Turismo vilão

Fernando de Noronha: bela, protegida... e cara!

Fernando de Noronha: bela, protegida… e cara!

Tenho lido ultimamente vários textos falando dos impactos causados pelo turismo. E de como isso é uma via de mão dupla: pode afetar negativamente o local visitado e sua população, mas também o próprio turista. Vamos a alguns exemplos.

O primeiro impacto que vem a mente é o ambiental. Bem, o homem vem produzindo impacto no mundo há séculos, e há algumas décadas estamos tentando pensar também como diminuí-lo. Mas é fato que alguns lugares são mais sensíveis que outros. Pense num lugar como Veneza, em como é difícil a coleta de lixo numa cidade que é formada basicamente por ilhas e canais. Não dá para passar um caminhão para recolher. Outros têm ecossistemas delicados, em que a simples presença de muita gente já pode danificar aquilo que é exatamente a beleza do lugar.

Koh Tachai, na Tailândia (imagem obtida em http://similan-islands.com/koh-tachai/)

Koh Tachai, na Tailândia (imagem obtida em http://similan-islands.com/koh-tachai/)

A Tailândia, por exemplo, decidiu fechar a ilha de Ko Tachai para visitação humana por tempo indefinido. Diz a reportagem que a quantidade de turistas nos últimos anos foi tanta que a degradação era inevitável. Alguns lugares tentam trabalhar esse impacto limitando o número de visitantes e/ou cobrando taxas para que torne-se caro ficar muito tempo por lá. No Brasil, é o caso de Fernando de Noronha e de Bonito. Eu visitei esse último destino há dois anos e achei fantástico, pois dificilmente se tem a impressão de que algum dos lugares turísticos está cheio demais. O outro lado: isso em geral encarece a visitação, e há o risco de tornar a atração um local elitista, apenas para “paladares gourmetizados“. O ideal é achar um equilíbrio, fazer estudos prévios de impacto para saber quanta gente dá para visitar por dia para sem prejudicar o ecossistema.

Cachoeira da Boca da Onça em Bonito

Cachoeira da Boca da Onça em Bonito

Há outros impactos menos óbvios, mas que já começam a aparecer em cidades supervisitadas, como Barcelona, Paris ou mesmo o Rio. A oferta de bens e serviços volta-se quase exclusivamente para o turista, deixando meio de lado quem vive no local. Todos nós adoramos serviços de hospedagem como AirBnB, e mesmo sites mais tradicionais como o Booking já oferecem hospedagem em casas e apartamentos. O preço costuma ser atrativo, principalmente quando a gente fica mais dias na cidade, além de passar a sensação de viver como um local, sem a impessoalidade de um hotel.

Parc Güell, em Barcelona

Parc Güell, em Barcelona

Porém, essas são áreas que são retiradas do mercado normal, aquele destinado a quem efetivamente mora na cidade. Como a hospedagem turística dá um retorno mais rápido, li que bairros inteiros dessas cidades muito visitadas têm ficado praticamente sem moradores permanentes. As escolas locais passam a receber alunos de bairros cada vez mais distantes, ou simplesmente fecham por falta de estudantes. Somem os mercadinhos, padarias, açougues, aparecem as lojas de conveniência, restaurantes e bares para turistas.  Ainda não dá para saber direito qual o impacto isso terá a longo prazo nas cidades, mas só de pensar já me vem uma tristeza. Afinal, qual a graça de ficar “como um local” numa região da cidade onde ninguém mora de fato?

Muvuca para tentar "ver" a Mona Lisa no Louvre

Muvuca para tentar “ver” a Mona Lisa no Louvre

Para o turista, quando a gente visita um lugar cheio demais, fica a sensação de desconforto, de estar no meio de uma manada. Tenho observado isso nas minhas últimas viagens: por mais incrível que seja o lugar, se estiver muito cheio, vai me dando uma preguiça, um bode, uma falta de paciência. Mas afinal eu estou ali, então também contribuo para a muvuca, certo? Esses lugares também tendem a ter pessoas mais impacientes, atendentes mal-educados, enfim, tudo aquilo que a gente odeia quando está turistando. Nunca me esqueço da sensação de grosseria quase permanente que tive em Praga. Mas parei para pensar: imagine viver num lugar assim, com turistas o tempo todo? Será que não é desgastante? E um atendente, que já teve que tentar se comunicar com gente dos mais variados lugares do mundo, com diferentes hábitos e maneiras, e que deve pensar: se eu não atender esse aí, ele vai embora e não vai fazer a menor diferença?

Nos últimos anos, o turismo explodiu em nível mundial. E isso é bacana, pois antes ficava restrito a uma pequena parcela de pessoas. Viagens aéreas baratearam, opções de hospedagem se ampliaram, a internet facilitou as reservas e o pagamento. A agente de viagens que me vendeu o passe de trem do Japão me disse que quando ela começou a trabalhar com viagens para aquele país, a passagem de avião custava o preço de um carro popular. Sem essa mudança, eu certamente não teria conhecido a metade dos lugares que já conheci. Nem sonharia em conhecer outros tantos mais. Porém, é claro que isso gera mudanças em vários níveis. E temos que enfrentá-las a sério.

Macchu Picchu: assim de longe nem parece tão cheio

Macchu Picchu: assim de longe nem parece tão cheio

Não é uma questão fácil de equacionar, claro. Vários de nós sonhamos um dia conhecer lugares como a Torre Eiffel, Macchu Picchu, o Taj Majal. E não somos os únicos no mundo, claro. Essas atrações não se tornaram turísticas à toa: elas são maravilhas do mundo, são lugares ícones de suas cidades e países. Muita gente quer vê-las. Não adianta você dizer para uma pessoa que nunca foi a Paris: Louvre, Versalhes, Torre Eiffel? Fuja! Vá naquele mercadinho escondido no 13eme, muito mais legal e charmoso. Ou no Museu do Sutiã. Não faz o menor sentido ir a uma cidade dessas pela primeira vez e fugir (completamente) desses ícones. Vai parecer que você foi a Roma e não viu o Papa (eu fui e não vi, mas fui ao Vaticano, claro!)

E você, acredita que o turismo pode ser um vilão para um determinado lugar? Como podemos melhorar os impactos que causamos nesses lugares?

Kyoto — hospedagem e transporte

Cenas de Kyoto

Kyoto (ou Quioto, para os lusófonos), é um destino imperdível numa viagem ao Japão. A cidade foi a capital oficial do Japão por séculos, até meados do século XIX, quando houve a mudança para Tóquio; mesmo que em alguns momentos o poder político de fato tenha sido exercido em outro lugar do país, era ali que família real ficava. Por isso, Kyoto tem vários lugares emblemáticos para a cultura japonesa, abrigando centenas de templos budistas e xintoístas, vários deles inscritos como patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO.

Monges no Kodai-ji, templo em Higashiyama

Monges no Kodai-ji, templo em Higashiyama

Mas Kyoto não são só suas atrações turísticas. Embora seja uma cidade grande, com mais de 1 milhão de habitantes, mantém uma escala bem mais intimista que Tóquio. Se a capital atual representa no nosso imaginário aquela imagem de megalópole moderna de arranhacéus que a gente via em séries como Godzilla, Kyoto é o estereótipo do Japão tradicional: templos, ruas com cerejeiras, gueixas passeando de sombrinha, jardins zen, hotéis onde se dorme no tatame, lojas de artesanato etc. Claro, várias coisas foram feitas para turista ver, mas muito disso está ali, sim, há séculos. E esteja certo de que ainda há gueixas de verdade andando pela rua Ponto-cho ou por Higashiyama. Mesmo numa viagem curta ao Japão, dá perfeitamente para combinar Tóquio com uma visita a Kyoto, já que a viagem entre ambas, de shinkansen, dura pouco mais de três horas.

Noiva no bambuzal de Arashiyama

Noiva no bambuzal de Arashiyama

A pergunta clássica que todo mundo me faz em primeiro lugar: quantos dias em Kyoto? Eu fiquei quatro noites, sendo três dias de passeio efetivo, já que, no primeiro, a gente chegou de Tóquio já no meio da tarde, e ficamos basicamente curtindo o ryokan que reservamos apenas para a primeira noite (já já falo dele). Eu achei três dias uma boa pedida para Kyoto. As atrações principais, como o templo dourado Kinkaku-ji, o bambuzal de Arashiyama e os portais vermelhos do templo xintoísta Fushimi-Inari Taisha, ficam em cantos diferentes da cidade, e o metrô de Kyoto não é tão abrangente como o de Tóquio. Além do mais, é bem possível que você gaste um dia inteiro passeando por Higashiyama, o bairro onde estão concentrados boa parte dos templos de Kyoto, e que tem aquela cara de Japão de antigamente.

Cena de amor nas ruas de Higashiyama

Cena de amor nas ruas de Higashiyama

Por outro lado, tenha em mente que uma hora ninguém aguenta mais ver tanto templo, e as referências vão começar a embolar na sua cabeça. Claro que dá para passar uma semana inteira em Kyoto, curtindo a vibe da cidade e visitando muitos templos, mas eu só recomendaria isso se você tiver muito tempo sobrando. Por isso, penso que é possível fazer em dois dias, se você for bem rápido nas suas visitas e escolher com antecedência o que quer ver.

Templo Kiyomizu-dera em Higashiyama

Templo Kiyomizu-dera em Higashiyama

Na contagem do tempo, se você pretende conhecer Nara num bate-e-volta de Kyoto (e acho uma visita a Nara altamente recomendável), conte um dia a mais só para isso. Embora Nara fique a uma curta distância de trem de Kyoto, é um passeio que vai consumir boa parte de um dia. Dá para conhecer Nara também em um bate-e-volta de Osaka, se você for passar alguns dias lá.

O Buda de Nara, ou Daibutsu

O Buda de Nara, ou Daibutsu

No quesito hospedagem, é possível ficar tanto em hotéis padrão ocidental como em ryokans, aquelas hospedagens em estilo tradicional japonês. Existem ryokans por todo o Japão, mas muitos turistas optam pela experiência em Kyoto mesmo, seja pelo grande número de opções, seja pelo ambiente da cidade, que reforça a imagem da cultura tradicional.

Sandálias que a gente usou no ryokan

Sandálias que a gente usou no ryokan

Os ryokans são uma forma de hospedagem, claro, mas eu prefiro classificá-los mais como uma experiência turística propriamente dita, por diferentes motivos. Em primeiro lugar, pelo fator preço. Todo mundo que pesquisou um pouco a respeito sabe que é caríssimo ficar num ryokan. Como eu ficaria quatro noites em Kyoto, cheguei a cogitar me hospedar por duas no ryokan. Acabei desistindo por causa do preço, e acho que foi a melhor opção. O ryokan vale à pena pelas experiências que ele oferece, e depois de uma noite lá, você já passou por elas. No dia seguinte, você vai querer sair para bater perna pela cidade, não ficar dentro do ryokan repetindo as experiências do dia anterior. Por isso, se você vai ficar várias noites em Kyoto, acho que uma noite apenas num ryokan está de bom tamanho. Só lembre-se de programar algumas horas lá para curtir o ambiente, e não apenas chegar e dormir.

Quarto do ryokan

Quarto do ryokan

E que tipo de experiências um ryokan oferece exatamente? Depende bastante do ryokan, e isso, claro, repercute no preço. A hospedagem num deles costuma valer por dois motivos principais: a comida kaiseki e um onsen. Lógico, tudo isso dentro de um ambiente bem peculiar. Veja, você pode frequentar onsens e restaurantes kaisekis sem precisar se hospedar num ryokan. Só que lá você tem um tratamento todo especial: o jantar é servido no seu quarto por moças vestidas a caráter que são bem atenciosas, você recebe uma roupa típica para dormir (tipo um pijama japonês) e dorme num tatame (que eu achei até bem confortável), a decoração é minimalista e as portas são de correr… Enfim, o ambiente num ryokan conta muito também.

Entradas frias no jantar do ryokan

Entradas frias no jantar do ryokan

Para esclarecer, kaisekis é como são chamadas as refeições japonesas com vários pratos típicos. Funciona mais ou menos como esses restaurantes daqui que oferecem um menu degustação de vários pratos: nenhum deles você vai comer para encher, mas serve para ter um panorama de vários tipos de comida típica. No nosso ryokan eu não fiquei com fome ao final, e a refeição incluía entradinhas, comidas frias como peixe cru, pratos quentes e sobremesa. Tudo estava uma delícia! Só achei tenso, para falar a verdade, o café da manhã tradicional no dia seguinte. Comer arroz, cabeças de peixe e vegetais estilo picles de manhã não é muito minha praia. Mas valeu pela experiência e, como já estava incluído no preço mesmo, comemos um pouco e depois complementamos fora do ryokan.

Café da manhã do ryokan

Café da manhã do ryokan

Já os onsens são um tipo de banho público japonês. Há de todo tipo pelo Japão e você pode experimentar em várias cidades. O legal do onsen no ryokan é que você pode testar a experiência em um ambiente mais restrito. No nosso caso, ficamos sozinhos por lá quase todo o tempo, e só no final apareceu um outro hóspede, estrangeiro também.

Onsens são, em geral, separados entre homens e mulheres, mas, dentro da área para seu gênero, você tem que ficar completamente nu; então, se você tem tabu com relação a isso, deixe a experiência para lá. O tipo de banho varia muito, mas no nosso ryokan era uma espécie de piscina de tamanho médio, porém de madeira, como os ofurôs. Existem duchas antes do banho propriamente dito, e você deve se lavar nelas antes de entrar na “piscina”, para retirar a sujeira. A água costuma ser bem quente, do tipo que abaixa um pouco a pressão; por isso, não exagere muito dentro dela, ou alterne com um pouco de ducha fria. De todo modo, eu me senti muito relaxado após a experiência.

Onsen do nosso ryokan (imagem obtida em http://joshspear.com/)

Onsen do nosso ryokan (imagem obtida em http://joshspear.com/)

Visitamos um outro onsen em uma cidade do sul do Japão, este bem simples e bem local mesmo, com frequência japonesa. Foi legal para interagir um pouco com os locais e ter um pouco do gostinho de um banho público de verdade. O do ryokan era bem mais arrumado e, como o acesso é restrito aos hóspedes, tinha menos pessoas. Além do mais, por ser um hotel, o ryokan tinha xampu e sabonete bons e à vontade para nosso uso, além de cremes e material de barba, que fica bem mais fácil de fazer depois de um tempo na água quente.

Dizem que pessoas tatuadas são barradas nos onsens, por conta da máfia japonesa, a yakuza, cujos membros são todos tatuados. Se sua tatuagem não é muito grande, tente cobrir com um emplastro; por você ser estrangeiro, provavelmente não vão encrencar com ela. De todo modo, acho que essa regra não se aplica aos onsens dos ryokans, já que você está ali como hóspede. Por isso, se você tiver tatuagens, mais um motivo para investir num ryokan com onsen.

Entrada do Gion Hatanaka (imagem obtida em http://travelwithnanob.com)

Entrada do Gion Hatanaka (imagem obtida em http://travelwithnanob.com)

Nós ficamos no ryokan Gion Hatanaka, em Higashiyama, sendo possível fazer reservas lá via Booking. Não é uma construção antiga, devo dizer, mas eu achei a experiência bacana. Os quartos são no estilo típico japonês, embora tenham amenidades modernas, como uma TV que fica bem disfarçada na parede, para não quebrar a decoração tradicional, bem como aqueles vasos sanitários tecnológicos cheios de botões que fazem a alegria dos ocidentais, e até um mini-ofurô. O atendimento foi bem atencioso, principalmente da moça responsável por nosso quarto, que nos serviu o jantar e o café da manhã com muita simpatia.

Nossas simpáticas servindo o café da manhã no ryokan

As simpáticas moças do ryokan servindo o café da manhã

Depois do ryokan, fomos para um hotel do outro lado do Kamogawa, o rio que corta Kyoto, chamado Gran Ms Kyoto. Não é um hotel ruim, mas o quarto é bem apertado (coisa comum no Japão, mas conseguimos hotéis com espaço melhor em outras cidades) e o atendimento pouco receptivo (talvez depois do ryokan eu estivesse mal acostumado). O hotel porém, fica bem localizado, numa área central conhecida como Kawaramachi/Karasuma, perto de restaurantes, locais para compras e com acesso ao transporte público.

Loja em Higashiyama

Loja em Higashiyama

A propósito, para decidir onde ficar, acho que tanto Higashiyama/Gion, onde ficava nosso ryokan, como Kawaramachi/Karasuma, onde estava o hotel, são boas escolhas. Higashiyama é onde ficam vários templos famosos de Kyoto, e é provável que você passe um dia inteiro lá visitando eles. Além disso, tem ruas muito charmosas, cheias de lojinhas de artigos japoneses para estourar o orçamento de qualquer viajante; dá vontade de olhar todas. A área conhecida como Gion é a que fica mais próxima do rio Kamogawa, e tem a linda Shirakawa Minami-dori, uma das ruas mais bonitas da cidade, especialmente na época das flores de cerejeira.

O templo Kiyomizu-dera, em Higashiyama

O templo Kiyomizu-dera, em Higashiyama

Shirakawa Minami-dori, também conhecida como Shimbashi

Shirakawa Minami-dori, também conhecida como Shimbashi

Devo dizer, porém, que Higashiyama tem poucas estações de metrô/trem, o que pode dificultar um pouco o deslocamento — embora, como eu explicarei adiante, para muitas das atrações o melhor é usar mesmo o ônibus. Uma das linhas de metrô, a Tozai, passa ao norte de Gion, meio que dividindo Hirashiyama ao meio. Entretanto, para se deslocar dentro do bairro, andar pelas ruas é a melhor pedida.

Restaurante em Kawaramachi

Restaurante em Kawaramachi

Já a região de Kawaramachi/Karasuma (nome de duas avenidas importantes que cortam a área de norte a sul e de estações de trem e metrô) é mais bem servida por transporte público: além do transporte sobre trilhos, vários ônibus que vão para pontos turísticos param perto do entroncamento entre a Kawaramachi-dori e a Shijo-dori. É uma área com mais cara de cidade moderna japonesa, com aquelas típicas galerias cobertas (Sanjo, Teramachi e Shinkyogoku) onde é possível comprar tanto lembrancinhas descartáveis como produtos japoneses mais elaborados.

Ponto-cho

Ponto-cho

Essa região também tem vários bares e restaurantes, com destaque para a Ponto-cho, uma ruela que corre paralela ao rio Kamogawa, cheia de izakayas, os bares japoneses que servem comidinhas. Também vimos algumas gueixas de verdade na área, que é onde fica um famoso teatro de apresentação delas (Kamogawa Odori).

Gueixas na região da Ponto-cho

Gueixas na região da Ponto-cho

A moderna Kyoto Station

A moderna Kyoto Station

Além disso, é possível ficar nos arredores da Kyoto Station, a estação de trem da cidade, o que pode facilitar um pouco o deslocamento de trem. Embora a estação, bastante moderna e diferente do resto de Kyoto, seja uma atração em si e com boa oferta de restaurantes, o resto da área não tem muitos pontos turísticos (visitamos ali também o Higashi Hongan-ji, mas há templos mais interessantes em Kyoto).

Linhas de metrô e trens de Kyoto

Linhas de metrô e trens de Kyoto

Quanto ao transporte em Kyoto, não há muito a se falar. Há duas linhas de metrô: a Karasuma corre de norte a sul e a Tozai de oeste a sudeste, cruzando-se na estação Karasuma-Oike. Além disso, várias linhas de trem atravessam a cidade (ver mapa acima), inclusive algumas JR, que podem ser úteis para o turista — como para chegar ao lindo templo Fushimi-Inari Taisha. Porém, para algumas atrações, como o bambuzal de Arashiyama e o templo dourado de Kinkaku-ji, o ônibus é a melhor pedida. Nos textos que escrever sobre os pontos turísticos pretendo colocar as indicações de transporte.

Fushimi-Inari Taisha

Fushimi-Inari Taisha

Ao contrário de Tóquio, os táxis em Kyoto podem ser uma boa opção, principalmente para sair e ou chegar da Kyoto Station carregando malas, se o seu hotel não ficar perto de uma estação de trem ou metrô (como o caso do nosso ryokan em Higashiyama). Como os deslocamentos não são longos, os preços não ficam tão altos: dificilmente você vai pagar mais de ¥ 1.000. Devo dizer, porém, que para atrações turísticas mais distantes, como Arashiyama ou Fushimi-Inari Taisha, a corrida pode ficar cara.

Kyoto não tem aeroporto próprio; se você estiver começando ou terminando a viagem lá, deve usar ou o Aeroporto Internacional de Kansai (KIX), ao sul de Osaka, ou o Aeroporto Itami (ITM), ao norte de Osaka. Do Itami é possível pegar ônibus estilo shuttle até Kyoto; do KIX, a melhor opção é de trem (o Haruka airport express).

Tóquio — onde ficar e como se deslocar

Shibuya Crossing

Shibuya Crossing

Tóquio é uma cidade grande, enorme — nos rankings que costumam ser feitos a respeito, tem sempre aparecido entre as 3 maiores cidades do mundo. Por isso, é quase impossível conhecer algumas das atrações de lá sem se locomover; de preferência de metrô, pois o táxi é bem caro. Ou, se você preferir, em alguma excursão, claro. O fato é que excursões não costumam incluir programas noturnos e o transporte público tem hora para terminar: normalmente por volta da meia-noite.

Assim, uma das primeiras dicas é: se você gosta de espichar a noite, procure um lugar que tenha opções noturnas, restaurantes que fecham mais tarde, karaokês, bares, lugares de pachinko (mentira, pachinko é quase insuportável para quem não é japonês). Porque você vai poder voltar para o hotel andando, ou, quando muito, pegar um táxi com corrida curtinha, que não vai te levar à falência. Os japoneses, aliás, têm toda uma estrutura para quem bebeu demais, se alongou na noite e perdeu o último trem: desde os já conhecidos hotéis-cápsula até espécies de lan houses com uma mini cabine e até chuveiro.

Rua de Shibuya à noite

Rua de Shibuya à noite

Eu fiquei em Shibuya, seguindo uma dica de um livrinho do Alexandre Herchcovitch, que ponderava que, como o bairro praticamente não pára, é o ideal para aquelas pessoas que chegam cheias de jet lag e não conseguem dormir. Devo dizer, porém, que o jet lag praticamente não me afetou na ida, já que passei uns dias em Dubai antes de chegar no Japão. E tampouco frequentei baladas em Tóquio, que me fizeram ficar até de madrugada na rua — quando muito um bar até pouco depois da meia-noite.

Ainda assim, gostei de ficar em Shibuya, e agradeço a dica do Alexandre. Na verdade, ficamos em uma área do bairro que nem é tão movimentada. Mas com uma caminhada de uns 10 minutos estávamos em pleno Shibuya Crossing, o famoso cruzamento que tem dezenas de pessoas atravessando o tempo todo. A área está passando por uma renovação (talvez por conta das Olimpíadas de 2020) e, por isso, está cheia de tapumes. Mas o coração do bairro está lá e, de fato, a área ao redor do Shibuya Crossing é um emaranhado de bares, restaurantes, cafés, lojas e, sim, pachinko, claro. Tirando um dia em que fomos à noite para Shinjuku, nos outros nos viramos por ali mesmo.

Shibuya Hikarie, o arranhacéu mais famoso do bairro

Shibuya Hikarie, o arranhacéu mais famoso do bairro

O legal é que a estação de Shibuya é bem grande, ligada à Yamanote Line (a principal linha da JR, ideal para usar com o passe de trem da companhia), mas também às linhas Ginza (G), Hanzomon (Z) e Fukutoshin (F). O trem rápido que liga o aeroporto de Narita à cidade também pára lá (nem todos, pergunte quando for comprar). Também fica próximo a Roppongi e Shinjuku, outras áreas boêmias da cidade, se você quiser dar uma variada.

Estátuta do cão akita Hachiko, em Shibuya

Estátuta do cão akita Hachiko, em Shibuya

Dito isso, Shibuya não tem tantas atrações turísticas por si. Mas fica perto de Harajuku, onde você pode visitar o Meiji-jingu (um dos principais tempos xintoístas da cidade), bem como as famosas ruas Takeshita-dori (para ver a Tóquio adolescente e colorida) e Omotesando (para ver a Tóquio chique, das butiques). Dá para ir à pé de Shibuya até lá.

Takeshita dori

Takeshita dori

Acho que pode ser uma boa ficar na região de Harajuku se você curte compras, desde tranqueiras e figurinos de cosplay na Takeshita-dori, até roupas de marca em Omotensando (lembre-se, porém, que se elas já são caras em outros lugares, no Japão elas são ainda mais). Omotesando, de todo modo, tem vários prédios assinados por arquitetos de renome (como o famoso da Prada) e é ótimo para quem gosta de observar gente.

Convidadas de um casamento no templo Meiji-jingu

Convidadas de um casamento no templo Meiji-jingu

Além do templo Meiji-jingu, a região também tem alguns museus (não visitei nenhum, mas são indicados em guias) e um agradável parque, o Yoyogi-koen, onde é possível avistar-se sakuras (as florações da cerejeira) na época em que elas aparecem.

Área Kabukicho em Shinjuku

Área Kabukicho em Shinjuku

Outro lugar com muitas opções de hospedagem em Tóquio é Shinjuku. É uma região de arquitetura moderna, cheia de arranhacéus, e também com uma região noturna animada.

Jardins do Palácio Imperial, com a região de Marunouchi atrás

Jardins do Palácio Imperial, com a região de Marunouchi atrás

As regiões de Marunouchi e Ginza são bem centrais (considerando a Tokyo Station e a Ponte Nihonbashi como o centro da cidade) e têm algumas atrações turísticas, como o Palácio Imperial, o teatro Kabuki-za e o mercado de peixe Tsukiji (pelo menos até ele mudar de lugar). A Tokyo Station, assim como as estações de Shibuya e de Shinjuku, é um excelente hub de transporte público (várias linhas de trem e de metrô passam por ela), além de ser o lugar de onde saem os shinkansen (os trem-bala) para Kyoto e outros destinos. Ginza também conta com várias lojas de departamento.

Parque de Ueno

Parque de Ueno

Outras áreas com atrações turísticas de peso são Ueno e Asakusa. A primeira é a região do Parque Ueno, onde ficam o excelente Museu Nacional de Tóquio e o Museu Nacional de Arte Ocidental (um prédio do Le Corbusier), assim como o Zoológico de Tóquio e alguns templos. Asakusa é a região onde fica o templo budista mais famoso de Tóquio, o Senso-ji. Ambas regiões têm estações que ficam na Linha Yamanote do metrô, mas não acho elas tão centrais como as opções anteriores que eu listei aqui. Tenha em mente também que essas atrações vão ocupar um dia da sua viagem, talvez dois (no caso de Ueno). Se tiver uma opção com preço em conta, pode ser valha à pena, mas conte com deslocamentos.

Mapa do metrô de Tóquio (imagem obtida em http://www.tokyometro.jp/en/subwaymap/)

Mapa do metrô de Tóquio (imagem obtida em http://www.tokyometro.jp/en/subwaymap/)

Como já adiantei acima, o metrô é talvez a melhor forma de se deslocar em Tóquio; são mais de dez linhas que chegam próximas da maior parte das atrações turísticas. O difícil é entender como funcionam as tarifas. Vou tentar dar algumas dicas a respeito aqui.

Em primeiro lugar, você tem que entender que as linhas de metrô em Tóquio são administradas por empresas diferentes. Ou seja: nem sempre o bilhete de uma vale para outra e, provavelmente, se você tiver que mudar para uma linha de outra operadora, vai ter que pagar mais. No mapa que eu coloquei acima, dá para saber quais linhas são operadas por quais operadoras, no canto inferior direito: na coluna da direita, estão as linhas administradas pelo Tokyo Metro (atualmente privatizadas); na coluna da esquerda, estão as linhas operadas pelo Toei Subway. Logo abaixo vêm as linhas administradas pela JR (Japan Railway). Ainda há outras operadoras no sistema suburbano, mas que não têm tanto interesse para os turistas.

Metrô de Tóquio

Metrô de Tóquio

Há várias formas de lidar com esse emaranhado de linhas. A primeira é fazer uma programação antes de sair do hotel: ver se os lugares que você pretende visitar ficam próximos a estações de linhas da mesma empresa. É possível que você tenha que dar um pouco de volta, mas já facilita bastante ficar só numa operadora. Nesse caso, talvez até compense comprar um cartão diário, disponível nos terminais de cada empresa: com ele você pode andar de metrô no mesmo dia quantas vezes quiser, desde que seja nas linhas daquela operadora.

Estação de Shinjuku

Estação de Shinjuku

Se for imprescindível mudar para uma linha de outra empresa, o ideal é comprar um cartão Pasmo (ou Suica, nos terminais da JR), que funciona mais ou menos como o bilhete único que existe por aqui. Segue a mesma lógica: você coloca créditos e eles vão sendo abatidos conforme você vai usando. Facilita muito não apenas nas trocas de linhas de operadoras diferentes, mas até mesmo nos cálculos de deslocamentos simples, já que a tarifa depende da distância da estação para onde se vai. Os cartões são vendidos na própria máquina, e exigem um depósito (atualmente de ¥ 500), que é devolvido se você retorna o cartão nos guichês das estações. Se você não quiser se aventurar no mundo dos cartões, pode comprar só um bilhete de transferência quando for mudar de operadora.

Exemplo de tabelas com os preços para ir até cada estação. Confuso?

Exemplo de tabelas com os preços para ir até cada estação. Confuso? (imagem obtida em http://schwandl.blogspot.com.br/)

Normalmente há tabelas acima das máquinas mostrando quanto custa ir até cada estação  a partir de onde se está. Aí você compra um bilhete de acordo com aquela tarifa. As tabelas só mostram, porém, as estações da mesma operadora. Se estiver muito difícil entender, você pode comprar o bilhete mais barato e depois, antes de sair da estação, fazer o ajuste em máquinas que ficam próximas às saídas (em inglês fare adjustment). Basta inserir o bilhete, a máquina reconhece onde ele foi comprado e calcula a diferença entre o que você pagou e o que precisaria ter pago para ir até a estação onde está. Por isso, é bom lembrar que o bilhete precisa ser guardado durante toda a viagem, já que para sair da estação é preciso inserir um tíquete válido.

Se você tem o passe da Japan Rail (JP) para viagens de trem, pode usá-lo também nas linhas JR de Tóquio. É bom lembrar que o passe da JR precisa ser adquirido ainda no Brasil (ou no país onde você estiver) por meio de agentes autorizados. Ele não é vendido no Japão, já que só pode ser utilizado por turistas! Também quero frisar que a partir do momento que você troca o voucher recebido no Brasil pelo passe em si, começa imediatamente a validade dele (há passes para 7, 14 ou 21 dias). Como os trens-bala entre as cidades são bem mais caros que os bilhetes do metrô, só compensa usar o passe em Tóquio se você estiver com dias sobrando além das viagens de trem que você for fazer.

O JR Pass, depois que você troca o voucher adquirido no Brasil. Na parte de trás, a etiqueta com a validade.

O JR Pass, depois que você troca o voucher adquirido no Brasil. Na parte de trás, a etiqueta com a validade.

De todo modo, se você tiver o JR Pass e puder usá-lo, vale à pena tentar limitar os deslocamentos para a linha circular JR Yamanote em Tóquio (a linha pontilhada de cinza e branco do mapa acima). Ela passa pelas principais estações usadas pelos turistas: Tokyo (de onde saem trens-bala para vários destinos), Shibuya e Shinjuku (que têm conexões para o trem rápido para o aeroporto de Narita), Harajuku, Ueno, Akihabara e Hamamatsucho (de onde sai o Monorail para o aeroporto Haneda). Você provavelmente só precisará usar outra linha de metrô para ir para Asakusa visitar o Senso-ji ou para a Skytree. Para o Ryogoku, onde acontecem as competições de sumô, você pode usar a Sobu Line, também operada pela JR.

Tóquio tem dois aeroportos, e ambos operam voos internacionais. Eu, por exemplo, cheguei pelo Narita e voltei pelo Haneda, os dois em voos da Emirates. De todo modo, é mais provável que você chegue no Narita, que opera mais voos internacionais (ou no aeroporto de Kansai — KIX, mais conveniente se você for começar a viagem por Osaka ou Kyoto). Do Narita, há um trem expresso (Narita Express) que vai para as estações Tokyo, Shibuya e Shinjuku, todas integradas com linhas de metrô ou da linha JR Yamanote. Assim que você sair do desembarque, já vai ver um guichê onde pode comprar um assento para o próximo trem disponível. Deixe claro em qual estação das três mencionadas acima você pretende descer, já que os trens se dividem entre elas (acho que todos eles param na estação Tokyo, de todo modo).

O aeroporto de Haneda fica mais próximo do centro e, por isso, o acesso é mais rápido. A forma mais fácil de chegar ou sair dele é pelo Tokyo Monorail, que vai até a estação Hamamatsucho da linha JR Yamanote. O Tokyo Monorail também aceita o JR Pass.

Limousine Bus (imagem obtida em https://www.kkday.com/en/)

Limousine Bus (imagem obtida em https://www.kkday.com/en/)

É possível também, em ambos os aeroportos, usar o serviço do Limousine Bus, que funciona meio como aqueles shuttles que existem em algumas cidades: os ônibus param nas principais estações e também nos principais hotéis da cidade. Vale à pena se você ficar em um desses hotéis grandes ou se você descobrir que seu hotel fica bem pertinho de um deles. No site dá para ver em quais locais os ônibus param.

Há uma lenda urbana sobre os táxis em Tóquio: se você pegar um, a corrida vai custar uma fortuna que você vai morrer para pagar. Bem, a lenda tem um fundo de verdade: do Narita, de acordo com meu guia, um táxi pode custar a bagatela de ¥ 30.000 até o centro (mais ou menos R$ 930,00!); já do Haneda vai sair mais baratinho, em torno de ¥ 6.000 (uns R$ 185,00). Obviamente você não vai pegar um táxi para ir ou chegar dos aeroportos; basta seguir as dicas acima.

Táxi típico de Tóquio

Táxi típico de Tóquio (imagem obtida em https://hrhoa.wordpress.com/)

Porém, se você estiver num grupo de três ou quatro pessoas e o deslocamento for curto, não vai morrer pegando um táxi em Tóquio. Eu mesmo peguei umas duas vezes e a corrida não saiu mais que ¥ 1.000 (pouco mais de R$ 30,00). Só não vale cruzar a cidade de táxi, OK? Como eu já disse antes neste texto, vale especialmente à pena à noite, quando o transporte público parou de funcionar e você provavelmente vai estar cansado. Fora dessas situações, evite.

Para encerrar esse texto, mais duas dicas. A primeira é sobre dinheiro. Tente comprar já ienes no Brasil para evitar a dupla conversão (que representa uma dupla perda). Alguns bancos e casas de câmbio vendem ienes no Brasil, até porque temos uma razoável colônia japonesa. Eu comprei no Banco do Brasil, um pouco de cada vez para não me assustar muito com a conversão. Mas não precisei usar o cartão nenhuma vez enquanto estive no Japão.

As notas vêm em ¥ 1.000, ¥ 5.000 e ¥ 10.000 (dizem que tem uma de ¥ 2.000, mas eu não vi). No Banco do Brasil me venderam só a de ¥ 10.000, mas você não precisa se preocupar com isso. É fácil trocar dinheiro no Japão e ninguém faz cara feia; até numa banca de revistas dentro do metrô, quando eu precisava comprar um bilhete, eu consegui trocar. O troco também costuma vir sem reclamação se você der uma nota de ¥ 10.000 — é que os japoneses usam muito dinheiro em espécie.

Restaurante Gonpachi em Roppongi, que inspirou uma famosa cena do filme Kill Bill: aqui a gorjeta também é desnecessária

Restaurante Gonpachi em Roppongi, que inspirou uma famosa cena do filme Kill Bill: aqui a gorjeta também é desnecessária

A outra dica tem a ver com dinheiro também, mais especificamente com gorjeta. Japoneses não têm o hábito de dar gorjetas em bares e restaurantes, e se você der pode até ofender a pessoa que te atendeu. Não é uma maravilha? Mas alguns restaurantes mais chiques podem incluir uma taxa de serviço na conta; nesse caso, porém, ela já vem calculada e incluída no valor a ser pago.

Tóquio — 12 motivos para visitar (parte 2)

Este texto é uma continuação deste aqui.

7. Observar o estilo local na Takeshita-dori e na Omotesando

Uma das entradas da Takeshita-dori

Uma das entradas da Takeshita-dori

Na região de Harajuku, próximas uma da outra, as ruas Takeshita-dori e Omotesando não poderiam ser mais diferentes entre si. Mas ambas dão um bom programa para quem gosta de ver gente. A Takeshita-dori é mais adolescente e representa o estereótipo da cultura pop japonesa para a maioria de nós. Pense em lojas vendendo roupas que parecem saídas de um desenho animado ou de uma história em quadrinhos. Perucas e acessórios no mesmo padrão. Lojas de departamento de 100 ienes, mais ou menos o que as lojas de R$ 1,99 representavam no Brasil um tempo atrás (ótimas para lembrancinhas) — a Daiso de lá é uma das maiores de Tóquio.

Loja na Takeshita-dori

Loja na Takeshita-dori

A Takeshita-dori é também um dos lugares para ver os famosos cosplays, pessoas vestidas como personagens — embora devo dizer que, no sábado de manhã, quando fui, não havia tantos assim. Algumas pessoas estão vestidas desse jeito por causa do trabalho, e não gostam de ser fotografadas. Pergunte sempre antes.

Oi, posso tirar uma foto sua?

Oi, posso tirar uma foto sua?

As patricinhas de Omotesando

As patricinhas de Omotesando

Já a Omotesando é o coração da moda chique de Tóquio. Toda a devoção que os japoneses nutrem por butiques, e que a gente costuma observar nos turistas em cidades americanas e europeias, está ali. Claro que a maioria de nós não vai comprar nada. Ainda assim, é um ótimo lugar para ver um pouco do estilo do japonês “comum”, fora do jeito “espalhafatoso Takeshita-dori”. Ali me dei conta de como os japoneses, mesmo os homens, preocupam-se em vestir bem, com estilo, e olha, fiquei mais boquiaberto com o que vi do que em Paris ou Londres.

Confortável, sim, brega jamais. Estilo Omotesando

Confortável, sim, brega jamais. Estilo Omotesando

Sem contar que a Omotesando tem prédios assinados por alguns dos melhores arquitetos da atualidade. Ou seja, mesmo sem comprar nada, você vai ter um “banho de informação”, um verdadeiro passeio cultural. Quase como visitar um museu, mas com muito consumismo no meio.

Loja Louis Vuitton na Omotesando

Loja Louis Vuitton na Omotesando

8. Ver uma luta de sumô no Ryogoku Kokugikan

Lutadores de sumô chegam à arena

Lutadores de sumô chegam à arena Ryogoku Kokugikan

Devo dizer que as competições oficiais de sumô no Japão acontecem em datas específicas. E, ao longo do ano, elas vão viajando o país, ou seja, não ficam sempre em Tóquio. Se você, como eu, der a sorte de pegar um período de competições por lá, não deixe de ir. Em 2016, elas aconteceram no começo de maio, e alguns dias coincidiram com minha passagem por Tóquio. Não sei se é sempre nessa mesma época, mas você pode conferir o calendário oficial (e comprar ingressos) aqui.

Painel no Ryogoku Kokugikan

Painel no Ryogoku Kokugikan

Assim como o kabuki, a competição de sumô prolonga-se por horas. Praticamente o dia inteiro. Um ingresso dá direito a ver o dia inteiro de competições, com direito a uma saída e reentrada. Ou seja, você não precisa ficar lá o dia inteiro. Até porque, depois de um tempo, enjoa, a não ser que você seja fanático pelo sumô, como muitos japoneses são. Mas, assim como o kabuki, é uma experiência cultural tipicamente japonesa. E a arena Ryogoku Kokugikan, em Tóquio, é um verdadeiro templo construído para o sumô.

Arena mais vazia no começo do dia

Arena mais vazia no começo do dia

No começo do dia, normalmente, ficam os competidores iniciantes, categorias inferiores. A arena, nesse horário, fica vazia. Achei legal ter chegado nessa hora para tirar umas fotos e fazer uns vídeos, pois com pouca gente a disputa pelo melhor ângulo praticamente não existe, e você pode fazer várias fotos sem atrapalhar ninguém. Depois aproveitamos nosso direito a uma saída para conhecer outro lugar — a Skytree fica próxima, mas nesse dia estava muito nublado e não quisemos arriscar a subir e não ver nada. Voltamos no meio da tarde, quando os melhores lutadores estão competindo. É legal ver a apresentação dos lutadores antes das disputas em si, quando cada um vem vestido com o uniforme da sua região ou escola.

Arena cheia no final do dia, na apresentação dos lutadores

Arena cheia no final do dia, na apresentação dos lutadores

Não pense que eu exagerei ao dizer que o Ryogoku Kokugikan é um templo para o sumô. A origem do esporte tem a ver, de fato, com rituais religiosos japoneses. Por isso, há toda uma ritualística antes da luta em si: os lutadores se encaram, jogam sal na arena, molham-se com água, alongam-se… Depois, a luta dura poucos segundos; pisque e você perderá. Basta que algum dos competidores toque o chão ou saia da arena para que a luta se encerre. Por isso depois de ver algumas você provavelmente estará satisfeito. Mesmo assim, achei muito bacana.

9. Passear pelos jardins do Palácio Imperial

Jardins do Palácio Imperial

Jardins do Palácio Imperial

O Palácio Imperial de Tóquio tem suas origens no castelo do xogunato Tokugawa, que dali governava de facto o país (a capital continuava em Kyoto, onde o imperador sem muitos poderes vivia). Com a restauração Meiji e a transferência da capital para Tóquio (que até então se chamava Edo), o local foi aproveitado para a construção de um novo palácio, terminado em 1888. Esse palácio foi destruído durante os bombardeios da Segunda Guerra, e um novo foi terminado em 1968.

Gramado nos jardins do Palácio Imperial

Gramado nos jardins do Palácio Imperial

De todo modo, pouco importa. Sendo a residência do imperador e de sua família, você não pode entrar lá. Quer dizer, há um passeio guiado, que dura pouco mais de 1 hora, durante o qual é possível visitar um parte bem limitada do palácio. As visitas são em japonês (há um áudio em inglês) e devem ser agendadas no site — devo dizer, com bastante antecedência. Quando entrei, umas semanas antes da viagem, já não havia vagas para o mês de maio inteiro.

O portão Ote-mon e o fosso que circunda a área

O portão Ote-mon e o fosso que circunda a área

Mas isso também não importa muito. Como não fiz a tal visita, não sei dizer se é imperdível. Mas os jardins conhecidos como Imperial Palace East Gardens, abertos ao público, são um passeio muito agradável, principalmente na primavera, quando várias flores aparecem, ou no outono, quando as folhas das árvores ficam coloridas antes de cair. Além disso, nos meses mais quentes, os gramados do jardim ficam cheios de gente conversando, fazendo um piquenique ou praticando esportes. É uma boa pausa num dia cheio de bate-perna.

Antiga casa de guarda dentro dos jardins

Antiga casa de guarda dentro dos jardins

Embora seja uma área vizinha ao palácio em si, é possível ver resquícios do antigo castelo-fortaleza, como o fosso com água que circunda o jardim e as torres que servem como portões. O principal é o Ote-mon, mais próximo à Tokyo Station. Logo depois, há uma pequena galeria, chamada Museu de Coleções Imperiais (entrada gratuita). Também é possível avistar-se nos East Gardens uma casa de guarda, um local para concertos e os restos da Tenshudai, a principal torre do local.

Embora o acesso seja gratuito, você recebe uma ficha na entrada que tem que ser devolvida na saída. Isso porque o número de visitantes no local é limitado. Os jardins ficam fechados às segundas e às sextas.

10. Beber em um dos microbares do Golden Gai, em Shinjuku

Shinjuku à noite

A área de Kabukicho, em Shinjuku, à noite

Devo dizer que minha passagem por Shinjuku limitou-se a uma visita noturna, para jantar e beber. Uma pena, pois queria ter visto os arranhacéus modernos da região (leia mais a respeito no próximo item). Uma boa desculpa para voltar a Tóquio no futuro. Ainda assim, valeu à pena: foi nosso primeiro contato com o sushi em terras japonesas, e incluiu uma visita à área conhecida como Golden Gai.

Entrada do Robot Restaurant

Entrada do Robot Restaurant

O Golden Gai fica situado na parte leste de Shinjuku, conhecida como Kabukicho. É a área de entretenimento noturno de Shinjuku. É uma região cheia de neon, onde, além de restaurantes e bares, você encontrará karaokês, cabarés e casas de banho suspeitíssimas, “love hotels” (tipo motel mesmo) e um bizarro show de robôs com garotas de biquíni (pois é, isso mesmo que você leu). Dizem que é uma região frequentada pela máfia japonesa (yakuza), mas não achei nem um pouco barra pesada — e é cheia de turistas também.

Ruela do Golden Gai

Ruela do Golden Gai

A área do Golden Gai, porém, parece quase um oásis nessa muvuca, já que não tem os neons ostensivos do resto de Kabukicho. De todo modo, é uma região de bares minúsculos, com meia dúzia de ruelas também suspeitíssimas. Mas vá sem medo, não há perigo algum. O grande desafio ali é escolher em qual bar beber, já que a área abriga mais de cem. Mas é que eles são realmente minúsculos, provavelmente do tamanho da sala de sua casa. Se você for num grupo de mais de 4 pessoas, pode até entrar num bar vazio, pois ele certamente ficará cheio só com seu grupo.

Alguns bares são temáticos, mas preferimos ir num recomendado pelo guia, o Albatroz. Como tem um segundo andar, cabe até mais gente lá, mas a sensação de aperto permanece. Nosso barman era muito engraçado e ria como o Bob Esponja. Praticamente não falava inglês, mas ainda assim bebemos saquê, uísque japonês e outros drinks. Ou seja, foi ótimo.

O apertado interior do Albatroz

O apertado interior do Albatroz

Assim como em outras áreas de bares do Japão, é comum no Golden Gai cobrar-se uma espécie de couvert (algo em torno de ¥ 500,00, por pessoa, varia de bar para bar). Isso normalmente dá direito a algum petisquinho, tipo amendoim. Diz o guia que o tratamento dado a estrangeiros em alguns bares pode ser meio frio — não vi nada disso, mas, como disse, só fui em um. Talvez seja porque se um grupo de estrangeiros lotar o bar, o barman vai ficar sem ter como conversar (esqueça a ideia de que se fala muito inglês no Japão). Por isso, se acontecer com você, relaxe, não é nada pessoal. Ou então, se o tratamento estiver muito ruim, saia e vá procurar outro bar entre as dezenas que ficam por ali.

11. Conhecer algumas das criações mais impactantes da arquitetura comtemporânea

Loja da Dior na Omotesando

Loja da Dior na Omotesando

O Japão é talvez o país, dentre os que já visitei, onde a tradição se apresenta de maneira mais forte. A gente vê o tempo inteiro manifestações culturais e hábitos que têm raízes em costumes bastante antigos. Por outro lado, todos temos aquela imagem de um Japão ultramoderno, pioneiro de tecnologias e cheio de arranhacéus com arquitetura arrojada. É que os dois lados sabem conviver bem, e isso torna o Japão um lugar ainda mais interessante de se visitar.

Prédios em Shinjuku (imagem obtida em http://commons.wikimedia.org)

Prédios em Shinjuku (imagem obtida em http://commons.wikimedia.org)

Tóquio, a capital, reúne alguns dos locais onde é possível observar um pouco dessa arquitetura contemporânea e de vanguarda. Seja em projetos de arquitetos locais, seja de arquitetos estrangeiros de renome, há sempre alguma coisa que chama a atenção e vale a visita.

Prédio do Governo Metropolitano em Shinjuku

Prédio do Governo Metropolitano em Shinjuku (imagem obtida em http://www.japan-guide.com/)

Shinjuku é um bom lugar para ter contato com essa “nova arquitetura”. O prédio do governo metropolitano de Tóquio chama bastante a atenção, parecendo uma catedral europeia com roupagem moderna. Dá para subir numa das torres e dizem que as vistas da cidade de lá são bacanas.

Loja da Prada na Omotesando (imagem obtida em http://www.architravel.com/)

Loja da Prada na Omotesando (imagem obtida em http://www.architravel.com/)

Outro lugar legal para ver a nova arquitetura é na rua Omotesando (ver item 7 acima), onde várias boutiques contrataram arquitetos de renome para fazer suas lojas. Destacam-se os prédios da Dior, Prada, Louis Vuitton e Tod’s.

Tokyo International Forum (imagem obtida em http://www.zstudioarchitects.com/)

Tokyo International Forum (imagem obtida em http://www.zstudioarchitects.com/)

A área central da cidade, perto da estação Tokyo, também tem exemplos de arquitetura contemporânea, sendo o mais famoso o Tokyo International Forum, projetado pelo arquiteto Rafael Viñoly, parecendo o casco de um grande barco virado.

Roppongi Hills à direita (imagem obtida em www.wikipedia.org)

Roppongi Hills à direita (imagem obtida em http://www.wikipedia.org)

Na região de Roppongi, chamam a atenção os projetos de intervenção urbana com grandes estruturas que pretendem centralizar moradia, trabalho e lazer no mesmo lugar. O pioneiro desses projetos é o Roppongi Hills, seguido pelo Tokyo Midtown e pelo Toranomon Hills. Se a pretensão dos criadores atingiu seu objeto é objeto de debate, claro, mas é fato que mudaram definitivamente a paisagem do entorno. No Roppongi Hills fica o bacana Mori Art Museum, sem acervo permanente, mas onde a arquitetura, por si só, já vale a visita.

Super Dry Hall, ou "Cocô Dourado"

Super Dry Hall, ou “Cocô Dourado”

Merece a menção ainda o Super Dry Hall, sede da cervejaria Asahi, com sua curiosa estrutura tentando imitar uma espuma de cerveja, mas que foi carinhosamente apelidada de “cocô dourado”.

12. Imergir nos neons e na cultura nerd japonesa em Akihabara

Akihabara

Akihabara

O bairro de Akihabara não tem grandes atrações turísticas em si, mas vale a visita para ver um pouco da cultura nerd e geek japonesa (que em japonês chama-se otaku), que a gente conhece também graças aos filmes e desenhos animados.

Seria a seita da boneca cadeirante em Akihabara?

Seria a seita da boneca cadeirante em Akihabara?

O coração do bairro é conhecido como Electric Town, porque antes de se tornar uma região otaku, ali eram vendidas peças eletrônicas a preços razoáveis, que os geeks compravam para montar seus equipamentos. Ainda é possível comprar nesta área cabos para computador e celular, cartões de memória, baterias e vários outros equipamentos similares. Se você esqueceu de levar alguma dessas coisas do Brasil, é um bom lugar para comprar, embora para padrões brasileiros o preço nem seja lá essas coisas.

Neons em Akihabara

Neons em Akihabara

Em Akihabara, chama a atenção também a quantidade de fachadas com anúncios em neon, uma paisagem urbana também bastante clichê para nós. Embora essa paisagem seja replicada em outras áreas e até em outras cidades, em Akihabara ela ganha um colorido especial, pois combina com os aparatos eletrônicos vendidos e usados em volta.

Jogatina em Akihabara

Jogatina em Akihabara

É possível, por exemplo, visitar prédios de fabricantes japoneses de jogos eletrônicos (como Sega e Nintendo), onde é possível matar a saudade e jogar antigos jogos de arcada, muitos dos quais fizeram sucesso no Brasil. A área também tem vários pachinko, claro, uma espécie de caça-níqueis japonês. Você pode visitar os prédios e só olhar, mas alguns andares e salas são só para rapazes. Embora seja pouco provável algum assédio em uma rápida passagem, acho que as meninas devem visitar os lugares acompanhadas. A propósito, fuma-se muito nesses lugares.

Loja da Sega em Akihabara. Repare na propaganda de um Maid Cafe na fachada

Loja da Sega em Akihabara. Repare na propaganda de um Maid Cafe na fachada

Akihabara também é um bom lugar para procurar por mangas (os quadrinhos japoneses) e animes (desenhos animados). Visitamos a Mandarake (3-11-2 Soto-Kanda, Chiyoda-ku), com vários andares, e achamos bem legal. Nem todos os atendentes falam inglês, mas são atenciosos e chamarão alguém que possa conversar com você e te ajudar se você estiver procurando algo específico. Devo dizer, porém, que a quantidade de mangas em inglês é limitada.

Loja Mandarake em Akihabara (imagem obtida em http://japantravel-bmj.com/)

Loja Mandarake em Akihabara (imagem obtida em http://japantravel-bmj.com/)

Sendo o coração nerd de Tokyo, é possível ver no bairro alguns cosplays, como os da Takeshita-dori, ou simplesmente gente vestida de forma engraçada. Akihabara também tem vários dos chamados Maid Cafes, onde as atendentes vestem-se como empregadas francesas e adulam os clientes! Coisa de nerd japonês. Não visitei nenhum, mas ouvi relatos de que a coisa é meio constrangedora, a não ser que você tenha algum fetiche específico nesse sentido. Meninas vestidas a caráter ficam fazendo propaganda nas esquinas, mas devo dizer que elas evitam abordar estrangeiros, talvez já sabendo que a gente acha aquilo meio estranho. Mas não são lugares “proibidos” para estrangeiros, se você tiver curiosidade pode entrar sem problemas.

Tóquio — 12 motivos para visitar (parte 1)

O famoso Shibuya Crossing

O famoso Shibuya Crossing

Tóquio, a capital do Japão, tem muito mais que 12 atrações, claro. Pode-se passar dias por lá sem esgotar mesmo os principais pontos turísticos. Procurei listar aqui o que mais me chamou a atenção, mas uma pesquisa mais extensa vai mostrar que há muito mais para ser visto.

1. Conhecer o  Senso-ji, o principal templo budista de Tóquio

Kaminari-mon, o portão principal do Senso-ji

Kaminari-mon, o portão principal do Senso-ji

É verdade que Kyoto (e a vizinha Nara) reúnem os templos mais emblemáticos do Japão. Mas isso não significa que Tóquio não tenha templos bacanas de se conhecer. E o Senso-ji é o templo mais antigo da cidade, existindo há mais de 1.000 anos. O legal é que a história de lá lembra um pouco o descobrimento da estátua de Nossa Senhora Aparecida, aqui no Brasil. Dois irmãos pescadores teriam encontrado, nas águas do rio Sumida-gawa (que corta a cidade) uma estátua de Kannon, divindade feminina budista que representa a suprema misericórdia. O templo foi erguido para abrigar essa estátua mas, na verdade, ninguém sabe se ela de fato existe, pois ela não é exibida ao público.

A muvuca da Nakamise-dori

A muvuca da Nakamise-dori

A aproximação do templo se dá pela muvucada Nakamise-dori, uma rua de pedestres, cheia de lojinhas vendendo desde lembrancinhas do templo e da cidade até comida típica. Ao final da rua, chega-se ao Kaminari-mon, o portão principal do templo, de cor vermelha. Você certamente já viu imagens dele e da gigantesca lanterna japonesa que fica bem no meio. Ladeando o portão ficam duas estátuas com rostos ferozes: são Fujin, o deus do vento, e Raijin, o deus do trovão.

A gigantesca lanterna central do Kaminari-mon

A gigantesca lanterna central do Kaminari-mon

Assim como em vários outros templos budistas, é possível ler a sorte no Senso-ji. Em uns recipientes metálicos, sorteie uma vareta; nela haverá um número (em japonês). Abra a gaveta correspondente àquele número e pegue um papel, onde estará escrita sua sorte (os textos são traduzidos para o inglês). Se ela não for boa (como no meu caso), amarre o papel em um dos varais que ficam nas proximidades. Não se esqueça de pagar ¥ 100,00 antes de iniciar todo o processo.

Pessoas buscando a fumaça dos incensos no Senso-ji

Pessoas buscando a fumaça dos incensos no Senso-ji

Na frente do templo principal está instalado um grande caldeirão de incensos. É comum ver as pessoas com as mãos em concha “jogando” a fumaça sobre si. Acredita-se que ela ajude a restaurar a saúde.

Laguinho com carpas no Senso-ji

Laguinho com carpas no Senso-ji

Além de lindos jardins japoneses com laguinhos e carpas e estátuas budistas, a área do templo abriga um pagode (aquelas torres típicas japonesas) com cinco andares e 55 m de altura. É o segundo mais alto do Japão.

O pagode de 5 andares no Senso-ji

O pagode de 5 andares no Senso-ji

2. Comer, comer, comer

Camarões no Mercado Tsukiji

Camarões no Mercado Tsukiji

A culinária japonesa é muito mais que shushi e sashimi — embora Tóquio, com o maior mercado de peixes e frutos do mar do mundo (o Tsukiji), seja um ótimo lugar para comer peixe cru super fresco. Como estávamos meio na correria no dia em que visitamos o Tsukiji, não deu para comer por ali, mas a região ao redor abriga vários pequenos restaurantes de sushi e sashimi. Nem precisa dizer que os peixes são super frescos, vindos direto do mercado para a mão do sushiman. Aproveite para arriscar um pouco; se no Brasil os restaurantes japoneses limitam-se ao salmão, atum, peixe branco, camarão e kani, a variedade de peixes servida no formato sushi/sashimi no Japão é enorme. Gostei muito do bonito (com uma coloração parecida com o atum) e da enguia (unagi), servida em geral grelhada ou frita.

Sushi de bonito

Sushi de bonito

Pelo menos conseguimos pedir o gyoza!

Pelo menos conseguimos pedir o gyoza!

Em todo caso, é preciso ir além. Diz-se que Tóquio é a cidade com mais restaurantes do mundo, e não é difícil concordar quando você estiver lá. Há restaurantes (muitos bem pequenos, é verdade) em praticamente todos os quarteirões. Em geral, eles são bem especializados, vendendo apenas um tipo de prato. Fomos em um perto do nosso hotel que praticamente só vendia gyoza, aquele pastelzinho que a gente encontra nos restaurantes aqui como entrada — as outras limitadas opções do cardápio a gente não entendeu, pois estavam em japonês. Aliás, se você não quiser passar perrengue, pergunte antes se tem menu em inglês. Se bem que hoje, com internet e “Google Translator”, até dá para se virar só com o japonês. Outra facilidade para a comunicação são aqueles modelos em plástico que muitos dos restaurantes exibem na vitrine. Basta você ver o que te apetece, apontar para o garçom e pronto. Só não pergunte o que é.

Tigela com udon e tempurá de camarão. Repare no colorido kamaboko

Tigela com udon e tempurá de camarão. Repare no colorido kamaboko

Um tipo de comida bastante comum são aquelas tigelas, com arroz ou macarrão e alguma carne por cima. No caso do macarrão, ele em geral vem num caldo, e pode ser udon (o nosso macarrão comum, comprido) ou sobá (feito com aquele trigo sarraceno, mais escuro). No caldo pode vir broto de feijão, alho-poró ou outro vegetal e o kamaboko, uma espécie de massa de peixe (não me pergunte como é feito) bem coloridinha, parece até um doce. Por cima, um tempurá de camarão, fatias de porco ou carne bovina. Nas tigelas de arroz, é mais comum que a carne venha empanada.

Arroz com ovo e ostras empanadas

Arroz com ovo e ostras empanadas

Espetinhos vendidos em banca de rua perto do Parque Ueno

Espetinhos vendidos em banca de rua perto do Parque Ueno

Também é comum encontrar lugares que vendem os espetinhos de vários tipos. Os de frango são os mais usuais e são chamados de yakitori. Nesse caso, é bom pedir um menu em inglês, pois não é incomum haver espetinhos de partes “pouco usuais” do frango (vimos de fígado a útero!). Se você não se importa com isso, vá fundo!

Bentô

Bentô

Se estiver com pressa e quiser economizar, uma boa pedida são os bentôs, vendidos principalmente em lojas de conveniência e nas estações de trem, para levar na viagem. É uma espécie de marmita com comidas variadas — pode ser sushi/sashimi, carne com arroz, omelete etc. Ainda que alguns dos componentes venham cozidos, o bentô é sempre frio, mas em alguns lugares é possível aquecê-lo. Também em lojas de conveniência é possível comprar oniguiris, aqueles bolos de arroz em formato triangular, com recheios variados.

Okonomiyakis na chapa

Okonomiyakis na chapa

Embora não o tenha comido em Tóquio, um dos meus pratos preferidos no Japão foi o okonomiyaki; certamente você encontrará restaurantes lá que fazem. A dica é procurar por lugares com chapas no balcão ou nas mesas. O okonomiyaki é uma espécie de panqueca japonesa, e pode levar carne de porco, camarões, lula (às vezes tudo junto), ovo e até queijo. Lendo assim parece uma mistureba, mas é delicioso. O chef monta seu okonomiyaki e depois os garçons levam até a chapa na sua frente, com uma espátula. Vá partindo em pedaços pequenos e mandando para dentro!

3. Conhecer a riqueza da cultura japonesa no Museu Nacional de Tóquio

Armadura de samurai no Museu Nacional de Tóquio

Armadura de samurai no Museu Nacional de Tóquio

Dificilmente se ouve falar de algum museu quando se menciona o Japão como destino turístico. Certo, não há um museu do parâmetro de um Louvre, de um Metropolitan, de um Prado em Tóquio. Mas eu achei o Museu Nacional de Tóquio excelente, pois reúne o que há de mais emblemático da cultura japonesa. Pense em quimonos ricamente adornados, espadas e armaduras de samurai, ukiyo-e (aquelas famosas gravuras japonesas), caligrafia, estátuas budistas e xintoístas.

Kimono no Museu Nacional de Tóquio

Kimono no Museu Nacional de Tóquio

Ukiyo-e, as tradicionais gravuras japonesas

Ukiyo-e, as tradicionais gravuras japonesas

O museu está situado dentro do Parque Ueno, podendo ser conhecido junto com um passeio por lá. Há vários prédios dentro do museu, mas você deve começar pelo Honkan, a galeria principal, logo em frente da entrada. Ali estão reunidos os objetos mais emblemáticos da coleção. Embora não seja tão grande, você possivelmente passará umas duas horas por ali.

Galeria de Tesouros Horyu-ji

Galeria de Tesouros Horyu-ji

Não visitei o Toyokan (Galeria de Antiguidades do Oriente) nem o Heisekan (o Museu de Arqueologia), mas achei imperdível a Galeria de Tesouros Horyu-ji, no fundo da área do museu, à esquerda. Um prédio de concreto bem moderno, criado por Taniguchi Yoshio (o mesmo arquiteto do MoMA, em Nova Iorque), abriga uma pequena coleção vinda do templo Horyu-ji, nos arredores de Nara. As estátuas budistas exibidas ali são de encher os olhos.

Tosho-gu, um templo dourado dentro do Parque Ueno

Tosho-gu, um templo dourado dentro do Parque Ueno

O Parque Ueno também conta com um zoológico, o Museu Nacional de Arte Ocidental (um lindo prédio do Le Corbusier) e alguns templos. Dá para passar o dia por lá.

Museu Nacional de Arte Ocidental

Museu Nacional de Arte Ocidental

4. Visitar o Meiji-jingu, o templo xintoísta mais importante de Tóquio

Meiji-jingu

Meiji-jingu

Se o Senso-ji é o principal templo budista de Tóquio, o Meiji-jingu é o principal local xintoísta da cidade. Fica em Harajuku; basta descer na estação de mesmo nome da linha JR-Yamanote e entrar no parque que fica ao lado. Logo você começará a ver vários elementos onipresentes em templos xintoístas — se Tóquio for sua primeira parada no país, você certamente verá outros templos com características semelhantes.

Um dos torii na entrada do Meiji-jingu

Um dos torii de madeira na entrada do Meiji-jingu

Um exemplo são os torii, os típicos portões xintoístas. É comum ver toriis vermelhos ao redor do Japão, alguns em longas sequências, como no lindo Fushimi-Inari Taisha, em Kyoto. Outros são de pedra. Os do Meiji-jingu são de madeira — mais especificamente ciprestes de Taiwan — e o mais alto conta com 12 metros de altura!

Barris de saquê na entrada do Meiji-jingu

Barris de saquê na entrada do Meiji-jingu

Outro elemento típico que você verá no agradável caminho até o templo são fileiras de barris de saquê. São doações para o templo, mas são tão coloridos e decorados que ninguém resiste a tirar (várias) fotos com eles.

Portão de entrada do Meij-jingu. A bica d'água fica à esquerda

Portão de entrada do Meij-jingu. A bica d’água fica à esquerda

Na entrada do templo, como em outros xintoístas, é comum ver uma bica d’água, com pequenos recipientes de bambu ou metal. É para fazer abluções de limpeza antes de aproximar-se do templo. Encha o recipiente de água e jogue primeiro na mão esquerda, depois na mão direita; depois, encha a mão esquerda de água, enxágue a boca e enxague por último a mão esquerda novamente. Não se preocupe, depois de uns três templos xintoístas você estará craque no procedimento! Mas atenção: embora seja usada para lavar a boca, essa água não é para beber!

Cerimônia de casamento no Meiji-jingu

Cerimônia de casamento no Meiji-jingu

Como o nome indica, o templo foi criado para homenagear o imperador Meiji e a imperatriz Shoken. Meiji foi o responsável pela restauração da monarquia japonesa em meados do século XIX, pondo fim a séculos de xogunato. Embora tenha sido reconstruído após os bombardeios da Segunda Guerra, mantém uma atmosfera típica. Enquanto estávamos por lá, vimos dois casamentos acontecendo. Foi bem legal para ver roupas tradicionais e um pouco da cerimônia (ainda que boa parte dela ocorra longe dos olhos curiosos dos turistas). Não sei dizer se foi a época em que fui — será que maio é o mês das noivas no Japão também? — mas pode ser que, se você for num final de semana como eu, tenha a sorte de também presenciar um casamento.

5. Assistir a uma apresentação de teatro kabuki

Fachada do Kabuki-za, em Tóquio

Fachada do Kabuki-za, em Tóquio

Você não vai entender nada do que os atores estão dizendo. Em todo caso, no Kabuki-za, o principal teatro kabuki de Tóquio, eles distribuem folhetos com o resumo das peças em inglês, de modo que dá para acompanhar, sim, o desenrolar da história. Algumas peças contam até com áudio em inglês. Mesmo sem entender palavra por palavra, eu adorei a experiência de assistir a uma apresentação kabuki. A dramaticidade dos números, o figurino, a maquiagem, tudo é lindo.

Personagem do kabuki

Personagem do kabuki

O teatro kabuki é uma daquelas manifestações culturais tipicamente japonesas. Sim, há um certo machismo nesta tradição: só homens atuam, e mesmo os papéis femininos são feitos por atores homens. Uma regra que surgiu lá nas origens do kabuki e que já podia ser revista. Mas esqueça esse aspecto por um momento; os japoneses são muito apegados às tradições. Concentre-se na beleza da encenação, ao mesmo tempo singela e detalhista. Singela no acompanhamento: poucos instrumentos (todos típicos do Japão) fazem a “trilha sonora” das peças. Detalhista na caracterização dos personagens, seus figurinos, penteado e maquiagem. O cenário também é simples, mas de um jeito japonês — ou seja, igualmente belo.

Como as sessões são longas, é normal as pessoas levarem bentôs para comerem nos intervalos

Como as sessões são longas, é normal as pessoas levarem bentôs para comerem nos intervalos

Uma apresentação no Kabuki-za pode durar em torno de 4 horas. Na realidade, porém, várias peças são encenadas na mesma apresentação. Eles chamam de “atos”, mas cada um conta, na verdade, uma história diferente. Se você quiser comprar um ingresso para a apresentação inteira, dá para fazer pela internet. Se preferir assistir a um só ato, os ingressos são vendidos na hora, e é necessário entrar numa fila que começa bem antes do ato em si. Eu preferi comprar o ingresso para a apresentação toda já do Brasil, para garantir um lugar e não precisar ficar esperando na fila. De todo modo, não fiquei para a apresentação inteira: vi só os dois primeiros números. Até teria ficado mais, mas as outras atrações de Tóquio me chamavam. Enfim, veja o que é melhor de acordo com seu roteiro.

Cartazes das peças na frente do Kabuki-za. Repare na fila se formando atrás para o próximo ato

Cartazes das peças na frente do Kabuki-za. Repare na fila se formando atrás para o próximo ato

6. Ver a cidade de cima no alto da Torre de Tóquio ou da Tóquio Skytree

A alaranjada Torre de Tóquio

A alaranjada Torre de Tóquio

Durante décadas, a Torre de Tóquio, inspirada na Torre Eiffel, reinou absoluta no skyline da cidade. Desde maio de 2012, a Tóquio Skytree passou a dominar as atenções — principalmente por ser a maior torre do mundo, com 634 metros (considerando apenas as torres tipo antenas, claro).

Vista da Torre de Tóquio. O templo Zojo-ji está no canto à esquerda

Vista da Torre de Tóquio. O templo Zojo-ji está no canto à esquerda

De todo modo, depois de vê-la em vários animes e filmes japoneses, devo dizer que a Torre de Tóquio e sua berrante cor laranja tinham um lugar especial no meu coração. É um lugar super turístico? Sim. Mas afinal, a gente não está fazendo turismo? Além disso, tem “só” 333 metros, ou seja, pouco mais da metade da Skytree. Ainda assim, precisava ver com meus próprios olhos a torre que havia visto tantas vezes filmada ou desenhada. A propósito: as cores laranja e branco são usadas para atender a normas de segurança da aviação. Há dois mirantes: um a 145 metros e outro a 250 (paga-se mais para ir no mais alto).

Tokyo Skytree. Imagem obtida em http://www.tokyo-skytree.jp/en/

Tokyo Skytree. Imagem obtida em http://www.tokyo-skytree.jp/en/

Dito isso, acabei não indo na Skytree. Levei em conta alguns fatores: em 5 dias, não dá para fazer tudo, então optei por aquela com a qual tinha um vínculo afetivo. A Skytree é mais cara e tem filas maiores (parece que dá para comprar no site, mas o link é “japanese only”). No dia em que resolvemos subir na Torre, o dia estava meio nublado, então num observatório “menos alto” tínhamos a chance de ter menos nuvens no campo de visão. De todo modo, se você estiver com tempo, vá nas duas. Dizem que em dias claros, na Skytree, dá para ver até o Monte Fuji. Dá para combinar a Skytree com uma visita ao Senso-ji ou ao estádio de sumô Ryogoku Kokugikan (veja no próximo texto). Já a Torre de Tóquio fica mais ou menos próxima à região de Roppongi, perto do lindo templo budista Zojo-ji.

Zojo-ji e Torre de Tóquio

Zojo-ji e Torre de Tóquio

(Esse texto continua aqui).

La Rochelle

Porto de La Rochelle ao entardecer

Porto antigo de La Rochelle ao entardecer

No último mês de setembro, fiz uma viagem para a França, que incluiu algumas cidades no interior. Na verdade, apesar de já ter estado em Paris, não conhecia nada do interior do país, e tinha muita curiosidade em fazê-lo. Como a viagem começou já no final de setembro, na virada para o outono, achei que não compensaria ir para o sul da França, que talvez mereça uma visita numa época mais quente. Além disso, o roteiro necessariamente teria que passar por Bordeaux, onde uma amiga está morando — e, de todo modo, Bordeaux vale a visita. Outros destinos que queríamos conhecer e, assim, incluir no roteiro, foram o Mont Saint-Michel (a atração mais visitada da França fora de Paris) e o Vale do Loire. Dessa forma, com alguns dias sobrando, passei a pesquisar destinos no meio do caminho entre esses lugares e cheguei a La Rochelle e Nantes.

Rue Gargoulleau, no centro de La Rochelle

Rue Gargoulleau, no centro de La Rochelle

A primeira, na verdade, foi uma dica da minha amiga que está morando em Bordeaux. A segunda é uma cidade grande cujo nome é relativamente conhecido, e onde está morando um casal de franceses que conheci quando fui aos Lençóis Maranhenses. Pesquisando a respeito das atrações de ambas as cidades, vi que havia razões de sobra para uma visita.

Em primeiro lugar, devo dizer que fiquei um par de dias em cada cidade. Foi o suficiente, mas dá para ficar alguns dias a mais também; depende do seu ritmo. Vou tentar explicar o que eu visitei e o que não deu para ver, e aí você decide. Em La Rochelle, se você quiser curtir um pouco da praia, dá para ficar alguns dias a mais.

Plage de la Concurrence

Plage de la Concurrence

La Rochelle é na verdade uma cidade de praia bastante conhecida dos franceses. Embora a região da Riviera Francesa, no Mediterrâneo, seja o destino mais conhecido de praia na França (talvez seguido de perto por Biarritz, no País Basco francês), há alguns lugares na costa atlântica que também são procurados pelos franceses, principalmente durante as férias de verão. La Rochelle é um deles. Dito isto, no final de setembro ainda estava dando praia — a pequena praia urbana chamada Plage de la Concurrence estava bem movimentada quando passamos por lá. Para mim, brasileiro, porém, já estava meio frio. Como estava fazendo bastante sol, acho que até teria dado para curtir um pouco da praia — não sei, porém, como estava a temperatura da água. Com outras atrações, entretanto, só passamos pela praia para vê-la, sem efetivamente usá-la.

Vista de La Rochelle com suas três torres: Tour de la Lanterne, Tour de la Chaîne e Tour Saint Nicolas (da esquerda para a direita)

Vista de La Rochelle com suas três torres: Tour de la Lanterne, Tour de la Chaîne e Tour Saint Nicolas (da esquerda para a direita)

La Rochelle foi uma importante cidade portuária francesa e, assim, seu centro reflete um pouco desse passado. Aliás, consta que os primeiros colonizadores franceses do Canadá saíram dali, no século XVII. As três torres erguidas na área do porto são uma lembrança dessa época e algumas das atrações turísticas da cidade.  É possível comprar um bilhete para visitar as três torres (hoje em € 8,50); o bilhete unitário (para uma torre apenas) está custando, hoje, € 6,00. O legal do bilhete único é que você não precisa visitar todas as torres no mesmo dia. Não me lembro ao certo, mas acho que ele vale por três dias. Nós, por exemplo, visitamos duas delas no primeiro dia e a outra no segundo. A visita às torres, de todo modo, não é demorada; é possível visitar as três, sim, em um dia, até em uma tarde.

Tour de la Chaîne

Tour de la Chaîne

A primeira que visitamos, e a mais famosa, foi a circular Tour de la Chaîne. Fica bem na entrada do Vieux Port (porto antigo). Tem esse nome (chaîne significa corrente) porque, para proteger a cidade à noite ou em tempos de guerra, uma pesada corrente era passada entre esta torre e a que fica do outro lado da entrada do porto (a Tour Saint Nicolas). Há uma exposição permanente sobre os imigrantes franceses que foram para o Canadá, de modo que é possível passar um tempo lá dentro. Mas as vistas lá de cima são de tirar o fôlego.

Porto antigo de La Rochelle visto da Tour de la Chaîne

Porto antigo de La Rochelle visto da Tour de la Chaîne

Tour de la Lanterne

Tour de la Lanterne

Depois seguimos por uma calçada margeada por uma fortificação até a Tour de la Lanterne — que já funcionou como farol, daí o nome. É a que tem o formato mais gracioso das três. Lá dentro, o interessante é ficar vendo as inscrições que prisioneiros do local fizeram, algumas em inglês — várias delas são explicadas ao visitante. A torre, aliás, também é conhecida como Tour des Quatre Sergents, em homenagem a quatro sargentos que foram presos ali por tramarem contra a monarquia reinstalada após a morte do Napoleão. De todo modo, as vistas do alto também são lindas: dá para ver um grande número de barcos atracados e velejando, e até a Plage de la Concurrence, que fica depois das fortificações.

Vista da Tour de la Lanterne. A Plage de la Concurrence aparece no meio da foto

Vista da Tour de la Lanterne. A Plage de la Concurrence aparece no meio da foto

Tour Saint Nicolas vista a partir da Tour de la Chaîne

Tour Saint Nicolas vista a partir da Tour de la Chaîne

Não me lembro de nada muito marcante dentro da pentagonal Tour Saint Nicolas, aquela que era utilizada com a Tour de la Chaîne para fechar a entrada do porto com uma corrente. De todo modo, como estava incluída no ingresso, visitamos, no segundo dia. Também dá para subir e tirar lindas fotos lá de cima. Todas as torres têm uma pequena loja de suvenires na entrada, onde também se compram os ingressos para visitar as torres.

Casas com enxamel no centro de La Rochelle, com galerias em arcos embaixo

Casas com enxaimel no centro de La Rochelle, com galerias em arcos embaixo

O centrinho antigo de La Rochelle é muito bonito e merece um passeio. Há algumas atrações, mas o legal mesmo é dar uma perambulada. La Rochelle é conhecida como “Ville Blanche” (Cidade Branca) por causa da pedra calcária usada nas construções do centro. Muitas das fachadas são também cobertas em parte com placas de ardósia no sistema de enxaimel (como aquelas casas típicas alemãs), para proteger do sal da maresia. Dá para ver que algumas são bem antigas e estão até meio tortas. Vários quarteirões da cidade têm ainda, no nível da rua, galerias em arcos, deixando a paisagem ainda mais charmosa.

Tour de la Grosse Horloge

Tour de la Grosse Horloge

Logo na entrada da cidade pelo porto velho, no Quai Duperré, fica a Tour de la Grosse Horloge, uma torre com relógio que também serve de portão para a cidade. Infelizmente não é possível visitá-la por dentro.

Praça com a fachada do Hôtel de Ville, ainda um pouco danificada pelo incêndio

Praça com a fachada do Hôtel de Ville, ainda um pouco danificada

Adentrando um pouco mais chega-se a uma elegante pracinha que abriga o Hôtel de Ville, como são chamadas as prefeituras na França. Um incêndio consumiu boa parte do prédio em 28 de junho de 2013, mas a fachada está mais ou menos intacta. Quando visitei, uma exposição de fotos no pátio interno mostrava o incêndio e o que tem sido feito desde então para restaurar o prédio; mas, por motivos óbvios, não dava para visitar outras partes do edifício. De todo modo, acho que vale a visita, pois, de acordo com a Wikipedia, é o hôtel de ville mais antigo da França ainda em funcionamento.

Catedral de La Rochelle

Catedral de La Rochelle

No centro também é possível visitar a Catedral de La Rochelle, com uma fachada diferente das fachadas góticas de catedrais que a gente está acostumado a ver ao redor da França (me lembrou um pouco a fachada da igreja da Abadia do Mont Saint Michel, para quem já visitou). A catedral é adornada com lindos vitrais.

Vitral no interior da catedral de La Rochelle

Vitral no interior da catedral de La Rochelle

Mercado de La Rochelle

Mercado de La Rochelle

Fomos ainda ver o mercado da cidade, também no centro. Como era final de semana, estava animado, mas logo fechou. Não é muito grande e tem aquelas bancas de qualquer mercado: frutas, verduras, queijos, peixes, carnes. Ao redor há algumas opções para comer, e vimos muita gente saboreando ostras, o que é bastante comum em várias cidades da França, mas as de La Rochelle devem ser super frescas, dada a localização da cidade. Entre a praça da Catedral e o mercado, na Rue Gargoulleau, fica o Musée des Beaux-Arts de La Rochelle; não visitamos, mas o Lonely Planet diz que o acervo é interessante.

Aquarium de La Rochelle

Aquarium de La Rochelle

A principal atração de La Rochelle, porém, fica do lado oposto do centro antigo, em relação ao porto: é o Aquarium. Depois da Tour Saint Nicolas, há uma pequena ponte de madeira para pedestres, que abre-se às vezes para a passagem de barcos. Se você seguir contornando a área para barcos, logo verá a fachada enorme do Aquarium. Tem gente que não gosta muito de visitar aquários, então talvez não seja um bom programa. Se você estiver viajando com crianças, porém, recomendo vivamente. O aquário é moderno e tem várias espécies interessantes, além de um jardim interno estilo tropical, onde é possível tentar advinhar diferentes aromas obtidos por meio de plantas. Além disso, o aquário fica aberto até tarde, então pode ser uma boa opção de passeio de fim de dia.

Peixinhos no Aquarium

Peixinhos coloridos no Aquarium

Fachada do Musée des Automates

Fachada do Musée des Automates

Também nesta parte da cidade (do outro lado do porto, em relação ao centro antigo), ficam duas atrações-museus, digamos, curiosas. O Musée des Automates abriga diversos bonecos autômatos de estilo antigo, como a gente vê em filmes. Alguns são de fato antigos e eram utilizados para propagandas, outros foram criados especialmente para o museu. No fundo, aliás, há uma recriação do que seria a Montmartre parisiense na época em que esses bonecos eram mais utilizados. Havia toda uma técnica tradicional para fazer esses bonecos que é interessante de se ver, mas o museu tem, sim, um aspecto meio macabro — culpe os filmes de terror que frequentemente usam esse tipo de bonecos. Veja as fotos que eu coloquei aqui e tire suas próprias conclusões (tentei dar upload de um vídeo aqui para dar uma ideia melhor e não consegui). A maioria é acionada por um botão, mas alguns acionam-se automaticamente, o que só aumenta a atmosfera meio assustadora do lugar. Eu achei a visita bacana pela singularidade de um museu desse tipo — nunca havia visto algo parecido em outro lugar do mundo. Mas prepare-se para possíveis pesadelos depois.

Boneco no Musée des Automates

Boneco no Musée des Automates

Musée des Automates

Musée des Automates

Logo ao lado fica o Musée des Modèles Reduits. Eu estava mais curioso para visitar o Musée des Automates, mas o ingresso de um inclui o outro (atualmente € 11,00), então também visitamos este. São basicamente modelos reduzidos de vários objetos, principalmente barcos e carros, mas o que realmente falou mais alto à criança que ainda vive em mim e lembrou-me da minha infância foi a mega maquete com trenzinho. Quem teve um desses trenzinhos quando criança certamente vai ficar com os olhos brilhando.

Maquete do trem no Musée des Modèles Reduits

Maquete do trem no Musée des Modèles Reduits

Como disse acima, muitos franceses visitam La Rochelle no verão para curtir uma praia; mas muitos vão, na verdade, para a Île de Ré, que fica próxima à cidade e tem praias bem disputadas. É possível fazer um passeio de barco para lá a partir de La Rochelle, mas, quando fomos, como já não era mais verão, os passeios estavam bem mais raros, e não havia nenhum disponível nos dias que passamos na cidade. Por outro lado, havia passeios para a Île d’Aix, a Île d’Oléron e o Fort Boyard (uma ilha fortaleza), todas também nas proximidades de La Rochelle, mas não fizemos este passeio. Para a Île de Ré, também é possível ir de carro e de ônibus a partir de La Rochelle, já que ela é conectada ao continente. A respeito dos passeios de barcos, é possível consultar os horários no site da Inter-Îles; vi um guichê vendendo passeios nas proximidades da Tour de La Chaîne.

Prato de sardinhas assadas em um restaurante da Cours des Dames

Prato de sardinhas assadas em um restaurante da Cours des Dames

A área ao redor do Vieux Port (como o Quai Duperré e a Cours des Dames) é cheia de restaurantes vendendo peixes e frutos do mar. Comemos sardinhas assadas num deles que estavam gostosas, mas nada inesquecível. Já na Rue St Jean du Pérot, também nas proximidades (ela começa a partir da Cours des Dames), é possível encontrar opções mais elaboradas. Gostamos muito da formule do L’Affaire de Goût, onde comi um suculento hambúrguer. Mas há várias outras opções nesta rua, é só caminhas um pouco e olhar os menus.

Hambúrguer no L'Affaire de Goût

Hambúrguer no L’Affaire de Goût

Próximo à Tour Saint Nicolas há alguns bares, entre o Vieux Port e o Museu Marítimo, onde é agradável sentar no final da tarde, se o dia estiver bonito, para tomar uma cerveja, um drink ou um vinho, com lindas vistas para as torres e a baía.

Fachada do L'Ambassade, na Rue de l'Archimede, bom para uma bebida de fim de tarde

Fachada do L’Ambassade, na Rue de l’Archimede, bom para uma bebida de fim de tarde

La Rochelle foi uma agradável parada de dois dias na nossa viagem pelo interior da França. Talvez não esteja entre as atrações mais recomendadas da França, mas se você estiver na região, em Bordeaux, Nantes ou mesmo no Vale do Loire, e quiser um passeio perto do mar, vale o desvio. É charmosa, tem atrações turísticas interessantes e bons restaurantes. Recomendo.

Washington DC — Parte 2

(Este texto é uma continuação desse outro)

Capitólio e sua cúpula

Capitólio e sua cúpula

Terminando o passeio pelo Mall, chega-se ao famoso domo neoclássico do Congresso, ou Capitólio (que tem impressionantes 86 metros). É possível fazer uma visita interna guiada, basta procurar o Visitor Center do Capitólio. Não sei quão interessante o passeio é para um brasileiro (o foco, claro, deve ser em momentos marcantes da histórica americana); mas gostaria de fazer a visita se voltar a Washington, pelo menos para ver por dentro um prédio tão emblemático e com tanta história.

Suprema Corte

Suprema Corte

Logo atrás do Capitólio, porém, há ainda duas atrações cívicas que valem à pena olhar. Uma é o prédio neoclássico da Suprema Corte, cheio de colunas estilo grego — uma foto na frente é obrigatória pelo menos para quem, como eu, estudou Direito e ouviu falar de casos como Roe vs. Wade e Brown vs. Board of Education, decididos ali. Ao lado, fica a famosa Biblioteca do Congresso, supostamente a maior coleção de livros do mundo. Também é possível visitar os dois prédios, dê uma olhada nos links que eu coloquei no texto para maiores informações.

Biblioteca do Congresso

Biblioteca do Congresso

Fachada da Casa Branca virada para o Mall

Fachada da Casa Branca virada para o  Mall

Teoricamente é possível visitar também a Casa Branca, mas meu guia diz que é difícil, tem que agendar com antecedência e ser residente nos Estados Unidos (ou seja, não é para a maioria de nós). Tentei achar a informação no sítio deles, mas não encontrei; se você achar o link direto, por favor, ponha aqui nos comentários. De todo modo, é possível olhá-la de fora, de uma certa distância, e é bacana ver aquela imagem tantas vezes mostrada na televisão (relativamente) de perto, ao vivo. A Casa Branca fica ao norte do Mall, mais ou menos no meio dele (em frente ao obelisco do Monumento a Washington). A fachada mais famosa, que a gente sempre vê, é a que fica virada para o Mall e a Constitution Avenue: é possível vê-la e fotografá-la através das grades (só não chegue muito perto delas, para não criar problemas com a segurança).

Protestos em frente à Casa Branca, na fachada voltada para a Lafayette Sq

Protestos em frente à Casa Branca, na fachada voltada para a Lafayette Sq

Lafayette Sq com a Casa Branca ao fundo

Lafayette Sq com a Casa Branca ao fundo

É na parte de trás, porém, voltada para a Lafayette Square, que ficam as demonstrações; sempre tem algum protestando contra alguma coisa lá, vale a pena dar uma olhada. A própria praça Lafayette é agradável e vale um passeio: cada canto dela tem uma estátua em homenagem a algum estrangeiro que ajudou na Guerra de Independência americana. O Lafayette em si era um marquês francês, nomeado general nos Estados Unidos com apenas 19 anos! Não é emblemático que a praça logo atrás da Casa Branca homenageie estrangeiros que ajudaram a causa americana? Eu achei, e para mim é mais um símbolo do lado cosmopolita da capital.

Memorial de Jefferson

Memorial de Jefferson

Nas proximidades do Mall ficam ainda outros dois monumentos em homenagem a ex-Presidentes americanos: o Memorial de Jefferson e o Memorial de Franklin D. Roosevelt. O primeiro é um dos pais fundadores dos Estados Unidos e autor da Declaração de Independência. Seu memorial é circular e tem frases inspiradoras de Jefferson no seu interior; fica ainda num lindo local, às margens de um laguinho formado pelo rio Potomac. Já o Memorial de Roosevelt homenageia o presidente que ajudou a tirar os Estados Unidos da Grande Depressão de 1929. É na verdade quase um museu a céu aberto, com diferentes ambientes retratando momentos da depressão e da política do New Deal criada por Roosevelt.

Memorial de Roosevelt

Memorial de Roosevelt

Ambos os memoriais ficam nas proximidades do Mall, mas a uma distância considerável. Conheci o primeiro no dia do passeio de bicicleta, e o segundo da primeira vez em que fui a Washington, onde tive um tour guiado com uma van. Ir caminhando acho que pode ser bem cansativo. Os ônibus hop-on-hop-off que eu mencionei no texto anterior fazem paradas em ambos também.

Todos os museus e atrações que eu mencionei acima são gratuitos — à exceção da subida no Obelisco, como eu já indiquei também. Ou seja: se você cansar de um museu de que você está gostando muito, dá para sair, espairecer um pouco, almoçar, e depois voltar. Sem nenhum custo extra.

Georgetown University

Georgetown University

Georgetown, como eu já indiquei no texto anterior, é um dos bairros fora do núcleo central de Washington que merecem uma visita. Separado da área mais central por um canal que desemboca no Rio Potomac, o bairro tem, de fato, uma característica bem diferente do resto da cidade. Aqui a escala é menor e menos monumental; as casas de tijolos ou coloridas apresentam um estilo meio inglês, como em outras cidades da época das 13 Colônias. É um bairro cheio de estudantes também, já que ali fica a imponente Georgetown University, com aquelas construções que lembram Hogwarts, do Harry Potter.

Casas em Georgetown

Casas em Georgetown

Por atrair estudantes da aristocracia americana, Georgetown também padece de uma certa aura “elitista” (inegável se comparada com a de outras regiões da cidade); mas o charme do bairro é também inegável, e como você não vai morar lá, não precisa se preocupar tanto com divisões de classe. Tirando os prédios da universidade, não há tantas atrações turísticas, o que vale mesmo é passear pelas agradáveis ruas, algumas de paralelepípedo, ou pelo parque que margeia o Rio Potomac. A rua principal do bairro, a M Street, pode ficar meio congestionada e barulhenta, mas é lá também que ficam vários restaurantes, cafés, bares e lojas do bairro. Além disso, se a muvuca de estudantes ébrios ficar muito incômoda, é só pegar uma rua transversal para mudar de ares. É na M Street também que você pega o Circulator, aquele ônibus que te leva para a região central de Washington, que eu também mencionei no texto anterior.

Um último detalhe macabro: é em Georgetown que fica também a escadaria que dava acesso à casa da menina possuída no filme O Exorcista (o endereço é 3600 Prospect St NW). Para quem gosta de filmes de terror, vale a visita, de preferência numa noite bem escura.

Dupont Circle

Dupont Circle

Outra área agitada da cidade é a região do Dupont Circle. O Dupont Circle em si é uma rotatória bem grande que conta com uma estação de metrô. Porém, a região ao redor é conhecida pelo mesmo nome e é bem movimentada. Para começar, ali ficam várias embaixadas — como a indiana, que tem uma estátua do Gandhi na frente (a do Brasil fica bem mais ao norte, já fora da área do Dupont Circle) –, o que traz um colorido cosmopolita para a região. Não por outro motivo, restaurantes de diferentes países ficam por ali, de modo que dá para provar um pouco de diferentes partes do mundo ali. Também reúne bares — alguns dos principais voltados para o público LGBT ficam na região –, cafés, livrarias… enfim, pode não ser aquele programa eminentemente turístico, mas é um bairro bacana para passar algumas horas flanando.

Estátua de Gandhi na frente da Embaixada da Índia, região do Dupont Circle

Estátua de Gandhi na frente da Embaixada da Índia, região do Dupont Circle

A região da U Street e da área ao redor, conhecida como Shaw, era tradicionalmente um reduto negro da capital, como o Harlem em Nova Iorque. E, assim como o Harlem, passou por um período de decadência seguido por um renascimento — o que, por um lado, melhorou a segurança e permitiu que eu e você visitemos a região, mas, por outro, encareceu os preços para a comunidade tradicional que vivia ali. Teoria urbana na prática. Ainda assim, é uma experiência interessante para o turista. A região reúne algumas boates famosas de Washington, um dos clubes de jazz mais tradicionais da cidade (o Bohemian Caverns) e ainda mantém um pouco da cultura negra original. Comi num restaurante bacana ali, o Busboy and Poets, que mistura biblioteca e restaurante, com ambiente bem legal. Parece que rolam alguns eventos culturais lá e pareceu-me que muita gente vai também só para beber.

Píer de Alexandria

Píer de Alexandria

Minha última dica de passeio em Washington não fica exatamente em Washington. É o passeio até Alexandria, uma cidade mais antiga que a capital em si. Tem aquele jeito de cidade antiga da época das colônias, com muitas construções de tijolinho, muitas transformadas em lojas e restaurantes. Há uma antiga fábrica de munições transformada em espaço para arte, onde é possível ver os artistas trabalhando — o Torpedo Factory Art Center. Como a cidade também fica às margens do Rio Potomac, há um píer onde atracam embarcações com aquele jeito de barcos à vapor antigos. É possível chegar até Alexandria pelo metrô de Washington, bastando pegar as linhas azul ou amarela (as mesmas que passam pelo aeroporto Ronald Reagan) até a estação King St.

Rua de Alexandria

Rua de Alexandria

Minhas dicas de restaurante estão, obviamente, meio defasadas, já que eu visitei a cidade em 2010. Ainda assim, procurei confirmar alguns locais com amigos que vão até Washington a trabalho com frequência, bem como visitei os sítios dos lugares que eu vou indicar aqui. Em todo caso, fica o alerta de que alguma dica pode ter fechado as portas ou mesmo não estar mais tão legal como quando eu fui. Alguns eu já mencionei no decorrer do texto, como o Busboy and Poets, na região da U Street, e o restaurante do Museu do Índio Americano, de que eu falei no post anterior.

Zaytinya

Zaytinya

O Zaytinya fica na Região do Penn Quarter, tem inspiração mediterrânea (principalmente grega e libanesa) e um menu de tapas (mezze) interessante. O ambiente é classudo, mas nada intimidador. Bem próximo ficava o Oya, de comida asiática, onde nós almoçamos em um intervalo de visitação aos museus do National Mall; a página deles, entretanto, avisa que eles fecharam em setembro de 2015 e vão reabrir no inverno com outro nome.

Gostei muito dos sushis do Maté, em Georgetown: estavam suculentos e havia opções diferentes para fugir do convencional. Fomos à noite e os drinks também estavam bons — só lembrando que, assim como em vários lugares, eles cobram identificação para vender bebidas alcoólicas.

Baked and Wired -- imagem obtida no site deles (www.bakedandwired.com)

Baked and Wired — imagem obtida no sítio deles (www.bakedandwired.com)

Não sou grande fã de cupcakes, mas confesso que fiquei meio viciado nos da Baked and Wired, que ficava perto do nosso hotel em Georgetown. Descobrimos por acaso e passamos a tomar café da manhã todos os dias lá, para experimentar diferentes bolinhos. Pior foi descobrir só no último dia que nosso hotel tinha café da manhã incluído! Mas, devo admitir, não me arrependo de forma alguma de ter perdido os cafés do hotel para poder comer os cupcakes de lá.

Terraço do 18th Street Lounge

Terraço do 18th Street Lounge – imagem obtida em http://www.deafnightlife.com

O 18th Street Lounge é um bar na região do Dupont Circle que tem programação noturna e também funciona para um happy hour. É um casarão com vários andares e ambientes num estilo meio pub antigo, mas como fomos para o happy hour num dia ensolarado de final de verão, era o terraço aberto que estava animado. No dia em que eu fui, o público me pareceu de gente por volta dos 30 anos que tinha acabado de sair do trabalho, mas pode ser que ele varie a depender do dia e do horário.

Washington DC — Parte 1

Capitólio

A “clássica” foto do Capitólio em Washington

Washington, a capital dos Estados Unidos, na minha opinião, é bem subaproveitada pelos brasileiros. Frequentemente é deixada de lado em troca dos prazeres mundanos de Nova Iorque ou dos destinos da Flórida. E, no entanto, fica a uma curta viagem de trem de Nova Iorque, ou seja: dá para combinar alguns dias lá com uma viagem à Big Apple, tranquilamente. Eu, pessoalmente, achei a cidade muito bacana, e com atrações suficientes para deixar qualquer viajante entretido.

Memorial de Lincoln

Memorial de Lincoln

Boa parte delas são museus, é certo. Mas também tem bairros bacaninhas para bater perna, monumentos mundialmente conhecidos, bons restaurantes, um certo ar cosmopolita de uma capital com embaixadas de praticamente todos os países do mundo… enfim, mesmo se você nem gosta tanto de museus, um passeio pela cidade certamente já vai valer a visita.

Casas no bairro de Georgetown

Casas no bairro de Georgetown

Se você for no voo internacional que sai de São Paulo, da United, vai descer no Aeroporto Internacional Dulles, que é longe para burro — fica pouco mais de 40 km da cidade, já no Estado da Virginia. Há serviços de shuttle tanto daquele tipo que te deixa na porta do hotel em vans coletivas (meu guia recomenda o Washington Flyer, não sei se é o único), como para alguma estação de metrô próxima (como Rosslyn ou Wiehle-Reston East). A linha prata do metrô, aliás, deve ganhar uma estação no Dulles, mas isso deve demorar ainda alguns anos. Um táxi vai custar mais de 50 dólares.

Já num voo interno, é possível que você chegue no Ronald Reagan-National (por exemplo, peguei um voo de lá para Chicago na minha última viagem aos Estados Unidos). Eu daria preferência a esta opção para voos internos porque o Ronald Reagan fica mais próximo da cidade e já é conectado com as linhas azul e amarela do metrô de Washington. E ainda é bem mais próximo da cidade — embora também fique em Virginia, é logo do outro lado do Rio Potomac, que contorna o lado ocidental de Washington e do Distrito de Columbia.

Union Station

Union Station

Se você estiver vindo de (ou indo para) Nova Iorque, porém, acho o trem imbatível. Ele sai da Penn Station em Nova Iorque, que é super central — ou seja, você não precisa daqueles shuttles xexelentos para se deslocar até um dos distantes aeroportos de Nova Iorque. Em Washington, o trem chega na linda Union Station, também bem central, próxima ao Mall e ao Capitólio. A Union Station é, por si só, uma atração turística, vale muito à pena passar um tempinho ali admirando a beleza da construção antes de deixar a estação. É possível comprar o bilhete de trem pela internet, já do Brasil. O trem mais rápido entre Nova Iorque e Washington é o Acela, que pára apenas em Philadelphia e Baltimore e que chega a mais de 200 km/h.

Interior da ala moderna da Galeria Nacional de Arte

Interior da ala moderna da Galeria Nacional de Arte

E quantos dias dá para passar em Washington? Considerando-se a quantidade de museus só no Mall, eu diria que muitos. Só que ninguém aguenta ficar enfurnado em museu muitos dias, né? Então minha sugestão é três dias, para fazer passeios variados. Mas se você quiser conhecer vários dos museus da cidade (que não deixam nada a dever aos museus de Nova Iorque ou de capitais da Europa, diga-se de passagem), melhor separar mais alguns dias.

Mapa do metrô de Washington

Mapa do metrô de Washington

Para explorar a cidade, Washington tem um excelente metrô. Depois daquelas estações capengas e lúgubres de Nova Iorque, dá até vontade de chorar quando você entra numa das estações do metrô de Washington. Limpas, espaçosas, grandiosas. Mas, devo dizer, o metrô da capital não chega a todos os lugares, embora esteja em constante expansão: a linha prata, que pretende chegar até o Dulles Airport, foi inaugurada em 2014 (baixe o mapa atualizado, em pdf em português, aqui). Para ir a Georgetown, por exemplo, um dos bairros que vale à pena visitar, tem que ir de ônibus. Se você estiver lá (Georgetown), use o Circulator, um ônibus que custa 1 dólar apenas. A linha azul clara te deixa perto do Dupont Circle, enquanto a linha amerela vai até a Union Station, passando ao norte do centro cívico, para onde dá para descer andando — ou então entre numa das estações de metrô do caminho, como Foggy Bottom – George Washington University, Farragut North/West ou McPherson Sq.

Vista do National Mall a partir do Memorial de Lincoln

Vista do National Mall a partir do Memorial de Lincoln

E as atrações propriamente ditas? Bem, um passeio por Washington não pode deixar de lado o National Mall, o centro cívico e de poder de Washington. Não é na verdade uma avenida, mas uma grande área verde cheia de monumentos entre a Constitution e a Independence Avenues. Começa no Memorial de Lincoln, passa pelo Obelisco, em frente à Casa Branca, por inúmeros museus, e chega até o Congresso. Todas as grandes manifestações importantes da história americana passaram por lá, como o famoso discurso de Martin Luther King e as passeatas contra a Guerra do Vietnã — uma das cenas de Forrest Gump, aliás, acontece ali.

A propósito, o Mall, dizem, foi uma das inspirações do Lúcio Costa para o Eixo Monumental de Brasília, mais especificamente a Esplanada dos Ministérios. Olha, eu sou brasiliense e amo a minha cidade, e até prefiro as linhas da arquitetura moderna àquele estilo clássico sisudo da Casa Branca ou do Congresso americano. Mas quando penso na quantidade de museus que eles conseguiram colocar ao redor do Mall em Washington, com acervos de cair o queixo, não dá para ficar muito satisfeito com a comparação. Ela serve, em todo caso, para explicar a importância que o Mall tem do ponto de vista cívico e político para Washington e para os americanos.

As lindas árvores do outono em Washington, com o Capitólio ao fundo

As lindas árvores do outono em Washington, com o Capitólio ao fundo

Para explorar o Mall, dá para pegar aqueles ônibus hop-on-hop-off, em que você pode subir e descer no percurso. Se o clima estiver agradável, porém, uma boa é alugar uma bicicleta. Nós alugamos uma em Georgetown, mas eu não vou nem procurar o lugar para indicar porque as bicicletas vinham sem cadeado. Ou seja, a gente até cruzou o Mall todo, fomos a outros lugares, mas não tínhamos como entrar nas atrações em si porque não havia como prender as bicicletas. A propósito, Washington é famosa por ter verões quentes e invernos rigorosos, com muita neve (de fechar escolas e repartições às vezes). Quando fui da última vez, em setembro, já no final do verão, estava quente para burro, enquanto em Boston e Chicago já estava fazendo um pouco de frio. Por isso, a bicicleta deve ser uma opção melhor na primavera ou no outono. Nesta última estação, aliás, Washington fica linda, com aquelas árvores de folhas coloridas por toda a cidade.

Sol de pondo atrás do Memorial de Lincoln

Sol se pondo atrás do Memorial de Lincoln

Vamos começar por uma das pontas do Mall, a oeste. Como disse acima, ela começa no Memorial de Lincoln, um dos principais e mais famosos da cidade, com aquela estátua gigantesca do ex-presidente americano sentado, olhando todo o Mall lá de cima. É possível ler trechos de alguns de seus discursos na parede, e a vista do alto das escadarias é especial. Ver o pôr do sol, refletido no laguinho que fica em frente ao memorial, também vale muito à pena.

A famosa estátua do Memorial de Lincoln

A famosa estátua do Memorial de Lincoln

Na sequência, um de cada lado do laguinho em frente ao Memorial de Lincoln, ficam os Memoriais dos Veteranos da Guerra do Vietnã e da Coréia. Não os visitei, então nada tenho a dizer a respeito. Já do outro lado do laguinho, antes da 17th St, fica o Memorial da Segunda Guerra Mundial. Traz citações de personalidades da época, e os 56 pilares representam os estados americanos e demais territórios (como Porto Rico, Guam e Samoa Americana), indicando que todos contribuíram com o esforço da guerra. Os dois pavilhões maiores representam os dois principais cenários onde os Estados Unidos lutaram — o Atlântico (Europa) e o Pacífico.

Memorial da Segunda Guerra Mundial

Memorial da Segunda Guerra Mundial

Já do outro lado da 17th St, no meio do gramado, está o famoso obelisco, chamado de Memorial de Washington, mais ou menos em frente à Casa Branca (que fica do outro lado da Constitution Avenue). Rodeado de bandeirinhas americanas, é bem alto: tem cerca de 170 metros de altura. É possível adentrar e subir no memorial, mas para isso é necessário adquirir um tíquete num quiosque nas proximidades do monumento.

Memorial de Washington

Memorial de Washington

Fachada do Museu Hishhorn

Fachada do Museu Hishhorn

A partir daí, depois da 14th St, vêm os museus. Vou listá-los abaixo na mesma ordem seguida até aqui (de oeste para leste), primeiro os que ficam “acima” do Mall (de frente para a Constitution Avenue), depois os que ficam “abaixo” (de frente para a Independence Avenue). Depois vou fazer comentários rápidos sobre os que eu visitei. Como gosto mais de arte, me concentrei nesse tipo de museu (há alguns deles no Mall), mas há museus de todos os tipos e gostos. Do lado de cima, estão o Museu Nacional de História Americana, o Museu Nacional de História Natural e a Galeria Nacional de Arte (que tem duas alas, uma de cada lado da 4th St). Do lado de baixo, estão o Museu do Holocausto, as Galerias de Arte Freer e Arthur M Sackler, o prédio do Instituto Smithsoniano (que parece um castelinho e funciona como um centro para os visitantes dos museus ao redor), o Museu Nacional de Arte Africana, o Museu Hishhorn, o Museu Nacional do Ar e do Espaço, e o Museu Nacional do Índio Americano. Deu para ver que dá para passar dias visitando museus em Washington, né?

Instituto Smithsoniano

Instituto Smithsoniano

Museu de História Natural

Museu de História Natural

O Museu Nacional de História Natural é daquele tipo que desperta a criança que tem dentro da gente. Não conheço o Museu de História Natural de Nova Iorque, mais famoso, mas o de Washington é bem bacana. Tem ossos de dinossauro, animais empalhados de praticamente todos os cantos do mundo (inclusive do Brasil), uma exposição sobre a evolução do homem… Enfim, o normal em um museu de história natural. Se você não gosta muito de fósseis e animais, porém, pule. No outro espectro da evolução tecnológica, está o Museu Nacional do Ar e do Espaço. Não o visitei, mas costuma ser listado como um dos favoritos do  Mall, e quem conheceu me disse que é muito legal. Reúne artefatos das aventuras espaciais e aeronáuticas americanas, como uma cápsula lunar, o avião usado por Charles Lindbergh para cruzar o Atlântico e o avião original criado pelos irmãos Wright (que concorrem com Santos Dumont pelo posto de quem inventou o avião).

Galeria Nacional de Arte

Galeria Nacional de Arte

Já do lado das artes, conheci a Galeria Nacional de Arte. Como disse acima, tem dois pavilhões: um mais clássico e outro bem moderno, desenhado pelo IM Pei (o mesmo da Pirâmide do Louvre). São tão grandes que eu visitei em dias separados. A ala clássica não fica a dever em nada ao Metropolitan de Nova Iorque. Tem desde quadros medievais até obras do começo do século XX, com vários clássicos da arte europeia — incluindo o único da Vinci em exposição permanente nas Américas, e algumas coisas de Monet e Van Gogh. A ala moderna tem arte contemporânea, incluindo trabalhos de artistas americanos consagrados (como Georgia O’Keefe, David Hockney e Rothko), móbiles do Alexander Calder, trabalhos de Henry Moore, dentre outros. É possível transitar entre os dois pavilhões por um túnel subterrâneo, cheio de luzes (bem psicodélico).

Ginevra de' Benci, de Leonardo da Vinci

Ginevra de’ Benci, de Leonardo da Vinci

Túnel

Túnel “psicodélico” ligando as duas alas da Galeria Nacional de Arte

Não deixe de forma alguma de visitar o jardim de esculturas da Galeria Nacional, logo antes, no Mall, da ala clássica (no sentido oeste-leste). Além de ter um café para relaxar um pouco da maratona de museus e uma fonte onde as pessoas refrescam os pés nos dias de calor, têm várias esculturas bacanas, como uma do Joan Miró, uma vermelha bem grande do Alexander Calder, uma interessante árvore metálica do artista americano Roxy Paine, uma “casa” desenhada pelo Roy Lichtenstein, uma pirâmide do Sol LeWitt, enfim, muita coisa interessante. Não visitei, mas para quem gosta de arte moderna e contemporânea, a coleção do Museu Hishhorn é bem avaliada, inclusive com trabalho de artistas pop como Andy Warhol. O Hishhorn também tem um jardim de esculturas em frente. Já as Galerias Freer e Arthur M Sackler (que eu tampouco visitei) reúnem acervo de arte asiática.

Jardim de esculturas da Galeria Nacional

Jardim de esculturas da Galeria Nacional

Fonte do jardim de esculturas

Fonte do jardim de esculturas

Museu Nacional do Índio Americano

Museu Nacional do Índio Americano

O último museu do Mall que eu visitei foi o Museu Nacional do Índio Americano. O prédio, bem moderno, mas com uma fachada de pedra com ar meio rústico, tem um acervo bem interativo, mas não me “pegou de jeito”. Vale a visita, de todo modo, por causa do restaurante: as várias ilhas preparam pratos inspirados em alimentos que as diferentes etnias de índios americanos consumiam, como milho, arroz selvagem, mandioca, quinoa, carne de bisão, alce, peru e peixes como truta e salmão. Você pode escolher pratos, entradas, acompanhamentos e sobremesas de diferentes ilhas (cada uma dedicada a uma região); cobra-se a porção.

(Este texto continua nesse outro).

Parque Torres del Paine — Chile

As famosas Torres del Paine

As famosas Torres del Paine

Muita gente acha que o Parque Torres del Paine no Chile é um passeio só para mochileiros e quem gosta de trekking. Eu mesmo tinha esta imagem antes de conhecê-lo. Se você não gosta muito de turismo de natureza, talvez, de fato, não valha à pena ir até lá, principalmente porque não é uma viagem exatamente barata. Mas é possível, sim, ver algumas das belezas do parque em confortáveis vans ou ônibus turísticos, ou em passeios de barco, sem muito esforço. Assim, mesmo os mais sedentários podem visualizar as maravilhas desse destino — e, eu posso afirmar, o lugar é cheio de paisagens de cair o queixo. Tudo depende, claro, do que você quer ver, fazer e conhecer, e de quanto quer gastar.

Laguna Amarga, numa das entradas do parque

Laguna Amarga, uma das entradas do parque

De todo modo, o parque é, com efeito, muito procurado por quem gosta de trekking. Por isso, como tem gente que pode ter caído aqui pensando em fazer o percurso à pé, vou explicar o que eu sei a respeito. O trekking mais conhecido do local é o chamado “Circuito W”, que dura em torno de 4 dias (se você não quiser parar no meio, por algum dia, para descansar). Posso falar pouco a respeito, pois só fiz o primeiro trecho do circuito, mas sei que há trechos com certa dificuldade, ou seja, não é para todo mundo. Em todo caso, devo dizer que meu pai o fez quando tinha 60 anos, e, de fato, vê-se muita gente mais velha caminhando, então, se você tem um certo preparo, vá fundo. A maioria das pessoas faz o “Circuito W” de leste a oeste, começando a partir da entrada da Laguna Amarga.

Tinta numa árvore marcando o lugar por onde passa a trilha

Tinta numa árvore marcando o lugar por onde passa a trilha

Embora fazer a trilha com um guia ajude, devo dizer que ela é bem sinalizada, com marcações de tinta vermelha em algumas pedras e árvores, ou mesmo plaquinhas desta cor, indicando o caminho a seguir. Pelo menos foi o que eu vi no primeiro trecho que eu fiz.

Bosque de lengas dentro do parque

Bosque de lengas dentro do parque

Nem preciso dizer que o melhor é ir na primavera ou no verão, pois os invernos são rigorosos. Mesmo em dezembro, quando fomos (final da primavera), o tempo não estava exatamente quente. Ainda que você não vá caminhar, acho que ir no meio do ano pode ser muito desconfortável, e muitos lugares nem abrem nessa época.

Igreja de Puerto Natales

Igreja de Puerto Natales

Se você for fazer o trekking ou não, há diferentes níveis de conforto (e custo) com relação à hospedagem. A primeira dúvida que eu tive quando estava pesquisando foi: fica-se no parque ou em alguma cidade? A resposta é que existem as duas possibilidades. A cidade mais próxima é Puerto Natales, que fica mais ou menos uma hora de carro/ônibus da entrada do parque. Assim, é possível ficar hospedado lá e fazer passeios até o parque, no estilo bate-e-volta. A cidade em si é pequena e sem muitos atrativos turísticos, embora sua localização às margens de um braço do mar seja charmosa. Ficamos hospedados uma noite lá, após a hospedagem no parque. Escolhemos o Kau Lodge, um hotel pequeno mas charmoso, com um café aconchegante.

Fachada do Kau Lodge, onde ficamos

Fachada do Kau Lodge, onde ficamos

Vale à pena ficar em Puerto Natales por dois motivos. A primeira é de custo: ficar nos arredores do parque com algum conforto é caro. Além disso, sendo uma cidade (ainda que pequena), há mais opções de hospedagem e de alimentação, que também costuma ser cara nos hotéis do parque (se você não optar por algum dos pacotes all inclusive que eles oferecem). A propósito, recomendo em Puerto Natales vivamente o Afrigonia, um dos restaurantes mais bacaninhas da cidade. A procura por lá é grande, por isso convém reservar.

Interior do Afrigonia

Interior do Afrigonia

Em Natales também há várias agências para contratar os passeios para o parque, ou mesmo hospedagem, caso você resolva ficar alguns dias in loco. Em todo caso, como as opções de hospedagem nos arredores do parque são escassas, recomendo reservar tudo no Brasil.

Casas antigas no centro de Punta Arenas

Casas antigas no centro de Punta Arenas

Há outras duas cidades maiores relativamente próximas do parque: Punta Arenas, no Chile, e El Calafate, na Argentina. Ainda assim, ambas ficam a algumas horas de viagem do Torres del Paine. Por isso, você pode até ver passeios saindo dessas cidades, mas prepare-se para o cansaço do deslocamento. Passamos uma noite em Punta Arenas antes de ir ao parque. É conveniente porque tem um aeroporto, com voos frequentes de Santiago. É uma cidade portuária com algumas atrações e restaurantes legais, também. Já o acesso por El Calafate compensa se você já estiver passeando por lá ou vier de Buenos Aires. Além disso, há ônibus de ambas as cidades até Puerto Natales — comprei meu bilhete até El Calafate pela internet, ainda no Brasil, tudo bem tranquilo (usamos a empresa Turismo Zaahj, mas há outras).

É possível avistar raposas na região. Essa estava bem próxima do nosso hotel

É possível avistar raposas na região. Essa estava bem próxima do nosso hotel

Já se objetivo é ficar nos arredores do parque, há diferentes opções, mas em número restrito. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que a maior parte do parque é área de proteção restrita, de modo que os principais hotéis ficam, na verdade, nos arredores mesmo, mas próximos às entradas. Entretanto, há opções simples de hospedagem dentro do parque, sim, chamadas de refugios, destinadas principalmente às pessoas que estão fazendo os trekkings. Mesmo nesse caso, segundo relato do meu pai, há opções com um pouco mais de conforto, com local para refeições e banheiro decente. Ainda assim, os quartos são coletivos. Essas hospedagens são escassas e, por isso, devem ser reservadas com antecedência.

Uma vicunha passeia por entre árvores queimadas no incêndio de

Uma vicunha passeia por entre árvores queimadas no incêndio de 2011

Também é possível acampar em algumas áreas, que é a opção mais barata, mais utilizada pelos mochileiros. Isso envolve, claro, ter que carregar sua própria barraca durante as caminhadas. Além disso, prepare-se para o frio à noite. Para quem é jovem e está com a grana curta, porém, é uma opção. E nessa idade, vamos combinar, tudo é festa. Só lembre de comprar comida ainda em Puerto Natales. Embora os hotéis da região do parque mantenham pequenas vendas com mantimentos, tudo sai, claro, muito mais caro que na cidade. Da mesma forma, é preciso tomar cuidado com fogueiras e similares. Um incêndio de grandes proporções tomou o parque em 2011, sendo responsabilizado o turista de um acampamento que estava tentando acender uma fogueira. Além do mico de ter seu nome associado a um incêndio florestal, o rapaz teve que pagar uma multa salgada.

Hotel Las Torres

Hotel Las Torres

Quanto aos hotéis, há algumas opções, todas caríssimas. Optamos pelo Las Torres, que fica perto da entrada leste, mas há também o Tierra Patagonia e o explora. Não sei se foi a melhor opção, mas eu gostei do hotel. Confortável e com bons guias. Além disso, é uma boa opção para quem quer fazer o trekking até a base das Torres del Paine em si, pois fica bem na saída da caminhada, próximo à entrada da Laguna Amarga (onde muita gente começa o “Circuito W”).

Hotel Las Torres

Hotel Las Torres

Há duas opções de pacote no Las Torres, e acredito que os outros hotéis trabalhem de forma parecida: só a hospedagem, e um esquema all inclusive. No nosso caso, ele incluía duas refeições (café da manhã e jantar), bebidas e comidinhas no bar da recepção, e qualquer passeio que quiséssemos fazer no período da hospedagem. O pacote all inclusive é bem caro, mas, para dois dias, não causou um rombo no orçamento. É preciso lembrar também que não dá simplesmente para sair do hotel e procurar um outro lugar para comer: Puerto Natales fica a uma hora de distância, e os hotéis da área do parque não costumam ser próximos um do outro, com deslocamento entre eles limitado.

Paisagem no caminho de Punta Arenas até o parque

Paisagem no caminho de Punta Arenas até o parque

O pacote também incluiu o deslocamento de Punta Arenas até lá: nos pegaram no nosso hotel de manhã, paramos numa estância no meio do caminho para almoçar, e chegamos lá no meio da tarde. Também incluía o deslocamento até El Calafate, mas eu não sabia, e acabei comprando a passagem de ônibus de Puerto Natales, dormindo uma noite lá (pelo menos valeu à pena para conhecer o Afrigonia). Assim, embora caros, os all inclusive têm várias facilidades para quem está por lá, considerando-se que é uma área bem remota com deslocamento difícil.

Quanto ao deslocamento no parque, lembrei de um casal de amigos, que ficou hospedado em Puerto Natales e alugou um carro. É uma opção, claro, que dá liberdade de deslocamento. Mas devo dizer que nem todas as áreas do parque são permitidas para acesso por carro. Nos trechos de trekking, por exemplo, só é possível caminhar mesmo; em alguns poucos é possível fazer o deslocamento a cavalo. Por isso, mesmo com carro próprio, às vezes será necessário fazer algumas trilhas.

Glaciar Grey (imagem obtida em http://www.panoramio.com/photo/10600373)

Glaciar Grey (imagem obtida em http://www.panoramio.com/photo/10600373)

A propósito, um dos passeios incluídos no nosso pacote all inclusive era um que dava um panorama geral do parque, chamado Full Paine. Pelo que eu entendi, nesse passeio, a maior parte dos deslocamentos é feita em ônibus ou van, com algumas caminhadas, pelas quais se chega aos principais mirantes do parque. Ao final, vai-se até o Lago Grey, onde há uma navegação interessante até o Glaciar Grey (glaciares são aqueles paredões de gelo, comuns na região). A navegação é feita por uma empresa particular diferente, mas o pacote all inclusive inclui o bilhete para o barco também. Infelizmente me atrapalhei nas reservas e não deu para fazer esse passeio, assim não conheci o Glaciar Grey. Como visitamos o Perito Moreno depois em El Calafate, não fiquei tão chateado, mas esses glaciares são sempre uma paisagem impressionante de se ver ao vivo, vale à pena. Esse passeio panorâmico de um dia também é oferecido pelas agências de Puerto Natales; a diferença, creio eu, é apenas o deslocamento da cidade até o parque.

Começando a caminhada rumo às Torres

Começando a caminhada rumo às Torres

No lugar do Full Paine, fizemos o trekking até a base das Torres em si, que são três formações de pedra muito bonitas e que dão nome ao parque. No hotel Las Torres é possível fazer parte do percurso a cavalo, mas não sei dizer se há um custo extra. Esta caminhada equivale ao primeiro trecho do “Circuito W” de que eu falei acima, e toma o dia quase todo — saímos no meio da manhã, retornamons no final da tarde. Eu achei cansativo, mas as paisagens são lindas. Além do mais, nosso grupo era quase todo composto de pessoas mais velhas, ou seja, não é nada impossível para quem faz um mínimo de atividade física no dia-a-dia.

Trekking rumo às Torres

Trekking rumo às Torres

Cruzando o Rio Ascensio

Cruzando o Rio Ascensio

O trekking é composto de três trechos: o primeiro, com alguma subida, chega até um dos refugios que eu mencionei, onde o pessoal que está fazendo o circuito fica (há quartos coletivos e área para camping, mas com lotação bem restrita, reservas são imprescindíveis); ali fizemos uma pequena pausa. Depois há um trecho muito bonito que cruza o Rio Ascensio e passa por bosques de lenga, uma árvore típica da região — é o percurso mais agradável. A parte final é que é dureza. É uma subida bastante íngreme, com trechos onde há pedras soltas que resvalam, e o vento às vezes é tão forte que eu tinha a impressão de que seria levado por ele. Nosso guia era bastante cauteloso, até porque nosso grupo incluía pessoas mais velhas, assim fomos devagar nesta parte. Ao final, chega-se a um pequeno lago, bem na base das Torres; a paisagem é linda, compensou todo o esforço.

Parte da trilha que passa por bosques de lenga

Parte da trilha nos bosques de lenga

O último trecho do trekking pelas pedras é difícil, mas a vista das Torres compensa

O último trecho do trekking pelas pedras é difícil, mas a vista das Torres se aproximando compensa

Devo dizer, porém, que o clima na região é bastante instável: um amigo me contou que quando chegou lá em cima, as Torres estavam encobertas por nuvens. Nós até pegamos um pouco de chuva no caminho, mas conseguimos ver as Torres. Por isso, faça o trekking se você gosta da caminhada em si; o caminho também é bonito e tem paisagens interessantes. Se você conseguir ver as Torres, ótimo, mas será apenas a recompensa final. O pacote all inclusive incluía um lanche, que nos deram já no começo do passeio e nós mesmos carregamos, e consistia de um sanduíche, um suco, um pacote de castanhas, uma fruta — ou seja, nada demais. A “refeição” é feita sentada nas pedras às margens do lago na base das Torres, com uma vista linda, mas também com muito vento. Depois disso, voltamos para o hotel, com uma pequena pausa novamente na hospedaria.

Salto Grande, ligando os lagos Pehoé e Nordenskjöld

Salto Grande, ligando os lagos Pehoé e Nordenskjöld

No dia seguinte, só dispúnhamos de metade do dia, o que não permitia fazer o passeio Full Paine. O hotel, porém, dispõe de excursões de meio dia, que podem ser adequadas também se você não quer ficar andando muito tempo e quer aproveitar um pouco do hotel. Optamos pelo passeio que visita o Salto Grante, uma cachoeira que une os lagos Nordenskjöld e Pehoé. Depois, há um trekking de uns quarenta minutos, em um campo mais aberto, até as margens do Lago Nordeskjöld. É uma caminhada tranquila e com paisagens de cair o queixo. O guia ia explicando um pouco da vegetação e da fauna local, mostrando o que íamos vendo no caminho. No final do passeio, chega-se a um mirante às margens do lago de onde se podem ver Los Cuernos, outra das formações rochosas famosas do parque, que fica do outro lado do lago Nordenskjöld. Infelizmente este dia estava bem nublado e só conseguimos ver parte dos Cuernos; mas, no geral, achei o passeio bem bacana.

Trecho da trilha que leva até o mirante para Los Cuernos

Trecho da trilha que leva até o mirante para Los Cuernos

Mirante para Los Cuernos: apesar de encobertos, a paisagem compensa

Mirante para Los Cuernos: apesar de encobertos, a paisagem compensa

Entre os passeios de um dia, há um trekking que percorre a outra margem do Nordenskjöld, na base dos Cuernos (e que é um dos trechos do “Circuito W”). Acredito, porém, que a melhor forma de vê-los como um todo é do outro lado do lago mesmo, como fizemos. Só torça para o dia estar menos nublado.

Vicunhas pastam tranquilamente na região

Vicunhas pastam tranquilamente na região

Todos os passeios são reservados no próprio hotel, não reservamos nada do Brasil. Eles têm número máximo de participantes e alguns são mais disputados — acho que é o caso do Full Paine (ainda assim, teríamos conseguido reservar se eu não tivesse feito confusão com as datas). Em todo caso, se houver algum passeio que você quer muito fazer, vale à pena perguntar a respeito com a pessoa que fizer o contato quando você reservar o hotel. Se não for o caso, funciona assim: no final da tarde, eles abrem um espaço na recepção, onde ficam guias e consultores que explicam o que você vai ver em cada passeio, qual o nível de dificuldade dos trekkings, etc. Embora eu já tivesse pesquisado a respeito, este contato in loco é bacana para você ter mais esclarecimentos sobre cada um dos passeios. Pergunte na recepção, assim que você chegar, qual o horário certinho em que eles começam a fazer as reservas; assim você se programa para chegar logo que abrir e não correr o risco de encontrar algum passeio esgotado.

Paisagem digna de calendário!

Paisagem digna de calendário!

Ao final do passeio de meio dia, retornamos ao hotel (já havíamos feito o check out depois do café), e logo uma van nos levou até nosso hotel em Puerto Natales. Como expliquei acima, eles podem te deixar em outros lugares, como Punta Arenas e El Calafate; convém perguntar se você tiver algum destino específico para depois de sua estadia. Conhecer o Parque Torres del Paine foi uma experiência incrível, da qual me lembrarei para o resto da vida. Apesar do preço caro da hospedagem, me arrependi de não ter programado um dia a mais no parque, há muito para se ver. Para quem gosta de caminhadas em contato com a natureza, é imperdível: as paisagens da Patagônia e as montanhas do parque são lindas, e vão te fazer lembrar daquelas fotos de calendário que a gente via quando criança. A diferença é que ao vivo é muito mais impactante.

Hoi An

Lanternas enfeitam as ruas de Hoi An

Lanternas enfeitam as ruas de Hoi An

Como afirmei no texto que escrevi sobre Hue, Hoi An foi outra das boas surpresas que o Vietnã me revelou, após uma pesquisa de viagem, antes de fechar o roteiro. Não que Hoi An seja um segredo bem escondido: há vários textos a respeito desta cidade na internet, inclusive em português. Ainda assim, como tenho procurado publicar sobre os lugares que visitei no Sudeste Asiático, acho que vale à pena escrever sobre lá. E tenho que admitir que nunca havia ouvido falar de Hoi An antes da pesquisa para a viagem, e acho que muita gente também nunca leu nada a respeito de lá.

Restaurante em Hoi An

Restaurante em Hoi An

Hoi An não é exatamente um destino cheio de atrações. Até tem algumas, e eu vou procurar listá-las neste texto (pelo menos as que eu visitei). O legal é experimentar a atmosfera da cidade, seu ar de cidade asiática antiga, sentar num café/bar/restaurante e ver o movimento. Ainda que hoje em dia muito dessa atmosfera seja para “vender turismo”, achei a experiência muito bacana. E penso que, se você está planejando uma viagem ao Vietnã, deveria experimentar também.

O rio Thu Bon, onde ficava o porto de Hoi An

O rio Thu Bon, onde ficava o porto de Hoi An

A cidade já foi um importante porto vietnamita, até o século XIX, quando o rio Thu Bon, junto ao qual a cidade está, assoreou-se, de modo que os navios já não conseguiam ali aportar. De todo modo, os séculos em que a cidade funcionou como porto deram um aspecto distinto à cidade, refletido principalmente em construções erguidas por mercadores chineses e japoneses que ali chegavam — embora mesmo povos europeus, como os portugueses e os holandeses, tenham usado este porto. Em 1999, o centro antigo da cidade foi inscrito pela UNESCO como Patrimônio Mundial, o que ajudou em sua preservação e promoveu um boom turístico.

Cena de rua em Hoi An

Cena de rua em Hoi An

Para chegar a Hoi An, é necessário usar a vizinha cidade de Danang. Nós chegamos de trem a partir de Hue, uma viagem de cerca de três horas. Quando estava pesquisando, li que este trecho (Hue — Danang) era um dos mais bonitos da ferrovia que cruza o país de norte a sul, e que portanto era uma viagem interessante. De fato, o trem passa em alguns trechos entre a montanha e o mar, mas demos o azar de sentar do lado errado do trem — para quem vai de Hue para Danang, o mar fica à esquerda, e nós estávamos do lado direito (se você estiver fazendo o sentido contrário, é só inverter). Além disso, o tempo estava péssimo, não dava para ver muita coisa — tanto que não tenho foto alguma para postar aqui desta viagem. Mas isso nem foi o pior. O trem não é exatamente confortável e não tem muitos lugares para colocar a bagagem. Como estava bem cheio, foi difícil acomodá-las. Coincidentemente, conhecemos um simpático casal de São Paulo que sentou conosco e, como já estavam no final da viagem pela Ásia, traziam umas bagagens bem grandes. Foi um sufoco. Pelo menos a companhia e a conversa nos entreteu até Danang. Já havíamos combinado com nosso hotel em Hoi An para nos pegar na estação de trem de Danang (que fica mais ou menos uma meia hora de carro de Hoi An). Pelo que eu pude apurar, saiu mais barato que um táxi.

O apertado trem entre Hue e Danang

O apertado trem entre Hue e Danang

Se você estiver em Hue, como nós, é possível também contratar um transfer até Hoi An, basta perguntar no hotel. De acordo com o Lonely Planet, a viagem de carro deve custar em torno de US$ 70,00. É bem mais caro que o trem; por outro lado, você vai com mais conforto e pode combinar algumas paradas para ver a paisagem que a gente deveria ter visto do trem — acredito que a rodovia e a ferrovia devam percorrer um caminho semelhante.

Na saída, pegamos um avião de Danang até Ho Chi Minh City, nossa última parada no giro pela Ásia, uma viagem que dura em torno de uma hora. Se você não tiver incluído Hue no seu roteiro pelo Vietnã e estiver em Hanói ou HCMC, acho que o deslocamento de avião até Danang é a forma mais rápida de chegar a Hoi An.

Rua com lanternas em Hoi An

Rua com lanternas em Hoi An

Como disse acima, a cidade não é cheia de atrações, mas é possível passar alguns dias por lá, descansando e curtindo a vibe do local. Nós ficamos dois dias, o que foi adequado dentro do nosso roteiro pelo sudeste asiático, mas teria passado mais um par de dias lá tranquilamente. Se você tiver só um dia, acho que não vale à pena o desgaste do deslocamento até ali — é bom lembrar que ele é feito normalmente via Danang, de onde ainda é necessário pegar um transporte até Hoi An.

Ponte Japonesa

Ponte Japonesa

A maior parte das atrações tem relação com o passado mercantil da cidade, de contato com outros povos. Assim, o primeiro “cartão postal” de Hoi An é a chamada Ponte Japonesa. Ela ganhou esse nome porque foi construída pelos japoneses para conectá-los ao lado chinês da cidade, atravessando um pequeno canal que corta o centro antigo de Hoi An. Os franceses, dentre outras barbaridades que fizeram durante o período em que dominaram a região, nivelaram a ponte para a passagem de carros. A ponte ganhou o formato de arco novamente em 1986. Atualmente, apenas pedestres e as onipresentes motocicletas passam por ali. Aliás, devo dizer que o trânsito na parte antiga de Hoi An, em comparação com as outras cidades que visitei no Vietnã, é bastante civilizado e tranquilo. As principais ruas da área, aliás, são apenas para pedestres, embora seja sempre necessário prestar atenção nas motos.

Acesso à Ponte Japonesa

Acesso à Ponte Japonesa

A ponte é coberta e tem um par de estátuas de macacos de um lado e um de cães do outro, animais presentes no horóscopo chinês. Não é necessário pagar para visitá-la; a grande dificuldade mesmo é conseguir evitar as hordas de turistas para conseguir uma boa foto. Já para as outras atrações de Hoi An que eu vou listar a seguir, é necessário comprar um ticket que dá acesso a várias atrações da cidade antiga. Não me lembro do preço mais, só me recordo que cada ticket dá acesso a cinco atrações e vale por três dias. O número de atrações da cidade antiga é bem maior, mas creio dificilmente você vai querer visitar mais que cinco, pois elas são muito parecidas. Em todo caso, basta comprar outro ticket. Eles estão a venda na entrada da maioria dessas atrações, e vêm com partes destacáveis que eles recolhem a cada atração que você visita.

Escultura de dragão na Congregação Cantonesa

Escultura de dragão na Congregação Cantonesa

Algumas das atrações mais visitadas em Hoi An são lugares construídos por comunidades chinesas. Hoi An servia de porto para mercadores vindos de diferentes lugares da China, e cada uma dessas comunidades, identificadas de acordo com as províncias de origem, tinha suas próprias tradições. Assim, elas construíram locais chamados em inglês de assembly hall (hoi quan em vietnamita) e que eu vou chamar aqui de congregações. Eram lugares para reuniões, encontros e comemorações dessas comunidades, embora todas pareçam templos para nossos olhos ocidentais. É que há sempre altares para as divindades que protegiam a comunidade e as viagens de navio que seus membros faziam, além dos onipresentes incensos.

Estátuas de cavalos no interior da Congregação Cantonesa

Estátuas de cavalos no interior da Congregação Cantonesa

A mais central e próxima da Ponte Japonesa é a Congregação Cantonesa. Chamam a atenção aqui as duas estátuas de dragão, uma na entrada e outra no lindo jardim do fundo, onde há também um mural em alto-relevo e uma ponte curva em estilo oriental. O interior do templo é adornado com muitas espirais de incenso e duas meigas estátuas de cavalos.

Entrada da Congregação de Fujian

Entrada da Congregação de Fujian

A mais interessante, porém (na minha opinião) é a Congregação de Fujian, dedicada à divindade Thien Hau, protetora dos marinheiros e pescadores. A entrada é um lindo portão de cor rosa; dentro, além de imagens das seis famílias da província de Fujian que emigraram para Hoi An, há várias representações da própria Thien Hau. As figuras vermelha e verde com feições demoníacas, que ladeiam um dos ambientes da congregação, são ajudantes da divindade que a avisam quando há embarcações em perigo.

Altar dedicado a Thien Hau na Congregação de Fujian

Altar dedicado a Thien Hau na Congregação de Fujian

Há outras congregações, como a de Chaozhou e de Hainan. Além das duas mencionadas, visitamos apenas a Congregação dedicada a todas as comunidades chinesas. Com uma entrada mais simples, na cor azul, não tem muitos atrativos, mas a visita é gratuita (ou seja, não precisa apresentar aquele ticket com partes destacáveis para entrar).

Congregação dedicada a todas as comunidades chinesas

Congregação dedicada a todas as comunidades chinesas

Outras atrações comuns em Hoi An, incluídas no ticket, são antigas casas de família que, hoje em dia, são abertas à visitação. O objetivo é passar uma ideia de como era a vida de importantes famílias da cidade antigamente; entretanto, como as famílias já não vivem ali, a experiência é semelhante a visitar um mini-museu. No geral, alguém vem coletar seu ticket e faz uma explicação meio robotizada sobre a casa e a família que ali vivia, num inglês que eu achei por vezes difícil de entender. Muitas vezes oferecem também algum souvenir, embora eu não tenha ficado com a impressão de que eles insistem muito para que você o compre. Creio que vale à pena visitar uma ou duas dessas casas, para se ter uma ideia de como são; mais que isso a experiência pode ficar repetitiva.

Casa da Família Tan Ky. Repare nos detalhes em madrepérola encrustados nas colunas

Casa da Família Tan Ky. Repare nos detalhes em madrepérola encrustados nas colunas

A primeira que visitamos foi a Tan Ky, na rua Nguyen Thai Hoc. O que mais me chamou a atenção foi o interior de madeira e algumas colunas com caracteres chineses de madrepérola incrustados. Como o fundo do casa dá para a rua que margeia o rio, a casa é frequentemente inundada nas enchentes do Thu Bon. Numa parede, eles marcam até onde foi a altura da água, e é impressionante ver como ela chega, às vezes, quase a cobrir o primeiro pavimento. Nas cheias, eles têm que movimentar todos os móveis para o segundo pavimento, para que eles não sejam danificados. Pelo que eu percebi das marcas, as enchentes costumam acontecer em novembro, às vezes outubro. Ou seja, melhor evitar conhecer Hoi An nessa época.

Marcas que mostram até onde foram as enchentes na Casa Tan Ky

Marcas que mostram até onde foram as enchentes na Casa Tan Ky

Também visitamos a Capela da Família Tran. Além de um jardim bonito (onde, dizem, enterravam as placentas dos bebês da família) e de um bonito altar em laca vermelha, não me chamou muito a atenção.

Jardim da capela da família Tran

Jardim da capela da família Tran

Altar em laca vermelha na capela da família Tran

Altar em laca vermelha na capela da família Tran

É possível visitar todas essas atrações que eu mencionei num único dia, pois são todas próximas umas das outras e a visita não vai te tomar mais que meia hora. Assim, no segundo dia, pegamos emprestadas bicicletas em nosso hotel e fomos dar uma volta pela região. Ficamos no Long Life Riverside Hotel, localizado na península de An Hoi, mas distante a uma rápida caminhada do centrinho histórico. No geral gostei do local: não sei se todos os quartos são assim, mas o nosso era exageradamente grande, por uma diária que saiu, à época, por pouco mais de R$ 170,00, quarto duplo (reservei pelo Hoteis.com). O café da manhã era bom, a decoração meio exagerada, mas no estilo de Hoi An, o transfer da estação de trem funcionou direitinho e tinham esse serviço de empréstimo de bicicleta, sem custos (embora acredite que outros hotéis também ofereçam bicicletas, pois vi vários turistas pedalando pela cidade).

Mercado de Hoi An

Mercado de Hoi An

Na realidade, para circular pelo centrinho, a bicicleta é desnecessária, nada fica a uma distância excessiva à pé. Com a bicicleta, atravessamos a ponte e fomos conhecer a ilha de Cam Nam, ainda no rio Thu Bon. Nas proximidades da ponte, há uma aglomeração urbana. Alguns hotéis e pousadas que eu pesquisei ficam nessa região; se não for muito longe da ponte, acho que pode ser uma boa opção de hospedagem. De todo modo, o resto da ilha é uma paisagem rural sem maiores destaques, mas serve para ter contato com uma paisagem mais bucólica. Do lado da cidade, também nas proximidades da ponte Cam Nam, há um mercado de comida bem típico, legal para ver frutas e vegetais do Vietnã.

Estava nublado, mas a praia é bonita, vai...

Estava nublado, mas a praia é bonita, vai…

Também com a bicicleta, fomos conhecer uma das praias que ficam nas proximidades da cidade. Na verdade, há uns resorts em Danang que ficam diretamente na praia, mas acho que ficando num deles perde-se completamente o charme de Hoi An. E é perfeitamente possível visitar uma das praias de bicicleta — do centro de Hoi An até a praia mais próxima, gastamos uns 20 minutos pedalando. A paisagem até lá também é bastante bucólica, com alguns canais e os onipresentes campos de arroz do Vietnã. A praia pareceu-me bonita; o problema é que o tempo estava péssimo, fechado, de modo que não chegamos a ficar propriamente na praia: tiramos umas fotos e voltamos. Em todo caso, acho que vale à pena o passeio, e se o tempo estiver bom quando você for, vale à pena experimentar uma praia vietnamita (e contar aqui como foi a experiência).

A parada para o chá na volta da praia tinha essa linda vista...

A parada para o chá na volta da praia tinha essa linda vista…

Para chegar até a praia, é só pegar a rua Tran Hung Dao, no centro de Hoi An, e seguir rumo ao leste, sempre na mesma via. Na volta, paramos numa birosquinha na beira de um canal e tomamos um chá apreciando a vista do rio e da linda vegetação do local.

Lanternas iluminam as ruas de Hoi An à noite

Lanternas iluminam as ruas de Hoi An à noite

À noite, vale à pena dar uma volta no centro histórico para ver as famosas lanternas de Hoi An, que decoram as ruelas principais, acesas. Aliás, várias barraquinhas na área vendem lanternas de diferentes cores e tamanhos. As lanternas, uma vez fechadas e embaladas, não ocupam muito espaço na mala, e podem ser uma lembrança bacana para dar um toque de Indochina à sua próxima festa. Além disso, nos arredores da ponte que liga o centro à península de An Hoi (onde ficava meu hotel), garotos vendem velas para serem acesas e colocadas no rio. Faça um pedido e observe sua vela ir se afastando aos poucos no meio das outras, formando um lindo espetáculo de luzes.

Lojinha vendendo lanternas em Hoi An

Lojinha vendendo lanternas em Hoi An

Vendedor de velas para colocar no rio

Vendedor de velas para colocar no rio

As duas principais ruas do centro histórico são a Tran Phu (que termina/começa na Ponte Japonesa) e a Nguyen Thai Hoc. Tem ainda a Bach Dang, que é a que margeia o rio, mas com menos atrativos para o turista. Boa parte das atrações que eu mencionei aqui, as lojinhas e vários restaurantes ficam nessas ruas e nas perpendiculares que as unem, de modo que é nesta região que você vai encontrar o buxixo de Hoi An. Também é o local para ver as lanternas coloridas acesas à noite.

Interior do restaurante Mango Mango

Interior do restaurante Mango Mango

Tenho duas recomendações de restaurantes. Nas proximidades do nosso hotel, na península de An Hoi, mas bem próximo à ponte, fica o lindo Mango Mango. Devo dizer que foi uma das refeições mais caras do Vietnã (custou uns 70 dólares por pessoa), mas tratava-se de um menu que incluía duas entradas, prato principal, sobremesa, e ainda um drink à escolha. Ou seja, no final nem ficou tão caro assim. E é, de fato, um dos restaurantes mais bem cotados de Hoi An. Na minha opinião, valeu muito a experiência.

Dumplings de entradinha no Morning Glory

Dumplings de entradinha no Morning Glory

O outro fica no centrinho histórico e é bastante procurado por turistas, o Morning Glory. Estava indicado no nosso guia, e o casal paulista que havíamos conhecido no trem nos recomendou vivamente. Apesar de não ser tão estiloso como o Mango Mango, fica numa casa antiga de Hoi An, ou seja, é bastante pitoresco. E a comida estava muito boa, não decepcionou. Embora estivesse bem cheio, conseguimos sentar sem reserva, mas talvez seja recomendável fazer uma, principalmente se o número de pessoas for maior.

Vista do terraço do Cargo Club

Vista do terraço do Cargo Club

Além dos dois restaurantes, fomos ao Cargo Club, que lembra mais um café, mas onde é possível comer também. Talvez tenha me deixando a lembrança de um café por causa da seção de doces e tortas, que não faria vergonha alguma numa pâtisserie francesa (aliás, essa é uma herança do período colonial que os vietnamitas souberam aproveitar). Também é bastante concorrido e tem uma vibe meio de “gringolândia”, mas as vistas do terraço superior para o rio são matadoras.

Interior do Q Bar

Interior do Q Bar

À noite, também fomos conhecer o Q Bar, na Nguyen Thai Hoc. A iluminação moderninha e a música meio eletrônica lembram pouco o resto de Hoi An, mas achei bem bacana o lugar, sem contar que serve para descansar um pouco do estilo vietnamita-colonial. Os drinks não são baratos mas são bem feitos, a frequência é interessante, e a simpática proprietária (australiana ou neozelandesa, não me lembro bem), veio conversar conosco. Considerando-se a falta de opções noturnas na cidade (as ruas ficam vazias bem cedo), fomos lá nas duas noites que passamos na cidade, só para bebericar algo e relaxar antes de dormir.

Em resumo, achei a experiência de Hoi An imperdível para quem vai ao Vietnã. Embora não seja uma cidade cheia de atrações turísticas, o ambiente de “cidade asiática antiga” é muito interessante, e a presença de turistas de vários lugares do mundo faz com que as opções para comer sejam acima da média, considerando-se o tamanho da cidade. Se você está planejando uma viagem ao Vietnã, considere incluir Hoi An no roteiro.