Queria conhecer uma praia do Pacífico do México. O destino mais lógico seria Puerto Escondido, que fica no próprio Estado de Oaxaca. Acontece que, ao contrário do que parece, precisa-se de umas sete horas para ir da capital até lá, de ônibus — aparentemente é um trecho com muitas montanhas. Puerto Escondido tem aeroporto, mas é claro que achar voos diretos de Oaxaca até lá não é uma tarefa fácil. Acabei decidindo ir para Puerto Vallarta (como eu mencionei no texto anterior, a cidade de praia mais próxima de Guadalajara), voando até lá. Houve uma conexão na Cidade do México, de qualquer maneira, mas pelo menos eu não tive que dar uma super volta para chegar até o destino.
Puerto Vallarta parece sofrer de pressões semelhantes pelas quais passam Acapulco e Cancún. Há resorts aparecendo o tempo todo e, sendo uma cidade relativamente próxima dos Estados Unidos, há voos diretos do vizinho do norte até lá. Ainda assim, a cidade mantém um centrinho histórico e há áreas que não passaram por um processo de verticalização acentuada, como a Zona Romántica. Fiquei numa delas, onde fica a Playa de los Muertos (que nome tétrico, não?), que eu achei mais ou menos em termos de beleza — a areia é meio cinza e volta e meia o mar é invadido por algas. A cidade não estava muito cheia, o que para mim foi um ponto negativo, já que estava viajando sozinho, mas pode ser uma boa olhar isso se você quiser fazer uma viagem mais tranquila. De qualquer forma, achei que se come bem por lá.
De Puerto Vallarta eu voei até a Cidade do México, onde passei um final de semana. De lá fiz uma pequena viagem até Guanajuato e San Miguel de Allende (fiquei duas noites na primeira e uma na segunda), antes de voltar para a Cidade do México e passar mais uns dias antes de voltar ao Brasil. A viagem até Guanajuato dura em torno de 4 horas e meia, até San Miguel de Allende, entre 3 horas e meia e 4 horas. Entre ambas o trajeto dura mais ou menos 1 hora e meia.
Guanajuato é uma espécie de Ouro Preto do México. Tinha minas de prata que escoaram em profusão para a Espanha, mas acabou virando um dos berços do movimento de independência do país e atualmente é uma cidade universitária — daí a semelhança com a cidade brasileira. A cidade tem um centro histórico até charmoso, com prédios históricos, alguns bem coloridos, uma casa onde Diego Rivera passou a infância, dentre outras atrações. O interessante é que alguns túneis antigos das minas são usados hoje para o tráfego.
Já San Miguel de Allende virou um centro artístico no México — semelhante a Oaxaca, mas um pouco mais elitizado, já que o boom surgiu muito em função de dinheiro injetado por americanos. Eles compraram muitas casas, reformaram-nas — o que deixou a cidade bonita, claro, mas também aumentou a valorização imobiliária. Muitos acabaram se mudando para lá, o que fez abrir restaurantes, bares, galerias etc. Também é uma cidade charmosa e dá até para passar uns dias por lá apenas perambulando pelas ruas históricas — cursos de arte também são um opcional.
A Cidade do México certamente merece textos à parte, mas vou tentar resumir aqui porque você deve gastar alguns dias por lá. A cidade é bem caótica, lembra São Paulo; de qualquer forma, isso significa também vida noturna agitada e restaurantes bons. O Museo Nacional de Antropología reúne artefatos de vários povos pré-colombianos recolhidos em ruínas espalhadas pelo país, organizados por civilização — assim, se você não conseguiu visitar as ruínas, está tudo resumido lá, e num espaço excelente, que vale a visita. Além disso, pode-se visitar Teotihuacan, uma cidade-ruína que conta com a famosa Pirâmide do Sol, que apareceu no filme da Frida Kahlo. Fica mais ou menos a 40 minutos da capital, de ônibus, podendo ser facilmente visitada em meio dia. Enfim, motivos não faltam para você passar pelo menos uns três dias na capital do México.
Meu roteiro foi criado, claro, de acordo com gostos pessoais, disponibilidade de tempo e outros fatores que eu mencionei aqui. Ficou um pouco caro por causa dos vários trechos de avião, mas isso pode ser modificado se você tiver mais tempo e não se incomodar em viajar de ônibus. Além disso, com minhas dicas não quero dizer que no México não haja outros destinos interessantes. Puebla, não muito distante da Cidade do México, é famosa por seu passado colonial. Além da capital, o México tem as metrópoles de Guadalajara e Monterrey (a segunda e a terceira maiores cidades do país, respectivamente). Cuernavaca é uma estância de águas não muito longe da capital, também com prédios coloniais. Zacatecas também é uma antiga cidade mineradora, onde há uma boate instalada dentro de uma mina desativada. Enfim, destinos e motivos não faltam para você visitar o México. Só não vale ir apenas a Cancún e dizer que prefere Miami.











