) acostumado com as estações alemãs, ter que desembarcar não numa plataforma, mas no meio dos trilhos, foi uma péssima recepção. Eu, que sou brasileiro, até que levei numa boa; divertido foi olhar a cara de pânico dos japoneses. Bem, mas isso foi em 2009, talvez agora a situação esteja melhor. A Holešovice, embora seja desinteressante do ponto de vista arquitetônico, é mais nova e mais funcional. O problema será se você for deixar a cidade de trem. Aí acho que o melhor é pedir ajuda no hotel para se informar melhor a respeito da estação de saída. A boa notícia é que ambas as estações são conectadas pela linha C do metrô. Em último caso, dá para ir de uma para outra com certa rapidez (foi, aliás, o que eu fiz).
Resolvido o problema da estação de trem, tome cuidado com o táxi: o pessoal notoriamente cobra preços bem acima da realidade. Só vi o alerta no Lonely Planet no final da viagem, então levei certamente vários golpes. Achava estranho ver corridas relativamente curtas ficarem mais caras do que eu pagava em Berlim, mas na hora da conversão você sempre se enrola (a República Tcheca não faz parte da Zona do Euro) e eu acabava pagando. No final tive a certeza: para ir até a estação de trem (errada), pedi para o albergue onde eu estava chamar o táxi para mim. Qual não foi minha surpresa ao ver que o preço ficou bem mais barato. Então, fica a dica: evite os táxis ou peça para alguém (hotel, restaurante) chamar para você.
De todo modo, a cidade é bastante compacta, e o legal é andar à pé para ver a beleza das ruas. Ainda assim, caso bata uma preguiça e a caminhada seja um pouco maior, o metrô de Praga é eficiente e algumas estações, na linha A (verde) são bonitas, revestidas de placas metálicas coloridas, como mostra a foto acima. Dá para ir até Malá Strana, do outro lado do rio, onde fica o castelo (com a linha verde). Nem pense em andar sem bilhete: em apenas quatro dias na cidade eu passei por dois controles. Uma das situações, aliás, foi bem bizarra: o cara me pediu o bilhete, quando eu já estava saindo da estação, em tcheco; como eu não entendi e ele não estava vestido com nenhum uniforme (supõe-se que os fiscais têm que se disfarçar de passageiros), eu ignorei, falei um “sorry” e segui em frente, achei que ele estava pedindo alguma coisa, sei lá. O cara me deu um encontrão e eu comecei a entrar em pânico: a estação estava cheia, mas o que fazer? Só então ele resolveu falar em inglês: “ticket”. Aliviado, mostrei o bilhete a ele. Enfim: se alguém vier falar com você em tcheco no metrô, mostre logo o bilhete por precaução. Se ainda assim ele continuar falando, fuja que é fria.










































































