Marrocos – problemas que você pode enfrentar

Depois do texto anterior, em que eu expliquei porque uma viagem ao Marrocos é imperdível, tenho que falar dos problemas que você pode encontrar e como (tentar) contorná-los. Separei os temas por tópicos principais.

O Café Argana ao fundo da praça Djemaa el Fna, quando eu estive por lá...

... e depois da explosão (fonte Reuters)

1) Segurança: exatamente quando eu estava no Marrocos aconteceu o último incidente (conhecido) — um homem-bomba se explodiu no Café Argana, em plena Praça Djemaa el Fna (sim, aquela que eu considerei no texto anterior um dos pontos altos da viagem), matando quatorze pessoas e ferindo um monte. Felizmente eu tinha saído de Marrakech um dia antes. É um problema que não tem muito como enfrentar; talvez, no máximo, evitar locais muito turísticos. Porém, quando você está fazendo turismo, é possível de fato fazer isso sem pular grande parte das atrações locais? Passei pela Djemaa umas cinco vezes durante minha estadia em Marrakech e, embora eu não tenha ido ao Café Argana (que é listado no guia do Lonely Planet), fui em um próximo a ele.

De qualquer forma, o Marrocos, dentre outros países muçulmanos, parece ser um dos mais tranquilos. Antes desse “incidente”, houve uma explosão num cybercafé de Casablanca em 2007 — que ficava num subúrbio e, portanto, não houve turistas mortos. Antes disso, morreram turistas em várias explosões deflagradas em 16 de maio de 2003, também em Casablanca, no que foi o pior atentado terrorista do país. Como dá para ver, a frequência não é tão alta assim; o problema é não saber quando será a próxima bomba.

Mesmo assim, com exceção dessa questão terrorista, o país pareceu-me seguro no geral. A impressão que se tem é que crimes violentos são algo muito grave para eles, mas claro que, nas grandes cidades, furtos sempre podem ocorrer, e o que vale em Nova Iorque, São Paulo ou Roma vale no Marrocos também: atenção.

Só rapazes nesse portal na medina de Marrakech

2) Mulheres: no geral, não percebi grandes assédios às mulheres nas ruas, salvo um assobio assanhado, coisa que qualquer mulher brasileira que já passou na frente de uma obra deve ter vivenciado. Mesmo assim, não recomendo que mulheres viajem sozinhas, mesmo em grupos. Até vimos umas gringas sozinhas por lá, mas achei que o assédio a elas era um pouco maior. Na verdade, não recomendo nem a um homem que viaje sozinho para o Marrocos: o assédio é sempre maior para quem está só. Mulheres acompanhadas aparentemente não sofrem assédio de homens. Alguns cafés nas cidades marroquinas trazem uma visão que chega a ser engraçada: só homens sentados, nenhuma mulher no meio. Obivamente, esses lugares não são apropriados para moçoilas.

Ao contrário do estereótipo, a mulher marroquinha pareceu-me bem liberada. Vimos até motoristas de ônibus mulheres. Poucas usam roupas que só deixam os olhos de fora; em geral são mulheres mais velhas. No geral, elas usam um pano para cobrir os cabelos, mas um número razoável usava os cabelos soltos mesmo. Não preciso dizer que as vestimentas devem ser “recatadas”, evitando o uso de saias e shorts curtos, blusas decotadas etc. Aliás, até para homens acho que expor muita pele pode causar estranheza nos locais.

Perder-se na medina de Fez é fácil...

3) Perder-se na medina: como expliquei no texto anterior, considero a atividade de caminhar pelas medinas marroquinas um dos pontos altos da viagem. Mas as ruas são, de fato, labirínticas e sinuosas. Não me perdi para valer em momento algum; às vezes a gente dava umas voltas, mas no final encontrava o que estava procurando. Considero-me, porém, uma pessoa bem orientada, de modo que para pessoas com senso de orientação menos aguçado, isso pode tornar-se um problema real.

Se você tem preguiça de ficar procurando as coisas e tem medo de se perder, contrate logo um guia. De preferência no hotel onde você esteja, o que provavelmente evitará surpresas desagradáveis: o preço será combinado antes e você tem para quem reclamar caso aconteça algo de errado. Se você fizer isso no primeiro dia, de repente consegue se aventurar nos outros sozinho. Ainda assim, tendo contratado um guia antes ou não, atenha-se às ruas principais (algumas ruelas das medinas podem parecer bem lúgubres), carregue sempre um cartão do hotel onde você está e preste bastante atenção. Uma boa dica é, cada vez que você dobrar uma esquina ou fizer uma bifurcação, guardar algum detalhe para se lembrar na volta: uma placa, um comércio diferente, uma planta etc.

O portão Bab Bou Jeloud em Fez, um dos lugares onde vários falsos guias costumam abordar os turistas

4) Falsos guias e pessoas que te abordam nas ruas: infelizmente, é uma situação corriqueira, principalmente dentro das medinas, em pontos mais turísticos. Basta você parar um pouco para olhar o nome de uma rua, procurar num mapa, e já aparece alguém se oferendo para te levar — muitas vezes para onde você nem quer ir. Esse problema pode ser evitado com a contratação de um guia, já mencionada no item anterior: com ele dificilmente os “malas” vão te abordar e, se o fizerem, seu guia saberá se livrar deles.

Algumas pessoas vão te abordar dizendo que querem ser “seus amigos”. Considero que conhecer pessoas locais é uma ótima experiência de viagem, mas não se engane: no geral, eles querem te levar em alguma loja ou restaurante onde ganham comissão, ou querem te levar em pontos turísticos em troca de dinheiro, No geral, eu me livrava dessas pessoas com um “la, shukran” (não, obrigado, em árabe), ou então com a frase “je suis pas perdu!” (não estou perdido, em francês). No geral eles não insistiam muito, embora alguns ficassem “emburradinhos” com a negativa.

O único lugar em que eu realmente senti um pouco de receio foi num trem de Meknès para Fez. Na verdade, o trem para Fez é conhecido pelos rapazes que abordam gringos e turistas em geral, e eu já havia lido a respeito no Lonely Planet. Falam que são estudantes univeristários ou jovens professores voltando para a cidade, e no final querem te levar para algum hotel, vão dizer que o que você reservou é uma espelunca, ou, pior, um puteiro. Quando fomos de Casablanca até lá, um tentou nos abordar, mas quando eu disse que já havíamos reservado um riad e que havia uma pessoa nos esperando na estação, o cara logo desistiu.

Acontece que eu fiz uma viagem bate-e-volta de Fez até Meknès (de trem dura mais ou menos uma hora) e, nesse passeio, eu estava sozinho. A ida foi tranquila, mas, na volta, um cara me viu com o guia do Lonely Planet (aliás, um grande chamariz para eles, pois gringo adora esse guia) e puxou assunto. Inicialmente fui simpático, embora tenha evitado dar muito papo, mas esse foi insistente, não desistia fácil — e, como estava sozinho, dei o azar de ter um banco vago do meu lado no trem. Comecei a ficar assustado quando ele me perguntou se era verdade que no Brasil eles sequestravam pessoas e se eu já havia sido sequestrado. Fingi tranquilidade, esperei um pouco e disse que ia ao banheiro. Procurei sair do vagão onde estava e fiquei um tempo no banheiro. Nesse outro vagão, havia aquelas cabines coletivas. Escolhi uma quase cheia, em que havia dois senhores mais velhos e três meninas marroquinas e fiquei por lá até o final da viagem.

Uma tática muito usada pelos falsos guias (e também por vendedores, a respeito dos quais falarei no próximo item), é dizer que a atração que você procura está fechada e que não adianta ir até lá, por isso seria melhor ir aonde eles querem te levar — ou, no caso dos vendedores, continuar comprando. Desconfie sempre e prefira verificar a informação você mesmo, pois muitas vezes é apenas mais uma mentirinha.

Se eu levar a galinha e o vestido roxo ganho desconto?

5) Vendedores na medina: como relatei no texto anterior, a barganha faz parte da cultura local e é até divertida. O problema é que, em alguns lugares, depois que você entra, o vendedor pode ser muito insistente e fica difícil sair de mãos abanando. Se você não está nem um pouco interessado em comprar alguma coisa, é melhor nem entrar. Se não gostou de nada, saia rapidinho para não dar tempo de o vendedor ficar insistindo. Há lojas, claro, com preços fixos, e nessas ninguém enche muito seu saco — até barganhar deixa de ser necessário.

No geral, não tive problemas com isso, mas se você tem preguiça dessas situações, o melhor é deixar para comprar no free shop do aeroporto, correndo o risco de perder uma das experiências mais típicas e divertidas do Marrocos.

A medina de Marrakech, na minha opinião, foi a que tinha vendedores mais insistentes. Alguns praticamente nos catavam nas ruas. A de Fez é um pouco mais tranquila, mas também tem sua quota de vendedores-chiclete. Por isso, para não se estressar muito, prefira as medinas de cidades menores ou menos turísticas, como Meknès e Rabat. Aliás, eu achei a medina dessa última a mais tranquila de todas: em algumas lojas a gente tinha que praticamente pedir para alguém nos atender. E ninguém insistia muito para comprar.

Coca cola em árabe

6) Língua: a língua oficial do Marrocos é o árabe, embora existam diferenças entre o que se chama de árabe marroquino (Darija) e o chamado Modern Standard Arabic (MSA), ensinado nas escolas dos mais variados países árabes. O francês, obviamente, tem largo uso, herança da época do protetorado francês. Em lugares turísticos como hotéis e restaurantes, entretanto, percebi que quase todo mundo falava inglês. Mesmo os vendedores da medina, no geral, sabem se virar em inglês. Pessoas mais simples, porém, não sabem usar nem mesmo o francês — tive problemas com alguns taxistas, por exemplo.

Petits taxis vermelhos em Casablanca. Foto do blog oliverdang.wordpress.com

7) Táxis: talvez tenha sido meu grande aborrecimento da viagem. Claro, taxista picareta tem em todo lugar, e eu até peguei taxistas simpáticos por lá, que demonstraram curiosidade pelo Brasil e me falaram sobre o país deles. O problema é que muitos não querem ligar o taxímetro e, quando você quer combinar o preço, querem te cobrar bem mais caro do que o normal. Aqui vale as mesmas dicas de qualquer país: procure se informar antes quanto custa uma corrida até o lugar onde você quer ir. Sempre que entrar num táxi que tiver taxímetro, peça para ligá-lo; se ele não quiser, desça ou pergunte logo quanto ele vai te cobrar para deixar você no destino final. Os táxis que eu achei mais picaretas foram os de Casablanca, o que é compreensível, já que esta é a maior cidade do país.

No geral, os táxis são bem velhos, não dá muito para escolher. Outra coisa que assusta um pouco é que eles param no meio do caminho para pegar outras pessoas, caso elas estejam indo na mesma direção que você. Mas quanto a isso não tive problemas: é um costume local, e eles só pegam gente que esteja indo mais ou menos no mesmo caminho que eles.

Para chegar e sair das cidades, principalmente se você vai ficar na medina, recomendo combinar antes um transfer com o hotel que você reservou. Fiz isso em Marrakech e Fez. Os preços não são abusivos, você não corre o risco de se perder no primeiro contato que vai ter com a medina e não precisa se preocupar em achar um meio de transporte quando chega na cidade. Além disso, no caso de Fez, como eu relatei acima, pode ser uma boa maneira de se livrar dos marmanjos do trem.

A visão da chegada em Marrakech é bem árida...

... já a chegada a Fez é mais verde

8 ) Clima: quando fui, em maio (primavera para eles), o clima estava ótimo. Não pegamos muita chuva, de dia as temperaturas estavam razoáveis, na casa dos vinte e pouco graus; já à noite fazia até frio, com temperaturas abaixo de 15 graus: em Fez chegamos a pegar uns 8 graus à noite. Com base nessas temperaturas, cheguei à conclusão de que viajar no inverno para lá pode ser bem frio; vá preparado. Além disso, dizem que o verão costuma ser indecente de tanto calor. Por isso, meia estação é o mais recomendável.

Marrocos: 12 motivos para conhecer

O Marrocos sempre foi um destino que me fascinou, mas quando surgiu a oportunidade real de visitá-lo, confesso que fiquei com alguns receios. Seria um destino de fato seguro? O assédio de vendedores e de falsos guias, muitas vezes mencionado em guias e sites de viagens, seria realmente incômodo? E a comida, poderia me trazer problemas? A comunicação seria difícil? Enfim, vários questionamentos surgiram em minha cabeça sobre dificuldades que existem em qualquer viagem, mas que, em relação ao Marrocos, poderiam trazer preocupações extras. Como sou teimoso e curioso, fui mesmo assim. Claro, para alguns desses possíveis problemas preparei-me da melhor forma possível. Agora quero tentar relatar aqui no blog o que, de fato, foi um problema para mim, como isso pode ser contornado, e o que constitui, na verdade, simples lendas da medina.

Mas não queria que meu primeiro texto sobre o Marrocos fosse algo negativo, então decidi listar inicialmente os motivos imperdíveispara você ir àquele país. No próximo texto tentarei falar um pouco dos problemas que eu listei acima.

Medersa Ali ben Youssef, Marrakech

1)  Conhecer as várias medersas expalhadas no país e deliciar-se com a detalhista arquitetura árabe: medersas (ou madrassas) são escolas do Alcorão onde os meninos estudam. Muitas estão desativadas, mas foram restauradas e, hoje em dia, podem ser visitadas. A medersa Ali ben Youssef, em Marrakech, foi a mais esplendorosa que eu conheci, mas a Bou Inania, em Fez, também é muito bonita. Dentro, exemplos das mais finas técnicas decorativas típicas da arquitetura árabe, com lindos mosaicos e também trabalhos em gesso e em madeira. A respeito delas pretendo falar em outro texto.

Medina de Marrakech

2) Ser invadido pela multiplicidade de sons, cores e aromas da medina: considero que andar pelas ruas sinuosas das medinas do Marrocos foi uma das “atividades” mais interessantes na minha viagem. Só estando em uma para descrever como é, mas eu achei divertidíssimo. Talvez não seja para todo mundo, porque é bagunçado mesmo, você é abordado com certa frequência e tem que disputar espaço com burros e motocicletas. Algumas partes lembram camelôs genéricos do Brasil, com roupas, tênis e eletrônicos de origem duvidosa, mas uma boa parte das medinas é destinada a produtos do artesanato local ou para a venda de gêneros alimentícios.

Mesquita Hassan II

3) Visitar a grandiosa Mesquita Hassan II, em Casablanca: uma das maiores mesquitas do mundo árabe, a construção recente impressiona a todos e vale a parada na pouco interessante Casablanca. Mosaicos multicoloridos, lindas fontes usadas para os rituais de ablução dos fiéis e uma vista privilegiada do Atlântico compõem o cenário.

Tajine de frango com pimentões

4) Comer as especialidades locais: claro que você não precisa tomar sopa de lesma e de cabeça de cabrito (sério, isso é vendido por lá como comida de rua), mas há muita coisa saborosa na culinária marroquina e que a gente já está até acostumado. Couscous e cozidos com frutas secas (os tajines) já são bem difundidos por aqui e constituem o “feijão com arroz” da comida local, mas confesso que as saladinhas genéricas servidas de entrada e os doces à base de amêndoas e água de laranjera foram a grande surpresa nesse ponto.

Riad Salam Fès

5) Hospedar-se em um riad em Marrakech e em Fez: essas duas cidades possuem medinas gigantescas e, embora tenham bairros mais modernos construídos pelos franceses, o grande barato, ao menos para os turistas de primeira vez, é ficar na parte antiga. A melhor opção de hospedagem recebe o nome genérico de riad, que são em geral casas e palácios antigos que foram recuperados e oferecem atendimento bem personalizado (dada a quantidade reduzida de quartos), uma boa amostra da arquitetura tradicional marroquina, sem falar na hospitalidade dos funcionários. E os preços, se você fizer uma boa pesquisa, nem são tão caros.

Hora do chá: Fès et Gestes

6) Tomar chá de hortelã: OK, isso você pode fazer no Brasil, mas o ritual marroquino é o que importa. Onipresente em praticamente todas as refeições e também como bebida de boas-vindas, o chá de hortelã vem em lindas e ornamentadas chaleiras metálicas e é servido em copinhos de vidro. O chá é derramado com a chaleira bem alta, não sei bem por quê (talvez para esfriar um pouco). Peça sem ou com pouca açúcar; em geral, eles vinham adoçados demais pro meu gosto. E dizem que ainda é digestivo.

Jardin Majorelle

7) Visitar o Jardin Majorelle, em Marrakech: uma das poucas atrações da chamada Nouvelle Ville (a área nova construída pelos franceses), o jardim fica ao redor de uma residência comprada pelo Yves Saint-Laurent e seu parceiro Pierre Bergère, que a reformaram e a transforaram em ponto turístico. As cores azuis e amarelas fortes das paredes da casa, sem contar o colorido das flores do jardim e dos vasos de plantas, são marcantes, enchem os olhos e rendem excelentes fotos. A casa hoje abriga um museu.

Sandálias coloridas no souq de Fez

8 ) Comprar e pechinchar nos souqs: embora as medinas pareçam um grande mercado indistinto, há áreas mais residenciais e tranquilas. Os locais mais voltados ao comércio são conhecidos como souqs. Há muita quinquilharia e mercadorias genéricas, mas o artesanato local está bem representado, o que permite trazer boas lembrancinhas e enfeites para sua casa. Só não esqueça de pechinchar, sempre. Pode parecer meio chato, mas encare como uma brincadeira e a atividade pode, de fato, ser divertida. Diga que veio do Brasil e fale de futebol (eles adoram o esporte). Se o preço, desde o início, não te interessar, simplesmente deixe para lá e vá embora.

Portões do Palácio Real de Fez

9) Conhecer os portões do Palácio Real de Fez e o Palácio Bahia em Marrakech: praticamente todas as cidades importantes do Marrocos têm palácios reais, embora a capital do país seja Rabat — quando estive em Fez, por exemplo, o rei estava por lá. Normalmente fechados ao público, é possível ver um pouco do seu esplendor: as portas douradas do palácio em Fez são lindíssimas, talvez a atração mais fotografada da cidade; já o Palácio Bahia, em Marrakech, abre uma pequena parte de suas instalações para o turista, onde é possível ver a rica ornamentação criada pelos mestres artesãos locais.

Ruela azul e branca do kasbah de Rabat

1o) Ir a Rabat, a tranquila capital do país, e passear em sua medina menos estressante e no kasbah, a fortaleza que envolve a parte mais antiga da cidade: Rabat é, muitas vezes, ignorada pelos turistas, mas eu achei a cidade uma das boas surpresas da viagem. Bem menos caótica que Casablanca, fica a cerca de uma hora de trem da vizinha-megalópole, permitindo um passeio de um dia sem correria. A medina também é bem mais tranquila que em outras cidades, e os vendedores praticamente não te abordam. O kasbah, com suas casas brancas e azuis, é quase uma mini-Grécia no Marrocos.

Praça Djemaa el Fna à noite

11) Curtir a muvuca da praça Djemaa el-Fna, em Marrakech: uma pena que a praça tenha sido alvo recente de um homem-bomba. O local é o centro da medina de Marrakech, e por ali vê-se de tudo: homens encantadores de cobra, mulheres pintando turistas com henna vagabunda, travestis fazendo dança do ventre, barracas vendendo frutas secas e sucos de laranja. À noite enche de tendas que vendem comida feita na hora, e é frequentada tanto por turistas como por locais.

Hammam na Mesquita Hassan II, em Casablanca

12) Ir a um hammam: antigamente, as pessoas não costumavam ter banheiros em casa (uma realidade ainda nas casas mais pobres); assim, uma visita semanal ao menos ao hammam, ou banho público, virou uma tradição marroquina. Embora toda vizinhança costume ter seu banho público, a preços bem módicos, acho que você só deve ir a um deles acompanhado de um local, para não cometer nenhuma gafe e não ficar com cara de alienígena. De qualquer forma, os riads e algumas casas tipo spa oferecem a experiência por preços mais salgados, mas também com mais conforto e privacidade.

Recife e OIinda – Parte 2

Mar de prédios em Boa Viagem

Leia a primeira parte desse texto aqui.

Esculturas de Brennand em frente ao Marco Zero. A maior é a Coluna de Cristal

Ainda no centro histórico, na confluência das Avenidas Rio Branco e  Marquês de Olinda fica o chamado Marco Zero de Recife, uma área que abriga eventos e uma parte do carnaval de rua da cidade. De lá avistam-se várias esculturas do famoso artista pernambucano Francisco Brennand, entre elas a ”Coluna de Cristal”, com 32 metros de altura, com uma forma bastante fálica.

O pátio principal da oficina de Francisco Brennand, com o Templo Central no centro

Aliás, para quem gosta das esculturas do Brennand, é imperdível visitar sua oficina. Fica um pouco afastado do centro de Recife, numa área conhecida como Várzea, perto do campus da Universidade Federal do Pernambuco. O ideal é pedir para alguém te levar, um taxista ou algum guia indicado pelo hotel (eu fui com o amigo recifense). O lugar é um verdadeiro parque de esculturas, meio surreal, quase extraterrestre, mas a oficina continua funcionando, produzindo cerâmicas e obras de arte (que são caríssimas, diga-se de passagem). O lugar também abriga um restaurante agradável e de boa comida. Contudo, tenho que avisar que a oficina fica fechada aos sábados, domingos e feriados. Uma pena.

"Os Comediantes", Oficina Brennand

Outro membro do clã, Ricardo Brennand, também criou sua área cultural, um instituto que leva seu nome e fica num museu-castelo. Esse eu não visitei, então não tenho como opinar a respeito. De qualquer forma, embora pareça estranho um castelo meio “medieval” em Recife, as fotos do lugar enchem os olhos, e, dizem, o acervo tem obras interessantes e de renome. Certamente vou querer conhecer na minha próxima visita.

Vista noturna de Recife do alto do Paço do Alfândega

Voltando ao centro histórico, próximo ao Marco Zero, fica o shopping Paço da Alfândega. As lojas do shopping já foram mais interessantes, mas, de qualquer forma, vale olhar sua fachada, já que a construção é antiga (ali já funcionou um convento e um prédio da alfândega) e foi toda renovada. É lá também que fica a Livraria Cultura de Recife. Do shopping também se tem uma linda vista da foz do Rio e de algumas pontes do Recife Antigo, como a Ponte Maurício de Nassau.

Rua da Aurora

Cruzando a ponte e saindo da ilha onde fica o fica o Marco Zero, fica a linda Praça da República, cercada por prédios antigos como o Teatro Santa Izabel e o Palácio da Justiça. De lá já se observa, do outro lado do canal, a Rua da Aurora, com suas casinhas coloridas restauradas.

Para comer, conheci e recomendo:

Beijupirá

Prato de polvo no Beijupirá

1) Beijupirá, em Olinda: a primeira casa com esse nome fica em Porto de Galinhas, e há outras filiais em Maceió e Fernando de Noronha. O restaurante de Olinda, aparentemente, segue a mesma fórmula: a grande atração são os peixes e frutos do mar, mas há opções com outras carnes no cardápio também. O ambiente é aconchegante, um pouco clean, e explora a vegetação e os telhados do casario em volta. Não é baratinho, mas a comida é muito boa: meu picadinho de polvo estava ótimo. O único problema foi não terem conseguido chamar um táxi para nos levar de volta a Recife. Pegamos um na rua mesmo.

Oficina do Sabor

2) Oficina do Sabor, em Olinda: esse é o restaurante mais famoso e turístico de Olinda, embora haja controvérsias sobre a qualidade da comida. Quando comi lá, achei meu prato bom, embora nada excepcional, considerando que os preços também não são baratinhos. As vistas do restaurante são, de fato, lindas, e as caipirinhas valem a visita: a de siriguela estava uma delícia.

3) Ponte Nova, em Recife: localizado na Zona Norte da cidade, no bairro das Graças. O ambiente é elegante mas nada muito exagerado, quase com um ar de bistrô. A comida é contemporânea, misturando pratos de inspiração francesa e ingredientes locais. Vale à pena pesquisar outros restaurantes na área, que é bem movimentada e, certamente, tem outras opções interessantes.

4) Creperia Anjo Solto, em Recife: no bairro do Pina, no meio do caminho entre o centro e Boa Viagem, fica no final de uma galeria chamada Joana D’Arc. Como o público é mais jovem, oferece uma boa relação custo-benefício. Os crepes têm sabores variados e são bem gostosos. Preciso comentar que as caipirinhas também estavam ótimas! Ali também é um bom lugar para tentar saber qual é a boa da noite.

5) O restaurante da Oficina Brennand, já mencionado acima, tem pratos interessantes, com releituras de pratos locais e preços razoáveis. Uma boa pedida se você for visitar o local, já que a oficina fica meio distante da cidade.

Em suma, há motivos de sobra para conhecer Recife e Olinda. Pode não ser o paraíso nordestino das praias, mas rende um bom passeio para um feriadão ou uma parada de alguns dias antes de você ir para Porto de Galinhas ou outra praia da região. Sem falar que os recifenses são, no geral, animados e bastante acolhedores com os visitantes de fora.