Praga — Malá Strana e o castelo

Vista do Castelo, com a Ponte Carlos no meio e o bairro de Staré Mĕsto ao fundo

Vista do Castelo, com a Ponte Carlos no meio e o bairro de Staré Mĕsto ao fundo

Praga (cujo nome em tcheco é Praha) é basicamente dividida em duas pelo rio Vltava. De um lado está o centro histórico, no bairro conhecido como Staré Mĕsto (cidade antiga). Do mesmo lado, um pouco mais além, fica Nové Mĕsto (cidade nova). Do outro lado do rio, fica o castelo e o bairro Malá Strana. Unindo os dois lados, a famosa Ponte Carlos, cheia de estátuas e de turistas.

Entrada do Castelo de Praga

Entrada do Castelo de Praga

Comecemos pelo castelo e por Malá Strana. Na verdade, o “castelo” é um complexo de construções e edifícios, e não apenas uma única estrutura. Na minha opinião, vale muito a pena visitar a Catedral de São Vitus. Não é cobrada entrada e ela é linda por dentro, com vitrais impressionantes — há um inclusive do Alfons Mucha, o famoso artista art nouveau de Praga.

Fachada da Catedral de São Vitus

Fachada da Catedral de São Vitus

Vitral do Alfons Mucha dentro da Catedral

Vitral do Alfons Mucha dentro da Catedral

Lá dentro, contudo, uma cena me mostrou que tipo de problemas o excesso de turistas pode trazer. Em frente à escadinha que dá acesso ao túmulo do Rei Carlos IV — o tal que construiu a ponte e a própria catedral — havia uma corda vedando o acesso. Um papel dizia: “fechado por motivos técnicos”. Acontece que um pequeno grupo de turistas estava sendo acompanhado por uma guia em espanhol, e como ela falava muito bem, eu estava ouvindo (filando) um pouco das explicações. De repente, quando eles chegaram na frente da escada que desce ao túmulo, ela falou: “ahora vamos a bajar para ver el túmulo del Rey Carlos IV”, simplesmente tirou a cordinha e desceu com os espanhóis. Eu fiquei olhando aquilo, incrédulo, e ela apenas me lançou um olhar maléfico. Ou seja: o túmulo está fechado para a turistada, mas dependendo da visita guiada que você pagou, você pode ver. Não seria mais honesto avisar que só é possível visitar o túmulo se você contratou um guia credenciado pela igreja? Mas, numa cidade onde os turistas brotam do chão, esse tipo de coisa não devia me espantar, não é verdade?

A linda fachada da Basílica de São Jorge

A linda fachada da Basílica de São Jorge

Você pode andar pelas ruas de dentro do castelo sem pagar nada também, mas para visitar alguns outros edifícios, é necessário comprar um passe. Há o circuito pequeno e o circuito grande. Comprei o circuito pequeno porque me interessou visitar a Basílica de São Jorge, que tem uma linda fachada barroca em vermelho. Por dentro, que decepção: não há praticamente nada, a não ser alguns restos bem apagados de pinturas murais que um dia ornaram a igreja. O outro lugar incluído no “pacote” era o antigo Palácio Real; da mesma forma, tirando alguns quadros de reis e nobres, não há nada de especial. Os jardins do castelo são bonitos e agradáveis de qualquer forma, e não se paga nada para andar por eles. Para chegar ao castelo, pode-se usar tanto a estação Malostranská como a Hradčanská (ambas da linha verde A). Não usei, mas o sítio do castelo sugere também o bonde número 22, descendo na estação Pražský hrad (que significa exatamente Castelo de Praga).

Lindas pedras entalhadas da Galeria Nacional

Lindas pedras entalhadas da Galeria Nacional

Como o castelo fica numa parte alta da cidade, as vistas lá de cima sobre a cidade são lindas. Dá para ver a Ponte Carlos e o bairro de Staré Mĕsto. Logo ao lado da entrada do castelo, fica a Galeria Nacional. O acervo não me chamou muito a atenção, pois é bem clássico, mas a fachada do prédio é incrível, toda com pedras entalhadas.

Santuário Nossa Senhora de Loreto

Santuário Nossa Senhora de Loreto

Capela de Sant'Ana no interior do Santuário

Também nesta parte alta, não muito longe do castelo, fica o Santuário de Nossa Senhora de Loreto, de que gostei bastante. A fachada barroca me lembrou muito as igrejas mineiras; dentro, há uma linda construção representando a capela de Sant’Ana, a mãe de Maria. A entrada no Santuário é paga. Só desagradou a visita a grosseria da tia que estava “cuidando” do museu. No caso nem foi comigo, mas com um casal de franceses mais velho, que não fez nada demais, apenas se aproximou de uma parte em que não se podia entrar (e não havia nada indicando nisso). Achei boa a resposta do senhor: “desculpe-me, não sabia que não podia ir por ali, mas afinal pagamos para entrar, eu queria apenas olhar o que tem lá.” Fiquei tão revoltado com o tratamento dado a eles que fiz questão de tirar fotos escondidas, já que elas são proibidas lá. As fotos aí de cima são fruto consciente da minha desobediência civil.

Essa escultura bizarra fica logo na entrada do Museu Kafka. Mas o interior vale à pena!

Essa escultura bizarra fica logo na entrada do Museu Kafka. Mas o interior vale à pena!

Na parte baixa deste lado do rio, em Malá Strana, logo depois da ponte, fica a Igreja de São Nicolau (há duas em Praga, uma outra em Staré Město). Também não muito longe dali fica o Museu Franz Kafka, que foi uma grande surpresa para mim. O acervo não é lá essas coisas, mas é organizado de forma muito interessante.

Na parte de cima recria-se a história do escritor, inclusive o caminho que ele percorria em Praga para ir à escola todo dia. Ele dizia, aliás, que Praga é “uma mãe com dentes afiados”. Também conta os vários conflitos que ele teve com o pai e que foram apresentados no livro “Cartas ao Pai”. Achei interessante a parte dedicada às quatro mulheres que ele amou, um aspecto da vida dele que eu não conhecia. Na parte de baixo, há ambientes bem interessantes criados com inspiração em seus livros. Em um corredor de arquivos intermináveis e telefones antigos tocando sem parar, cria-se a sensação sufocante da burocracia que o escritor tantas vezes descreveu — como no livro O Processo. Também há um filme em uma sala branca reproduzindo a interminável jornada descrita em O Castelo, e uma reprodução do instrumento de tortura apresentado em A Colônia Penal. Essas partes são um pouco angustiantes, mas perfeitamente de acordo com a atmosfera dos livros. Saí de lá bem impressionado.

Jardins que rodeiam o Castelo

Jardins que rodeiam o Castelo

Este passeio por Malá Strana e o castelo pode facilmente tomar um dia. Mas você pode preferir deixar o Museu Franz Kafka para outro dia, principalmente por que dá para associá-lo ao Museu Alfons Mucha e conseguir desconto (o que eu pretendo explicar no próximo texto). É possível, claro, fazê-lo mais rápido, se você não visitar muitas coisas no castelo ou não entrar, por exemplo, na Galeria Nacional ou no Santuário Nossa Senhora de Loreto.