Recentemente uma amiga me pediu dicas a respeito da Colômbia. Fui lá em agosto de 2006, ou seja, há bastante tempo, e por isso já me esqueci de muitos lugares e coisas que vi. Ainda assim, consegui escrever algumas dicas genéricas que compartilho com vocês. Minha amiga Anna, do blog Nós no Mundo, também voltou de lá recentemente, então visitem o blog dela para ter informações mais atuais.
Acho que a primeira coisa a ser dita a respeito da Colômbia é que é um país bonito, de gente simpática, mas que ainda sofre um sério problema de imagem, fruto de anos de guerrilha e de narcotráfico. Ignorem essa imagem e terão uma agradável surpresa. A guerrilha e o tráfico ainda existem, claro, mas estão restritas a algumas áreas mais remotas do país. É comum ver soldados do Exército nas cidades e, para entrar em alguns lugares, eles revistarão sua bolsa ou sua mochila; mas isso são medidas de segurança que de forma alguma indicam que lá é um lugar perigoso para se visitar. Aliás, encare essas medidas como um indicativo de que, ao contrário, há uma preocupação com sua segurança.
A esse respeito, costuma-se desaconselhar as viagens terrestres no país, sendo preferível viajar de avião. Mesmo assim, eu fiz dois trechos internos de ônibus — da fronteira com a Venezuela até Cartagena e de lá até Bogotá — e não tive problema algum. Parece-me que viagens para as áreas de selva é que são, de fato, problemáticas; também recomenda-se evitar a região de Cali.
Além do mais, os colombianos são bastante simpáticos e receptivos com quem se dispõe a conhecer o país deles. Têm orgulho do seu país e sofrem com essa (má) fama que ele tem — os colombianos precisam de visto para visitar quase todos os países do mundo, inclusive os da União Europeia. Ainda assim, estão dispostos a receber o turista e podem dar dicas valiosas sobre onde ir e o que visitar. Como disse a Anna em seu blog, os colombianos são chévere, que é uma expressão local usada como o nosso “legal”.
Comecemos pela capital. Bogotá é uma cidade bonita e bem organizada, que me surpreendeu bastante. Há um tijolo vermelho que é onipresente, está em boa parte dos prédios (e até em algumas ruas) que, parece, é produzido em abundância nas cercanias, o que dá um certo ar oldie à cidade. Bogotá recebeu há alguns anos um sistema de ônibus (Transmilenio) que é frequentemente citado como exemplo de redefinição do transporte público em uma metrópole. O Transmilenio lembra o sistema de Curitiba e deixou a cidade bem mais transitável.
Facilita bastante também o fato de a cidade ser basicamente comprida, com ruas chamadas carreras percorrendo boa parte de sua extensão, no sentido sul-norte. Já as calles são perpendiculares às carreras e são numeradas progressivamente, o que facilita (um pouco) a localização.
As principais atrações ficam realmente no centro histórico, como o Museo de Oro, a Donación Botero e a Plaza de Bolívar com a catedral e os palácios do governo (fotos acima), onipresente como em todas as capitais da América Latina. O Museo de Oro, imperdível, reúne artefatos, principalmente no material que dá nome ao museu, de culturas pré-colombianas da Colômbia e de alguns outros países, e é de encher os olhos — fiquei impressionado com a qualidade do trabalho feito por essas civilizações antigas. Já a Donación Botero reúne telas e esculturas do mais famoso pintor colombiano, e fica num casarão antigo, lindo (foto acima).
Mesmo assim, à noite o centro histórico talvez não seja uma área muito interessante, fica bem vazio… para ficar perto do centro, mas numa área mais animada à noite, recomendo a região próxima à montanha e ao Parque de Los Periodistas (uma praça, na verdade), conhecida como Las Aguas, um bairro antigo de casinhas coloridas e que hoje abriga algumas universidades, o que torna as noites mais interessantes. A partir daí, a cidade cresce para o norte, onde há outras áreas mais agitadas e frequentadas pelos bem nascidos locais. As áreas mais famosas são a “Zona Rosa” (entre as calles 79 e 85 e as carreras 11 e 15), a “Zona T” (em frente ao shopping Centro Andino) e Usaquén (carrera 7, entre as calles 116 e 120).
Próximo ao centro fica a área conhecida como Centro Internacional, onde ficam o centro financeiro e os prédios mais altos de Bogotá. Na Torre Colpatria é possível subir até o alto e ver a cidade lá de cima, com a Plaza de Toros Santamaría logo abaixo (a Colômbia é dos poucos países que preservam ainda as touradas).
Há também uma pequena montanha, conhecida como Cerro de Monserrate, para onde se sobe de teleférico. É um local de peregrinação para os moradores da cidade, mas também é bastante visitado por turistas, pois dizem que as vistas de lá são bem bonitas — infelizmente não tive tempo de subir. A propósito, como a cidade e encrustada no meio dos Andes, é relativamente fria — um casaquinho, mesmo no verão, é fundamental.









