Chicago – 10 motivos para você conhecer (Parte 2)

Sears Tower, vista do passeio de barco no rio

Este texto é uma continuação desse aqui.

5) Subir na Sears Tower e sentir um frio na barriga enquanto pisa em uma de suas plataformas de vidro: talvez seja o programa mais “turistão” de uma viagem a Chicago, mas quem se importa? O prédio (cujo nome oficial é Willis Tower), mesmo antes da queda das Torres Gêmeas, já ocupava o posto de mais alto dos Estados Unidos.

Vista da Sears Tower

A torre foi planejada, claro, para servir à companhia Sears (que já teve lojas inclusive no Brasil); porém, atualmente, é ocupada por várias empresas. Tem 108 andares, mas o Skydeck, a plataforma de observação, fica no 103.° andar. As vistas da cidade e do lago são lindas, e de lá é possível ver como, além do miolo do “The Loop”, a altura dos prédios diminui consideravelmente. Aliás, de lá se vê como a cidade é espalhada.

Japinhas em uma das caixas de vidro da Sears Tower

O grande barato do passeio, contudo, é entrar em uma das “caixas de vidro” que se projetam da fachada do prédio. Instaladas recentemente (em 2009), essas estruturas permitem que o visitante “saia” do prédio e “flutue” sobre a cidade, vendo a rua Wacker Drive a seus pés, lá embaixo (são 412 metros de altura!). Confesso que fiquei meio receoso de início (tenho medo de altura), mas quando vi uma japonesa saltitando sobre a plataforma, concluí que era seguro. Depois do medo do primeiro passo, fui me acostumando com a sensação. A propósito, o andar é todo fechado, inclusive as janelas — não há uma parte externa de observação, como no Empire State Building, em Nova Iorque.

Vista da Sears Tower para o norte. O prédio preto ao fundo, com duas torres em cima, é o John Hancock Center

Outra opção para ver a cidade lá de cima, (um pouco) mais baixa, é o John Hancock Center, mais ao norte da cidade. O observatório fica no 94.° andar, mas é possível tomar um drink apreciando a vista no Signature Lounge, que fica no 96.° andar.

Uma das cúpulas do Chicago Cultural Center

6) Admirar as cúpulas de vidro da antiga Biblioteca: o Chicago Cultural Center fica no centro da cidade, bem em frente à Wrigley Square do Millennium Park, e foi originalmente a Biblioteca Pública da cidade. Hoje em dia, abriga um escritório de turismo, onde é possível pegar informações sobre o prédio e sobre a cidade — a tia que nos atendeu foi simpaticíssima e teceu vários elogios ao Brasil, que ela havia conhecido há pouco tempo. Também tem exibições de arte e concertos na hora do almoço (veja a programação no escritório de turismo).

A outra cúpula do Chicago Cultural Center

Mas o grande objetivo da visita é ver as duas cúpulas de vidro gigantescas criadas por Louis Comfort Tiffany, uma das quais é a maior do mundo. Lindamente decoradas, as cúpulas são verdadeiros vitrais e enchem os olhos e o prédio de uma luz especial.

Pizzaria Uno, onde supostamente a iguaria foi inventada

7) Experimentar a famosa pizza de Chicago: essa famosa “iguaria” de Chicago mais parece uma torta que uma pizza. Tem uma massa alta, assada numa espécie de forma-assadeira redonda e alta. Não há muito consenso sobre o lugar que teria inventado esta receita local de pizza, mas um dos principais restaurantes apontados é a Pizzaria Uno (29 E Ohio St, na área de Near North), onde fomos. Dada a fama do lugar, chegue cedo, ou prepare-se para esperar um pouco. A decoração do lugar não tem nada de sofisticada, mas faz você se sentir dentro de um típico restaurante americano, o que torna a experiência, na minha opinião, interessante.

A cara da pizza...

Nossa pizza veio com pimentões, cebola, tomate e champignons por cima e, se eu me lembro bem, não há muitas variações (embora, salvo engano, haja uma versão mais simples, com menos “adereços”). É uma delícia, mas é também uma bomba: a desculpa perfeita que você estava procurando para sair da dieta, principalmente se a pizza for acompanhada de uma das cervejas que eles servem no local. Essa pizza da foto é tamanho pequeno, mas há versões maiores; ela foi, porém, perfeitamente suficiente para encher duas pessoas. Vá por mim, só peça uma maior se você estiver com mais pessoas, ou prepare-se para deixar muita comida no prato.

Não experimentei, mas, de acordo com o guia do Lonely Planet, a cadeia Giordano’s, com vários restaurantes pela cidade, oferece opções honestas caso a espera da Uno esteja muito longa.

Detalhe do mural "As Quatro Estações", de Marc Chagall

8) Andar pelo centro e descobrir obras de grandes nomes da arte: como eu mencionei no início da primeira parte do texto, o centro da cidade, conhecido como “The Loop”, é um verdadeiro museu a céu aberto, reunindo obras de artistas consagrados. Poucas cidades no mundo talvez ofereçam em suas ruas uma oferta tão qualificada de obras de arte — o que não deixa de dar uma certa invejinha. Não deixa de ser uma forma de democratizar o acesso à arte: afinal, ver um Picasso na esquina e não dentro de um museu certamente muda um pouco os paradigmas. Aqui vai um pequeno guia das principais obras:

Chicago, de Joan Miró

a) Chicago, de Joan Miró (69 W Washington St): lembra as esculturas do Miró que estão no Museu Reina Sofia em Madri ou na Fundação dele em Barcelona, mas num tamanho bem maior.

Picasso

b) Sem Título, de Pablo Picasso (50 W Washington St): pertinho da escultura do Miró, embora não tenha título, a escultura lembra um babuíno metálico gigante.

As Quatro Estações, de Marc Chagall

c) As Quatro Estações, de Marc Chagall (praça perto da esquina entre a Dearborn e a Monroe St): é, na verdade, um mural em forma de mosaico, bem ao estilo Chagall.

Flamingo, de Alexander Calder

d) Flamingo, de Alexander Calder (esquina das ruas Dearborn e Adams, em frente ao Kluczynski Federal Building): o pai dos móbiles modernos deu sua contribuição à arte de Chicago com essa linda escultura abstrata vermelha, que constrasta com as linhas retas e os vidros pretos do Kluczynski Federal Building, outro prédio do Mies van der Rohe.

Monument with Standing Beast, de Jean Dubuffet

e) Monument with Standing Beast, de Jean Dubuffet (100 W Randolph St): uma forma branca abstrata feita de fibra de vidro, com seus contornos bem delineados, parece ter sido desenhada à mão e recortada em um papel.

O "El" passando em frente à Harold Washington Library Center

9) Pegar o “El”, o famoso metrô elevado de Chicago, e ir parar em algum bairro residencial da cidade, conhecendo um outro lado dela: como disse acima, fora do miolo do The Loop, a cidade é bem diferente, com menos arranhacéus e um ar mais residencial. Ao norte há distritos como Near North, Gold Coast, Lakeview e Wrigleyville, com restaurantes, lojas e bares que podem render um bom passeio de algumas horas.

A estrutura do "El" sobre as ruas do centro da cidade

Mas o legal é pegar o metrô elevado da cidade para fazer o passeio, que faz você se sentir em um dos muitos filmes ou séries que se passam em Chicago, como “Curtindo a Vida Adoidado” ou “E.R.” (que ganhou na Globo o nome de “Plantão Médico”). O metrô elevado é algo que em qualquer outra cidade poderia ser sinônimo de degradação urbana (imagine morar perto de uma linha elevada de metrô), mas que acabou virando um dos símbolos de Chicago.

O apelido “El” (ou simplesmente “L”), aliás, vem de elevated em inglês. Apesar disso, algumas estações no centro da cidade são subterrâneas. O “El” chega até os aeroportos O’Hare e Midway e é possível comprar bilhetes múltiplos para vários dias (pretendo falar disso em outro texto).

Sobremesa no Blackbird

10) Aproveitar o crescente circuito gastronômico de Chicago: para quem não quer ficar só na pizza, Chicago tem ganhado destaque dentro dos Estados Unidos como destino gastronômico e conta com vários restaurantes estrelados no Guia Michelin. O precursor parece ter sido Charlie Trotter, e seu restaurante (chamado de… Charlie Trotter’s) tem duas estrelas do guia. Ainda assim, não me animei a conhecê-lo, pois fiquei com a impressão de que é um lugar muito formal (exige-se paletó, e os cozinheiros não podem rir na cozinha!!!)

Quis muito conhecer o restaurante Avec, da chef Koren Grieveson, recomendado tanto pelo Lonely Planet como pelo guia do Wallpaper, que parece não ser muito caro, tem uma decoração interessante (parece uma caixa de madeira), com algumas mesas comunais, sem contar o menu em si (tâmaras com bacon defumado chamaram minha atenção!). Só que estava fechado! Acabei indo no Blackbird (uma estrela do Michelin), que fica ao lado e tem a ajuda do mesmo chef executivo, Paul Kahan. O que eu achei: nos deixaram esperando do lado de fora, onde fazia um pouco de frio (não havia feito reserva porque era uma terça-feira e no hotel onde estava não acharam necessário). Depois de entrarmos, o atendimento foi atencioso, a comida estava boa (mas não achei inesquecível), e o preço foi um pouco salgado. O mesmo “grupo” ainda tem outro restaurante nas redondezas: o The Publican.

Parece que a tal culinária molecular também faz sucesso lá. O Alinea, do chef Grant Achatz, já foi mencionado pela jornalista Alexandra Forbes, do blog Boa Vida. E tem mantido suas 3 estrelas do Guia Michelin. Também achei interessante o Topolobampo, de comida mexicana, um dos preferidos na cidade pelo casal Obama (uma estrela no Michelin). Também chamaram minha atenção o Hot Chocolate e o Green Zebra, para os vegetarianos.

De todo modo, o que é preciso dizer é que você vai ter que sair do Loop para comer melhor. A região a oeste do Loop (que, assim como o Meatpacking District de Nova Iorque, já foi uma área de frigoríficos), principalmente a W Randolph St, se estabeleceu como um dos destinos gastronômicos: basta ver que, das minhas dicas, o Avec, o Blackbird, o The Publican e o Hot Chocolate ficam na região. Ir para o norte – para as áreas de Near North, Gold Coast e Lakeview — também é uma boa aposta.

Então, o que você está esperando para conhecer a cidade da Oprah e do Obama? Renovada e revitalizada, a cidade tem uma vibe de que é a próxima aposta americana, de que está em ascensão. E seus simpáticos habitantes, que ainda não adquiriram aquele ar blasé dos novaiorquinos, ficam orgulhosos de mostrá-la a quem se aventura por aquelas paragens.

Chicago – 10 motivos para você conhecer (Parte 1)

Chicago

Estava querendo escrever um texto sobre Chicago há tempos! Na viagem que fiz aos Estados Unidos em 2010, Chicago talvez tenha sido a grande surpresa. Certo, é uma cidade cheia de arranhacéus, mas isso não significa que ela seja feia ou opressora. Na verdade, os prédios altos ocupam só mesmo o miolo de Chicago; olhando-a por cima, dá para ver que o resto da cidade é bem menos vertical e bastante esparramado. Além do mais, o Lago Michigan – que mais parece um mar de tão grande — faz um contraponto ao mar de prédios.

O lago e os prédios vistos da Sears Tower

Chicago também é uma cidade que respira arte. O Art Institut of Chicago tem um acervo que não deixa nada a dever aos museus de Nova Iorque e de Washington. Há, ainda, esculturas de artistas como Picasso, Miró, Calder e Chagall encrustradas no centro da cidade, ao ar livre, para que qualquer um possa admirá-las. Alguns dos citados prédios são verdadeiras obras de arte da arquitetura moderna, desenhados por arquitetos de peso, como o holandês Mies van der Rohe; já o canadense Frank Gehry, o mesmo arquiteto que fez o Guggenheim de Bilbao, assinou um auditório de música no Millennium Park. E há ainda um circuito de teatros para aqueles com alguma saudade da Broadway.

Como eu fui em 2010, minhas observações são meio genéricas. Na verdade, meu objetivo com esse texto é mais convencer o leitor a visitar esta cidade que costuma ficar de fora dos roteiros da maioria dos brasileiros que visitam os Estados Unidos. Aqui vão meus 10 motivos para conhecer a “Windy City”, como Chicago é conhecida:

Calçadão em frente ao Lago Michigan

1) Fazer um passeio à pé pela margem do Lago Michigan até o Planetário Adler: como afirmei acima, o Lago Michigan, visto de sua margem ou mesmo do alto dos prédios do centro de Chicago, é bem vasto, perde-se de vista, dando a impressão de um mar bem calmo. Não vi se algum barco faz passeios por ele, mas um simples passeio pela margem já serve para apreciar sua beleza e ver o contraste entre as águas calmas de um lado, e o “mar de prédios” do outro. É impressionante como dois elementos tão distintos parecem harmonizar-se perfeitamente ali.

Buckingham Fountain

A partir do Millenium Park, aproxime-se da margem e comece a descer, rumo ao sul. Você logo verá a linda Buckingham Fountain, na área que já é chamada de Grant Park (embora a separação em relação ao Millenium Park parece ser apenas de uma rua). Embora exista uma avenida que acompanha a margem do lago, o calçadão (lakefront path) é amplo e bem tranquilo.

Shedd Aquarium

Siga descendo e logo você vai chegar ao Shedd Aquarium, o mais antigo do mundo! Não o visitei, mas há um mirante por ali de onde já é possível tirar lindas fotos. Mais adiante você verá o Field Museum, outra atração que pode servir de pausa no passeio. É um museu de história natural, e tem como grande atração Sue, a ossada mais completa de um Tyrannosaurus rex já encontrada!

Field Museum

Planetário Adler

Eu preferi contornar o aquário por fora e seguir pelo longo caminho que leva até o Planetário Adler, com sua linda cúpula. Na verdade, ele fica na ponta de uma península que avança sobre o lago. Como ele fica projetado, “entrando” no lago, as vistas dali são lindas! O planetário é o mais antigo das Américas e tem apresentações frequentes. Se você não quiser ver nenhuma apresentação, pode visitar só o prédio, onde há uma exposição abordando as descobertas sobre o universo e com alguns artefatos das expedições espaciais americanas; nesse caso, paga-se um valor só para a admissão (há um ingresso promocional que combina a visita com algum show). Independentemente de você visitar ou não o planetário por dentro, se o dia estiver bonito (como estava quando eu fui), não deixe de sentar-se um pouco no gramado do planetário para apreciar a vista da cidade e do lago.

Planetário Adler

Jardim em frente ao planetário e sua linda vista

Também às margens do lago, mas ao norte do caminho aqui descrito (depois do rio), fica o Navy Pier, com um daqueles parques de diversão típicos de filmes americanos — há uma roda gigante com mais de 40 metros de altura!

Cloud Gate, a grande atração do Millennium Park

2) Ver a arte por um outro prisma no Millennium Park: bem central, logo ao norte do Art Institut of Chicago, o Millennium Park é um dos lugares mais visitados da cidade. As grandes atrações do parque são intervenções de arte contemporânea que mostram como é possível (e interessante) mesclar obras de arte em um espaço público aberto.

Cidade e pessoas refletidas no Cloud Gate

A mais famosa delas, o Cloud Gate (apelidado carinhosamente de The Bean, ou “O Feijão”), é uma escultura gigantesca do artista anglo-indiano Anish Kapoor, feita de aço, com o formato de um… feijão (ou portão, você escolhe). O cloud do nome deve-se ao fato de que a estrutura é tão polida que reflete o céu. Mas todo mundo fica brincando de ver o próprio reflexo em diferentes formas, e que rendem muitas fotos legais.

Imagem projetada em um dos blocos da Crown Fountain

Outra obra/escultura/instalação do Millennium Park é a Crown Fountain. São duas “torres” de granito, uma de frente para a outra, mas com um grande espelho d’água entre ambas. O legal é que na parte de frente das torres há uma espécie de tela em que são exibidos vídeos — quando eu fui presenciei esse divertido vídeo de gente cuspindo água (foto acima).

Pritzker Pavilion

Também no parque fica o Jay Pritzker Pavilion, uma “concha” multiforme destinada principalmente a apresentações de música clássica (mas também para outras performances artísticas). Foi desenhado pelo arquiteto Frank Gehry, o mesmo do Guggenheim de Bilbao, e tem aquelas placas curvas, típicas do arquiteto e também presentes no museu espanhol. A maioria das apresentações são públicas: há alguns assentos fixos, mas muita gente senta no gramado mesmo.

Wrigley Square

Também no parque ficam a Wrigley Square — um semicírculo de colunas ao redor de uma fonte, cujo nome homenageia os doadores da família do magnata do chiclete William Wrigley Jr – e o Lurie Garden, com plantas nativas da região de Chicago.

Lurie Garden

Art Institute of Chicago, com seus leões

3) Conhecer o Art Institute of Chicago e apreciar obras-primas da arte americana: o acervo do Instituto de Arte de Chicago é enorme, equiparando-o, por exemplo, ao Metropolitan Museum em Nova Iorque. Há as tradicionais alas destinadas a artefatos egípcios, asiáticos, e à arte greco-romana. Há também um bom acervo de arte europeia e de impressionistas (como o Sisley que eu coloquei abaixo).

Quadro de Alfred Sisley

Art Institute of Chicago, Modern Wing

O Art Institute of Chicago tem atualmente dois prédios: o da frente, em estilo clássico, é vigiado por leões que são um dos símbolos da cidade; o anexo, chamado “Modern Wing”, do arquiteto italiano Renzo Piano, foi inaugurado em 2009.

Nighthawks, Edward Hopper

Mas meu grande interesse em visitar o museu foi ver algumas obras-primas da arte dos Estados Unidos, como coisas da Georgia O’Keeffe (que estudou lá) ou esse lindo quadro do Edward Hopper que me emocionou bastante ao vivo…

 

Passeio de barco pelo Rio Chicago

4) Fazer um passeio pelo rio que corta Chicago e ver seus arranhacéus por outros ângulos: se o tempo permitir (se você não for no auge do inverno ou se não estiver chovendo muito), recomendo com entusiasmo um passeio de barco pelo rio Chicago. Organizado pela Chicago Architecture Foundation, o passeio permite ver a área central da cidade (conhecida como “The Loop”) e boa parte dos prédios que a compõem de um ângulo diferente.

Nossa adorável guía

Os ingressos são vendidos na lojinha da fundação, localizada na Michigan Avenue, bem em frente ao Art Institute of Chicago. Já os barcos saem perto da ponte da Michigan Avenue que cruza o rio. Nossa guia era uma simpática senhora que sabia tudo sobre os prédios que nos circundavam e que apareciam a medida que o barco avançava. Ela nos contou que Chicago foi praticamente destruída em um incêndio em 1871 (colocaram a culpa em uma pobre vaca, depois a redimiram) e que, assim, a reconstrução foi oferecida a jovens e ousados arquitetos, que fundaram o que ficou conhecido como “Escola de Chicago”.

Tribune Tower

Wrigley Building e sua torre do relógio

Marina City, ou "Sabugo de Milho"

Chamaram a minha atenção, durante o passeio, a Tribune Tower, em estilo neogótico (onde funciona o Chicago Tribune); o Wrigley Building, com sua torre do relógio em estilo clássico; o Marina City (também conhecido como “Sabugo de Milho”, pela semelhança), uma tentativa de trazer de volta residentes para a área central da cidade; o IBM Plaza, projetado pelo arquiteto holandês Mies van der Rohe; a fachada sóbria e gigantesca do Merchandise Mart; a Sears Tower, claro, de que falarei a seguir; a Lake Point Tower, já perto do lago, com três pontas arredondadas, super exclusiva por estar sozinha em uma península; e o Aqua, com suas formas orgânicas que se projetam para fora do prédio.

IBM Plaza, do Mies van der Rohe

Merchandise Mart

A imponente e isolada Lake Point Tower

As projeções "orgânicas" do Aqua

Meu roteiro pelo México – Parte 2

Cancún e sua "faixa de areia"

Queria conhecer um pouco dos três “eixos” em minha viagem, e tinha vinte dias. Decidi começar logo pela Riviera Maia e aproveitar um pouco da praia. Escolhi o voo de São Paulo até a Cidade do México e, de lá, até Cancún (deixei para conhecer a capital no final da viagem). Quando preparava minha viagem, já tinha recebido recomendações de NÃO perder tempo em Cancún. Dormi apenas uma noite lá, para descansar. A cidade realmente pareceu-me artificial. Quer dizer, a Zona Hotelera, ou Isla Cancún, uma estreita e comprida faixa de terra onde ficam os resorts e boa parte do agito. Como os resorts ocupam a faixa costeira externa da ilha, quando você passa pela avenida que a cruza de norte a sul, não vê quase nada da praia (quem é acostumado com a orla do Rio vai achar tétrico).

Sem contar que, depois do furacão Wilma, em 2005, o mar comeu um bom pedaço da praia e tem hotel que não tem mais areia para oferecer aos hóspedes. Afinal, a impressão que dá é que Cancún é uma cidade que poderia estar nos Estados Unidos, e acredito que boa parte das pessoas não vai até o México para ver gringo.

Playa del Carmen

No dia seguinte, rumei para Playa del Carmen, uma cidade mais ou menos uma hora ao sul de Cancún, que está crescendo muito, mas ainda mantém um certo charme de cidadezinha de praia no Brasil (pense, sei lá, numa coisa meio Búzios, meio Pipa, algo do gênero). Mas você pode escolher os vários resorts que ficam ao sul ou ao norte de Playa para ficar. Além disso, é de Playa del Carmen que saem os ferries para a ilha de Cozumel. A cidade ainda é uma boa base para contratar um mergulho nas barreiras de coral que povoam essa parte do litoral. Tanto de Playa como de outras cidades da Riviera Maia, pode-se também visitar algumas ruínas maias, como Tulún (uma cidade-ruína na beira do mar) e a mais famosa, Chichen Itzá (na verdade, na forma como a conhecemos hoje, é um misto das culturas maia e tolteca), que virou uma das sete mararavilhas do mundo moderno após aquela votação que também elegeu o Cristo Redentor.

Palenque

De lá, o trecho mais trash da viagem. Foram umas 17 horas dentro de um ônibus noturno até Palenque, já na província de Chiapas. Queria muito visitar essa cidade-ruína maia, e não me arrependi. A moderna Palenque já é uma cidade grande, mas a antiga cidade maia fica num parque, cercada pela selva do sul do México. Muito calor e muitas fotos lindas! Como a cidade moderna não tem muitos atrativos, para visitar as ruínas, um dia está de bom tamanho.

San Cristóbal de las Casas

Umas 5 horas de ônibus e estava en San Cristobal de las Casas, a “capital cultural” de Chiapas e centro para a rica comunidade indígena que vive na região. Que delícia de cidade, com casinhas coloniais coloridas, e tanto turista do outro lado do Atlântico que a cidade quase ganha ares europeus. Sem contar que é uma cidade alta, então é bem mais fresca que a parte mais baixa da província (um casaco é necessário).

Oaxaca

Minha próxima escolha era Oaxaca, capital da província de… Oaxaca. Oaxaca é conhecida por vários motivos. É uma cidade com algumas construções do período colonial, com um casario colorido que faz lembrar os quadros da Frida Kahlo. Além disso, tornou-se um centro de arte dentro do México, com várias galerias espalhadas pela cidade, vendendo desde objetos tradicionais do artesanato local (como os famosos alebrijes, animais coloridíssimos de madeira) até arte contemporânea. Também fica próxima de Monte Albán, uma outra cidade-ruína da época pré-colombiana da cultura zapoteca, para onde saem passeios de meio-dia de Oaxaca (das ruínas, mais altas, vê-se a cidade no vale). De outro lado, é uma cidade conhecida por reunir protestos e manifestações de rua. Não peguei nada disso quando passei por lá, embora tenha visto muita gente acampada na praça central da cidade; mas alguns dias depois vi na TV que houve alguns conflitos nas ruas da cidade.

Para ir de San Cristóbal de las Casas para Oaxaca de forma rápida, tive que pesquisar e arriscar. Há, claro, ônibus que fazem o percurso, mas eles demoram de 12 a 18 horas e eu não queria perder tanto tempo assim — sem falar que já havia pegado uma viagem longa de ônibus de Playa del Carmem até Palenque dias antes. San Cristóbal não tem aeroporto, mas Tuxtla Gutiérrez, a capital da província de Chiapas, sim. Tuxtla fica a cerca de uma hora de ônibus de San Cristóbal, e a viagem é bem tranquila, numa autopista larga e com asfalto bom. Acontece que as principais companhias aéreas do México, Aeroméxico e Mexicana, não faziam o trecho até Oaxaca direto — teria que ir até Cidade do México e fazer uma conexão, o que seria uma volta danada. Descobri que havia uma empresa chamada Alma de México que fazia este percurso direto. Era uma empresa low cost baseada em Guadalajara e que, infelizmente, fechou as portas no final de 2008. Nunca tinha ouvido falar dela, mas resolvi arriscar mesmo assim. O voo foi feito num desses jatinhos menores, mas foi bem tranquilo. Valeu à pena arriscar.

Monte Albán

Recomendo uns três dias para Oaxaca, principalmente porque você vai querer visitar Monte Albán, alguns lugares coloniais e, de repente, algumas das galerias mais conhecidas da cidade. Sem falar na culinária, que é bem famosa dentro do México, como os molhos (moles) à base de chocolate. Oaxaca é o centro de produção do mezcal, uma outra bebida obtida a partir do agave (a mesma planta de que é feita a tequila), mais forte e que traz, muitas vezes, aquele verme no fundo da garrafa (não se preocupe, você não é obrigado a comê-lo, mas depois de umas doses… quem garante?)