Bem, eu deveria estar escrevendo coisas para o mestrado, mas aproveitando a visita da Anna do Nós No Mundo ao Rio, e de um material com fotos que eu já tinha preparado a respeito, resolvi escrever logo este texto sobre as bicicletas para alugar. Além disso, em tempo de Rio +20, com trânsito caótico, as bicicletas talvez sejam uma boa opção de mobilidade urbana.
As bicicletas do Bike Rio ficaram conhecidas como “laranjinhas” pois receberam o patrocínio do banco Itaú e têm essa cor. Ouvi por aí que tinha gente querendo boicotar para não ficar fazendo propaganda de banco à toa. Bem, cada um tem sua opinião a respeito, mas eu acho que o dinheiro para um programa desses tem que vir de algum lugar. Se um banco topou financiar uma parte, a publicidade parece ser uma forma razoável de compensação. Mas há outras formas de se alugar bicicleta no Rio, então cada um pode procurar o que acha mais correto.
Para turistas e moradores que não querem ter uma bicicleta (ou não podem, pois não têm onde guardar), o Bike Rio parece uma boa opção. É bom ressaltar, contudo, que a maioria das estações estão na Zona Sul do Rio (além de algumas no centro). Por isso pode parecer que ela é de fato para turista, não para os moradores usarem, por exemplo, para ir para o trabalho. Convém lembrar, porém, alguns fatos sobre o Rio: muitos deslocamentos para o trabalho são longos e, assim, inviabilizam o uso de uma bicicleta (salvo para os atletas de plantão); além disso, o clima costuma ser quente e úmido, deixando ainda mais complicado o uso da bicicleta associado a uma roupa de trabalho mais formal. Há a questão da geografia também: alguns bairros, como Santa Teresa, ficam dependurados em morros, o que torna difícil o uso da bicicleta. De qualquer forma, acho que o sistema pode servir, sim, ao carioca da Zona Sul que queira se deslocar de um bairro para outro para resolver alguma coisa. Também penso que poderia haver estações na Zona Norte e na Zona Oeste, também para “uso interno” dentro dessas áreas.
E como faz para usar o sistema? Em primeiro lugar, é necessário acessar o sítio deles (o domínio é meio bizarro: http://www.movesamba.com.br, mas também se acessa por http://www.mobilicidade.com.br/bikerio.asp). Nele você vai ter que fazer um cadastro com um número de telefone celular, que é como você acessa o sistema da rua (não se preocupe, ele aceita telefones de outros estados também, desde que você coloque o DDD). Depois disso, você vai ter que baixar o aplicativo para celular: tem para iPhone e para Android.
Feito isto, você pode adquirir dois tipos de passe: diário, por R$ 5,00 (dura 24 horas), ou mensal, por R$ 10,00 (atenção, estes preços podem mudar, confira sempre no site). Nem preciso dizer que se você for usar por mais de 2 dias, vale à pena comprar o passe mensal, ainda que você não vá ficar o mês inteiro usando. O passe mensal você pode adquirir no próprio site ou no aplicativo do telefone, o diário só no aplicativo mesmo. Para isto, você vai precisar de um cartão de crédito, claro. Esta operação de aquisição do passe, aliás, deve ser feita em casa ou no hotel, para você não precisar ficar dando bobeira com cartão de crédito na rua.
O aluguel da bicicleta em si, porém, é feito na rua mesmo. Você vai precisar encontrar uma estação que fique perto de onde você está. No sítio, na rubrica “estações”, você encontra um mapa com todas elas. É bom também já pensar num roteiro e num ponto de devolução, se não for o mesmo da retirada. Em todo caso, do celular também é possível ver onde ficam as estações. Pode acontecer, aliás, que na estação escolhida não haja nenhuma bicicleta: aí, você vai ter que procurar em outra próxima.
Antes de alugar, verifique se a bicicleta escolhida está com os pneus cheios, com o banco em bom estado, e se é possível ajustá-lo — outro dia aluguei uma cujo banco estava emperrado e não subia: não foi muito confortável andar com o banco baixo. Também é bom verificar se ela está com os freios. Ao abrir o aplicativo no celular, será pedido o telefone (com DDD) e a senha do cadastro. Feita a conexão, aparecerá o passe que você adquiriu. Clique na seta verde para prosseguir.
Toda estação tem um nome e um número, e é este que você tem que informar em seguida. Informado o número da estação, aparecerão as bicicletas disponíveis em laranja (as posições indisponíveis aparecem em cinza). Basta você clicar na bicicleta escolhida e aguardar a liberação. A luz verde ao lado da bicicleta vai acender e você vai ouvir o barulho do destravamento. Voilà: a bicicleta é sua por uma hora. Lembre-se de que este é um sistema criado para mobilidade urbana, ou seja: com passe diário ou mensal, você pode ficar com uma bicicleta, ininterruptamente, por até uma hora. Depois disso, tem que devolver em alguma estação e aguardar mais quinze minutos para alugar uma nova. Caso você passe de uma hora com a bike, será cobrado R$ 5,00 por hora extra.
Problemas verificados:
1) Conexão com a internet: se o 3G do seu celular não funciona direito (como o da minha querida operadora), tenha paciência, pois você precisará dele na rua na hora de alugar a bicicleta. Ou não: você pode fazê-lo também por telefone (atualmente pelos números (21) 4063-3111 ou (21) 3005-4316). É bom lembrar, porém, que na rua sempre faz barulho, o que dificulta um pouco ouvir a ligação.
2) Ouvi uma lenda urbana que diz que algumas pessoas foram vítimas de furto/roubo de seus celulares quando tentavam fazer o empréstimo. Eu, porém, vejo gente com o celular na mão fazendo isso o tempo todo, e nunca presenciei nada parecido. Todo cuidado, porém, é pouco: fique sempre alerta enquanto faz a operação de empréstimo.
3) Bicicletas com a corrente solta, com bancos que não ajustam etc: como disse acima, convém verificar o estado da bike antes de alugá-la, pois depois que você retirá-la da estação, vai ter que esperar quinze minutos para tentar um novo empréstimo.
4) Bicicletas-fantasma: a bicicleta está lá, na sua frente, mas ela não aparece no sistema. Aconteceu conosco na estação da rua José Linhares, no Leblon: a estação estava completinha, com todas as bicicletas, mas nenhuma aparecia no sistema. Mesmo após ligar, a atendente confirmou que nenhuma delas aparecia como disponível. Neste caso, nem adianta reclamar: eles não vão mandar alguém de imediato para resolver seu problema. Melhor procurar outra estação.
5) O sistema não reconhece a devolução: este também aconteceu comigo, e é o que ainda tem me preocupado. Devolvemos as bicicletas antes de completada uma hora, e quando tentamos fazer um novo empréstimo, 15 minutos depois, meu cadastro apontava que eu ainda estava com a bicicleta anterior em uso. A bicicleta estava lá, na minha frente, bem presa à estação, mas além de não aparecer como disponível, não constava que havia sido devolvida (isto aconteceu comigo, mas não com a bicicleta do meu amigo). Imediatamente liguei para o telefone (21) 4063-3999 (o número está nas placas das estações) e informei sobre o ocorrido. Parece que acontece com certa frequência, porque a atendente não duvidou do que eu disse. Em todo caso, alguns dias depois, ainda consta um débito de R$ 200,00 no meu cadastro, como se eu tivesse ficado com a bicicleta o dia inteiro e não a tivesse devolvido após as 22h, horário limite do sistema. Disseram-me para não me preocupar, que isto não virá cobrado no meu cartão, e que a verificação do problema demora um pouco. Vamos ver o que acontece.
Em todo caso, a dica é sempre verificar, na devolução, se a luz verde ao lado da bicicleta piscou. Este é o sinal de que o sistema reconheceu a bicicleta devolvida. Se não piscar e você não conseguir puxar a bicicleta de volta, melhor ligar logo e comunicar o ocorrido.
Ou seja: é um sistema com algumas falhas, mas que atende perfeitamente locais e turistas (os brasileiros, pelo menos). E qualquer dificuldade inicial vale à pena com imagens como estas, que eu tirei durante um passeio na Lagoa.
Atualização em 07.12.2012: estive recentemente no Rio e o sistema do Bike Rio já dá sinais de que está sobrecarregado. Num sábado, era impossível alugar uma bicicleta: as estações estavam quase sem nenhuma bicicleta e, naquelas em que hahia alguma, já tinha um monte de gente em volta tentando alugar. Acho que se for num dia de semana, é mais fácil de alugar; ou então programe-se para sair cedo de casa. É uma pena, o sistema é bem legal, espero que eles resolvam isso aumentando o número de bicicletas!





































