Bike Rio — modo de usar

Bem, eu deveria estar escrevendo coisas para o mestrado, mas aproveitando a visita da Anna do Nós No Mundo ao Rio, e de um material com fotos que eu já tinha preparado a respeito, resolvi escrever logo este texto sobre as bicicletas para alugar. Além disso, em tempo de  Rio +20, com trânsito caótico, as bicicletas talvez sejam uma boa opção de mobilidade urbana.

As bicicletas do Bike Rio ficaram conhecidas como “laranjinhas” pois receberam o patrocínio do banco Itaú e têm essa cor. Ouvi por aí que tinha gente querendo boicotar para não ficar fazendo propaganda de banco à toa. Bem, cada um tem sua opinião a respeito, mas eu acho que o dinheiro para um programa desses tem que vir de algum lugar. Se um banco topou financiar uma parte, a publicidade parece ser uma forma razoável de compensação. Mas há outras formas de se alugar bicicleta no Rio, então cada um pode procurar o que acha mais correto.

Para turistas e moradores que não querem ter uma bicicleta (ou não podem, pois não têm onde guardar), o Bike Rio parece uma boa opção. É bom ressaltar, contudo, que a maioria das estações estão na Zona Sul do Rio (além de algumas no centro). Por isso pode parecer que ela é de fato para turista, não para os moradores usarem, por exemplo, para ir para o trabalho. Convém lembrar, porém, alguns fatos sobre o Rio: muitos deslocamentos para o trabalho são longos e, assim, inviabilizam o uso de uma bicicleta (salvo para os atletas de plantão); além disso, o clima costuma ser quente e úmido, deixando ainda mais complicado o uso da bicicleta associado a uma roupa de trabalho mais formal. Há a questão da geografia também: alguns bairros, como Santa Teresa, ficam dependurados em morros, o que torna difícil o uso da bicicleta. De qualquer forma, acho que o sistema pode servir, sim, ao carioca da Zona Sul que queira se deslocar de um bairro para outro para resolver alguma coisa. Também penso que poderia haver estações na Zona Norte e na Zona Oeste, também para “uso interno” dentro dessas áreas.

E como faz para usar o sistema? Em primeiro lugar, é necessário acessar o sítio deles (o domínio é meio bizarro: http://www.movesamba.com.br, mas também se acessa por http://www.mobilicidade.com.br/bikerio.asp). Nele você vai ter que fazer um cadastro com um número de telefone celular, que é como você acessa o sistema da rua (não se preocupe, ele aceita telefones de outros estados também, desde que você coloque o DDD). Depois disso, você vai ter que baixar o aplicativo para celular: tem para iPhone e para Android.

Feito isto, você pode adquirir dois tipos de passe: diário, por R$ 5,00 (dura 24 horas), ou mensal, por R$ 10,00 (atenção, estes preços podem mudar, confira sempre no site). Nem preciso dizer que se você for usar por mais de 2 dias, vale à pena comprar o passe mensal, ainda que você não vá ficar o mês inteiro usando. O passe mensal você pode adquirir no próprio site ou no aplicativo do telefone, o diário só no aplicativo mesmo. Para isto, você vai precisar de um cartão de crédito, claro. Esta operação de aquisição do passe, aliás, deve ser feita em casa ou no hotel, para você não precisar ficar dando bobeira com cartão de crédito na rua.

O aluguel da bicicleta em si, porém, é feito na rua mesmo. Você vai precisar encontrar uma estação que fique perto de onde você está. No sítio, na rubrica “estações”, você encontra um mapa com todas elas. É bom também já pensar num roteiro e num ponto de devolução, se não for o mesmo da retirada. Em todo caso, do celular também é possível ver onde ficam as estações. Pode acontecer, aliás, que na estação escolhida não haja nenhuma bicicleta: aí, você vai ter que procurar em outra próxima.

Antes de alugar, verifique se a bicicleta escolhida está com os pneus cheios, com o banco em bom estado, e se é possível ajustá-lo — outro dia aluguei uma cujo banco estava emperrado e não subia: não foi muito confortável andar com o banco baixo. Também é bom verificar se ela está com os freios. Ao abrir o aplicativo no celular, será pedido o telefone (com DDD) e a senha do cadastro. Feita a conexão, aparecerá o passe que você adquiriu. Clique na seta verde para prosseguir.

Placa com o nome e o número da estação

Toda estação tem um nome e um número, e é este que você tem que informar em seguida. Informado o número da estação, aparecerão as bicicletas disponíveis em laranja (as posições indisponíveis aparecem em cinza). Basta você clicar na bicicleta escolhida e aguardar a liberação. A luz verde ao lado da bicicleta vai acender e você vai ouvir o barulho do destravamento. Voilà: a bicicleta é sua por uma hora. Lembre-se de que este é um sistema criado para mobilidade urbana, ou seja: com passe diário ou mensal, você pode ficar com uma bicicleta, ininterruptamente, por até uma hora. Depois disso, tem que devolver em alguma estação e aguardar mais quinze minutos para alugar uma nova. Caso você passe de uma hora com a bike, será cobrado R$ 5,00 por hora extra.

Aplicativo com o número da estação e a bicicleta a ser escolhida

Problemas verificados:

1) Conexão com a internet: se o 3G do seu celular não funciona direito (como o da minha querida operadora), tenha paciência, pois você precisará dele na rua na hora de alugar a bicicleta. Ou não: você pode fazê-lo também por telefone (atualmente pelos números (21) 4063-3111 ou (21) 3005-4316). É bom lembrar, porém, que na rua sempre faz barulho, o que dificulta um pouco ouvir a ligação.

2) Ouvi uma lenda urbana que diz que algumas pessoas foram vítimas de furto/roubo de seus celulares quando tentavam fazer o empréstimo. Eu, porém, vejo gente com o celular na mão fazendo isso o tempo todo, e nunca presenciei nada parecido. Todo cuidado, porém, é pouco: fique sempre alerta enquanto faz a operação de empréstimo.

3) Bicicletas com a corrente solta, com bancos que não ajustam etc: como disse acima, convém verificar o estado da bike antes de alugá-la, pois depois que você retirá-la da estação, vai ter que esperar quinze minutos para tentar um novo empréstimo.

4) Bicicletas-fantasma: a bicicleta está lá, na sua frente, mas ela não aparece no sistema. Aconteceu conosco na estação da rua José Linhares, no Leblon: a estação estava completinha, com todas as bicicletas, mas nenhuma aparecia no sistema. Mesmo após ligar, a atendente confirmou que nenhuma delas aparecia como disponível. Neste caso, nem adianta reclamar: eles não vão mandar alguém de imediato para resolver seu problema. Melhor procurar outra estação.

5) O sistema não reconhece a devolução: este também aconteceu comigo, e é o que ainda tem me preocupado. Devolvemos as bicicletas antes de completada uma hora, e quando tentamos fazer um novo empréstimo, 15 minutos depois, meu cadastro apontava que eu ainda estava com a bicicleta anterior em uso. A bicicleta estava lá, na minha frente, bem presa à estação, mas além de não aparecer como disponível, não constava que havia sido devolvida (isto aconteceu comigo, mas não com a bicicleta do meu amigo). Imediatamente liguei para o telefone (21) 4063-3999 (o número está nas placas das estações) e informei sobre o ocorrido. Parece que acontece com certa frequência, porque a atendente não duvidou do que eu disse. Em todo caso, alguns dias depois, ainda consta um débito de R$ 200,00 no meu cadastro, como se eu tivesse ficado com a bicicleta o dia inteiro e não a tivesse devolvido após as 22h, horário limite do sistema. Disseram-me para não me preocupar, que isto não virá cobrado no meu cartão, e que a verificação do problema demora um pouco. Vamos ver o que acontece.

Em todo caso, a dica é sempre verificar, na devolução, se a luz verde ao lado da bicicleta piscou. Este é o sinal de que o sistema reconheceu a bicicleta devolvida. Se não piscar e você não conseguir puxar a bicicleta de volta, melhor ligar logo e comunicar o ocorrido.

Ou seja: é um sistema com algumas falhas, mas que atende perfeitamente locais e turistas (os brasileiros, pelo menos). E qualquer dificuldade inicial vale à pena com imagens como estas, que eu tirei durante um passeio na Lagoa.

Pista de ciclismo e corrida na Lagoa

Lagoa vista de um deck localizado na região do Jardim Botânico

Atualização em 07.12.2012: estive recentemente no Rio e o sistema do Bike Rio já dá sinais de que está sobrecarregado. Num sábado, era impossível alugar uma bicicleta: as estações estavam quase sem nenhuma bicicleta e, naquelas em que hahia alguma, já tinha um monte de gente em volta tentando alugar. Acho que se for num dia de semana, é mais fácil de alugar; ou então programe-se para sair cedo de casa. É uma pena, o sistema é bem legal, espero que eles resolvam isso aumentando o número de bicicletas!

Praga — primeiras impressões e dicas de transporte

A ponte, o rio, o castelo

Peço desculpas aos amigos que já me conhecem há mais tempo, mas este texto é uma versão adaptada do que eu escrevi no blog que eu mantinha quando morei em Berlim. Naquela ocasião, tinha um blog basicamente para mandar notícias a todos no Brasil de maneira mais fácil. É lógico que, com esta finalidade, o texto lá tinha outro enfoque. Mas o que eu fiz aqui foi basicamente apenas reorganizar as mesmas informações. Ando sem tempo por causa do mestrado, e acho que é melhor publicar algo assim do que deixar o blog sem atualização por muito tempo.

É bom lembrar também que minha viagem aconteceu em 2009. Aproveitei uns dias depois que o curso de alemão terminou, antes de voltar ao Brasil, e fiz uma viagem para conhecer Praga, Viena e Budapeste (além de Weimar e Nurembergue na própria Alemanha). Como o texto anterior foi escrito bem na época da viagem, as informações estavam frescas e, portanto, vão depender menos da minha (des)memória atual. Mas, considerando o tempo transcorrido, algumas coisas certamente mudaram. Acho que o que eu escreverei aqui vai servir mais de orientações gerais para quem está pensando em conhecer a capital da República Tcheca. Para informações mais específicas, o melhor é mesmo um guia da sua preferência.

Igreja de Týn: uau!

A primeira nota que eu vou repetir então é a seguinte: assim como em relação a Amsterdam, decepcionei-me um pouco com Praga. Quem leu o texto de Amsterdam já vai pensar: mas que cara chato, deve ser super exigente! Claro que, olhando agora com a distância de três anos, a perspectiva muda um pouco. Mas, conversando com amigos que já estiveram lá, até mesmo depois de mim, algumas observações foram parecidas. O primeiro ponto que me desagradou muito foi o que eu interpretei como falta de educação (bastante) generalizada. Hoje em dia, é verdade, credito muito dessa impressão a diferenças culturais: é só o jeitinho deles! Há quem coloque o fato como consequência dos anos em que o país viveu sob a Cortina de Ferro. Pode ser. Também percebi que uma certa dificuldade em lidar com inglês gerava falas mais ríspidas. Mas a experiência que eu tive em Budapeste — que também esteve atrás da Cortina de Ferro e também tem uma língua igualmente bizarra e diferente para nós — foi tão distinta, tão mais acolhedora, que eu tendo a achar que a grosseria é, de certa forma, um hábito local.

Veja bem: não estou dizendo que todos os tchecos são mal-educados, ou que vão te tratar mal! Tenho que admitir que parte do desconforto também veio da quantidade avassaladora de turistas que toma as ruas da parte histórica da cidade todos os dias. E imagine ser morador local e ter que lidar com isso sempre! Deve ser bem complicado, admito. Mas quem trabalha com turismo ganha dinheiro com esse movimento todo e tem que estar preparado. Um conhecimento razoável de inglês e um pouco mais de cordialidade ajudariam bastante.

Outra questão é que a gente acha que vai ver uma cidadezinha pequena e toda “fabricada” há centena de anos, sem grandes modificações. Mas Praga é uma cidade grande, com os problemas correspondentes. Afaste-se um pouco do centrinho turístico e você verá trânsito pesado, fumaça, prédios genéricos… enfim, a velha história das falsas expectativas!

Tenho que admitir: a cidade tem cantinhos lindos

Não dá, porém, para negar: um bom pedaço da cidade é, de fato, lindo! Tente imaginar aquilo tudo sem as toneladas de turistas, sei lá, alguns anos antes da queda do comunismo. Tudo bem que a cidade devia estar bem mais largada sem o dinheiro do turismo, mas acho que a essência estava preservada. Por isso, uma das dicas é: conheça a cidade em uma viagem romântica, acho que a experiência será bem diferente da minha, já que fui para lá sozinho. Ou então leve sua mãe, que vai ficar tão deslumbrada com a cidade que vai compensar qualquer perrengue da viagem em si. Acho que essas são as melhores combinações para se conhecer Praga. Para cair na farra, creio que a Europa oferece melhores alternativas em outras paragens.

Art nouveau pelas ruas de Praga

Praga, aliás, costuma ser associada com Berlim pelos viajantes. De fato, de acordo com o sítio da Deutsche Bahn, a viagem direta entre as duas cidades dura em torno de 4 horas e meia. Aliás, no meio do caminho fica Dresden, que é uma cidade linda e vale a parada por pelo menos um dia. Como eu estava em Nurembergue antes, não peguei este trem (que tem o nome de EuroCity), mas dizem que a viagem é confortável e tranquila.

A primeira dificuldade começa aqui. A estação principal de trens em Praga chama-se Praha hlavní nádraží (abreviação Praha hl.n), e foi onde eu cheguei de Nurembergue. Há, contudo, ao norte, outra estação de trens internacional chamada Praha-Holešovice. Quando eu pesquisei na época, cheguei à conclusão de que a maioria dos trens internacionais (como para Viena, a cidade seguinte na minha viagem) passava pelas duas estações. Minha pesquisa atual diz a mesma coisa em relação aos trens que chegam de Berlim: o EC chega primeiro na Holešovice e depois vai para a hlavní nádraží. Assim, ao final da minha estadia em Praga, resolvi dirigir-me até a estação principal para comprar meu bilhete para Viena.

Fui até o guichê em que estava escrito “international tickets”. Você supõe que a pessoa que trabalha ali consegue se comunicar minimamente em inglês. Mas não foi o que aconteceu. A tia conseguiu me explicar que o trem saía na verdade da estação Holešovice, mas não conseguia interagir muito mais do que isso. Tentei perguntar, por exemplo, se podia comprar logo o ticket ali, para garantir meu lugar no trem. Ela limitava-se a gritar: “not here!” e o nome da outra estação. Fui para o balcão de informações, que também tinha uma placa “international” em cima. Ao fazer a mesma pergunta, a outra tia também se limitou a gritar: “not here, this information, not sell!” Desisti e tratei de correr para a outra estação para não perder o trem.

Estação Praha hlavní nádraží (imagem obtida em http://citarol.rajce.idnes.cz/)

Se você estiver chegando de trem na cidade, acho que este não será um grande problema — tanto faz parar numa estação ou na outra. O único problema, caso você chegue na hlavní nádraží, será aceitar que aquela estação xexelenta serve a uma das principais capitais turísticas da Europa. OK, por fora, a estação, que data de 1871, é até bonita. Mas para quem estava (mal) acostumado com as estações alemãs, ter que desembarcar não numa plataforma, mas no meio dos trilhos, foi uma péssima recepção. Eu, que sou brasileiro, até que levei numa boa; divertido foi olhar a cara de pânico dos japoneses. Bem, mas isso foi em 2009, talvez agora a situação esteja melhor. A Holešovice, embora seja desinteressante do ponto de vista arquitetônico, é mais nova e mais funcional. O problema será se você for deixar a cidade de trem. Aí acho que o melhor é pedir ajuda no hotel para se informar melhor a respeito da estação de saída. A boa notícia é que ambas as estações são conectadas pela linha C do metrô. Em último caso, dá para ir de uma para outra com certa rapidez (foi, aliás, o que eu fiz).

Mapa do metrô de Praga

Resolvido o problema da estação de trem, tome cuidado com o táxi: o pessoal notoriamente cobra preços bem acima da realidade. Só vi o alerta no Lonely Planet no final da viagem, então levei certamente vários golpes. Achava estranho ver corridas relativamente curtas ficarem mais caras do que eu pagava em Berlim, mas na hora da conversão você sempre se enrola (a República Tcheca não faz parte da Zona do Euro) e eu acabava pagando. No final tive a certeza: para ir até a estação de trem (errada), pedi para o albergue onde eu estava chamar o táxi para mim. Qual não foi minha surpresa ao ver que o preço ficou bem mais barato. Então, fica a dica: evite os táxis ou peça para alguém (hotel, restaurante) chamar para você.

Uma das estações da linha A do metrô

De todo modo, a cidade é bastante compacta, e o legal é andar à pé para ver a beleza das ruas. Ainda assim, caso bata uma preguiça e a caminhada seja um pouco maior, o metrô de Praga é eficiente e algumas estações, na linha A (verde) são bonitas, revestidas de placas metálicas coloridas, como mostra a foto acima. Dá para ir até Malá Strana, do outro lado do rio, onde fica o castelo (com a linha verde). Nem pense em andar sem bilhete: em apenas quatro dias na cidade eu passei por dois controles. Uma das situações, aliás, foi bem bizarra: o cara me pediu o bilhete, quando eu já estava saindo da estação, em tcheco; como eu não entendi e ele não estava vestido com nenhum uniforme (supõe-se que os fiscais têm que se disfarçar de passageiros), eu ignorei, falei um “sorry” e segui em frente, achei que ele estava pedindo alguma coisa, sei lá. O cara me deu um encontrão e eu comecei a entrar em pânico: a estação estava cheia, mas o que fazer? Só então ele resolveu falar em inglês: “ticket”. Aliviado, mostrei o bilhete a ele. Enfim: se alguém vier falar com você em tcheco no metrô, mostre logo o bilhete por precaução. Se ainda assim ele continuar falando, fuja que é fria.

Outra estação da linha A

Sistema de transportes de Berlim

Na parte de baixo da foto, a principal linha do S-Bahn de Berlim, que corta a cidade ao meio (por onde passam o S3, o S5, o S7 e o S9)

É claro que bater perna pela cidade é sempre a melhor forma de conhecê-la; e, no caso de Berlim, eu já indiquei um roteiro à pé que cobre algumas das principais atrações da cidade (primeira parte aqui, segunda aqui). Mas Berlim tem atrações espalhadas e, nesse caso, ir à pé pode não ser uma opção (tudo depende de onde você estiver hospedado, claro).

Táxis de Berlim (fonte http://www.morgenpost.de)

Os táxis de Berlim não estão entre os mais caros da Europa, e eu nunca tive problemas com os taxistas de lá, desses que a gente costuma ter em quase todos os lugares (como não querer ligar o taxímetro, ficar dando voltas, suspeita de adulteração do taxímetro etc). OK, uma vez, saindo de uma boate à noite, o taxista se recusou a me levar em casa: só que a corrida era realmente curta e a fila de táxis na porta estava bem grande, então eu até entendi a recusa.

De qualquer maneira, o transporte público de Berlim é bem amplo, chega a muitos lugares e usá-lo não é muito complicado. O metrô funciona 24 horas nos finais de semana, o que é bem útil aos baladeiros de plantão. Durante o período que passei na cidade, usava o metrô com bastante frequência, inclusive à noite, e nunca tive problemas. Também usei algumas vezes o ônibus e o sistema de bondes (tram): esses meios de transporte, contudo, exigem um pouco mais de pesquisa e de orientação na cidade; se for necessário usá-los, melhor se informar antes no hotel.

Mapa do metrô de Berlim com as linhas do U-Bahn e do S-Bahn

Quanto ao metrô (que é o mais usado pelos turistas), há dois sistemas, o que pode tornar as coisas um pouco confusas: o S-Bahn e o U-Bahn; ambos, entretanto, são perfeitamente integrados e você pode nem perceber a diferença. E qual seria a diferença entre eles? Bem, em tese, o U-Bahn seria subterrâneo, enquanto o S-Bahn correria na superfície, mas isso não é 100% verdadeiro: às vezes o U-Bahn sobe para a superfície (algumas partes da U2, por exemplo), e em alguns trechos o S-Bahn é subterrâneo (como na S1). Eu diria que o sistema S-Bahn vai mais longe, chegando aos subúrbios mais distantes e mesmo a cidades do entorno — você pode usá-lo, por exemplo, para ir visitar os palácios prussianos em Potsdam. Já o U-Bahn circula na área mais central de Berlim. Esses dois sistemas são em geral indicados com as letras “U” ou “S” seguidas do número da linha: U1, S7 etc. De qualquer forma, como você pode ver no mapa, as linhas também são indicadas por cores.

Metrô passando por cima da Oberbaumbrücke, ligando Friedrichshain a Kreuzberg

A propósito, o sistema é dividido em três zonas: A, B e C, sendo a primeira mais central e a última mais externa. Os bilhetes são vendidos com três combinações possíveis de zonas: AB, BC ou ABC. O bilhete AB atende perfeitamente as necessidades dos turistas: você só vai precisar comprar um válido para a zona C se for para o aeroporto Schönefeld (ou, a partir, de junho deste ano, para o novo aeroporto Berlin-Brandenburg) ou se for visitar Potsdam, como eu mencionei acima.

O sistema é baseado todo na responsabilidade do usuário. Assim, não há catracas nas estações; entretanto, fiscais aparecem de surpresa às vezes durante o trajeto e você tem que mostrar um bilhete válido para eles. Não consegui descobrir o valor atual da multa se você for pego sem um bilhete válido (andar sem um é chamado em alemão de Schwarzfahren), mas ela é bem salgada. Sem contar o constrangimento dos locais te olhando com cara de reprovação. Durante meus três meses em Berlim, peguei uns três controles apenas; se você gosta de correr riscos e viver perigosamente, vá fundo.

Bem, mas se não há catracas nas estações, como eles sabem se o seu bilhete é válido ou não? Em primeiro lugar, comprar e validar o bilhete são coisas diferentes feitas em máquinas diferentes, OK? Depois de comprar, você tem que validar o bilhete em umas maquininhas amarelas ou vermelhas que ficam na entrada da estação ou da plataforma (você introduz o bilhete no buraco e ele vai carimbar a hora e a estação onde você o validou). A partir daí, ele é válido por 2 horas — considerando-se o bilhete padrão, válido para uma viagem apenas. Nesse período, você pode fazer quantas baldeações forem necessárias, e inclusive mudar o meio de transporte: sair do metrô e ir para um bonde ou um ônibus, por exemplo (nesses casos, basta mostrar o bilhete válido para o condutor). Atenção: não são aceitas nessas duas horas viagens de volta (aquela que você faz voltando para a estação onde o bilhete foi validado). Ainda que você tenha ficado no seu destino menos de duas horas, é necessário adquirir um novo bilhete para voltar. De qualquer maneira, fica a dica: deixe para validar o bilhete quando o metrô estiver entrando na estação, assim você ganha tempo para usá-lo durante as duas horas de validade.

Maquininha para validar o bilhete. Imagem obtida do blog http://heinbloed-cruiseguides.blogspot.com/

Há bilhetes diários (válidos até as 3h da manhã do dia seguinte àquele em que você o validou), semanais (válidos por 7 dias), mensais e anuais: tudo depende de quantos dias você vai ficar na cidade e se vai usar o sistema de transporte todos os dias. Faça as contas para ver se vale à pena: divida o valor desses tickets múltiplos pelo valor de um bilhete unitário, e veja quantas vezes você terá que viajar para compensar o investimento. Por exemplo: atualmente, o bilhete semanal custa € 27,20 (para a zona AB), enquanto o bilhete único está saindo a € 2,30 para a mesma zona. Assim, você teria que fazer pelo menos 12 viagens nesse período para compensar o preço. Para saber todas as tarifas em valores atualizados na época da sua viagem, consulte o site da Berliner Verkehrsbetriebe, a companhia que controla o sistema de transporte da cidade (o link que eu coloquei aqui leva direto à parte das tarifas, em inglês).

No caso dos bilhetes múltipos, o prazo de duração começa a contar quando você o valida inicialmente. Não é necessário validá-lo toda vez que você for andar de metrô: basta mantê-lo na carteira ou na bolsa para mostrá-lo caso o fiscal apareça. Se você for andar de ônibus ou de bonde, mostre-o ao condutor.

Bilhetes do metrô para viagens curtas (Kurzstrecke)

Para viagens curtas, use o bilhete Kurzstrecke (short trip, em inglês), válido se a viagem for de até 3 estações de metrô ou 6 paradas de ônibus ou bonde.

Todas as estações têm terminais de autoatendimento para compra dos bilhetes, nos quais é possível escolher o inglês, facilitando a vida dos turistas. Em caso de dúvidas, as principais estações contam com guichês com funcionários que podem orientá-lo. Nunca usei esses guichês, então não posso dizer se o atendimento é atencioso ou se eles falam inglês.

Mapa do Tram (bondes)

Os dois mapas que eu coloquei aqui no texto mostram as rotas do metrô (sistemas U-Bahn e S-Bahn) e dos bondes (Tram) — se você não conseguir orientar-se por eles, pode baixar os arquivos em formato pdf do sítio da Berliner Verkehrsbetriebe para seu computador ou tablet (mapa do metrô aqui; mapa dos bondes aqui). Para o turista, acho que só vale à pena usar o ônibus em duas situações. Em primeiro lugar, há duas linhas para o aeroporto Tegel (TXL) que saem de lá e vão até a Alexanderplatz (linha JetExpressBus TXL) e à estação Zoologischer Garten (linha ExpressBus X9). A partir desses locais, é tranqulilo integrar-se ao sistema de metrô. A viagem até a Alexanderplatz dura entre 28 e 40 minutos, de acordo com o site da BVG.

 A propósito, Berlim conta atualmente com dois aeroportos: o Tegel e o Schönefeld (SXF). Já teve três: até um tempo atrás, ainda funcionava o aeroporto Tempelhof — coisas de uma cidade que passou anos divida em duas. De todo modo, está previsto para 3 de junho de 2012 o início da operação do aeroporto Berlin-Brandenburg (BER) — na verdade uma extensão do que hoje é o Schönefeld. Com o início das operações do novo aeroporto, está prevista a desativação do Tegel, o que torna sem efeito as dicas que eu dei acima a respeito dele. Em todo caso, até esta data, é uma boa opção usar o ônibus para ir até lá (verifique antes se a data de inauguração foi postergada). Para o Schönefeld — e também para o novo Berlin-Brandenburg, basta pegar a linha S9 do metrô, lembrando que é necessário adquirir um bilhete válido para a zona C.

A segunda situação em que vale à pena (e muito) usar ônibus são as linhas 100/200, de que já falei aqui. São linhas regulares (não são linhas especiais para turistas) que saem da Alexanderplatz e chegam à estação Zoologischer Garten, passando por caminhos diferentes. Elas interessam porque passam por vários pontos turísticos: a 100 passa pela Unter den Linden, pelo Parlamento, pela Haus der Kulturen der Welt, pelo Schloss Belevue, pela Siegesäule, dentre outros lugares. A segunda serve à Potsdamer Platz, à Filarmônica e ao Kulturforum. Se você tiver um bilhete múltiplo, pode subir e descer várias vezes, fazendo boa parte do roteiro turístico da cidade sem se cansar. E o melhor: do ônibus, você ainda vê a cidade.

Para encerrar, os cartões Berlin CityTourCard e Berlin WelcomeCard, além de oferecerem descontos em atrações turísticas, também permitem o uso do sistema de transporte público, ilimitadamente, por 48 horas, 72 horas ou 5 dias.

Como ir do Brasil ao Marrocos e se deslocar dentro do país

Vista aérea chegando em Marrakech

Ao contrário do que fazia parecer a novela O Clone, não há voos diretos entre o Brasil e o Marrocos. Assim, a melhor forma de chegar ao país é fazer conexão em alguma cidade da Europa.

Eu escolhi ir pela TAP, com conexão em Lisboa. Antes de prosseguir, quero fazer um parênteses. Ao contrário de muita gente, valorizo bastante os voos da TAP para o Brasil. Em primeiro lugar porque gosto muito de Lisboa e adoro fazer uma paradinha lá. Além disso, morando em Brasília, acho muito civilizado voltar de uma viagem longa dessas e chegar diretamente onde eu moro, sem ter que passar, por exemplo, pelo caos de Guarulhos. Tenho amigos que já passaram por problemas, mas, para mim, à exceção de uma mala extraviada que apareceu dois dias depois, nunca tive maiores perrengues, até o episódio da volta do Marrocos.

Os voos entre Lisboa e o Marrocos são operados tanto pela TAP como pela Royal Air Maroc (RAM), a companhia aérea do país. Na ida fomos de TAP mesmo, até Marrakech, enquanto na volta optamos por comprar um voo da RAM, já que teríamos que sair de Fez, fazendo uma conexão em Casablanca antes de voltar para Lisboa.

Na ida, foi tudo tranquilo, a conexão em Lisboa foi um pouco longa, mas o voo para Marrakech saiu na hora e foi tranquilo. Quando já estávamos no Marrocos, no meio da viagem, recebi um e-mail da minha agente de viagens dizendo que o voo da RAM Casablanca-Lisboa havia sido cancelado e que havíamos sido realocados num voo no dia seguinte. Embora o trecho Fez-Casablanca tivesse sido mantido, não havia nenhuma menção a uma acomodação em Casablanca oferecida pela companhia. Por sorte, minha amiga tinha créditos do Skype e conseguimos ligar para o Brasil para falar com a agente. Mesmo assim, só conseguimos remarcar voos em dias diferentes. Assim, cada um de nós passou por um tipo de problema.

No caso da minha amiga, a conexão em Casablanca era curta e, como o voo de Fez até lá atrasou, ela acabou perdendo o avião para Lisboa. A TAP não tem balcão próprio no aeroporto de Casablanca — eles só montam os guichês na hora do check in. Assim, ela ficou sem saber se haveria outro voo da TAP no mesmo dia. Como na RAM eles disseram que não poderiam fazer nada, ela acabou comprando outro voo deles que saía no mesmo dia. Ainda está pensando se vale à pena entrar na Justiça para cobrar por essa passagem “extra” e pelos danos morais. Houve ainda outros problemas: como ela perdeu a conexão, teve que praticamente caçar a mala dela no aeroporto de Casablanca; ninguém sabia dizer onde ela estava. Por sorte, um funcionário do aeroporto a ajudou e ela encontrou a mala. Além disso, fizeram a imigração dela em Fez (ou seja, carimbaram a saída dela do país já naquela cidade), de modo que, para voltar para a área de check in das companhias no aerporto de Casablanca, teve que passar por uma via crúcis na imigração — que acabou “anulando” o carimbo de saída de Fez.

No meu caso, o novo voo Casablanca-Lisboa em que fui colocado era no mesmo dia do anterior da RAM que havia sido cancelado, só que bem mais tarde. Resultado: passei umas 10 horas no aeroporto. Como alguns dias antes já havia conhecido Casablanca, fiquei com preguiça de voltar à cidade (que fica bem distante do aeroporto) para fazer turismo durante essa longa conexão; tampouco achei um guarda-volumes para deixar minhas coisas. Por isso, preferi ficar no aeroporto mesmo. Só que, quando já estava aguardando no portão de embarque, novo cancelamento: o avião da TAP que faria o voo estava com problemas técnicos e eles não conseguiram consertar. Tive que dormir mais uma noite em Casablanca e só embarquei no dia seguinte, por volta das 14h30.

O que eu e minha companheira de viagem aprendemos depois desses problemas:

1) ir para o Marrocos fazendo escala em Lisboa talvez não seja a melhor opção. Durante minha longa espera no aerpoorto de Casablanca, vi que há vários voos via Paris e via Madri e, assim, caso haja cancelamento do seu voo, deve ser mais fácil remarcá-lo. Numa pesquisa rápida no site da TAP, vi que, para Marrakech, não há voos às terças, quartas e sábados. Para Casablanca os voos parecem ser, na maior parte do tempo, diários; porém, ao menos na pesquisa que eu fiz, há apenas um voo por dia, e os horários variam muito de um dia para outro (o que dificulta ainda mais a remarcação);

Jatinho da Portugalia. Imagem obtida pelo Google

2) os voos da TAP de/para o Marrocos são operados, na verdade, pela Portugalia. Quem já viajou nela sabe que os aviões são menores e mais antigos. Pelo menos eram jatinhos, e não o bimotor que peguei uma vez para ir para Bilbao. De qualquer forma, o risco de o avião ter problemas de manutenção e não poder levantar voo (como aconteceu comigo) parece-me maior, pois, no caso dos aviões da Boeing ou da Airbus, deve haver mais técnicos capacitados para o conserto;

3) tendo em vista o cancelamento do voo no meio da viagem e a pouca colaboração oferecida, não acho que viajar com a RAM seja uma boa ideia. É bom frisar que a RAM não faz parte da Star Alliance ou de outro desses programas maiores de milhagem. Há uma parceria com a TAP apenas para bagagem e emissão de bilhetes; ainda assim, quando saímos de Fez, por exemplo, eles não emitiram o cartão de embarque até Lisboa, apenas até Casablanca, embora a bagagem tenha sido etiquetada até Portugal. O cartão de embarque Casablanca-Lisboa eu tive que pegar durante a conexão;

4) a TAP não possui balcão próprio no aeroporto de Casablanca (nem no de Marrakech). Os problemas são resolvidos por uma empresa terceirizada, que, claro, tira o corpo fora de qualquer responsabilidade (foi o que aconteceu no meu caso, no segundo cancelamento). Por isso acho, mais uma vez, interessantes os voos via Madri e Paris, já que Iberia e Air France possuem balcões no aeroporto de Casablanca — assim, fica bem mais fácil remarcar um voo caso sua conexão atrase, como no caso da minha amiga;

5) se você vai fazer conexão interna antes de pegar o voo para fora do Marrocos, não deixe, em hipótese alguma, carimbarem seu passaporte com a saída na primeira cidade em que você embarcar. Alertado pela minha amiga, disse em Fez que ia até Casablanca e ficaria ainda um tempo lá antes de sair do país e, assim, evitei o carimbo. O negócio é bagunçado mesmo, pois o voo que eu peguei até Casablanca não sairia do país depois, era um voo interno, mas, ainda assim, você tem que passar pela fila da imigração e se explicar.

A propósito, na mesma hora em que eu estava embarcando em Fez para Casablanca, havia um voo da Air France indo direto para Paris — talvez seja esse o motivo de me obrigarem a passar pela imigração, já que não há uma divisão dentro do aeroporto de Fez para voos internos e internacionais. Por isso, se o final da sua viagem for lá, pode ser uma boa procurar um voo via Paris na ida também.

Estação de trem de Rabat

Assim, embora exista a possibilidade de se deslocar internamente por avião, recomendo fazer essas viagens de trem. Fizemos os deslocamentos entre Marrakech e Casablanca e desta cidade para Fez de trem, e não tenho nenhuma reclamação. Também fizemos viagens bate-e-volta de trem (caso de Rabat e Meknès) e foi tudo tranquilo: é até possível comprar bilhetes ida e volta (aller-retour). Tirando a chatice dos rapazes que te abordam no trem para Fez (leia a respeito aqui), não tenho do que reclamar a respeito dessas viagens. Os trens que pegamos eram novos e foram sempre bastante pontuais: numa viagem bate-e-volta, perdemos um trem porque chegamos cinco minutos atrasados na estação. Além disso, os trens chegam às principais cidades do pais: Marrakech, Casablanca, Fez, Tanger, Rabat e Meknès são todas servidas pelos trilhos. Acho que dos destinos mais turísticos, só Essaouira, Tetouan e Chefchaouen não têm estações de trem e, por isso, devem ser visitadas de ônibus.

Estação de trem de Fez

Pelo Lonely Planet, li que a grande diferença entre a primeira e a segunda classe é que as cabines da primeira acomodam até seis pessoas, enquanto na segunda até oito — ou seja, uma bobeira. Até porque em alguns trens mesmo a segunda classe oferece assentos convencionais (com poltronas individuais) e não em cabines. Eu viajei sempre de segunda classe e não tive grandes aborrecimentos. Pode ser que no trem para Fez os “malas” não cheguem aos trens da primeira classe, não sei ao certo, mas algo me faz suspeitar de que eles devem ficar ainda mais gananciosos com os gringos da primeira classe.

Plataforma da estação de trem de Rabat

O site da companhia marroquina de trens (Office National des Chemins de Fer) permite a consulta dos horários de trens disponíveis, mas, infelizmente, não é possível comprar os bilhetes por lá. No geral, não achei difícil comprar in loco, nas estações, mas é sempre bom comprar com um ou dois dias de antecedência. No riad de Marrakech, eles mesmos providenciaram os bilhetes para nós, cobrando apenas pelo motorista que foi até a estação buscá-los. No caso das viagens bate-e-volta, compramos na hora sem problema algum.

Finalmente, tenho que destacar que as estações de Fez, de Marrakech e de Rabat foram reformadas e estão lindas, o que torna as viagens de trem muito mais agradáveis…

Um passeio a pé por Berlim – Parte 2

Gendarmenmarkt, com a Konzerthaus à esquerda e a Französicher Dom à direita

(Leia a primeira parte deste texto aqui).

Depois da Ópera, da Bebelplatz e da Universidade, a Unter den Linden vira uma sucessão de lojas meio sem graça, principalmente de carros, mas se você seguir reto logo chegará ao Portão de Brandemburgo. Um desvio interessante seria na Charlotenstraße, à esquerda, para dar uma olhada na Gendarmenmarkt, uma praça com duas igrejas gigantescas praticamente iguais, uma em frente à outra (a Französicher Dom, feita por refugiados franceses, e a Deutscher Dom). No meio, completando o trio arquitetônico, fica um prédio clássico que atualmente abriga a Konzerthaus, outra opção de música clássica na cidade, além de uma estátua do poeta Friedrich Schiller. Ao redor da Gendarmenmarkt há alguns cafés; a praça é, atualmente, junto com a Friedrichstraße (a rua seguinte à Charlottenstraße), um dos centros de lojas de luxo de Berlim.

Portão de Brandemburgo

Voltando à Unter den Linden logo se chega ao Portão de Brandemburgo, talvez o principal cartão postal da cidade. A praça onde ele fica chama-se Pariser Platz e lá, fica, de fato, a embaixada francesa, além da americana (a inglesa e a russa também ficam por ali, um pouco antes na Unter den Linden). A praça vive cheia de turistas, mas a vista do Portão e dos arredores é realmente arrebatadora.

Siegessäule

Cruzando o Portão, se vê o Tiergarten, o parque mais famoso e central de Berlim. Todavia, não era minha área preferida da cidade, porque o parque tem um jeitão de bosque, com umas áreas meio fechadas e trilhas suspeitas. Mas a avenida que o corta (Straße des 17. Juni), a rua que começa logo depois do Portão, vai até a Siegessäule, ou Estátua da Vitória, outro famoso símbolo de Berlim (aparece no filme “Asas do Desejo”, do Wim Wenders). Do Portão você certamente já a verá; porém, se quiser ir até lá andando, prepare-se para uma boa caminhada, equivalente a outra Unter den Linden completa ou até mais um pouco.

Memorial do Holocautsto

Filarmônica de Berlim

Se você não quiser ir até a Siegessäule ou conhecer o Tiergarten, há outras duas opções, dependendo do seu fôlego. Pode-se descer à esquerda do Portão de Brandemburgo, e logo se vê o recém-inaugurado Memorial do Holocausto, um labirinto de colunas de diferentes tamanhos. Se você continuar descendo, logo chegará, à esqueda, à Potsdamer Platz e, à direita, ao Kulturforum, um outro grupo de museus da cidade. No meio fica um prédio moderno todo irregular, de cor amarela bem “cheguei”: a Filarmônica de Berlim, um dos melhores espaços para música clássica do mundo (sem falar na qualidade da própria Filarmônica em si).

Girafa de Lego na Potsdamer Platz

A tal Potsdamer Platz era um dos pontos mais movimentados da Berlim de antes da guerra, com hotéis, cabarés, uma super estação de trem… Porém, o muro passava bem ali, o que significa que, durante a divisão da cidade, a praça virou terra de ninguém. Depois da reunificação, tentaram recuperar um pouco do movimento antigo. Há, de fato, uma estação do S-Bahn nova, bem bonita, mas o resto é uma sucessão de prédios modernos espelhados, como o tal Sony Center — já deu para ver que eu não gosto muito de lá. É, de qualquer forma, um ponto turístico bastante visitado, o que fez com que parte da muvuca antiga tenha voltado.

Prédio do Parlamento

Essa opção que eu descrevi no parágrafo anterior, descendo-se à esquerda do Portão de Brandemburgo, é a que exige um pouco mais de fôlego. Se o seu já estiver baixo, vire à direita e vá até a praça onde ficam o Parlamento e os novos prédios do governo. O parlamento é o famoso prédio do Reichstag (atualmente a Câmara dos Deputados deles chama-se Bundestag), reaberto algum tempo após a reunificação com aquela cúpula de vidro por cima. É uma visita bem interessante; o único problema são as filas gigantescas que se formam. Chegue cedo ou vá preparado para esperar um pouco. Logo atrás, margeando o Rio Spree, ficam os novos prédios da Chancelaria, que abrigam basicamente o gabinete de governo da Alemanha. Ganhou a apelido carinhoso de “máquina de lavar”, por causa das janelas gigantescas em forma redonda. Lá no fundo, do outro lado do rio, é possível ver a nova estação central de trem de Berlim (Hauptbahnhof), também inaugurada recentemente.

Cúpula do Parlamento

Esse passeio, sem que você visite qualquer museu, lhe tomará mais ou menos meio dia. Obviamente que se você parar pode demorar mais. De qualquer maneira, há uma outra opção, barata e menos cansativa. Berlim tem dois ônibus de linha (sem ser de turismo) que passam por todos esses lugares de que falei, e por alguns outros. São os ônibus n.º 100 e 200. Ambos saem da Alexanderplatz e vão até a estação Zoologischer Garten, mas por caminhos diferentes. E se você tiver um bilhete múltiplo, válido para o dia inteiro ou mesmo para vários dias, pode descer e voltar quando quiser.

Casa das Culturas do Mundo

O ônibus 200 é o menos interessante. Vai pela Leipziger Straße, uma rua ao sul da Unter den Linden sem muitos atrativos, mas é o que passa pela Potsdamerplatz, pela Filarmônica e pelo Kulturforum. O ônibus 100, mais interessante, passa por toda a Unter den Linden, contorna o Portão de Brandemburgo, segue até o Parlamento, depois passa pela Haus der Kulturen der Welt, ou Casa das Culturas do Mundo, um prédio moderno bem interessante que hoje abriga espetáculos e eventos temporários, e ganhou o apelido de ostra grávida, por causa da cúpula redonda (já deu para ver que os locais adoram dar apelidos engraçadinhos aos prédios).

Arquivo Bauhaus

Dali passa pelo Schloss Belevue, o palácio onde mora o Presidente alemão, passa pela Siegessäule, depois pelo Diplomatviertel, uma área que abriga várias embaixadas. As mais interessantes são as embaixadas mexicana e as nórdicas, que se uniram num prédio moderno comum (dizem que há um restaurante bom para almoçar lá). Logo ali também fica o Bauhaus Archive, museu da famosa escola de arquitetura e design alemão. Eu o visitei, mas só recomendo para aficcionados pelo assunto. Depois disso o ônibus passa por umas áreas mais residenciais até chegar a Charlottenburg, onde fica a estação Zoologischer Garten.

Colômbia – Bogotá

Plaza de Bolívar, Bogotá

Recentemente uma amiga me pediu dicas a respeito da Colômbia. Fui lá em agosto de 2006, ou seja, há bastante tempo, e por isso já me esqueci de muitos lugares e coisas que vi. Ainda assim, consegui escrever algumas dicas genéricas que compartilho com vocês. Minha amiga Anna, do blog Nós no Mundo, também voltou de lá recentemente, então visitem o blog dela para ter informações mais atuais.

Acho que a primeira coisa a ser dita a respeito da Colômbia é que é um país bonito, de gente simpática, mas que ainda sofre um sério problema de imagem, fruto de anos de guerrilha e de narcotráfico. Ignorem essa imagem e terão uma agradável surpresa. A guerrilha e o tráfico ainda existem, claro, mas estão restritas a algumas áreas mais remotas do país. É comum ver soldados do Exército nas cidades e, para entrar em alguns lugares, eles revistarão sua bolsa ou sua mochila; mas isso são medidas de segurança que de forma alguma indicam que lá é um lugar perigoso para se visitar. Aliás, encare essas medidas como um indicativo de que, ao contrário, há uma preocupação com sua segurança.

A esse respeito, costuma-se desaconselhar as viagens terrestres no país, sendo preferível viajar de avião. Mesmo assim, eu fiz dois trechos internos de ônibus — da fronteira com a Venezuela até Cartagena e de lá até Bogotá — e não tive problema algum. Parece-me que viagens para as áreas de selva é que são, de fato, problemáticas; também recomenda-se evitar a região de Cali.

Interior da Donación Botero

Além do mais, os colombianos são bastante simpáticos e receptivos com quem se dispõe a conhecer o país deles. Têm orgulho do seu país e sofrem com essa (má) fama que ele tem — os colombianos precisam de visto para visitar quase todos os países do mundo, inclusive os da União Europeia. Ainda assim, estão dispostos a receber o turista e podem dar dicas valiosas sobre onde ir e o que visitar. Como disse a Anna em seu blog, os colombianos são chévere, que é uma expressão local usada como o nosso “legal”.

Plaza de Bolívar

Comecemos pela capital. Bogotá é uma cidade bonita e bem organizada, que me surpreendeu bastante. Há um tijolo vermelho que é onipresente, está em boa parte dos prédios (e até em algumas ruas) que, parece, é produzido em abundância nas cercanias, o que dá um certo ar oldie à cidade. Bogotá recebeu há alguns anos um sistema de ônibus (Transmilenio) que é frequentemente citado como exemplo de redefinição do transporte público em uma metrópole. O Transmilenio lembra o sistema de Curitiba e deixou a cidade bem mais transitável.

Catedral de Bogotá, Plaza de Bolívar

Facilita bastante também o fato de a cidade ser basicamente comprida, com ruas chamadas carreras percorrendo boa parte de sua extensão, no sentido sul-norte. Já as calles são perpendiculares às carreras e  são numeradas progressivamente, o que facilita (um pouco) a localização.

Painel no Museo del Oro

As principais atrações ficam realmente no centro histórico, como o Museo de Oro, a Donación Botero e a Plaza de Bolívar com a catedral e os palácios do governo (fotos acima), onipresente como em todas as capitais da América Latina. O Museo de Oro, imperdível, reúne artefatos, principalmente no material que dá nome ao museu, de culturas pré-colombianas da Colômbia e de alguns outros países, e é de encher os olhos — fiquei impressionado com a qualidade do trabalho feito por essas civilizações antigas. Já a Donación Botero reúne telas e esculturas do mais famoso pintor colombiano, e fica num casarão antigo, lindo (foto acima).

Casinhas coloridas em Las Aguas

Mesmo assim, à noite o centro histórico talvez não seja uma área muito interessante, fica bem vazio… para ficar perto do centro, mas numa área mais animada à noite, recomendo a região próxima à montanha e ao Parque de Los Periodistas (uma praça, na verdade), conhecida como Las Aguas, um bairro antigo de casinhas coloridas e que hoje abriga algumas universidades, o que torna as noites mais interessantes. A partir daí, a cidade cresce para o norte, onde há outras áreas mais agitadas e frequentadas pelos bem nascidos locais. As áreas mais famosas são a “Zona Rosa” (entre as calles 79 e 85 e as carreras 11 e 15), a “Zona T” (em frente ao shopping Centro Andino) e Usaquén (carrera 7, entre as calles 116 e 120).

Vista da Torre Colpatria com a Plaza de Toros lá embaixo

Próximo ao centro fica a área conhecida como Centro Internacional, onde ficam o centro financeiro e os prédios mais altos de Bogotá. Na Torre Colpatria é possível subir até o alto e ver a cidade lá de cima, com a Plaza de Toros Santamaría logo abaixo (a Colômbia é dos poucos países que preservam ainda as touradas).

Cerro de Monserrate visto da Torre Colpatria

Há também uma pequena montanha, conhecida como Cerro de Monserrate, para onde se sobe de teleférico. É um local de peregrinação para os moradores da cidade, mas também é bastante visitado por turistas, pois dizem que as vistas de lá são bem bonitas — infelizmente não tive tempo de subir. A propósito, como a cidade e encrustada no meio dos Andes, é relativamente fria — um casaquinho, mesmo no verão, é fundamental.

Meu roteiro pelo México – Parte 2

Cancún e sua "faixa de areia"

Queria conhecer um pouco dos três “eixos” em minha viagem, e tinha vinte dias. Decidi começar logo pela Riviera Maia e aproveitar um pouco da praia. Escolhi o voo de São Paulo até a Cidade do México e, de lá, até Cancún (deixei para conhecer a capital no final da viagem). Quando preparava minha viagem, já tinha recebido recomendações de NÃO perder tempo em Cancún. Dormi apenas uma noite lá, para descansar. A cidade realmente pareceu-me artificial. Quer dizer, a Zona Hotelera, ou Isla Cancún, uma estreita e comprida faixa de terra onde ficam os resorts e boa parte do agito. Como os resorts ocupam a faixa costeira externa da ilha, quando você passa pela avenida que a cruza de norte a sul, não vê quase nada da praia (quem é acostumado com a orla do Rio vai achar tétrico).

Sem contar que, depois do furacão Wilma, em 2005, o mar comeu um bom pedaço da praia e tem hotel que não tem mais areia para oferecer aos hóspedes. Afinal, a impressão que dá é que Cancún é uma cidade que poderia estar nos Estados Unidos, e acredito que boa parte das pessoas não vai até o México para ver gringo.

Playa del Carmen

No dia seguinte, rumei para Playa del Carmen, uma cidade mais ou menos uma hora ao sul de Cancún, que está crescendo muito, mas ainda mantém um certo charme de cidadezinha de praia no Brasil (pense, sei lá, numa coisa meio Búzios, meio Pipa, algo do gênero). Mas você pode escolher os vários resorts que ficam ao sul ou ao norte de Playa para ficar. Além disso, é de Playa del Carmen que saem os ferries para a ilha de Cozumel. A cidade ainda é uma boa base para contratar um mergulho nas barreiras de coral que povoam essa parte do litoral. Tanto de Playa como de outras cidades da Riviera Maia, pode-se também visitar algumas ruínas maias, como Tulún (uma cidade-ruína na beira do mar) e a mais famosa, Chichen Itzá (na verdade, na forma como a conhecemos hoje, é um misto das culturas maia e tolteca), que virou uma das sete mararavilhas do mundo moderno após aquela votação que também elegeu o Cristo Redentor.

Palenque

De lá, o trecho mais trash da viagem. Foram umas 17 horas dentro de um ônibus noturno até Palenque, já na província de Chiapas. Queria muito visitar essa cidade-ruína maia, e não me arrependi. A moderna Palenque já é uma cidade grande, mas a antiga cidade maia fica num parque, cercada pela selva do sul do México. Muito calor e muitas fotos lindas! Como a cidade moderna não tem muitos atrativos, para visitar as ruínas, um dia está de bom tamanho.

San Cristóbal de las Casas

Umas 5 horas de ônibus e estava en San Cristobal de las Casas, a “capital cultural” de Chiapas e centro para a rica comunidade indígena que vive na região. Que delícia de cidade, com casinhas coloniais coloridas, e tanto turista do outro lado do Atlântico que a cidade quase ganha ares europeus. Sem contar que é uma cidade alta, então é bem mais fresca que a parte mais baixa da província (um casaco é necessário).

Oaxaca

Minha próxima escolha era Oaxaca, capital da província de… Oaxaca. Oaxaca é conhecida por vários motivos. É uma cidade com algumas construções do período colonial, com um casario colorido que faz lembrar os quadros da Frida Kahlo. Além disso, tornou-se um centro de arte dentro do México, com várias galerias espalhadas pela cidade, vendendo desde objetos tradicionais do artesanato local (como os famosos alebrijes, animais coloridíssimos de madeira) até arte contemporânea. Também fica próxima de Monte Albán, uma outra cidade-ruína da época pré-colombiana da cultura zapoteca, para onde saem passeios de meio-dia de Oaxaca (das ruínas, mais altas, vê-se a cidade no vale). De outro lado, é uma cidade conhecida por reunir protestos e manifestações de rua. Não peguei nada disso quando passei por lá, embora tenha visto muita gente acampada na praça central da cidade; mas alguns dias depois vi na TV que houve alguns conflitos nas ruas da cidade.

Para ir de San Cristóbal de las Casas para Oaxaca de forma rápida, tive que pesquisar e arriscar. Há, claro, ônibus que fazem o percurso, mas eles demoram de 12 a 18 horas e eu não queria perder tanto tempo assim — sem falar que já havia pegado uma viagem longa de ônibus de Playa del Carmem até Palenque dias antes. San Cristóbal não tem aeroporto, mas Tuxtla Gutiérrez, a capital da província de Chiapas, sim. Tuxtla fica a cerca de uma hora de ônibus de San Cristóbal, e a viagem é bem tranquila, numa autopista larga e com asfalto bom. Acontece que as principais companhias aéreas do México, Aeroméxico e Mexicana, não faziam o trecho até Oaxaca direto — teria que ir até Cidade do México e fazer uma conexão, o que seria uma volta danada. Descobri que havia uma empresa chamada Alma de México que fazia este percurso direto. Era uma empresa low cost baseada em Guadalajara e que, infelizmente, fechou as portas no final de 2008. Nunca tinha ouvido falar dela, mas resolvi arriscar mesmo assim. O voo foi feito num desses jatinhos menores, mas foi bem tranquilo. Valeu à pena arriscar.

Monte Albán

Recomendo uns três dias para Oaxaca, principalmente porque você vai querer visitar Monte Albán, alguns lugares coloniais e, de repente, algumas das galerias mais conhecidas da cidade. Sem falar na culinária, que é bem famosa dentro do México, como os molhos (moles) à base de chocolate. Oaxaca é o centro de produção do mezcal, uma outra bebida obtida a partir do agave (a mesma planta de que é feita a tequila), mais forte e que traz, muitas vezes, aquele verme no fundo da garrafa (não se preocupe, você não é obrigado a comê-lo, mas depois de umas doses… quem garante?)

Meu roteiro pelo México – Parte 1

Chichen Itzá

O México é um país de grande riqueza e diversidade cultural. Embora muitos dos brasileiros que visitam este país limitem-se ao balnerário de Cancún, há muito mais o que se ver por ali. Nesse texto, não pretendo falar sobre cada um dos destinos que visitei especificamente, mas dar uma ideia de como nasceu o roteiro pelo país, como eu fiz os deslocamentos internos, quanto tempo durou a viagem, enfim, dar algumas ideias que podem ajudar alguém a organizar seu próprio roteiro.

Se você está montando uma viagem pelo México, seria bom arranjar um bom guia do país — Lonely Planet, Frommer’s, Rough Guide, Guia Ilustrado da Folha etc (ainda estou devendo um texto sobre guias de viagem, mas fica para o futuro). De qualquer forma, na internet pode-se achar muita informação a respeito das cidades, distâncias etc. Com um mapa, já é possível traçar um roteiro inicial e, depois, verificar se os deslocamentos internos são factíveis no tempo planejado.

Em primeiro lugar, acredito que existem três “eixos” principais em uma viagem ao México: praia, civilizações pré-colombianas e cidades históricas/coloniais. Você precisa ter em mente o que pretende conhecer, que tipo de viagem quer fazer. Se você quiser apenas aproveitar a praia, realmente escolher alguma cidade na costa caribenha (onde fica Cancún, embora eu não recomende que a cidade seja essa) e passar todos os dias lá já estará de bom tamanho. É bom ressaltar, também, que algumas cidades e localidades oferecem atrações que pertencem a mais de um dos “eixos” mencionados.

Dito isto, comece a procurar: onde achar cada um destes ingredientes? Vejamos as praias, inicialmente. O México tem uma costa bem extensa, tanto do lado do Atlântico como do lado do Pacífico. Do lado Atlântico, as praias da Riviera Maia, na Península de Yucatán, são imbatíveis (o Estado chama-se oficialmente Quintana Roo). Elas estão de frente ao Mar do Caribe, então têm aquela cor azul que todo mundo procura. As praias mais ao norte, banhadas pelo Golfo do México, não costumam ser mencionadas (o lance ali é petróleo!)

Já do lado do Pacífico, há várias opções. Acapulco é a mais famosa (apareceu até no programa do Chaves) mas, por ser a praia mais próxima da Cidade do México, sofreu com o turismo de massa contínuo e entrou em decadência. Li que, recentemente, estão fazendo vários investimentos para revitalizar o local e que os turistas estão voltando. É uma cidade famosa, de qualquer forma, pelos clavadistas, corajosos homens que saltam de penhascos no mar e, depois, pedem dinheiro pelo espetáculo. Mais ao norte, fica Puerto Vallarta, o balneário de quem mora em Guadalajara (a segunda maior cidade do México) e também bastante procurada por turistas gays. Mais ao sul, na província de Oaxaca, fica Puerto Escondido, muito procurada por surfistas. E aquela “perninha” na parte oeste do México? É a Baja Califórnia. Pelo nome e pela proximidade com os Estados Unidos, é muito procurada pelos americanos, sendo a região de Cabo San Lucas uma das mais procuradas.

Seu negócio é ver ruínas maias, aztecas, olmecas etc? Não haverá muitos problemas: elas estão em toda a parte, de norte a sul. As maias ficam mais ao sul, na Península de Yucatán e em Chiapas (e também na Guatemala). Os aztecas ficavam mais ao centro, e você pode visitar escavações que lembram o esplendor de Tenochtitlán, a capital azteca, na própria Cidade do México (que foi construída por cima dela). Mas muitas outras civilizações habitaram o que hoje é o México, e há ruínas delas espalhadas pelo país.

Guanajuato

Assim como os portugueses construíram cidades em sua colônia, os espanhóis deixaram sua marca no México. As marcas do período colonial espanhol também estão em toda a parte, mas há centros mais conhecidos como Puebla e San Miguel de Allende.

Os voos diretos do Brasil para o México saem de São Paulo e vão para a Cidade do México. Acho que já houve voos para Cancún, mas, hoje, apenas fretados. Se você optar pela companhia Copa, que, no Brasil, sai de São Paulo, do Rio, de Belo Horizonte e de Manaus, você pode, via Panamá (todos os voos param lá), ir para outras cidades no México, como Guadalajara e Cancún. Aliás, fazer viagens internas de avião no México pode ser irritante: quase todos os voos param na Cidade do México, de modo que, muitas vezes, você terá que fazer conexão lá e dar uma volta danada.

Shabbat em Israel

Você provavelmente já ouviu falar no famoso shabbat em Israel e nos problemas que ele pode trazer ao viajante. Para quem não sabe, em Israel o dia oficial de descanso é o sábado (o tal shabbat) e, por isso, ele equivale ao nosso domingo, quando as coisas em geral fecham. Já a sexta-feira, para eles, tem a cara do nosso sábado. Além disso, os shabbats começam oficialmente ao pôr do sol da sexta-feira e duram até o pôr-do-sol do sábado em si. O mesmo vale para os feriados religiosos em geral, embora, nesse caso, eles possam cair em dias diferentes da semana.

Na verdade, acabei surpeendendo-me com a abrangência do shabbat. Quem mora em cidade grande do Brasil está acostumado, mesmo nos sábados e domingos, a ter acesso a vários serviços, non stop. Mesmo na Europa, onde eu acho que as coisas costumam fechar cedo demais (exceção honrosa da Espanha, onde as lojas fecham às 21h durante a semana), costuma haver um número razoável de opções de atividades aos domingos. Em Israel, elas ficam bem limitadas durante o shabbat.

Em Tel Aviv, que é a cidade mais moderninha de Israel, há, claro, opções de lazer durante shabbat. Mesmo assim, numa sexta-feira à noite, eu penei um pouquinho para encontrar um lugar decente para comer. E olha que eu estava no meio da Ben Yehuda, a avenida mais comercial, digamos assim, de Tel Aviv. Acontece que como os restaurantes kosher (e alguns não kosher) fecham para o shabbat, as opções que pemanecem abertas ficam lotadas e é difícil conseguir uma mesa.

Da mesma forma, como o shabbat começa na sexta-feira à noite, muita coisa já começa a fechar no meio da tarde. Quando cheguei em Tel Aviv, por exemplo, vi que havia um trem que liga o aeroporto ao centro da cidade. Ocorre que era em torno de 15h30 e já não havia mais trens funcionando. Aliás, programar o deslocamento durante o shabbat pode ser difícil. Há táxis, claro, em funcionamento, mas eles não são baratinhos. Para ir de uma cidade a outra ou fazer grandes distâncias, pesquise ou pergunte no hotel com antecedência. Algumas vans, conhecidas como sherut (seria uma versão local para shuttle?) costumam funcionar nos shabbats fazendo o transporte entre algumas cidades. Na dúvida, programe seus deslocamentos para outro dia.

Em Tel Aviv, contudo, é perfeitamente possível encontrar um lugar para beber e uma boate que funcione na sexta à noite. Quanto à isso, você não terá problemas. Acontece que algumas atrações turísticas fecham no shabbat (ao contrário do mundo ocidental, onde em geral elas fecham na segunda). Uma boa pedida para o shabbat em Tel Aviv é ir para a praia, que fica cheia, como qualquer praia urbana no domingo no Brasil.

Em cidades menores, contudo, pode ser mais difícil encontrar o que fazer. Em Haifa, até mesmo sacar dinheiro num terminal automático na sexta à noite mostrou-se difícil, já que, para os judeus ortodoxos, mexer com dinheiro é proibido no shabbat.  Depois de umas tentativas, eu consegui. E Haifa é uma cidade bem misturada, com uma população árabe considerável.

Essa é, aliás, outra dica: nas cidades com maior número de árabes e cristãos (como Nazaré, Belém e mesmo Haifa), não existe observância do shabbat; por isso, o sábado costuma ser como conhecemos.

Na verdade, com um pouco de planejamento, dá para sobreviver a um shabbat em Israel. Se você pretende comprar alguma coisa no supermercado, como água, comida, produtos de higiene, vá antes de sexta-feira à tarde. Entretanto, é possível comprar água (e outras bebidas) em lojas de conveniência que ficam abertas em boa parte do shabbat, ao menos em Tel Aviv.