Bruxelas

Place du Petit Sablon

Eu acho a Bélgica um país completamente subavaliado no mundo do turismo. Há um tempo atrás uma amiga me deu um livro chamado “Guia Michelíndio”, que se propõe basicamente, ao contrário da maioria dos guias de viagem, a dizer o que não devemos fazer em uma. O livro é engraçado, mas a autora diz que a Bélgica é um país a ser evitado, que não tem nada para se ver (ela faz uma exceção a Bruges). Pois eu discordo completamente dela.

Como eu disse no texto sobre Amsterdam, eu esperava muito da capital holandesa, e acabei me decepcionando um pouco. Já de Bruxelas, eu não esperava muita coisa e me surpreendi muito. A cidade não tem os charmosos canais da capital vizinha (já os teve, mas eles foram aterrados), mas tem outros lugares bonitos e alguns até bem grandiosos que me encheram os olhos.

Sem contar que o país é pequeno, então você pode ficar baseado em um lugar e conhecer de trem as “quatro estrelas” da Bélgica: Bruxelas, Bruges, Antuérpia e Ghent. Além de Bruxelas, porém, eu só fui a Bruges (que merece um texto à parte), então pretendo comentar apenas minhas impressões sobre a capital belga.

Palais de Justice e Place Poelaert

O centro de Bruxelas é dividido em uma parte alta e outra baixa. A parte alta tem menos atrações, mas as vistas são lindas, claro. Assim como em Salvador, há um elevador que leva de uma parte à outra, mas é perfeitamente possível fazer esse trecho à pé, descendo pela Rue de la Régence e, depois, pelo Mont des Arts, que é um passeio muito agradável. No topo da Rue de la Régence fica o Palácio de Justiça e a Place Poelaert. Da época imperialista da Bélgica, o Palácio tem uma cúpula maior até que a da Basílica de São Pedro, em Roma.

Notre Dame du Sablon

Nôtre-Dame du Sablon

Descendo-se pela Rue de la Régence, chega-se à Église Nôtre-Dame du Sablon. De um lado dela, fica a Praça do Grand Sablon (uma praça comum, mas rodeada de bares e lojas de chocolate). Do outro lado, fica o lindo Petit Sablon, uma praça-parque bem cuidada, cheia de estátuas retratando as profissões que constituíam as guildas medievais da cidade, com bancos e uma fonte. Uma parada lá é obrigatória. Depois do Petit Sablon, ainda na Rue de la Régence, fica a famosa loja de chocolates Côte d’Or, a única exclusiva da marca em todo o mundo. Certamente não é o melhor chocolate produzido na Bélgica, mas é a marca belga mais famosa, a que a gente sempre vê em outras lojas, de modo que é sempre uma boa lembrança para trazer para a família e amigos. E, de qualquer forma, é chocolate belga.

Vitrine no Museu Magritte

Você pode descer pelo Grand Sablon rumo à “cidade baixa”, mas recomendo seguir ainda um pouco mais pela Rue de la Régence, até a Place Royale. Ali fica a entrada para os Musées Royaux des Beaux-Arts, um complexo com vários museus que, recentemente, ganhou a adição do muito aguardado museu dedicado ao artista surrealista belga René Magritte, talvez o mais famoso do país. O acervo de pinturas não é muito amplo, mas há algumas obras bem emblemáticas, e muitos artigos biográficos, como objetos pessoais, cartas etc, além de filmes.

Mont des Arts visto de cima

Logo a seguir, na nossa batida Rue de la Régence, fica o geométrico Parc de Bruxelles, em frente do qual fica o Palais Royal, a antiga “casa” da monarquia belga. Mas é da Place Royale que fica a descida para a cidade baixa que eu adorei fazer. Já da praça você avista um grande parque com escadas que vão descendo até o centro antigo da cidade, numa região conhecida como Mont des Arts. A descida é bem agradável, embora o espaço não tenha nenhuma atração especial.

Grand Place

Uma vez na parte baixa, convém consultar um mapa, porque as ruas tornam-se labirínticas, mas é certo que o movimento sempre leva até a Grand Place. A Grand Place, a praça principal da cidade, é frequentemente listada como um dos lugares imperdíveis da Europa, e realmente causa uma impressão grandiloquente com seus prédios antigos com muitos detalhes em dourado. Além da prefeitura (o prédio maior a ocupar a praça), há um museu da cidade; as demais construções representavam as corporações de diferentes profissões, como padeiros, açougueiros e cervejeiros (esta última é identificada como Maison des Brasseurs e fica no número 10 da praça).

Manneken Pis

Perto da Grand Place fica uma das mais procuradas (e mais decepcionantes) atrações de Bruxelas: o Manneken Pis, aquela estátua de um menino fazendo xixi. Olha, a estátua fica numa esquina qualquer da cidade velha, e passaria despercebida por seu tamanho diminuto se não fosse pela quantidade de turista em volta tentando tirar uma foto. A única coisa interessante é que volta e meia eles vestem o menino com trajes os mais diferentes (como nesse dia em que eu fui).

Galeries Saint-Hubert

Também não longe da Grand Place fica uma linda galeria de lojas com teto de metal e vidro conhecida como Galeries Saint-Hubert, e que incluem três ruas diferentes: a Galerie de la Reine, a Galerie du Roi e a Galerie des Princes. Ali dentro há um cinema, cafés e várias lojas de chocolate.

Arco do Parc du Cinquantenaire

Bruxelas também é a “capital” da União Europeia, reunindo prédios onde as decisões da comunidade são tomadas, mas o prédio principal, onde fica a Comissão Europeia (conhecido como Berlaymont, que tem a forma da letra “Y”), não está aberto para visitação. Essa parte da cidade, entretanto, merece ser visitada por outro motivo: o agradável Parc du Cinquantenaire (entre as estações Schuman e Mérode do metrô), emoldurado por um lindo arco. Em volta dele, há alguns museus, como o Autoworld (de carros), um museu militar, mas nada que tenha despertado meu interesse. O passeio vale, na minha opinião, pela beleza do parque em si.

Longe do centro da cidade, em um subúrbio chamado Heysel, fica o interessante Atomium (não tenho nenhuma foto decente de lá, pois fui à noite, mas no site deles você pode ver algumas imagens). São nove esferas metálicas ligadas por túneis/colunas, que representam um átomo de ferro superampliado. Eu não entrei, mas é possível passear lá dentro, indo de uma esfera a outra por meio de escadas. Aberto para a Feira Mundial de Bruxelas de 1958, a decoração tem a tônica dessa época. Para chegar, pegue o metrô até a estação com o nome do bairro (Heysel) e siga orientações.

Ao sul do centro, no bairro de Ixelles, fica o buxixo ao redor da recém-revitalizada Praça Flagey. A praça ganhou esse nome por causa do edifício Flagey, onde antigamente funcionava uma emissora de rádio belga (La Maison de la Radio). O Café Belga é um bom ponto para experimentar vários tipos de cerveja local e ver gente à noite, quando a praça fica bem cheia. Há também uma carrocinha onde se pode comer a famosa batata frita belga.

Cervejas belgas no Café Belga, Place Flagey

O sistema de transporte de Bruxelas inclui, além de um metrô bem organizado, bondes que percorrem vários bairros. Assim, fica bem fácil se locomover pela cidade sem necessariamente recorrer-se aos táxis. De qualquer forma, a parte central é bem compacta e o mais agradável, de fato, é conhecê-la à pé.

Para encerrar, um país que tem como grandes atrações a cerveja, o chocolate e os quadrinhos (não necessariamente nessa ordem) sempre esteve no meu top list de destinos a conhecer. Que ele ainda tenha as atrações que eu listei nesse texto também contribui para aumentar seu apelo turístico. Tenho certeza de que se você tiver uns dias sobrando na sua viagem, um pulo até a Bélgica trará boas surpresas. Não se esqueça de fazer um brinde com uma boa cerveja trapista e comer uma trufa em minha homenagem.

7 comentários sobre “Bruxelas

  1. Oi, Tiago! Gostei muito do que você escreveu, realmente me identifiquei. As pessoas ficam surpresas comigo quando falo que gostei mais de Bruxelas e Bruges do que de Amsterdã. Esta, sinceramente, não me cativou. A cidade é bela, mas é ofuscada pelo atrativo do sexo e das drogas. Achei o clima meio pesado, mas é diferente, valeu a ida :) Parabéns pelo blog! Abs.

    • Obrigado, Rafaela! Não é que eu não gostei de Amsterdam, mas acho que a expectativas eram altas. Expectativa alta é sempre uma droga, em relação a qualquer coisa. Mas acho que vale a visita, eu mesmo acabei voltando lá um tempo depois. Abraços e volte sempre!

  2. Tiago,
    Em que época do ano você foi a Bélgica? Era durante a primavera?
    Parabéns pelo blog, está show!!!

    • Oi Maria, obrigado, que bom que gostou do blog! Eu fui à Bélgica em junho, acho que era bem no finalzinho da primavera, ainda não tinha começado o verão.

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