Meu roteiro pelo México – Parte 3

Puerto Vallarta

Queria conhecer uma praia do Pacífico do México. O destino mais lógico seria Puerto Escondido, que fica no próprio Estado de Oaxaca. Acontece que, ao contrário do que parece, precisa-se de umas sete horas para ir da capital até lá, de ônibus — aparentemente é um trecho com muitas montanhas. Puerto Escondido tem aeroporto, mas é claro que achar voos diretos de Oaxaca até lá não é uma tarefa fácil. Acabei decidindo ir para Puerto Vallarta (como eu mencionei no texto anterior, a cidade de praia mais próxima de Guadalajara), voando até lá. Houve uma conexão na Cidade do México, de qualquer maneira, mas pelo menos eu não tive que dar uma super volta para chegar até o destino.

Puerto Vallarta, Plaza Principal, Zona Centro

Puerto Vallarta parece sofrer de pressões semelhantes pelas quais passam Acapulco e Cancún. Há resorts aparecendo o tempo todo e, sendo uma cidade relativamente próxima dos Estados Unidos, há voos diretos do vizinho do norte até lá. Ainda assim, a cidade mantém um centrinho histórico e há áreas que não passaram por um processo de verticalização acentuada, como a Zona Romántica. Fiquei numa delas, onde fica a Playa de los Muertos (que nome tétrico, não?), que eu achei mais ou menos em termos de beleza — a areia é meio cinza e volta e meia o mar é invadido por algas. A cidade não estava muito cheia, o que para mim foi um ponto negativo, já que estava viajando sozinho, mas pode ser uma boa olhar isso se você quiser fazer uma viagem mais tranquila. De qualquer forma, achei que se come bem por lá.

De  Puerto Vallarta eu voei até a Cidade do México, onde passei um final de semana. De lá fiz uma pequena viagem até Guanajuato e San Miguel de Allende (fiquei duas noites na primeira e uma na segunda), antes de voltar para a Cidade do México e passar mais uns dias antes de voltar ao Brasil. A viagem até Guanajuato dura em torno de 4 horas e meia, até San Miguel de Allende, entre 3 horas e meia e 4 horas. Entre ambas o trajeto dura mais ou menos 1 hora e meia.

Guanajuato

Guanajuato é uma espécie de Ouro Preto do México. Tinha minas de prata que escoaram em profusão para a Espanha, mas acabou virando um dos berços do movimento de independência do país e atualmente é uma cidade universitária — daí a semelhança com a cidade brasileira. A cidade tem um centro histórico até charmoso, com prédios históricos, alguns bem coloridos, uma casa onde Diego Rivera passou a infância, dentre outras atrações. O interessante é que alguns túneis antigos das minas são usados hoje para o tráfego.

Paroquia de San Miguel Arcángel, San Miguel de Allende

Já San Miguel de Allende virou um centro artístico no México — semelhante a Oaxaca, mas um pouco mais elitizado, já que o boom surgiu muito em função de dinheiro injetado por americanos. Eles compraram muitas casas, reformaram-nas — o que deixou a cidade bonita, claro, mas também aumentou a valorização imobiliária. Muitos acabaram se mudando para lá, o que fez abrir restaurantes, bares, galerias etc. Também é uma cidade charmosa e dá até para passar uns dias por lá apenas perambulando pelas ruas históricas — cursos de arte também são um opcional.

Museo Nacional de Antropología

A Cidade do México certamente merece textos à parte, mas vou tentar resumir aqui porque você deve gastar alguns dias por lá. A cidade é bem caótica, lembra São Paulo; de qualquer forma, isso significa também vida noturna agitada e restaurantes bons. O Museo Nacional de Antropología reúne artefatos de vários povos pré-colombianos recolhidos em ruínas espalhadas pelo país, organizados por civilização — assim, se você não conseguiu visitar as ruínas, está tudo resumido lá, e num espaço excelente, que vale a visita. Além disso, pode-se visitar Teotihuacan, uma cidade-ruína que conta com a famosa Pirâmide do Sol, que apareceu no filme da Frida Kahlo. Fica mais ou menos a 40 minutos da capital, de ônibus, podendo ser facilmente visitada em meio dia. Enfim, motivos não faltam para você passar pelo menos uns três dias na capital do México.

Pirâmide do Sol vista a partir da Pirâmide da Lua

Meu roteiro foi criado, claro, de acordo com gostos pessoais, disponibilidade de tempo e outros fatores que eu mencionei aqui. Ficou um pouco caro por causa dos vários trechos de avião, mas isso pode ser modificado se você tiver mais tempo e não se incomodar em viajar de ônibus. Além disso, com minhas dicas não quero dizer que no México não haja outros destinos interessantes. Puebla, não muito distante da Cidade do México, é famosa por seu passado colonial. Além da capital, o México tem as metrópoles de Guadalajara e Monterrey (a segunda e a terceira maiores cidades do país, respectivamente). Cuernavaca é uma estância de águas não muito longe da capital, também com prédios coloniais. Zacatecas também é uma antiga cidade mineradora, onde há uma boate instalada dentro de uma mina desativada. Enfim, destinos e motivos não faltam para você visitar o México. Só não vale ir apenas a Cancún e dizer que prefere Miami.

Meu roteiro pelo México – Parte 2

Cancún e sua "faixa de areia"

Queria conhecer um pouco dos três “eixos” em minha viagem, e tinha vinte dias. Decidi começar logo pela Riviera Maia e aproveitar um pouco da praia. Escolhi o voo de São Paulo até a Cidade do México e, de lá, até Cancún (deixei para conhecer a capital no final da viagem). Quando preparava minha viagem, já tinha recebido recomendações de NÃO perder tempo em Cancún. Dormi apenas uma noite lá, para descansar. A cidade realmente pareceu-me artificial. Quer dizer, a Zona Hotelera, ou Isla Cancún, uma estreita e comprida faixa de terra onde ficam os resorts e boa parte do agito. Como os resorts ocupam a faixa costeira externa da ilha, quando você passa pela avenida que a cruza de norte a sul, não vê quase nada da praia (quem é acostumado com a orla do Rio vai achar tétrico).

Sem contar que, depois do furacão Wilma, em 2005, o mar comeu um bom pedaço da praia e tem hotel que não tem mais areia para oferecer aos hóspedes. Afinal, a impressão que dá é que Cancún é uma cidade que poderia estar nos Estados Unidos, e acredito que boa parte das pessoas não vai até o México para ver gringo.

Playa del Carmen

No dia seguinte, rumei para Playa del Carmen, uma cidade mais ou menos uma hora ao sul de Cancún, que está crescendo muito, mas ainda mantém um certo charme de cidadezinha de praia no Brasil (pense, sei lá, numa coisa meio Búzios, meio Pipa, algo do gênero). Mas você pode escolher os vários resorts que ficam ao sul ou ao norte de Playa para ficar. Além disso, é de Playa del Carmen que saem os ferries para a ilha de Cozumel. A cidade ainda é uma boa base para contratar um mergulho nas barreiras de coral que povoam essa parte do litoral. Tanto de Playa como de outras cidades da Riviera Maia, pode-se também visitar algumas ruínas maias, como Tulún (uma cidade-ruína na beira do mar) e a mais famosa, Chichen Itzá (na verdade, na forma como a conhecemos hoje, é um misto das culturas maia e tolteca), que virou uma das sete mararavilhas do mundo moderno após aquela votação que também elegeu o Cristo Redentor.

Palenque

De lá, o trecho mais trash da viagem. Foram umas 17 horas dentro de um ônibus noturno até Palenque, já na província de Chiapas. Queria muito visitar essa cidade-ruína maia, e não me arrependi. A moderna Palenque já é uma cidade grande, mas a antiga cidade maia fica num parque, cercada pela selva do sul do México. Muito calor e muitas fotos lindas! Como a cidade moderna não tem muitos atrativos, para visitar as ruínas, um dia está de bom tamanho.

San Cristóbal de las Casas

Umas 5 horas de ônibus e estava en San Cristobal de las Casas, a “capital cultural” de Chiapas e centro para a rica comunidade indígena que vive na região. Que delícia de cidade, com casinhas coloniais coloridas, e tanto turista do outro lado do Atlântico que a cidade quase ganha ares europeus. Sem contar que é uma cidade alta, então é bem mais fresca que a parte mais baixa da província (um casaco é necessário).

Oaxaca

Minha próxima escolha era Oaxaca, capital da província de… Oaxaca. Oaxaca é conhecida por vários motivos. É uma cidade com algumas construções do período colonial, com um casario colorido que faz lembrar os quadros da Frida Kahlo. Além disso, tornou-se um centro de arte dentro do México, com várias galerias espalhadas pela cidade, vendendo desde objetos tradicionais do artesanato local (como os famosos alebrijes, animais coloridíssimos de madeira) até arte contemporânea. Também fica próxima de Monte Albán, uma outra cidade-ruína da época pré-colombiana da cultura zapoteca, para onde saem passeios de meio-dia de Oaxaca (das ruínas, mais altas, vê-se a cidade no vale). De outro lado, é uma cidade conhecida por reunir protestos e manifestações de rua. Não peguei nada disso quando passei por lá, embora tenha visto muita gente acampada na praça central da cidade; mas alguns dias depois vi na TV que houve alguns conflitos nas ruas da cidade.

Para ir de San Cristóbal de las Casas para Oaxaca de forma rápida, tive que pesquisar e arriscar. Há, claro, ônibus que fazem o percurso, mas eles demoram de 12 a 18 horas e eu não queria perder tanto tempo assim — sem falar que já havia pegado uma viagem longa de ônibus de Playa del Carmem até Palenque dias antes. San Cristóbal não tem aeroporto, mas Tuxtla Gutiérrez, a capital da província de Chiapas, sim. Tuxtla fica a cerca de uma hora de ônibus de San Cristóbal, e a viagem é bem tranquila, numa autopista larga e com asfalto bom. Acontece que as principais companhias aéreas do México, Aeroméxico e Mexicana, não faziam o trecho até Oaxaca direto — teria que ir até Cidade do México e fazer uma conexão, o que seria uma volta danada. Descobri que havia uma empresa chamada Alma de México que fazia este percurso direto. Era uma empresa low cost baseada em Guadalajara e que, infelizmente, fechou as portas no final de 2008. Nunca tinha ouvido falar dela, mas resolvi arriscar mesmo assim. O voo foi feito num desses jatinhos menores, mas foi bem tranquilo. Valeu à pena arriscar.

Monte Albán

Recomendo uns três dias para Oaxaca, principalmente porque você vai querer visitar Monte Albán, alguns lugares coloniais e, de repente, algumas das galerias mais conhecidas da cidade. Sem falar na culinária, que é bem famosa dentro do México, como os molhos (moles) à base de chocolate. Oaxaca é o centro de produção do mezcal, uma outra bebida obtida a partir do agave (a mesma planta de que é feita a tequila), mais forte e que traz, muitas vezes, aquele verme no fundo da garrafa (não se preocupe, você não é obrigado a comê-lo, mas depois de umas doses… quem garante?)