Um passeio à Galileia é um verdadeiro tour pelas passagens bíblicas. Se você é um cristão praticante, é um must go total. Se você, como eu, não é tão praticante, mas teve formação cristã, também pode ser muito interessante — acho que depende muito do guia, e a minha era excelente, lendo as respectivas passagens bíblicas em cada lugar que visitávamos. Se você não tem nenhum interesse religioso, é uma região bonita, e o Mar da Galileia dá um bom passeio.
A cidade principal e porta de entrata da Galileia é Nazaré. A cidade, crescida e caótica hoje em dia, deve estar longe daquela onde Jesus passou sua infância. De qualquer forma, Nazaré é basicamente árabe e, segundo o Lonely Planet, é a nova estrela gastronômica de Israel — não fiz nenhuma refeição por lá, então não posso confirmar –, o que, por si só, já torna a visita interessante.
Em todo caso, as atrações de Nazaré são, de fato, os locais de peregrinação cristã. Há dois locais que reivindicam o título de lugar onde Maria recebera a visita do anjo Gabriel: a Basília da Anunciação e a Igreja de São Gabriel. A primeira é católica e defende a ideia de que Maria recebeu a anunciação em sua casa. Há no local, realmente, uma pequena gruta, similar àquelas onde as pessoas viviam naquele tempo. A Basílica também é interessante porque recebe mosaicos com representações da virgem com o menino Jesus de várias comunidades católicas pelo mundo. O Brasil, claro, está representado, com um mosaico que mostra os pescadores encontrando a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Há representações, contudo, inusitadas, como a japonesa, que mostra Maria de quimono (e é linda).
Já a Igreja de São Gabriel é cristã ortodoxa, o que significa que ela está repleta daquelas relíquias típicas da religião ortodoxa. Eles defendem que Maria recebeu a anunciação no poço onde buscava água, e ali há, de fato, um poço com água para marcar o local – hoje em dia cheio de moedas!
Em Nazaré fica ainda a Igreja-Sinagoga onde Cristo supostamente pregou quando jovem. É bem simples, não tem praticamente decoração alguma, mas talvez aí esteja sua beleza.
Os outros lugares de peregrinação da Galileia ficam a uma certa distância de Nazaré; por isso, talvez compense contratar um guia ou um passeio-excursão. Ou então alugar um carro, mas é bom pegar junto um GPS para não se perder pelos caminhos. Estão lá as ruínas da cidade de Cafarnaum, templos construídos no Monte das Beatitudes (onde teria sido proferido o Sermão da Montanha), no Monte Tabor (onde aconteceu a transfiguração de Jesus), no local onde teria sido feito o milagre da multiplicação dos pães e peixes, enfim, uma verdadeira Disneylândia para cristãos. De qualquer forma, são lugares bonitos; no Monte das Beatitudes as vistas do Mar da Galileia servem de inspiração para qualquer um (foto que ilustra o inicio do texto).
A Galileia também é muito procurada por excursões para “batizados” nas águas do Rio Jordão. Acho mico total, mas, enfim, quem sou eu para julgar a fé alheia. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que o Rio Jordão é meio decepcionante; em muitos pontos é um fiapinho de água que deve ser diferente da imagem de grandiosidade bíblica que muitos têm. Além disso, nós até visitamos um lugar onde pode-se pagar um “batismo”, mas além de natureza duvidosa da coisa em si — comércio de algo que para essas pessoas é sagrado — eu achei a água meio suja por aquelas bandas. Mas eu trouxe um pouco numa garrafinha, just in case (nunca se sabe quando precisaremos de uma ajudinha “dos céus”). No final, claro, há uma lojinha com vários balangandãs, lembrancinhas, badulaques e produtos de Israel à venda. Achei tudo bem caro.
Ao norte do mar da Galileia, fica a região das Colinas de Golã, tomadas em parte por Israel durante a guerra-relâmpago de 1967. Uma parte ainda pertence à Síria, mas, hoje em dia, essa é uma das fronteiras menos problemáticas de Israel. Não conheci a região a fundo, mas visitamos um mirante com uma linda vista do Mar da Galileia — que, diga-se de passagem, pelo tamanho, está mais para um lago, mas é bonito. Sei que lá são produzidos muitos dos vinhos israelenses.

