Com o aumento dos voos da TAP para o Brasil — que, salvo engano, voa atualmente para São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Campinas e Porto Alegre — os brasileiros estão conhecendo cada vez mais Lisboa, uma cidade que antes era deixada de fora de muitos roteiros pela Europa. Foi por causa de um voo desses que, em 2008, eu conheci a capital portuguesa, e já voltei até lá duas vezes depois, sempre fazendo uma paradinha antes de voltar para o Brasil.
Fala-se muito na rixa entre brasileiros e portugueses, mas eu nunca tive problemas por lá. Certo, talvez o bom tratamento que eu tenha recebido é aplicado só aos turistas, não aos imigrantes. Mas o fato é que, talvez, hoje em dia, existam mais portugueses procurando oportunidades no Brasil que o contrário. De qualquer forma, acho a cidade linda, lembra muito nossas cidades coloniais, só que mais cuidada. As ladeiras infinitas explicam muito porque os portugueses resolverem construir cidades como Olinda, Rio de Janeiro, Ouro Preto, Salvador, dentre outras.
Se você ainda não conhece, recomendo muito a visita. Para tentar ajudar na escolha de um lugar para ficar, tentei dividir a cidade em algumas regiões (não necessariamente equivalentes aos bairros).
1) Baixa, Chiado e Rossio: são os lugares ideais para ficar se você não conhece a cidade. É bem central e ali estão algumas atrações, principalmente as mais históricas. Há estações de metrô e de bonde que facilitam o acesso às outras áreas com atrações turísticas. No caso do Rossio, fica lá a estação de trem que leva, por exemplo, à pitoresca cidade de Sintra, um dos passeios mais procurados para quem visita Portugal.
Já a área do Chiado é mais comercial, com várias lojas de marcas internacionais na Rua Garrett e arredores, além do mini shopping Armazéns do Chiado. Ali, portanto, as diárias devem ser um pouco mais caras. A Baixa é o bairro reconstruído pelo Marquês de Pombal após o terremoto de 1755, por isso o estilo clássico bem uniforme. É bastante movimentada durante o dia — embora vários lugares tenham cara de pega-turista –, mas tenho a impressão de que à noite deve ficar meio morto.
Em todo caso, os três bairros são bem compactos e ficam um ao lado do outro, de modo que é fácil se deslocar entre eles à pé — esse é o motivo de colocá-los juntos aqui.
2) Bairro Alto: fiquei aqui uma vez e, embora tenha gostado muito da hospedagem em si — na verdade, uma espécie de apartamento, bem confortável — devo dizer que a área é bastante boêmia e por isso à noite pode ficar bem barulhenta. Gosto muito do Bairro Alto, das suas ladeiras de paralelepípedos onde os locais e os turistas ficam bebendo aquelas caipirinhas que mais parecem baldes, pela rua mesmo, conversando e olhando o movimento. Além disso, é uma das melhores regiões para comer, com várias opções de restaurantes concentrados numa pequena área. Ainda assim, só recomendo ficar lá se você quiser aproveitar a vibe boêmia do bairro e não se incomodar com a muvuca que se forma quase todos os dias à noite.
Em todo caso, o Bairro Alto também fica bem ao lado das áreas indicadas no item anterior, de modo que você pode ficar nelas e aproveitar o BA à noite. O difícil é subir as ladeironas que dão acesso a ele todos os dias. Se for possível, fique no Chiado, próximo à Praça Luís de Camões, de onde o acesso ao Bairro Alto não é tão penoso.
3) Região da Avenida da Liberdade, Rato e Marquês de Pombal: a Avenida da Liberdade é uma via larga e arborizada que sai do Rossio rumo à Praça Marquês de Pombal. Há vários hotéis na própria avenida e nas ruas próximas a ela, alguns de grandes redes (como o Ibis Liberdade, o NH Liberdade, o Sofitel), o que torna a região muito procurada por turistas. Há uma linha de metrô que corre na avenida, facilitando o deslocamento.
Minha opinião: quanto mais perto do Rossio, melhor, pois você ficará mais próximo das atrações e da estação de trem, caso queira ir para Sintra. A Avenida da Liberdade, em si, é uma rua que vai subindo a partir do Rossio, o que significa que, para sair de lá, é bem fácil (é só descer), mas, na hora da volta, você certamente vai querer ir de metrô, nem que seja para se deslocar apenas duas estações. A região próxima à praça Marquês de Pombal é agradável, fica por lá o lindo Parque Eduardo VII, mas acho ela um pouco distante das atrações turísticas e dos lugares mais procurados para comer.
Já o Rato fica entre a Avenida Liberdade, o Bairro Alto e a praça Marquês de Pombal. Há vários hotéis nessa região, e por não ficar muito longe da Avenida Liberdade, o coloquei aqui. Há também uma outra estação de metrô dentro do bairro (cujo nome é, aliás, Rato), o que facilita, da mesma forma, o transporte para outras áreas.
4) Parque das Nações: a área mais “moderna” de Lisboa, é ideal se a sua parada na capital for apenas para dormir uma noite. Foi recuperada para a Expo 98, que aconteceu em Lisboa, e conta com algumas atrações: um oceanário bem interessante, um museu de ciências (ótimo para a garotada), um teleférico às margens do Rio Tejo (meio sem graça) e um shopping (Vasco da Gama). É a estação final da Linha Vermelha do metrô (ou seja, fica distante do centro), chamada Oriente, porque ali fica a estação de trem com o mesmo nome, também super nova e modernosa, criada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava.
A região do Parque das Nações, embora certamente mereça uma visita durante sua estadia em Lisboa, não tem exatamente a cara da cidade. Como dito, é uma região com ares mais modernos e, portanto, só recomendo a hospedagem aqui pelo rápido acesso ao aeroporto ou se você vier para algum congresso no centro de convenções da região. Em todo caso, por ter estação de metrô, há a possibilidade de deslocamento para a região central da cidade.
5) Alfama e Castelo: é a área mais pitoresca da cidade, aquela que reúne os maiores estereótipos que povoam a nossa mente a respeito de Lisboa: azulejos nas fachadas, casinhas com mulheres na janela e roupas dependuradas pelo lado de fora, ladeiras etc. Há atrações por ali, como o Castelo de São Jorge, a Catedral da Sé e vários miradouros, aqueles balcões com vistas de tirar o fôlego da cidade, tão característicos de Lisboa. Também reúne boas opções de restaurantes (embora em menor número que no Bairro Alto), mas não me parece ser uma região com muitas opções de hospedagem.
Difícil é lidar com as ladeiras íngremes do bairro todo dia. De qualquer forma, o mítico bonde 28 contorna o bairro e passa em vários pontos turísticos, facilitando a vida de quem fica por ali.
6) Belém: ir a Lisboa e não visitar Belém é praticamente um acinte. Belém respira história: era dali que partiam os navegadores portugueses (Vasco da Gama inclusive), e a Torre de Belém está ali para lembrar esse passado, pois servia para guardar a entrada de Lisboa. Também em Belém fica o Mosteiro dos Jerônimos, onde estão enterrados os luminares portugueses Vasco da Gama, Luís de Camões e Fernando Pessoa. Sem falar no Padrão dos Descobrimentos, nos famosos pastéis de Belém e no moderno Centro Cultural de Belém, de arte contemporânea, para dar um refresco em tanta história.
Dito tudo isso, não acredito que seja uma boa ficar por lá. O bairro fica a uns seis quilômetros do Rossio e, portanto, você vai ter que depender do bonde, do ônibus ou do táxi para ir ao centro. Há algumas opções de restaurante na região, mas elas não se comparam com as de outras áreas.














