Ano passado relatei minha experiência de réveillon em Trancoso. Esse ano pretendo falar sobre o réveillon que passei na Praia do Rosa, em Santa Catarina, na virada de 2010 para 2011.
A Praia da Rosa fica oficialmente no município de Imbituba, no caminho para Garopaba, ao sul da Ilha de Santa Catarina (a “parte turística” da capital Florianópolis). A cidade de Garopaba sempre foi bastante associada ao surf, já que foi lá que surgiu a marca Mormaii — embora, como mostra a foto acima, a cidade seja bem antiga. A Praia do Rosa, também bastante procurada por surfistas, fica alguns quilômetros distante do centro de Garopaba e conta com uma estrutura própria.
É verdade que falar em “estrutura” talvez seja um exagero, já que boa parte das ruas não tem qualquer tipo de pavimentação e a vila tem um ar bem rústico. Mas acho que isso faz parte do charme procurado por quem vai para lá, e não significa que o lugar não tenha nada a oferecer a quem procure algo mais confortável ou requintado. Comi em excelentes restaurantes — há opções de comida tailandesa, japonesa e italiana, por exemplo. Além disso, há pousadas charmosas (e caras), com toda a infraestrutura de um hotel bem equipado.
De qualquer forma, em comparação com o destino de que eu falei ano passado (Trancoso), acho que a Praia do Rosa (ou simplesmente Rosa) é menos jet-set e os preços ainda são bem mais em conta. Embora num volume largamente inferior que a capital Florianópolis, o número de pessoas lá na época do réveillon era considerável, de modo que quem quer agito e badalação também não vai se decepcionar.
Mas vamos do começo. Como faz para chegar lá? Pode-se ir de ônibus a partir da rodoviária de Florianópolis, com destino a Garopaba, mas ele não para na Praia do Rosa. É possível parar na SC-434 (veja mapa acima), no caminho para Garopaba, mas de lá até o “centro” da Praia do Rosa em si há ainda uma distância considerável. Algumas pessoas do nosso grupo conversaram com o dono da nossa pousada e ele gentilmente se ofereceu para buscá-las nesse local; é possível que você consiga combinar alguma coisa semelhante no lugar em que for ficar.
Eu preferi alugar um carro em Florianópolis e ir dirigindo até lá. O caminho é pela perigosa BR-101 (veja mapa acima), que percorre toda a Região Sul, mas o trecho de Floripa até lá é bem tranquilo e está quase todo duplicado. Na ida gastamos menos de 1 hora, mas a volta foi mais complicada, pois pegamos muita gente voltando para casa nas estradas, e os trechos não-duplicados acabaram engarrafando. Por isso, se tiver voo marcado em Florianópolis na volta, programe-se para sair com bastante antecedência do Rosa.
A praia em si é linda, como é possível ver pelas fotos que eu coloquei aqui, mas também é bem perigosa. Passamos pela desagradável experiência de ver uma mulher morrer afogada a poucos metros de onde estávamos. Há salva-vidas pela praia, mas nem sempre é possível socorrer quem está afogando a tempo; além do mais, eles tinham poucos equipamentos médicos e o socorro tem que vir de helicóptero. Por isso, todo cuidado é pouco: não nade nas áreas indicadas como perigosas e não se arrisque muito até uma parte mais funda. A água, é claro, é fria como em Florianópolis, mas com sol não fez muita diferença.
O grande desafio é que, assim como em Trancoso, há um grande desnível entre a praia e a vila. Não chega a ser como o paredão de Trancoso, mas a área ao redor é basicamente de morros, de modo que boa parte das pousadas fica dependurada nessa região. Há algumas poucas pousadas mais próximas da praia, mas a maioria fica numa parte mais alta mesmo. A vila fica numa área mais plana, mas também mais alta que a praia. Se você tiver carro, pode descer até perto da praia, numa rua que segue a partir da vila, mas nos dias de maior movimento fica difícil estacionar. O melhor é fazer mesmo como a maior parte das pessoas, e descer por alguma das trilhas existentes ou pela rua que parte da vila.
Você provavelmente chegará na praia a partir do meio dela, onde há um deck recém-construído, com algumas lojas e locais para comer, e uma pequena lagoa. Nessa parte não há muita gente; as pessoas se concentram principalmente nos “cantos”. Olhando para a praia, o “canto esquerdo” (Rosa Norte) é o mais “descolado”, reunindo o pessoal mais jovem, mas tem uma estrutura ruim, com alguns poucos quiosques vendendo o básico e com poucas cadeiras para alugar. Já o “canto direito” (Canto Sul) tem alguns bares mais estabelecidos — como o Parador Swell — e reúne mais famílias.
No dia do réveillon propriamente dito, havia algumas festas anunciadas, mas parece que todo mundo foi mesmo para a festa do hotel Fazenda do Rosa, bem perto da praia. A festa chama-se “Virada Mágica”. Preferimos ver os fogos da pousada onde estávamos, onde os proprietários ofereceram aos hóspedes algumas comidinhas e espumante. Além disso, a vista lá de cima dos fogos e da praia é espetacular… Depois descemos para a praia, que estava bem cheia — muita gente da própria festa acabou saindo e indo para lá, já que era possível ouvir a música da praia também.
Experimentamos alguns lugares lá para comer e gostamos da maioria. Há algumas opções na própria vila, enquanto outras ficam em pousadas. Vou listar aqui o que eu conheci (e gostei) e algumas outras dicas que recebemos:
1) Tigre Asiático: na Rua Calçada (a rua mais movimentada da vila), tem um ambiente bem bonito, com decoração no estilo tailandês. Os pratos não são tão apimentados e estavam bem feitos. É bem badalado e costuma ter espera.
2) Sapore di Pasta: fica dentro da pousada Morada dos Bougainvilles, no Caminho do Rei. O lugar é bem charmoso e uma boa pedida para um jantar romântico. O spaghetti negro com lascas de salmão e molho de laranja estava uma delícia! O forte do cardápio, como dá para ver pelo nome, são as massas.
3) Refúgio do Pescador: dentro da pousada Hospedaria das Brisas, também no Caminho do Rei, o forte aqui são os peixes e frutos do mar. Não gostei muito do atum que eu pedi — passado demais para o meu gosto — mas os outros pratos da mesa estavam bem feitos.
4) Dragon Sushi: fica na entrada da vila do Rosa, próximo ao posto policial. Nesse não fomos, mas recebemos muitas recomendações na pousada em que ficamos.
5) Pizzaria Margherita: próxima ao centrinho, na esquina entre a estrada que leva à praia e o Caminho do Rei. As pizzas são ótimas, só não gostamos do vinho branco quente! Comemos lá no dia 31 de dezembro, então pode ser uma boa pedida se você está procurando um lugar para comer antes do réveillon.
6) Lola: também na Rua Calçada, no centro, é uma mistura de bar e restaurante. Os pratos estavam bons, o problema foi a demora: o atendimento deixou a desejar. Quase sempre tem música ao vivo.
Já no quesito diversão noturna, o lugar mais animado era o bar Beleza Pura, na Estrada da Praia, perto da esquina com a Rua Calçada. Se você chegar cedo nem vai precisar pagar para entrar. Achamos as bandas que tocavam música ao vivo mais ou menos, mas também tem DJ tocando. Outro lugar que costumava encher era o Pico da Tribo, que fica um pouco escondido na parte de dentro da vila — melhor pedir indicações de como chegar. Costuma encher tarde e o cardápio musical é variado, depende do dia. Há ainda o Mar del Rosa, com programação mais voltada para a música eletrônica.
Para encerrar, uma boa fonte para ficar por dentro da Praia do Rosa e ver o que está rolando é o Guia do Rei.


















































