Tóquio — 12 motivos para visitar (parte 2)

Este texto é uma continuação deste aqui.

7. Observar o estilo local na Takeshita-dori e na Omotesando

Uma das entradas da Takeshita-dori

Uma das entradas da Takeshita-dori

Na região de Harajuku, próximas uma da outra, as ruas Takeshita-dori e Omotesando não poderiam ser mais diferentes entre si. Mas ambas dão um bom programa para quem gosta de ver gente. A Takeshita-dori é mais adolescente e representa o estereótipo da cultura pop japonesa para a maioria de nós. Pense em lojas vendendo roupas que parecem saídas de um desenho animado ou de uma história em quadrinhos. Perucas e acessórios no mesmo padrão. Lojas de departamento de 100 ienes, mais ou menos o que as lojas de R$ 1,99 representavam no Brasil um tempo atrás (ótimas para lembrancinhas) — a Daiso de lá é uma das maiores de Tóquio.

Loja na Takeshita-dori

Loja na Takeshita-dori

A Takeshita-dori é também um dos lugares para ver os famosos cosplays, pessoas vestidas como personagens — embora devo dizer que, no sábado de manhã, quando fui, não havia tantos assim. Algumas pessoas estão vestidas desse jeito por causa do trabalho, e não gostam de ser fotografadas. Pergunte sempre antes.

Oi, posso tirar uma foto sua?

Oi, posso tirar uma foto sua?

As patricinhas de Omotesando

As patricinhas de Omotesando

Já a Omotesando é o coração da moda chique de Tóquio. Toda a devoção que os japoneses nutrem por butiques, e que a gente costuma observar nos turistas em cidades americanas e europeias, está ali. Claro que a maioria de nós não vai comprar nada. Ainda assim, é um ótimo lugar para ver um pouco do estilo do japonês “comum”, fora do jeito “espalhafatoso Takeshita-dori”. Ali me dei conta de como os japoneses, mesmo os homens, preocupam-se em vestir bem, com estilo, e olha, fiquei mais boquiaberto com o que vi do que em Paris ou Londres.

Confortável, sim, brega jamais. Estilo Omotesando

Confortável, sim, brega jamais. Estilo Omotesando

Sem contar que a Omotesando tem prédios assinados por alguns dos melhores arquitetos da atualidade. Ou seja, mesmo sem comprar nada, você vai ter um “banho de informação”, um verdadeiro passeio cultural. Quase como visitar um museu, mas com muito consumismo no meio.

Loja Louis Vuitton na Omotesando

Loja Louis Vuitton na Omotesando

8. Ver uma luta de sumô no Ryogoku Kokugikan

Lutadores de sumô chegam à arena

Lutadores de sumô chegam à arena Ryogoku Kokugikan

Devo dizer que as competições oficiais de sumô no Japão acontecem em datas específicas. E, ao longo do ano, elas vão viajando o país, ou seja, não ficam sempre em Tóquio. Se você, como eu, der a sorte de pegar um período de competições por lá, não deixe de ir. Em 2016, elas aconteceram no começo de maio, e alguns dias coincidiram com minha passagem por Tóquio. Não sei se é sempre nessa mesma época, mas você pode conferir o calendário oficial (e comprar ingressos) aqui.

Painel no Ryogoku Kokugikan

Painel no Ryogoku Kokugikan

Assim como o kabuki, a competição de sumô prolonga-se por horas. Praticamente o dia inteiro. Um ingresso dá direito a ver o dia inteiro de competições, com direito a uma saída e reentrada. Ou seja, você não precisa ficar lá o dia inteiro. Até porque, depois de um tempo, enjoa, a não ser que você seja fanático pelo sumô, como muitos japoneses são. Mas, assim como o kabuki, é uma experiência cultural tipicamente japonesa. E a arena Ryogoku Kokugikan, em Tóquio, é um verdadeiro templo construído para o sumô.

Arena mais vazia no começo do dia

Arena mais vazia no começo do dia

No começo do dia, normalmente, ficam os competidores iniciantes, categorias inferiores. A arena, nesse horário, fica vazia. Achei legal ter chegado nessa hora para tirar umas fotos e fazer uns vídeos, pois com pouca gente a disputa pelo melhor ângulo praticamente não existe, e você pode fazer várias fotos sem atrapalhar ninguém. Depois aproveitamos nosso direito a uma saída para conhecer outro lugar — a Skytree fica próxima, mas nesse dia estava muito nublado e não quisemos arriscar a subir e não ver nada. Voltamos no meio da tarde, quando os melhores lutadores estão competindo. É legal ver a apresentação dos lutadores antes das disputas em si, quando cada um vem vestido com o uniforme da sua região ou escola.

Arena cheia no final do dia, na apresentação dos lutadores

Arena cheia no final do dia, na apresentação dos lutadores

Não pense que eu exagerei ao dizer que o Ryogoku Kokugikan é um templo para o sumô. A origem do esporte tem a ver, de fato, com rituais religiosos japoneses. Por isso, há toda uma ritualística antes da luta em si: os lutadores se encaram, jogam sal na arena, molham-se com água, alongam-se… Depois, a luta dura poucos segundos; pisque e você perderá. Basta que algum dos competidores toque o chão ou saia da arena para que a luta se encerre. Por isso depois de ver algumas você provavelmente estará satisfeito. Mesmo assim, achei muito bacana.

9. Passear pelos jardins do Palácio Imperial

Jardins do Palácio Imperial

Jardins do Palácio Imperial

O Palácio Imperial de Tóquio tem suas origens no castelo do xogunato Tokugawa, que dali governava de facto o país (a capital continuava em Kyoto, onde o imperador sem muitos poderes vivia). Com a restauração Meiji e a transferência da capital para Tóquio (que até então se chamava Edo), o local foi aproveitado para a construção de um novo palácio, terminado em 1888. Esse palácio foi destruído durante os bombardeios da Segunda Guerra, e um novo foi terminado em 1968.

Gramado nos jardins do Palácio Imperial

Gramado nos jardins do Palácio Imperial

De todo modo, pouco importa. Sendo a residência do imperador e de sua família, você não pode entrar lá. Quer dizer, há um passeio guiado, que dura pouco mais de 1 hora, durante o qual é possível visitar um parte bem limitada do palácio. As visitas são em japonês (há um áudio em inglês) e devem ser agendadas no site — devo dizer, com bastante antecedência. Quando entrei, umas semanas antes da viagem, já não havia vagas para o mês de maio inteiro.

O portão Ote-mon e o fosso que circunda a área

O portão Ote-mon e o fosso que circunda a área

Mas isso também não importa muito. Como não fiz a tal visita, não sei dizer se é imperdível. Mas os jardins conhecidos como Imperial Palace East Gardens, abertos ao público, são um passeio muito agradável, principalmente na primavera, quando várias flores aparecem, ou no outono, quando as folhas das árvores ficam coloridas antes de cair. Além disso, nos meses mais quentes, os gramados do jardim ficam cheios de gente conversando, fazendo um piquenique ou praticando esportes. É uma boa pausa num dia cheio de bate-perna.

Antiga casa de guarda dentro dos jardins

Antiga casa de guarda dentro dos jardins

Embora seja uma área vizinha ao palácio em si, é possível ver resquícios do antigo castelo-fortaleza, como o fosso com água que circunda o jardim e as torres que servem como portões. O principal é o Ote-mon, mais próximo à Tokyo Station. Logo depois, há uma pequena galeria, chamada Museu de Coleções Imperiais (entrada gratuita). Também é possível avistar-se nos East Gardens uma casa de guarda, um local para concertos e os restos da Tenshudai, a principal torre do local.

Embora o acesso seja gratuito, você recebe uma ficha na entrada que tem que ser devolvida na saída. Isso porque o número de visitantes no local é limitado. Os jardins ficam fechados às segundas e às sextas.

10. Beber em um dos microbares do Golden Gai, em Shinjuku

Shinjuku à noite

A área de Kabukicho, em Shinjuku, à noite

Devo dizer que minha passagem por Shinjuku limitou-se a uma visita noturna, para jantar e beber. Uma pena, pois queria ter visto os arranhacéus modernos da região (leia mais a respeito no próximo item). Uma boa desculpa para voltar a Tóquio no futuro. Ainda assim, valeu à pena: foi nosso primeiro contato com o sushi em terras japonesas, e incluiu uma visita à área conhecida como Golden Gai.

Entrada do Robot Restaurant

Entrada do Robot Restaurant

O Golden Gai fica situado na parte leste de Shinjuku, conhecida como Kabukicho. É a área de entretenimento noturno de Shinjuku. É uma região cheia de neon, onde, além de restaurantes e bares, você encontrará karaokês, cabarés e casas de banho suspeitíssimas, “love hotels” (tipo motel mesmo) e um bizarro show de robôs com garotas de biquíni (pois é, isso mesmo que você leu). Dizem que é uma região frequentada pela máfia japonesa (yakuza), mas não achei nem um pouco barra pesada — e é cheia de turistas também.

Ruela do Golden Gai

Ruela do Golden Gai

A área do Golden Gai, porém, parece quase um oásis nessa muvuca, já que não tem os neons ostensivos do resto de Kabukicho. De todo modo, é uma região de bares minúsculos, com meia dúzia de ruelas também suspeitíssimas. Mas vá sem medo, não há perigo algum. O grande desafio ali é escolher em qual bar beber, já que a área abriga mais de cem. Mas é que eles são realmente minúsculos, provavelmente do tamanho da sala de sua casa. Se você for num grupo de mais de 4 pessoas, pode até entrar num bar vazio, pois ele certamente ficará cheio só com seu grupo.

Alguns bares são temáticos, mas preferimos ir num recomendado pelo guia, o Albatroz. Como tem um segundo andar, cabe até mais gente lá, mas a sensação de aperto permanece. Nosso barman era muito engraçado e ria como o Bob Esponja. Praticamente não falava inglês, mas ainda assim bebemos saquê, uísque japonês e outros drinks. Ou seja, foi ótimo.

O apertado interior do Albatroz

O apertado interior do Albatroz

Assim como em outras áreas de bares do Japão, é comum no Golden Gai cobrar-se uma espécie de couvert (algo em torno de ¥ 500,00, por pessoa, varia de bar para bar). Isso normalmente dá direito a algum petisquinho, tipo amendoim. Diz o guia que o tratamento dado a estrangeiros em alguns bares pode ser meio frio — não vi nada disso, mas, como disse, só fui em um. Talvez seja porque se um grupo de estrangeiros lotar o bar, o barman vai ficar sem ter como conversar (esqueça a ideia de que se fala muito inglês no Japão). Por isso, se acontecer com você, relaxe, não é nada pessoal. Ou então, se o tratamento estiver muito ruim, saia e vá procurar outro bar entre as dezenas que ficam por ali.

11. Conhecer algumas das criações mais impactantes da arquitetura comtemporânea

Loja da Dior na Omotesando

Loja da Dior na Omotesando

O Japão é talvez o país, dentre os que já visitei, onde a tradição se apresenta de maneira mais forte. A gente vê o tempo inteiro manifestações culturais e hábitos que têm raízes em costumes bastante antigos. Por outro lado, todos temos aquela imagem de um Japão ultramoderno, pioneiro de tecnologias e cheio de arranhacéus com arquitetura arrojada. É que os dois lados sabem conviver bem, e isso torna o Japão um lugar ainda mais interessante de se visitar.

Prédios em Shinjuku (imagem obtida em http://commons.wikimedia.org)

Prédios em Shinjuku (imagem obtida em http://commons.wikimedia.org)

Tóquio, a capital, reúne alguns dos locais onde é possível observar um pouco dessa arquitetura contemporânea e de vanguarda. Seja em projetos de arquitetos locais, seja de arquitetos estrangeiros de renome, há sempre alguma coisa que chama a atenção e vale a visita.

Prédio do Governo Metropolitano em Shinjuku

Prédio do Governo Metropolitano em Shinjuku (imagem obtida em http://www.japan-guide.com/)

Shinjuku é um bom lugar para ter contato com essa “nova arquitetura”. O prédio do governo metropolitano de Tóquio chama bastante a atenção, parecendo uma catedral europeia com roupagem moderna. Dá para subir numa das torres e dizem que as vistas da cidade de lá são bacanas.

Loja da Prada na Omotesando (imagem obtida em http://www.architravel.com/)

Loja da Prada na Omotesando (imagem obtida em http://www.architravel.com/)

Outro lugar legal para ver a nova arquitetura é na rua Omotesando (ver item 7 acima), onde várias boutiques contrataram arquitetos de renome para fazer suas lojas. Destacam-se os prédios da Dior, Prada, Louis Vuitton e Tod’s.

Tokyo International Forum (imagem obtida em http://www.zstudioarchitects.com/)

Tokyo International Forum (imagem obtida em http://www.zstudioarchitects.com/)

A área central da cidade, perto da estação Tokyo, também tem exemplos de arquitetura contemporânea, sendo o mais famoso o Tokyo International Forum, projetado pelo arquiteto Rafael Viñoly, parecendo o casco de um grande barco virado.

Roppongi Hills à direita (imagem obtida em www.wikipedia.org)

Roppongi Hills à direita (imagem obtida em http://www.wikipedia.org)

Na região de Roppongi, chamam a atenção os projetos de intervenção urbana com grandes estruturas que pretendem centralizar moradia, trabalho e lazer no mesmo lugar. O pioneiro desses projetos é o Roppongi Hills, seguido pelo Tokyo Midtown e pelo Toranomon Hills. Se a pretensão dos criadores atingiu seu objeto é objeto de debate, claro, mas é fato que mudaram definitivamente a paisagem do entorno. No Roppongi Hills fica o bacana Mori Art Museum, sem acervo permanente, mas onde a arquitetura, por si só, já vale a visita.

Super Dry Hall, ou "Cocô Dourado"

Super Dry Hall, ou “Cocô Dourado”

Merece a menção ainda o Super Dry Hall, sede da cervejaria Asahi, com sua curiosa estrutura tentando imitar uma espuma de cerveja, mas que foi carinhosamente apelidada de “cocô dourado”.

12. Imergir nos neons e na cultura nerd japonesa em Akihabara

Akihabara

Akihabara

O bairro de Akihabara não tem grandes atrações turísticas em si, mas vale a visita para ver um pouco da cultura nerd e geek japonesa (que em japonês chama-se otaku), que a gente conhece também graças aos filmes e desenhos animados.

Seria a seita da boneca cadeirante em Akihabara?

Seria a seita da boneca cadeirante em Akihabara?

O coração do bairro é conhecido como Electric Town, porque antes de se tornar uma região otaku, ali eram vendidas peças eletrônicas a preços razoáveis, que os geeks compravam para montar seus equipamentos. Ainda é possível comprar nesta área cabos para computador e celular, cartões de memória, baterias e vários outros equipamentos similares. Se você esqueceu de levar alguma dessas coisas do Brasil, é um bom lugar para comprar, embora para padrões brasileiros o preço nem seja lá essas coisas.

Neons em Akihabara

Neons em Akihabara

Em Akihabara, chama a atenção também a quantidade de fachadas com anúncios em neon, uma paisagem urbana também bastante clichê para nós. Embora essa paisagem seja replicada em outras áreas e até em outras cidades, em Akihabara ela ganha um colorido especial, pois combina com os aparatos eletrônicos vendidos e usados em volta.

Jogatina em Akihabara

Jogatina em Akihabara

É possível, por exemplo, visitar prédios de fabricantes japoneses de jogos eletrônicos (como Sega e Nintendo), onde é possível matar a saudade e jogar antigos jogos de arcada, muitos dos quais fizeram sucesso no Brasil. A área também tem vários pachinko, claro, uma espécie de caça-níqueis japonês. Você pode visitar os prédios e só olhar, mas alguns andares e salas são só para rapazes. Embora seja pouco provável algum assédio em uma rápida passagem, acho que as meninas devem visitar os lugares acompanhadas. A propósito, fuma-se muito nesses lugares.

Loja da Sega em Akihabara. Repare na propaganda de um Maid Cafe na fachada

Loja da Sega em Akihabara. Repare na propaganda de um Maid Cafe na fachada

Akihabara também é um bom lugar para procurar por mangas (os quadrinhos japoneses) e animes (desenhos animados). Visitamos a Mandarake (3-11-2 Soto-Kanda, Chiyoda-ku), com vários andares, e achamos bem legal. Nem todos os atendentes falam inglês, mas são atenciosos e chamarão alguém que possa conversar com você e te ajudar se você estiver procurando algo específico. Devo dizer, porém, que a quantidade de mangas em inglês é limitada.

Loja Mandarake em Akihabara (imagem obtida em http://japantravel-bmj.com/)

Loja Mandarake em Akihabara (imagem obtida em http://japantravel-bmj.com/)

Sendo o coração nerd de Tokyo, é possível ver no bairro alguns cosplays, como os da Takeshita-dori, ou simplesmente gente vestida de forma engraçada. Akihabara também tem vários dos chamados Maid Cafes, onde as atendentes vestem-se como empregadas francesas e adulam os clientes! Coisa de nerd japonês. Não visitei nenhum, mas ouvi relatos de que a coisa é meio constrangedora, a não ser que você tenha algum fetiche específico nesse sentido. Meninas vestidas a caráter ficam fazendo propaganda nas esquinas, mas devo dizer que elas evitam abordar estrangeiros, talvez já sabendo que a gente acha aquilo meio estranho. Mas não são lugares “proibidos” para estrangeiros, se você tiver curiosidade pode entrar sem problemas.

Tóquio — 12 motivos para visitar (parte 1)

O famoso Shibuya Crossing

O famoso Shibuya Crossing

Tóquio, a capital do Japão, tem muito mais que 12 atrações, claro. Pode-se passar dias por lá sem esgotar mesmo os principais pontos turísticos. Procurei listar aqui o que mais me chamou a atenção, mas uma pesquisa mais extensa vai mostrar que há muito mais para ser visto.

1. Conhecer o  Senso-ji, o principal templo budista de Tóquio

Kaminari-mon, o portão principal do Senso-ji

Kaminari-mon, o portão principal do Senso-ji

É verdade que Kyoto (e a vizinha Nara) reúnem os templos mais emblemáticos do Japão. Mas isso não significa que Tóquio não tenha templos bacanas de se conhecer. E o Senso-ji é o templo mais antigo da cidade, existindo há mais de 1.000 anos. O legal é que a história de lá lembra um pouco o descobrimento da estátua de Nossa Senhora Aparecida, aqui no Brasil. Dois irmãos pescadores teriam encontrado, nas águas do rio Sumida-gawa (que corta a cidade) uma estátua de Kannon, divindade feminina budista que representa a suprema misericórdia. O templo foi erguido para abrigar essa estátua mas, na verdade, ninguém sabe se ela de fato existe, pois ela não é exibida ao público.

A muvuca da Nakamise-dori

A muvuca da Nakamise-dori

A aproximação do templo se dá pela muvucada Nakamise-dori, uma rua de pedestres, cheia de lojinhas vendendo desde lembrancinhas do templo e da cidade até comida típica. Ao final da rua, chega-se ao Kaminari-mon, o portão principal do templo, de cor vermelha. Você certamente já viu imagens dele e da gigantesca lanterna japonesa que fica bem no meio. Ladeando o portão ficam duas estátuas com rostos ferozes: são Fujin, o deus do vento, e Raijin, o deus do trovão.

A gigantesca lanterna central do Kaminari-mon

A gigantesca lanterna central do Kaminari-mon

Assim como em vários outros templos budistas, é possível ler a sorte no Senso-ji. Em uns recipientes metálicos, sorteie uma vareta; nela haverá um número (em japonês). Abra a gaveta correspondente àquele número e pegue um papel, onde estará escrita sua sorte (os textos são traduzidos para o inglês). Se ela não for boa (como no meu caso), amarre o papel em um dos varais que ficam nas proximidades. Não se esqueça de pagar ¥ 100,00 antes de iniciar todo o processo.

Pessoas buscando a fumaça dos incensos no Senso-ji

Pessoas buscando a fumaça dos incensos no Senso-ji

Na frente do templo principal está instalado um grande caldeirão de incensos. É comum ver as pessoas com as mãos em concha “jogando” a fumaça sobre si. Acredita-se que ela ajude a restaurar a saúde.

Laguinho com carpas no Senso-ji

Laguinho com carpas no Senso-ji

Além de lindos jardins japoneses com laguinhos e carpas e estátuas budistas, a área do templo abriga um pagode (aquelas torres típicas japonesas) com cinco andares e 55 m de altura. É o segundo mais alto do Japão.

O pagode de 5 andares no Senso-ji

O pagode de 5 andares no Senso-ji

2. Comer, comer, comer

Camarões no Mercado Tsukiji

Camarões no Mercado Tsukiji

A culinária japonesa é muito mais que shushi e sashimi — embora Tóquio, com o maior mercado de peixes e frutos do mar do mundo (o Tsukiji), seja um ótimo lugar para comer peixe cru super fresco. Como estávamos meio na correria no dia em que visitamos o Tsukiji, não deu para comer por ali, mas a região ao redor abriga vários pequenos restaurantes de sushi e sashimi. Nem precisa dizer que os peixes são super frescos, vindos direto do mercado para a mão do sushiman. Aproveite para arriscar um pouco; se no Brasil os restaurantes japoneses limitam-se ao salmão, atum, peixe branco, camarão e kani, a variedade de peixes servida no formato sushi/sashimi no Japão é enorme. Gostei muito do bonito (com uma coloração parecida com o atum) e da enguia (unagi), servida em geral grelhada ou frita.

Sushi de bonito

Sushi de bonito

Pelo menos conseguimos pedir o gyoza!

Pelo menos conseguimos pedir o gyoza!

Em todo caso, é preciso ir além. Diz-se que Tóquio é a cidade com mais restaurantes do mundo, e não é difícil concordar quando você estiver lá. Há restaurantes (muitos bem pequenos, é verdade) em praticamente todos os quarteirões. Em geral, eles são bem especializados, vendendo apenas um tipo de prato. Fomos em um perto do nosso hotel que praticamente só vendia gyoza, aquele pastelzinho que a gente encontra nos restaurantes aqui como entrada — as outras limitadas opções do cardápio a gente não entendeu, pois estavam em japonês. Aliás, se você não quiser passar perrengue, pergunte antes se tem menu em inglês. Se bem que hoje, com internet e “Google Translator”, até dá para se virar só com o japonês. Outra facilidade para a comunicação são aqueles modelos em plástico que muitos dos restaurantes exibem na vitrine. Basta você ver o que te apetece, apontar para o garçom e pronto. Só não pergunte o que é.

Tigela com udon e tempurá de camarão. Repare no colorido kamaboko

Tigela com udon e tempurá de camarão. Repare no colorido kamaboko

Um tipo de comida bastante comum são aquelas tigelas, com arroz ou macarrão e alguma carne por cima. No caso do macarrão, ele em geral vem num caldo, e pode ser udon (o nosso macarrão comum, comprido) ou sobá (feito com aquele trigo sarraceno, mais escuro). No caldo pode vir broto de feijão, alho-poró ou outro vegetal e o kamaboko, uma espécie de massa de peixe (não me pergunte como é feito) bem coloridinha, parece até um doce. Por cima, um tempurá de camarão, fatias de porco ou carne bovina. Nas tigelas de arroz, é mais comum que a carne venha empanada.

Arroz com ovo e ostras empanadas

Arroz com ovo e ostras empanadas

Espetinhos vendidos em banca de rua perto do Parque Ueno

Espetinhos vendidos em banca de rua perto do Parque Ueno

Também é comum encontrar lugares que vendem os espetinhos de vários tipos. Os de frango são os mais usuais e são chamados de yakitori. Nesse caso, é bom pedir um menu em inglês, pois não é incomum haver espetinhos de partes “pouco usuais” do frango (vimos de fígado a útero!). Se você não se importa com isso, vá fundo!

Bentô

Bentô

Se estiver com pressa e quiser economizar, uma boa pedida são os bentôs, vendidos principalmente em lojas de conveniência e nas estações de trem, para levar na viagem. É uma espécie de marmita com comidas variadas — pode ser sushi/sashimi, carne com arroz, omelete etc. Ainda que alguns dos componentes venham cozidos, o bentô é sempre frio, mas em alguns lugares é possível aquecê-lo. Também em lojas de conveniência é possível comprar oniguiris, aqueles bolos de arroz em formato triangular, com recheios variados.

Okonomiyakis na chapa

Okonomiyakis na chapa

Embora não o tenha comido em Tóquio, um dos meus pratos preferidos no Japão foi o okonomiyaki; certamente você encontrará restaurantes lá que fazem. A dica é procurar por lugares com chapas no balcão ou nas mesas. O okonomiyaki é uma espécie de panqueca japonesa, e pode levar carne de porco, camarões, lula (às vezes tudo junto), ovo e até queijo. Lendo assim parece uma mistureba, mas é delicioso. O chef monta seu okonomiyaki e depois os garçons levam até a chapa na sua frente, com uma espátula. Vá partindo em pedaços pequenos e mandando para dentro!

3. Conhecer a riqueza da cultura japonesa no Museu Nacional de Tóquio

Armadura de samurai no Museu Nacional de Tóquio

Armadura de samurai no Museu Nacional de Tóquio

Dificilmente se ouve falar de algum museu quando se menciona o Japão como destino turístico. Certo, não há um museu do parâmetro de um Louvre, de um Metropolitan, de um Prado em Tóquio. Mas eu achei o Museu Nacional de Tóquio excelente, pois reúne o que há de mais emblemático da cultura japonesa. Pense em quimonos ricamente adornados, espadas e armaduras de samurai, ukiyo-e (aquelas famosas gravuras japonesas), caligrafia, estátuas budistas e xintoístas.

Kimono no Museu Nacional de Tóquio

Kimono no Museu Nacional de Tóquio

Ukiyo-e, as tradicionais gravuras japonesas

Ukiyo-e, as tradicionais gravuras japonesas

O museu está situado dentro do Parque Ueno, podendo ser conhecido junto com um passeio por lá. Há vários prédios dentro do museu, mas você deve começar pelo Honkan, a galeria principal, logo em frente da entrada. Ali estão reunidos os objetos mais emblemáticos da coleção. Embora não seja tão grande, você possivelmente passará umas duas horas por ali.

Galeria de Tesouros Horyu-ji

Galeria de Tesouros Horyu-ji

Não visitei o Toyokan (Galeria de Antiguidades do Oriente) nem o Heisekan (o Museu de Arqueologia), mas achei imperdível a Galeria de Tesouros Horyu-ji, no fundo da área do museu, à esquerda. Um prédio de concreto bem moderno, criado por Taniguchi Yoshio (o mesmo arquiteto do MoMA, em Nova Iorque), abriga uma pequena coleção vinda do templo Horyu-ji, nos arredores de Nara. As estátuas budistas exibidas ali são de encher os olhos.

Tosho-gu, um templo dourado dentro do Parque Ueno

Tosho-gu, um templo dourado dentro do Parque Ueno

O Parque Ueno também conta com um zoológico, o Museu Nacional de Arte Ocidental (um lindo prédio do Le Corbusier) e alguns templos. Dá para passar o dia por lá.

Museu Nacional de Arte Ocidental

Museu Nacional de Arte Ocidental

4. Visitar o Meiji-jingu, o templo xintoísta mais importante de Tóquio

Meiji-jingu

Meiji-jingu

Se o Senso-ji é o principal templo budista de Tóquio, o Meiji-jingu é o principal local xintoísta da cidade. Fica em Harajuku; basta descer na estação de mesmo nome da linha JR-Yamanote e entrar no parque que fica ao lado. Logo você começará a ver vários elementos onipresentes em templos xintoístas — se Tóquio for sua primeira parada no país, você certamente verá outros templos com características semelhantes.

Um dos torii na entrada do Meiji-jingu

Um dos torii de madeira na entrada do Meiji-jingu

Um exemplo são os torii, os típicos portões xintoístas. É comum ver toriis vermelhos ao redor do Japão, alguns em longas sequências, como no lindo Fushimi-Inari Taisha, em Kyoto. Outros são de pedra. Os do Meiji-jingu são de madeira — mais especificamente ciprestes de Taiwan — e o mais alto conta com 12 metros de altura!

Barris de saquê na entrada do Meiji-jingu

Barris de saquê na entrada do Meiji-jingu

Outro elemento típico que você verá no agradável caminho até o templo são fileiras de barris de saquê. São doações para o templo, mas são tão coloridos e decorados que ninguém resiste a tirar (várias) fotos com eles.

Portão de entrada do Meij-jingu. A bica d'água fica à esquerda

Portão de entrada do Meij-jingu. A bica d’água fica à esquerda

Na entrada do templo, como em outros xintoístas, é comum ver uma bica d’água, com pequenos recipientes de bambu ou metal. É para fazer abluções de limpeza antes de aproximar-se do templo. Encha o recipiente de água e jogue primeiro na mão esquerda, depois na mão direita; depois, encha a mão esquerda de água, enxágue a boca e enxague por último a mão esquerda novamente. Não se preocupe, depois de uns três templos xintoístas você estará craque no procedimento! Mas atenção: embora seja usada para lavar a boca, essa água não é para beber!

Cerimônia de casamento no Meiji-jingu

Cerimônia de casamento no Meiji-jingu

Como o nome indica, o templo foi criado para homenagear o imperador Meiji e a imperatriz Shoken. Meiji foi o responsável pela restauração da monarquia japonesa em meados do século XIX, pondo fim a séculos de xogunato. Embora tenha sido reconstruído após os bombardeios da Segunda Guerra, mantém uma atmosfera típica. Enquanto estávamos por lá, vimos dois casamentos acontecendo. Foi bem legal para ver roupas tradicionais e um pouco da cerimônia (ainda que boa parte dela ocorra longe dos olhos curiosos dos turistas). Não sei dizer se foi a época em que fui — será que maio é o mês das noivas no Japão também? — mas pode ser que, se você for num final de semana como eu, tenha a sorte de também presenciar um casamento.

5. Assistir a uma apresentação de teatro kabuki

Fachada do Kabuki-za, em Tóquio

Fachada do Kabuki-za, em Tóquio

Você não vai entender nada do que os atores estão dizendo. Em todo caso, no Kabuki-za, o principal teatro kabuki de Tóquio, eles distribuem folhetos com o resumo das peças em inglês, de modo que dá para acompanhar, sim, o desenrolar da história. Algumas peças contam até com áudio em inglês. Mesmo sem entender palavra por palavra, eu adorei a experiência de assistir a uma apresentação kabuki. A dramaticidade dos números, o figurino, a maquiagem, tudo é lindo.

Personagem do kabuki

Personagem do kabuki

O teatro kabuki é uma daquelas manifestações culturais tipicamente japonesas. Sim, há um certo machismo nesta tradição: só homens atuam, e mesmo os papéis femininos são feitos por atores homens. Uma regra que surgiu lá nas origens do kabuki e que já podia ser revista. Mas esqueça esse aspecto por um momento; os japoneses são muito apegados às tradições. Concentre-se na beleza da encenação, ao mesmo tempo singela e detalhista. Singela no acompanhamento: poucos instrumentos (todos típicos do Japão) fazem a “trilha sonora” das peças. Detalhista na caracterização dos personagens, seus figurinos, penteado e maquiagem. O cenário também é simples, mas de um jeito japonês — ou seja, igualmente belo.

Como as sessões são longas, é normal as pessoas levarem bentôs para comerem nos intervalos

Como as sessões são longas, é normal as pessoas levarem bentôs para comerem nos intervalos

Uma apresentação no Kabuki-za pode durar em torno de 4 horas. Na realidade, porém, várias peças são encenadas na mesma apresentação. Eles chamam de “atos”, mas cada um conta, na verdade, uma história diferente. Se você quiser comprar um ingresso para a apresentação inteira, dá para fazer pela internet. Se preferir assistir a um só ato, os ingressos são vendidos na hora, e é necessário entrar numa fila que começa bem antes do ato em si. Eu preferi comprar o ingresso para a apresentação toda já do Brasil, para garantir um lugar e não precisar ficar esperando na fila. De todo modo, não fiquei para a apresentação inteira: vi só os dois primeiros números. Até teria ficado mais, mas as outras atrações de Tóquio me chamavam. Enfim, veja o que é melhor de acordo com seu roteiro.

Cartazes das peças na frente do Kabuki-za. Repare na fila se formando atrás para o próximo ato

Cartazes das peças na frente do Kabuki-za. Repare na fila se formando atrás para o próximo ato

6. Ver a cidade de cima no alto da Torre de Tóquio ou da Tóquio Skytree

A alaranjada Torre de Tóquio

A alaranjada Torre de Tóquio

Durante décadas, a Torre de Tóquio, inspirada na Torre Eiffel, reinou absoluta no skyline da cidade. Desde maio de 2012, a Tóquio Skytree passou a dominar as atenções — principalmente por ser a maior torre do mundo, com 634 metros (considerando apenas as torres tipo antenas, claro).

Vista da Torre de Tóquio. O templo Zojo-ji está no canto à esquerda

Vista da Torre de Tóquio. O templo Zojo-ji está no canto à esquerda

De todo modo, depois de vê-la em vários animes e filmes japoneses, devo dizer que a Torre de Tóquio e sua berrante cor laranja tinham um lugar especial no meu coração. É um lugar super turístico? Sim. Mas afinal, a gente não está fazendo turismo? Além disso, tem “só” 333 metros, ou seja, pouco mais da metade da Skytree. Ainda assim, precisava ver com meus próprios olhos a torre que havia visto tantas vezes filmada ou desenhada. A propósito: as cores laranja e branco são usadas para atender a normas de segurança da aviação. Há dois mirantes: um a 145 metros e outro a 250 (paga-se mais para ir no mais alto).

Tokyo Skytree. Imagem obtida em http://www.tokyo-skytree.jp/en/

Tokyo Skytree. Imagem obtida em http://www.tokyo-skytree.jp/en/

Dito isso, acabei não indo na Skytree. Levei em conta alguns fatores: em 5 dias, não dá para fazer tudo, então optei por aquela com a qual tinha um vínculo afetivo. A Skytree é mais cara e tem filas maiores (parece que dá para comprar no site, mas o link é “japanese only”). No dia em que resolvemos subir na Torre, o dia estava meio nublado, então num observatório “menos alto” tínhamos a chance de ter menos nuvens no campo de visão. De todo modo, se você estiver com tempo, vá nas duas. Dizem que em dias claros, na Skytree, dá para ver até o Monte Fuji. Dá para combinar a Skytree com uma visita ao Senso-ji ou ao estádio de sumô Ryogoku Kokugikan (veja no próximo texto). Já a Torre de Tóquio fica mais ou menos próxima à região de Roppongi, perto do lindo templo budista Zojo-ji.

Zojo-ji e Torre de Tóquio

Zojo-ji e Torre de Tóquio

(Esse texto continua aqui).

La Rochelle

Porto de La Rochelle ao entardecer

Porto antigo de La Rochelle ao entardecer

No último mês de setembro, fiz uma viagem para a França, que incluiu algumas cidades no interior. Na verdade, apesar de já ter estado em Paris, não conhecia nada do interior do país, e tinha muita curiosidade em fazê-lo. Como a viagem começou já no final de setembro, na virada para o outono, achei que não compensaria ir para o sul da França, que talvez mereça uma visita numa época mais quente. Além disso, o roteiro necessariamente teria que passar por Bordeaux, onde uma amiga está morando — e, de todo modo, Bordeaux vale a visita. Outros destinos que queríamos conhecer e, assim, incluir no roteiro, foram o Mont Saint-Michel (a atração mais visitada da França fora de Paris) e o Vale do Loire. Dessa forma, com alguns dias sobrando, passei a pesquisar destinos no meio do caminho entre esses lugares e cheguei a La Rochelle e Nantes.

Rue Gargoulleau, no centro de La Rochelle

Rue Gargoulleau, no centro de La Rochelle

A primeira, na verdade, foi uma dica da minha amiga que está morando em Bordeaux. A segunda é uma cidade grande cujo nome é relativamente conhecido, e onde está morando um casal de franceses que conheci quando fui aos Lençóis Maranhenses. Pesquisando a respeito das atrações de ambas as cidades, vi que havia razões de sobra para uma visita.

Em primeiro lugar, devo dizer que fiquei um par de dias em cada cidade. Foi o suficiente, mas dá para ficar alguns dias a mais também; depende do seu ritmo. Vou tentar explicar o que eu visitei e o que não deu para ver, e aí você decide. Em La Rochelle, se você quiser curtir um pouco da praia, dá para ficar alguns dias a mais.

Plage de la Concurrence

Plage de la Concurrence

La Rochelle é na verdade uma cidade de praia bastante conhecida dos franceses. Embora a região da Riviera Francesa, no Mediterrâneo, seja o destino mais conhecido de praia na França (talvez seguido de perto por Biarritz, no País Basco francês), há alguns lugares na costa atlântica que também são procurados pelos franceses, principalmente durante as férias de verão. La Rochelle é um deles. Dito isto, no final de setembro ainda estava dando praia — a pequena praia urbana chamada Plage de la Concurrence estava bem movimentada quando passamos por lá. Para mim, brasileiro, porém, já estava meio frio. Como estava fazendo bastante sol, acho que até teria dado para curtir um pouco da praia — não sei, porém, como estava a temperatura da água. Com outras atrações, entretanto, só passamos pela praia para vê-la, sem efetivamente usá-la.

Vista de La Rochelle com suas três torres: Tour de la Lanterne, Tour de la Chaîne e Tour Saint Nicolas (da esquerda para a direita)

Vista de La Rochelle com suas três torres: Tour de la Lanterne, Tour de la Chaîne e Tour Saint Nicolas (da esquerda para a direita)

La Rochelle foi uma importante cidade portuária francesa e, assim, seu centro reflete um pouco desse passado. Aliás, consta que os primeiros colonizadores franceses do Canadá saíram dali, no século XVII. As três torres erguidas na área do porto são uma lembrança dessa época e algumas das atrações turísticas da cidade.  É possível comprar um bilhete para visitar as três torres (hoje em € 8,50); o bilhete unitário (para uma torre apenas) está custando, hoje, € 6,00. O legal do bilhete único é que você não precisa visitar todas as torres no mesmo dia. Não me lembro ao certo, mas acho que ele vale por três dias. Nós, por exemplo, visitamos duas delas no primeiro dia e a outra no segundo. A visita às torres, de todo modo, não é demorada; é possível visitar as três, sim, em um dia, até em uma tarde.

Tour de la Chaîne

Tour de la Chaîne

A primeira que visitamos, e a mais famosa, foi a circular Tour de la Chaîne. Fica bem na entrada do Vieux Port (porto antigo). Tem esse nome (chaîne significa corrente) porque, para proteger a cidade à noite ou em tempos de guerra, uma pesada corrente era passada entre esta torre e a que fica do outro lado da entrada do porto (a Tour Saint Nicolas). Há uma exposição permanente sobre os imigrantes franceses que foram para o Canadá, de modo que é possível passar um tempo lá dentro. Mas as vistas lá de cima são de tirar o fôlego.

Porto antigo de La Rochelle visto da Tour de la Chaîne

Porto antigo de La Rochelle visto da Tour de la Chaîne

Tour de la Lanterne

Tour de la Lanterne

Depois seguimos por uma calçada margeada por uma fortificação até a Tour de la Lanterne — que já funcionou como farol, daí o nome. É a que tem o formato mais gracioso das três. Lá dentro, o interessante é ficar vendo as inscrições que prisioneiros do local fizeram, algumas em inglês — várias delas são explicadas ao visitante. A torre, aliás, também é conhecida como Tour des Quatre Sergents, em homenagem a quatro sargentos que foram presos ali por tramarem contra a monarquia reinstalada após a morte do Napoleão. De todo modo, as vistas do alto também são lindas: dá para ver um grande número de barcos atracados e velejando, e até a Plage de la Concurrence, que fica depois das fortificações.

Vista da Tour de la Lanterne. A Plage de la Concurrence aparece no meio da foto

Vista da Tour de la Lanterne. A Plage de la Concurrence aparece no meio da foto

Tour Saint Nicolas vista a partir da Tour de la Chaîne

Tour Saint Nicolas vista a partir da Tour de la Chaîne

Não me lembro de nada muito marcante dentro da pentagonal Tour Saint Nicolas, aquela que era utilizada com a Tour de la Chaîne para fechar a entrada do porto com uma corrente. De todo modo, como estava incluída no ingresso, visitamos, no segundo dia. Também dá para subir e tirar lindas fotos lá de cima. Todas as torres têm uma pequena loja de suvenires na entrada, onde também se compram os ingressos para visitar as torres.

Casas com enxamel no centro de La Rochelle, com galerias em arcos embaixo

Casas com enxaimel no centro de La Rochelle, com galerias em arcos embaixo

O centrinho antigo de La Rochelle é muito bonito e merece um passeio. Há algumas atrações, mas o legal mesmo é dar uma perambulada. La Rochelle é conhecida como “Ville Blanche” (Cidade Branca) por causa da pedra calcária usada nas construções do centro. Muitas das fachadas são também cobertas em parte com placas de ardósia no sistema de enxaimel (como aquelas casas típicas alemãs), para proteger do sal da maresia. Dá para ver que algumas são bem antigas e estão até meio tortas. Vários quarteirões da cidade têm ainda, no nível da rua, galerias em arcos, deixando a paisagem ainda mais charmosa.

Tour de la Grosse Horloge

Tour de la Grosse Horloge

Logo na entrada da cidade pelo porto velho, no Quai Duperré, fica a Tour de la Grosse Horloge, uma torre com relógio que também serve de portão para a cidade. Infelizmente não é possível visitá-la por dentro.

Praça com a fachada do Hôtel de Ville, ainda um pouco danificada pelo incêndio

Praça com a fachada do Hôtel de Ville, ainda um pouco danificada

Adentrando um pouco mais chega-se a uma elegante pracinha que abriga o Hôtel de Ville, como são chamadas as prefeituras na França. Um incêndio consumiu boa parte do prédio em 28 de junho de 2013, mas a fachada está mais ou menos intacta. Quando visitei, uma exposição de fotos no pátio interno mostrava o incêndio e o que tem sido feito desde então para restaurar o prédio; mas, por motivos óbvios, não dava para visitar outras partes do edifício. De todo modo, acho que vale a visita, pois, de acordo com a Wikipedia, é o hôtel de ville mais antigo da França ainda em funcionamento.

Catedral de La Rochelle

Catedral de La Rochelle

No centro também é possível visitar a Catedral de La Rochelle, com uma fachada diferente das fachadas góticas de catedrais que a gente está acostumado a ver ao redor da França (me lembrou um pouco a fachada da igreja da Abadia do Mont Saint Michel, para quem já visitou). A catedral é adornada com lindos vitrais.

Vitral no interior da catedral de La Rochelle

Vitral no interior da catedral de La Rochelle

Mercado de La Rochelle

Mercado de La Rochelle

Fomos ainda ver o mercado da cidade, também no centro. Como era final de semana, estava animado, mas logo fechou. Não é muito grande e tem aquelas bancas de qualquer mercado: frutas, verduras, queijos, peixes, carnes. Ao redor há algumas opções para comer, e vimos muita gente saboreando ostras, o que é bastante comum em várias cidades da França, mas as de La Rochelle devem ser super frescas, dada a localização da cidade. Entre a praça da Catedral e o mercado, na Rue Gargoulleau, fica o Musée des Beaux-Arts de La Rochelle; não visitamos, mas o Lonely Planet diz que o acervo é interessante.

Aquarium de La Rochelle

Aquarium de La Rochelle

A principal atração de La Rochelle, porém, fica do lado oposto do centro antigo, em relação ao porto: é o Aquarium. Depois da Tour Saint Nicolas, há uma pequena ponte de madeira para pedestres, que abre-se às vezes para a passagem de barcos. Se você seguir contornando a área para barcos, logo verá a fachada enorme do Aquarium. Tem gente que não gosta muito de visitar aquários, então talvez não seja um bom programa. Se você estiver viajando com crianças, porém, recomendo vivamente. O aquário é moderno e tem várias espécies interessantes, além de um jardim interno estilo tropical, onde é possível tentar advinhar diferentes aromas obtidos por meio de plantas. Além disso, o aquário fica aberto até tarde, então pode ser uma boa opção de passeio de fim de dia.

Peixinhos no Aquarium

Peixinhos coloridos no Aquarium

Fachada do Musée des Automates

Fachada do Musée des Automates

Também nesta parte da cidade (do outro lado do porto, em relação ao centro antigo), ficam duas atrações-museus, digamos, curiosas. O Musée des Automates abriga diversos bonecos autômatos de estilo antigo, como a gente vê em filmes. Alguns são de fato antigos e eram utilizados para propagandas, outros foram criados especialmente para o museu. No fundo, aliás, há uma recriação do que seria a Montmartre parisiense na época em que esses bonecos eram mais utilizados. Havia toda uma técnica tradicional para fazer esses bonecos que é interessante de se ver, mas o museu tem, sim, um aspecto meio macabro — culpe os filmes de terror que frequentemente usam esse tipo de bonecos. Veja as fotos que eu coloquei aqui e tire suas próprias conclusões (tentei dar upload de um vídeo aqui para dar uma ideia melhor e não consegui). A maioria é acionada por um botão, mas alguns acionam-se automaticamente, o que só aumenta a atmosfera meio assustadora do lugar. Eu achei a visita bacana pela singularidade de um museu desse tipo — nunca havia visto algo parecido em outro lugar do mundo. Mas prepare-se para possíveis pesadelos depois.

Boneco no Musée des Automates

Boneco no Musée des Automates

Musée des Automates

Musée des Automates

Logo ao lado fica o Musée des Modèles Reduits. Eu estava mais curioso para visitar o Musée des Automates, mas o ingresso de um inclui o outro (atualmente € 11,00), então também visitamos este. São basicamente modelos reduzidos de vários objetos, principalmente barcos e carros, mas o que realmente falou mais alto à criança que ainda vive em mim e lembrou-me da minha infância foi a mega maquete com trenzinho. Quem teve um desses trenzinhos quando criança certamente vai ficar com os olhos brilhando.

Maquete do trem no Musée des Modèles Reduits

Maquete do trem no Musée des Modèles Reduits

Como disse acima, muitos franceses visitam La Rochelle no verão para curtir uma praia; mas muitos vão, na verdade, para a Île de Ré, que fica próxima à cidade e tem praias bem disputadas. É possível fazer um passeio de barco para lá a partir de La Rochelle, mas, quando fomos, como já não era mais verão, os passeios estavam bem mais raros, e não havia nenhum disponível nos dias que passamos na cidade. Por outro lado, havia passeios para a Île d’Aix, a Île d’Oléron e o Fort Boyard (uma ilha fortaleza), todas também nas proximidades de La Rochelle, mas não fizemos este passeio. Para a Île de Ré, também é possível ir de carro e de ônibus a partir de La Rochelle, já que ela é conectada ao continente. A respeito dos passeios de barcos, é possível consultar os horários no site da Inter-Îles; vi um guichê vendendo passeios nas proximidades da Tour de La Chaîne.

Prato de sardinhas assadas em um restaurante da Cours des Dames

Prato de sardinhas assadas em um restaurante da Cours des Dames

A área ao redor do Vieux Port (como o Quai Duperré e a Cours des Dames) é cheia de restaurantes vendendo peixes e frutos do mar. Comemos sardinhas assadas num deles que estavam gostosas, mas nada inesquecível. Já na Rue St Jean du Pérot, também nas proximidades (ela começa a partir da Cours des Dames), é possível encontrar opções mais elaboradas. Gostamos muito da formule do L’Affaire de Goût, onde comi um suculento hambúrguer. Mas há várias outras opções nesta rua, é só caminhas um pouco e olhar os menus.

Hambúrguer no L'Affaire de Goût

Hambúrguer no L’Affaire de Goût

Próximo à Tour Saint Nicolas há alguns bares, entre o Vieux Port e o Museu Marítimo, onde é agradável sentar no final da tarde, se o dia estiver bonito, para tomar uma cerveja, um drink ou um vinho, com lindas vistas para as torres e a baía.

Fachada do L'Ambassade, na Rue de l'Archimede, bom para uma bebida de fim de tarde

Fachada do L’Ambassade, na Rue de l’Archimede, bom para uma bebida de fim de tarde

La Rochelle foi uma agradável parada de dois dias na nossa viagem pelo interior da França. Talvez não esteja entre as atrações mais recomendadas da França, mas se você estiver na região, em Bordeaux, Nantes ou mesmo no Vale do Loire, e quiser um passeio perto do mar, vale o desvio. É charmosa, tem atrações turísticas interessantes e bons restaurantes. Recomendo.

Washington DC — Parte 2

(Este texto é uma continuação desse outro)

Capitólio e sua cúpula

Capitólio e sua cúpula

Terminando o passeio pelo Mall, chega-se ao famoso domo neoclássico do Congresso, ou Capitólio (que tem impressionantes 86 metros). É possível fazer uma visita interna guiada, basta procurar o Visitor Center do Capitólio. Não sei quão interessante o passeio é para um brasileiro (o foco, claro, deve ser em momentos marcantes da histórica americana); mas gostaria de fazer a visita se voltar a Washington, pelo menos para ver por dentro um prédio tão emblemático e com tanta história.

Suprema Corte

Suprema Corte

Logo atrás do Capitólio, porém, há ainda duas atrações cívicas que valem à pena olhar. Uma é o prédio neoclássico da Suprema Corte, cheio de colunas estilo grego — uma foto na frente é obrigatória pelo menos para quem, como eu, estudou Direito e ouviu falar de casos como Roe vs. Wade e Brown vs. Board of Education, decididos ali. Ao lado, fica a famosa Biblioteca do Congresso, supostamente a maior coleção de livros do mundo. Também é possível visitar os dois prédios, dê uma olhada nos links que eu coloquei no texto para maiores informações.

Biblioteca do Congresso

Biblioteca do Congresso

Fachada da Casa Branca virada para o Mall

Fachada da Casa Branca virada para o  Mall

Teoricamente é possível visitar também a Casa Branca, mas meu guia diz que é difícil, tem que agendar com antecedência e ser residente nos Estados Unidos (ou seja, não é para a maioria de nós). Tentei achar a informação no sítio deles, mas não encontrei; se você achar o link direto, por favor, ponha aqui nos comentários. De todo modo, é possível olhá-la de fora, de uma certa distância, e é bacana ver aquela imagem tantas vezes mostrada na televisão (relativamente) de perto, ao vivo. A Casa Branca fica ao norte do Mall, mais ou menos no meio dele (em frente ao obelisco do Monumento a Washington). A fachada mais famosa, que a gente sempre vê, é a que fica virada para o Mall e a Constitution Avenue: é possível vê-la e fotografá-la através das grades (só não chegue muito perto delas, para não criar problemas com a segurança).

Protestos em frente à Casa Branca, na fachada voltada para a Lafayette Sq

Protestos em frente à Casa Branca, na fachada voltada para a Lafayette Sq

Lafayette Sq com a Casa Branca ao fundo

Lafayette Sq com a Casa Branca ao fundo

É na parte de trás, porém, voltada para a Lafayette Square, que ficam as demonstrações; sempre tem algum protestando contra alguma coisa lá, vale a pena dar uma olhada. A própria praça Lafayette é agradável e vale um passeio: cada canto dela tem uma estátua em homenagem a algum estrangeiro que ajudou na Guerra de Independência americana. O Lafayette em si era um marquês francês, nomeado general nos Estados Unidos com apenas 19 anos! Não é emblemático que a praça logo atrás da Casa Branca homenageie estrangeiros que ajudaram a causa americana? Eu achei, e para mim é mais um símbolo do lado cosmopolita da capital.

Memorial de Jefferson

Memorial de Jefferson

Nas proximidades do Mall ficam ainda outros dois monumentos em homenagem a ex-Presidentes americanos: o Memorial de Jefferson e o Memorial de Franklin D. Roosevelt. O primeiro é um dos pais fundadores dos Estados Unidos e autor da Declaração de Independência. Seu memorial é circular e tem frases inspiradoras de Jefferson no seu interior; fica ainda num lindo local, às margens de um laguinho formado pelo rio Potomac. Já o Memorial de Roosevelt homenageia o presidente que ajudou a tirar os Estados Unidos da Grande Depressão de 1929. É na verdade quase um museu a céu aberto, com diferentes ambientes retratando momentos da depressão e da política do New Deal criada por Roosevelt.

Memorial de Roosevelt

Memorial de Roosevelt

Ambos os memoriais ficam nas proximidades do Mall, mas a uma distância considerável. Conheci o primeiro no dia do passeio de bicicleta, e o segundo da primeira vez em que fui a Washington, onde tive um tour guiado com uma van. Ir caminhando acho que pode ser bem cansativo. Os ônibus hop-on-hop-off que eu mencionei no texto anterior fazem paradas em ambos também.

Todos os museus e atrações que eu mencionei acima são gratuitos — à exceção da subida no Obelisco, como eu já indiquei também. Ou seja: se você cansar de um museu de que você está gostando muito, dá para sair, espairecer um pouco, almoçar, e depois voltar. Sem nenhum custo extra.

Georgetown University

Georgetown University

Georgetown, como eu já indiquei no texto anterior, é um dos bairros fora do núcleo central de Washington que merecem uma visita. Separado da área mais central por um canal que desemboca no Rio Potomac, o bairro tem, de fato, uma característica bem diferente do resto da cidade. Aqui a escala é menor e menos monumental; as casas de tijolos ou coloridas apresentam um estilo meio inglês, como em outras cidades da época das 13 Colônias. É um bairro cheio de estudantes também, já que ali fica a imponente Georgetown University, com aquelas construções que lembram Hogwarts, do Harry Potter.

Casas em Georgetown

Casas em Georgetown

Por atrair estudantes da aristocracia americana, Georgetown também padece de uma certa aura “elitista” (inegável se comparada com a de outras regiões da cidade); mas o charme do bairro é também inegável, e como você não vai morar lá, não precisa se preocupar tanto com divisões de classe. Tirando os prédios da universidade, não há tantas atrações turísticas, o que vale mesmo é passear pelas agradáveis ruas, algumas de paralelepípedo, ou pelo parque que margeia o Rio Potomac. A rua principal do bairro, a M Street, pode ficar meio congestionada e barulhenta, mas é lá também que ficam vários restaurantes, cafés, bares e lojas do bairro. Além disso, se a muvuca de estudantes ébrios ficar muito incômoda, é só pegar uma rua transversal para mudar de ares. É na M Street também que você pega o Circulator, aquele ônibus que te leva para a região central de Washington, que eu também mencionei no texto anterior.

Um último detalhe macabro: é em Georgetown que fica também a escadaria que dava acesso à casa da menina possuída no filme O Exorcista (o endereço é 3600 Prospect St NW). Para quem gosta de filmes de terror, vale a visita, de preferência numa noite bem escura.

Dupont Circle

Dupont Circle

Outra área agitada da cidade é a região do Dupont Circle. O Dupont Circle em si é uma rotatória bem grande que conta com uma estação de metrô. Porém, a região ao redor é conhecida pelo mesmo nome e é bem movimentada. Para começar, ali ficam várias embaixadas — como a indiana, que tem uma estátua do Gandhi na frente (a do Brasil fica bem mais ao norte, já fora da área do Dupont Circle) –, o que traz um colorido cosmopolita para a região. Não por outro motivo, restaurantes de diferentes países ficam por ali, de modo que dá para provar um pouco de diferentes partes do mundo ali. Também reúne bares — alguns dos principais voltados para o público LGBT ficam na região –, cafés, livrarias… enfim, pode não ser aquele programa eminentemente turístico, mas é um bairro bacana para passar algumas horas flanando.

Estátua de Gandhi na frente da Embaixada da Índia, região do Dupont Circle

Estátua de Gandhi na frente da Embaixada da Índia, região do Dupont Circle

A região da U Street e da área ao redor, conhecida como Shaw, era tradicionalmente um reduto negro da capital, como o Harlem em Nova Iorque. E, assim como o Harlem, passou por um período de decadência seguido por um renascimento — o que, por um lado, melhorou a segurança e permitiu que eu e você visitemos a região, mas, por outro, encareceu os preços para a comunidade tradicional que vivia ali. Teoria urbana na prática. Ainda assim, é uma experiência interessante para o turista. A região reúne algumas boates famosas de Washington, um dos clubes de jazz mais tradicionais da cidade (o Bohemian Caverns) e ainda mantém um pouco da cultura negra original. Comi num restaurante bacana ali, o Busboy and Poets, que mistura biblioteca e restaurante, com ambiente bem legal. Parece que rolam alguns eventos culturais lá e pareceu-me que muita gente vai também só para beber.

Píer de Alexandria

Píer de Alexandria

Minha última dica de passeio em Washington não fica exatamente em Washington. É o passeio até Alexandria, uma cidade mais antiga que a capital em si. Tem aquele jeito de cidade antiga da época das colônias, com muitas construções de tijolinho, muitas transformadas em lojas e restaurantes. Há uma antiga fábrica de munições transformada em espaço para arte, onde é possível ver os artistas trabalhando — o Torpedo Factory Art Center. Como a cidade também fica às margens do Rio Potomac, há um píer onde atracam embarcações com aquele jeito de barcos à vapor antigos. É possível chegar até Alexandria pelo metrô de Washington, bastando pegar as linhas azul ou amarela (as mesmas que passam pelo aeroporto Ronald Reagan) até a estação King St.

Rua de Alexandria

Rua de Alexandria

Minhas dicas de restaurante estão, obviamente, meio defasadas, já que eu visitei a cidade em 2010. Ainda assim, procurei confirmar alguns locais com amigos que vão até Washington a trabalho com frequência, bem como visitei os sítios dos lugares que eu vou indicar aqui. Em todo caso, fica o alerta de que alguma dica pode ter fechado as portas ou mesmo não estar mais tão legal como quando eu fui. Alguns eu já mencionei no decorrer do texto, como o Busboy and Poets, na região da U Street, e o restaurante do Museu do Índio Americano, de que eu falei no post anterior.

Zaytinya

Zaytinya

O Zaytinya fica na Região do Penn Quarter, tem inspiração mediterrânea (principalmente grega e libanesa) e um menu de tapas (mezze) interessante. O ambiente é classudo, mas nada intimidador. Bem próximo ficava o Oya, de comida asiática, onde nós almoçamos em um intervalo de visitação aos museus do National Mall; a página deles, entretanto, avisa que eles fecharam em setembro de 2015 e vão reabrir no inverno com outro nome.

Gostei muito dos sushis do Maté, em Georgetown: estavam suculentos e havia opções diferentes para fugir do convencional. Fomos à noite e os drinks também estavam bons — só lembrando que, assim como em vários lugares, eles cobram identificação para vender bebidas alcoólicas.

Baked and Wired -- imagem obtida no site deles (www.bakedandwired.com)

Baked and Wired — imagem obtida no sítio deles (www.bakedandwired.com)

Não sou grande fã de cupcakes, mas confesso que fiquei meio viciado nos da Baked and Wired, que ficava perto do nosso hotel em Georgetown. Descobrimos por acaso e passamos a tomar café da manhã todos os dias lá, para experimentar diferentes bolinhos. Pior foi descobrir só no último dia que nosso hotel tinha café da manhã incluído! Mas, devo admitir, não me arrependo de forma alguma de ter perdido os cafés do hotel para poder comer os cupcakes de lá.

Terraço do 18th Street Lounge

Terraço do 18th Street Lounge – imagem obtida em http://www.deafnightlife.com

O 18th Street Lounge é um bar na região do Dupont Circle que tem programação noturna e também funciona para um happy hour. É um casarão com vários andares e ambientes num estilo meio pub antigo, mas como fomos para o happy hour num dia ensolarado de final de verão, era o terraço aberto que estava animado. No dia em que eu fui, o público me pareceu de gente por volta dos 30 anos que tinha acabado de sair do trabalho, mas pode ser que ele varie a depender do dia e do horário.

Washington DC — Parte 1

Capitólio

A “clássica” foto do Capitólio em Washington

Washington, a capital dos Estados Unidos, na minha opinião, é bem subaproveitada pelos brasileiros. Frequentemente é deixada de lado em troca dos prazeres mundanos de Nova Iorque ou dos destinos da Flórida. E, no entanto, fica a uma curta viagem de trem de Nova Iorque, ou seja: dá para combinar alguns dias lá com uma viagem à Big Apple, tranquilamente. Eu, pessoalmente, achei a cidade muito bacana, e com atrações suficientes para deixar qualquer viajante entretido.

Memorial de Lincoln

Memorial de Lincoln

Boa parte delas são museus, é certo. Mas também tem bairros bacaninhas para bater perna, monumentos mundialmente conhecidos, bons restaurantes, um certo ar cosmopolita de uma capital com embaixadas de praticamente todos os países do mundo… enfim, mesmo se você nem gosta tanto de museus, um passeio pela cidade certamente já vai valer a visita.

Casas no bairro de Georgetown

Casas no bairro de Georgetown

Se você for no voo internacional que sai de São Paulo, da United, vai descer no Aeroporto Internacional Dulles, que é longe para burro — fica pouco mais de 40 km da cidade, já no Estado da Virginia. Há serviços de shuttle tanto daquele tipo que te deixa na porta do hotel em vans coletivas (meu guia recomenda o Washington Flyer, não sei se é o único), como para alguma estação de metrô próxima (como Rosslyn ou Wiehle-Reston East). A linha prata do metrô, aliás, deve ganhar uma estação no Dulles, mas isso deve demorar ainda alguns anos. Um táxi vai custar mais de 50 dólares.

Já num voo interno, é possível que você chegue no Ronald Reagan-National (por exemplo, peguei um voo de lá para Chicago na minha última viagem aos Estados Unidos). Eu daria preferência a esta opção para voos internos porque o Ronald Reagan fica mais próximo da cidade e já é conectado com as linhas azul e amarela do metrô de Washington. E ainda é bem mais próximo da cidade — embora também fique em Virginia, é logo do outro lado do Rio Potomac, que contorna o lado ocidental de Washington e do Distrito de Columbia.

Union Station

Union Station

Se você estiver vindo de (ou indo para) Nova Iorque, porém, acho o trem imbatível. Ele sai da Penn Station em Nova Iorque, que é super central — ou seja, você não precisa daqueles shuttles xexelentos para se deslocar até um dos distantes aeroportos de Nova Iorque. Em Washington, o trem chega na linda Union Station, também bem central, próxima ao Mall e ao Capitólio. A Union Station é, por si só, uma atração turística, vale muito à pena passar um tempinho ali admirando a beleza da construção antes de deixar a estação. É possível comprar o bilhete de trem pela internet, já do Brasil. O trem mais rápido entre Nova Iorque e Washington é o Acela, que pára apenas em Philadelphia e Baltimore e que chega a mais de 200 km/h.

Interior da ala moderna da Galeria Nacional de Arte

Interior da ala moderna da Galeria Nacional de Arte

E quantos dias dá para passar em Washington? Considerando-se a quantidade de museus só no Mall, eu diria que muitos. Só que ninguém aguenta ficar enfurnado em museu muitos dias, né? Então minha sugestão é três dias, para fazer passeios variados. Mas se você quiser conhecer vários dos museus da cidade (que não deixam nada a dever aos museus de Nova Iorque ou de capitais da Europa, diga-se de passagem), melhor separar mais alguns dias.

Mapa do metrô de Washington

Mapa do metrô de Washington

Para explorar a cidade, Washington tem um excelente metrô. Depois daquelas estações capengas e lúgubres de Nova Iorque, dá até vontade de chorar quando você entra numa das estações do metrô de Washington. Limpas, espaçosas, grandiosas. Mas, devo dizer, o metrô da capital não chega a todos os lugares, embora esteja em constante expansão: a linha prata, que pretende chegar até o Dulles Airport, foi inaugurada em 2014 (baixe o mapa atualizado, em pdf em português, aqui). Para ir a Georgetown, por exemplo, um dos bairros que vale à pena visitar, tem que ir de ônibus. Se você estiver lá (Georgetown), use o Circulator, um ônibus que custa 1 dólar apenas. A linha azul clara te deixa perto do Dupont Circle, enquanto a linha amerela vai até a Union Station, passando ao norte do centro cívico, para onde dá para descer andando — ou então entre numa das estações de metrô do caminho, como Foggy Bottom – George Washington University, Farragut North/West ou McPherson Sq.

Vista do National Mall a partir do Memorial de Lincoln

Vista do National Mall a partir do Memorial de Lincoln

E as atrações propriamente ditas? Bem, um passeio por Washington não pode deixar de lado o National Mall, o centro cívico e de poder de Washington. Não é na verdade uma avenida, mas uma grande área verde cheia de monumentos entre a Constitution e a Independence Avenues. Começa no Memorial de Lincoln, passa pelo Obelisco, em frente à Casa Branca, por inúmeros museus, e chega até o Congresso. Todas as grandes manifestações importantes da história americana passaram por lá, como o famoso discurso de Martin Luther King e as passeatas contra a Guerra do Vietnã — uma das cenas de Forrest Gump, aliás, acontece ali.

A propósito, o Mall, dizem, foi uma das inspirações do Lúcio Costa para o Eixo Monumental de Brasília, mais especificamente a Esplanada dos Ministérios. Olha, eu sou brasiliense e amo a minha cidade, e até prefiro as linhas da arquitetura moderna àquele estilo clássico sisudo da Casa Branca ou do Congresso americano. Mas quando penso na quantidade de museus que eles conseguiram colocar ao redor do Mall em Washington, com acervos de cair o queixo, não dá para ficar muito satisfeito com a comparação. Ela serve, em todo caso, para explicar a importância que o Mall tem do ponto de vista cívico e político para Washington e para os americanos.

As lindas árvores do outono em Washington, com o Capitólio ao fundo

As lindas árvores do outono em Washington, com o Capitólio ao fundo

Para explorar o Mall, dá para pegar aqueles ônibus hop-on-hop-off, em que você pode subir e descer no percurso. Se o clima estiver agradável, porém, uma boa é alugar uma bicicleta. Nós alugamos uma em Georgetown, mas eu não vou nem procurar o lugar para indicar porque as bicicletas vinham sem cadeado. Ou seja, a gente até cruzou o Mall todo, fomos a outros lugares, mas não tínhamos como entrar nas atrações em si porque não havia como prender as bicicletas. A propósito, Washington é famosa por ter verões quentes e invernos rigorosos, com muita neve (de fechar escolas e repartições às vezes). Quando fui da última vez, em setembro, já no final do verão, estava quente para burro, enquanto em Boston e Chicago já estava fazendo um pouco de frio. Por isso, a bicicleta deve ser uma opção melhor na primavera ou no outono. Nesta última estação, aliás, Washington fica linda, com aquelas árvores de folhas coloridas por toda a cidade.

Sol de pondo atrás do Memorial de Lincoln

Sol se pondo atrás do Memorial de Lincoln

Vamos começar por uma das pontas do Mall, a oeste. Como disse acima, ela começa no Memorial de Lincoln, um dos principais e mais famosos da cidade, com aquela estátua gigantesca do ex-presidente americano sentado, olhando todo o Mall lá de cima. É possível ler trechos de alguns de seus discursos na parede, e a vista do alto das escadarias é especial. Ver o pôr do sol, refletido no laguinho que fica em frente ao memorial, também vale muito à pena.

A famosa estátua do Memorial de Lincoln

A famosa estátua do Memorial de Lincoln

Na sequência, um de cada lado do laguinho em frente ao Memorial de Lincoln, ficam os Memoriais dos Veteranos da Guerra do Vietnã e da Coréia. Não os visitei, então nada tenho a dizer a respeito. Já do outro lado do laguinho, antes da 17th St, fica o Memorial da Segunda Guerra Mundial. Traz citações de personalidades da época, e os 56 pilares representam os estados americanos e demais territórios (como Porto Rico, Guam e Samoa Americana), indicando que todos contribuíram com o esforço da guerra. Os dois pavilhões maiores representam os dois principais cenários onde os Estados Unidos lutaram — o Atlântico (Europa) e o Pacífico.

Memorial da Segunda Guerra Mundial

Memorial da Segunda Guerra Mundial

Já do outro lado da 17th St, no meio do gramado, está o famoso obelisco, chamado de Memorial de Washington, mais ou menos em frente à Casa Branca (que fica do outro lado da Constitution Avenue). Rodeado de bandeirinhas americanas, é bem alto: tem cerca de 170 metros de altura. É possível adentrar e subir no memorial, mas para isso é necessário adquirir um tíquete num quiosque nas proximidades do monumento.

Memorial de Washington

Memorial de Washington

Fachada do Museu Hishhorn

Fachada do Museu Hishhorn

A partir daí, depois da 14th St, vêm os museus. Vou listá-los abaixo na mesma ordem seguida até aqui (de oeste para leste), primeiro os que ficam “acima” do Mall (de frente para a Constitution Avenue), depois os que ficam “abaixo” (de frente para a Independence Avenue). Depois vou fazer comentários rápidos sobre os que eu visitei. Como gosto mais de arte, me concentrei nesse tipo de museu (há alguns deles no Mall), mas há museus de todos os tipos e gostos. Do lado de cima, estão o Museu Nacional de História Americana, o Museu Nacional de História Natural e a Galeria Nacional de Arte (que tem duas alas, uma de cada lado da 4th St). Do lado de baixo, estão o Museu do Holocausto, as Galerias de Arte Freer e Arthur M Sackler, o prédio do Instituto Smithsoniano (que parece um castelinho e funciona como um centro para os visitantes dos museus ao redor), o Museu Nacional de Arte Africana, o Museu Hishhorn, o Museu Nacional do Ar e do Espaço, e o Museu Nacional do Índio Americano. Deu para ver que dá para passar dias visitando museus em Washington, né?

Instituto Smithsoniano

Instituto Smithsoniano

Museu de História Natural

Museu de História Natural

O Museu Nacional de História Natural é daquele tipo que desperta a criança que tem dentro da gente. Não conheço o Museu de História Natural de Nova Iorque, mais famoso, mas o de Washington é bem bacana. Tem ossos de dinossauro, animais empalhados de praticamente todos os cantos do mundo (inclusive do Brasil), uma exposição sobre a evolução do homem… Enfim, o normal em um museu de história natural. Se você não gosta muito de fósseis e animais, porém, pule. No outro espectro da evolução tecnológica, está o Museu Nacional do Ar e do Espaço. Não o visitei, mas costuma ser listado como um dos favoritos do  Mall, e quem conheceu me disse que é muito legal. Reúne artefatos das aventuras espaciais e aeronáuticas americanas, como uma cápsula lunar, o avião usado por Charles Lindbergh para cruzar o Atlântico e o avião original criado pelos irmãos Wright (que concorrem com Santos Dumont pelo posto de quem inventou o avião).

Galeria Nacional de Arte

Galeria Nacional de Arte

Já do lado das artes, conheci a Galeria Nacional de Arte. Como disse acima, tem dois pavilhões: um mais clássico e outro bem moderno, desenhado pelo IM Pei (o mesmo da Pirâmide do Louvre). São tão grandes que eu visitei em dias separados. A ala clássica não fica a dever em nada ao Metropolitan de Nova Iorque. Tem desde quadros medievais até obras do começo do século XX, com vários clássicos da arte europeia — incluindo o único da Vinci em exposição permanente nas Américas, e algumas coisas de Monet e Van Gogh. A ala moderna tem arte contemporânea, incluindo trabalhos de artistas americanos consagrados (como Georgia O’Keefe, David Hockney e Rothko), móbiles do Alexander Calder, trabalhos de Henry Moore, dentre outros. É possível transitar entre os dois pavilhões por um túnel subterrâneo, cheio de luzes (bem psicodélico).

Ginevra de' Benci, de Leonardo da Vinci

Ginevra de’ Benci, de Leonardo da Vinci

Túnel

Túnel “psicodélico” ligando as duas alas da Galeria Nacional de Arte

Não deixe de forma alguma de visitar o jardim de esculturas da Galeria Nacional, logo antes, no Mall, da ala clássica (no sentido oeste-leste). Além de ter um café para relaxar um pouco da maratona de museus e uma fonte onde as pessoas refrescam os pés nos dias de calor, têm várias esculturas bacanas, como uma do Joan Miró, uma vermelha bem grande do Alexander Calder, uma interessante árvore metálica do artista americano Roxy Paine, uma “casa” desenhada pelo Roy Lichtenstein, uma pirâmide do Sol LeWitt, enfim, muita coisa interessante. Não visitei, mas para quem gosta de arte moderna e contemporânea, a coleção do Museu Hishhorn é bem avaliada, inclusive com trabalho de artistas pop como Andy Warhol. O Hishhorn também tem um jardim de esculturas em frente. Já as Galerias Freer e Arthur M Sackler (que eu tampouco visitei) reúnem acervo de arte asiática.

Jardim de esculturas da Galeria Nacional

Jardim de esculturas da Galeria Nacional

Fonte do jardim de esculturas

Fonte do jardim de esculturas

Museu Nacional do Índio Americano

Museu Nacional do Índio Americano

O último museu do Mall que eu visitei foi o Museu Nacional do Índio Americano. O prédio, bem moderno, mas com uma fachada de pedra com ar meio rústico, tem um acervo bem interativo, mas não me “pegou de jeito”. Vale a visita, de todo modo, por causa do restaurante: as várias ilhas preparam pratos inspirados em alimentos que as diferentes etnias de índios americanos consumiam, como milho, arroz selvagem, mandioca, quinoa, carne de bisão, alce, peru e peixes como truta e salmão. Você pode escolher pratos, entradas, acompanhamentos e sobremesas de diferentes ilhas (cada uma dedicada a uma região); cobra-se a porção.

(Este texto continua nesse outro).

Parque Torres del Paine — Chile

As famosas Torres del Paine

As famosas Torres del Paine

Muita gente acha que o Parque Torres del Paine no Chile é um passeio só para mochileiros e quem gosta de trekking. Eu mesmo tinha esta imagem antes de conhecê-lo. Se você não gosta muito de turismo de natureza, talvez, de fato, não valha à pena ir até lá, principalmente porque não é uma viagem exatamente barata. Mas é possível, sim, ver algumas das belezas do parque em confortáveis vans ou ônibus turísticos, ou em passeios de barco, sem muito esforço. Assim, mesmo os mais sedentários podem visualizar as maravilhas desse destino — e, eu posso afirmar, o lugar é cheio de paisagens de cair o queixo. Tudo depende, claro, do que você quer ver, fazer e conhecer, e de quanto quer gastar.

Laguna Amarga, numa das entradas do parque

Laguna Amarga, uma das entradas do parque

De todo modo, o parque é, com efeito, muito procurado por quem gosta de trekking. Por isso, como tem gente que pode ter caído aqui pensando em fazer o percurso à pé, vou explicar o que eu sei a respeito. O trekking mais conhecido do local é o chamado “Circuito W”, que dura em torno de 4 dias (se você não quiser parar no meio, por algum dia, para descansar). Posso falar pouco a respeito, pois só fiz o primeiro trecho do circuito, mas sei que há trechos com certa dificuldade, ou seja, não é para todo mundo. Em todo caso, devo dizer que meu pai o fez quando tinha 60 anos, e, de fato, vê-se muita gente mais velha caminhando, então, se você tem um certo preparo, vá fundo. A maioria das pessoas faz o “Circuito W” de leste a oeste, começando a partir da entrada da Laguna Amarga.

Tinta numa árvore marcando o lugar por onde passa a trilha

Tinta numa árvore marcando o lugar por onde passa a trilha

Embora fazer a trilha com um guia ajude, devo dizer que ela é bem sinalizada, com marcações de tinta vermelha em algumas pedras e árvores, ou mesmo plaquinhas desta cor, indicando o caminho a seguir. Pelo menos foi o que eu vi no primeiro trecho que eu fiz.

Bosque de lengas dentro do parque

Bosque de lengas dentro do parque

Nem preciso dizer que o melhor é ir na primavera ou no verão, pois os invernos são rigorosos. Mesmo em dezembro, quando fomos (final da primavera), o tempo não estava exatamente quente. Ainda que você não vá caminhar, acho que ir no meio do ano pode ser muito desconfortável, e muitos lugares nem abrem nessa época.

Igreja de Puerto Natales

Igreja de Puerto Natales

Se você for fazer o trekking ou não, há diferentes níveis de conforto (e custo) com relação à hospedagem. A primeira dúvida que eu tive quando estava pesquisando foi: fica-se no parque ou em alguma cidade? A resposta é que existem as duas possibilidades. A cidade mais próxima é Puerto Natales, que fica mais ou menos uma hora de carro/ônibus da entrada do parque. Assim, é possível ficar hospedado lá e fazer passeios até o parque, no estilo bate-e-volta. A cidade em si é pequena e sem muitos atrativos turísticos, embora sua localização às margens de um braço do mar seja charmosa. Ficamos hospedados uma noite lá, após a hospedagem no parque. Escolhemos o Kau Lodge, um hotel pequeno mas charmoso, com um café aconchegante.

Fachada do Kau Lodge, onde ficamos

Fachada do Kau Lodge, onde ficamos

Vale à pena ficar em Puerto Natales por dois motivos. A primeira é de custo: ficar nos arredores do parque com algum conforto é caro. Além disso, sendo uma cidade (ainda que pequena), há mais opções de hospedagem e de alimentação, que também costuma ser cara nos hotéis do parque (se você não optar por algum dos pacotes all inclusive que eles oferecem). A propósito, recomendo em Puerto Natales vivamente o Afrigonia, um dos restaurantes mais bacaninhas da cidade. A procura por lá é grande, por isso convém reservar.

Interior do Afrigonia

Interior do Afrigonia

Em Natales também há várias agências para contratar os passeios para o parque, ou mesmo hospedagem, caso você resolva ficar alguns dias in loco. Em todo caso, como as opções de hospedagem nos arredores do parque são escassas, recomendo reservar tudo no Brasil.

Casas antigas no centro de Punta Arenas

Casas antigas no centro de Punta Arenas

Há outras duas cidades maiores relativamente próximas do parque: Punta Arenas, no Chile, e El Calafate, na Argentina. Ainda assim, ambas ficam a algumas horas de viagem do Torres del Paine. Por isso, você pode até ver passeios saindo dessas cidades, mas prepare-se para o cansaço do deslocamento. Passamos uma noite em Punta Arenas antes de ir ao parque. É conveniente porque tem um aeroporto, com voos frequentes de Santiago. É uma cidade portuária com algumas atrações e restaurantes legais, também. Já o acesso por El Calafate compensa se você já estiver passeando por lá ou vier de Buenos Aires. Além disso, há ônibus de ambas as cidades até Puerto Natales — comprei meu bilhete até El Calafate pela internet, ainda no Brasil, tudo bem tranquilo (usamos a empresa Turismo Zaahj, mas há outras).

É possível avistar raposas na região. Essa estava bem próxima do nosso hotel

É possível avistar raposas na região. Essa estava bem próxima do nosso hotel

Já se objetivo é ficar nos arredores do parque, há diferentes opções, mas em número restrito. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que a maior parte do parque é área de proteção restrita, de modo que os principais hotéis ficam, na verdade, nos arredores mesmo, mas próximos às entradas. Entretanto, há opções simples de hospedagem dentro do parque, sim, chamadas de refugios, destinadas principalmente às pessoas que estão fazendo os trekkings. Mesmo nesse caso, segundo relato do meu pai, há opções com um pouco mais de conforto, com local para refeições e banheiro decente. Ainda assim, os quartos são coletivos. Essas hospedagens são escassas e, por isso, devem ser reservadas com antecedência.

Uma vicunha passeia por entre árvores queimadas no incêndio de

Uma vicunha passeia por entre árvores queimadas no incêndio de 2011

Também é possível acampar em algumas áreas, que é a opção mais barata, mais utilizada pelos mochileiros. Isso envolve, claro, ter que carregar sua própria barraca durante as caminhadas. Além disso, prepare-se para o frio à noite. Para quem é jovem e está com a grana curta, porém, é uma opção. E nessa idade, vamos combinar, tudo é festa. Só lembre de comprar comida ainda em Puerto Natales. Embora os hotéis da região do parque mantenham pequenas vendas com mantimentos, tudo sai, claro, muito mais caro que na cidade. Da mesma forma, é preciso tomar cuidado com fogueiras e similares. Um incêndio de grandes proporções tomou o parque em 2011, sendo responsabilizado o turista de um acampamento que estava tentando acender uma fogueira. Além do mico de ter seu nome associado a um incêndio florestal, o rapaz teve que pagar uma multa salgada.

Hotel Las Torres

Hotel Las Torres

Quanto aos hotéis, há algumas opções, todas caríssimas. Optamos pelo Las Torres, que fica perto da entrada leste, mas há também o Tierra Patagonia e o explora. Não sei se foi a melhor opção, mas eu gostei do hotel. Confortável e com bons guias. Além disso, é uma boa opção para quem quer fazer o trekking até a base das Torres del Paine em si, pois fica bem na saída da caminhada, próximo à entrada da Laguna Amarga (onde muita gente começa o “Circuito W”).

Hotel Las Torres

Hotel Las Torres

Há duas opções de pacote no Las Torres, e acredito que os outros hotéis trabalhem de forma parecida: só a hospedagem, e um esquema all inclusive. No nosso caso, ele incluía duas refeições (café da manhã e jantar), bebidas e comidinhas no bar da recepção, e qualquer passeio que quiséssemos fazer no período da hospedagem. O pacote all inclusive é bem caro, mas, para dois dias, não causou um rombo no orçamento. É preciso lembrar também que não dá simplesmente para sair do hotel e procurar um outro lugar para comer: Puerto Natales fica a uma hora de distância, e os hotéis da área do parque não costumam ser próximos um do outro, com deslocamento entre eles limitado.

Paisagem no caminho de Punta Arenas até o parque

Paisagem no caminho de Punta Arenas até o parque

O pacote também incluiu o deslocamento de Punta Arenas até lá: nos pegaram no nosso hotel de manhã, paramos numa estância no meio do caminho para almoçar, e chegamos lá no meio da tarde. Também incluía o deslocamento até El Calafate, mas eu não sabia, e acabei comprando a passagem de ônibus de Puerto Natales, dormindo uma noite lá (pelo menos valeu à pena para conhecer o Afrigonia). Assim, embora caros, os all inclusive têm várias facilidades para quem está por lá, considerando-se que é uma área bem remota com deslocamento difícil.

Quanto ao deslocamento no parque, lembrei de um casal de amigos, que ficou hospedado em Puerto Natales e alugou um carro. É uma opção, claro, que dá liberdade de deslocamento. Mas devo dizer que nem todas as áreas do parque são permitidas para acesso por carro. Nos trechos de trekking, por exemplo, só é possível caminhar mesmo; em alguns poucos é possível fazer o deslocamento a cavalo. Por isso, mesmo com carro próprio, às vezes será necessário fazer algumas trilhas.

Glaciar Grey (imagem obtida em http://www.panoramio.com/photo/10600373)

Glaciar Grey (imagem obtida em http://www.panoramio.com/photo/10600373)

A propósito, um dos passeios incluídos no nosso pacote all inclusive era um que dava um panorama geral do parque, chamado Full Paine. Pelo que eu entendi, nesse passeio, a maior parte dos deslocamentos é feita em ônibus ou van, com algumas caminhadas, pelas quais se chega aos principais mirantes do parque. Ao final, vai-se até o Lago Grey, onde há uma navegação interessante até o Glaciar Grey (glaciares são aqueles paredões de gelo, comuns na região). A navegação é feita por uma empresa particular diferente, mas o pacote all inclusive inclui o bilhete para o barco também. Infelizmente me atrapalhei nas reservas e não deu para fazer esse passeio, assim não conheci o Glaciar Grey. Como visitamos o Perito Moreno depois em El Calafate, não fiquei tão chateado, mas esses glaciares são sempre uma paisagem impressionante de se ver ao vivo, vale à pena. Esse passeio panorâmico de um dia também é oferecido pelas agências de Puerto Natales; a diferença, creio eu, é apenas o deslocamento da cidade até o parque.

Começando a caminhada rumo às Torres

Começando a caminhada rumo às Torres

No lugar do Full Paine, fizemos o trekking até a base das Torres em si, que são três formações de pedra muito bonitas e que dão nome ao parque. No hotel Las Torres é possível fazer parte do percurso a cavalo, mas não sei dizer se há um custo extra. Esta caminhada equivale ao primeiro trecho do “Circuito W” de que eu falei acima, e toma o dia quase todo — saímos no meio da manhã, retornamons no final da tarde. Eu achei cansativo, mas as paisagens são lindas. Além do mais, nosso grupo era quase todo composto de pessoas mais velhas, ou seja, não é nada impossível para quem faz um mínimo de atividade física no dia-a-dia.

Trekking rumo às Torres

Trekking rumo às Torres

Cruzando o Rio Ascensio

Cruzando o Rio Ascensio

O trekking é composto de três trechos: o primeiro, com alguma subida, chega até um dos refugios que eu mencionei, onde o pessoal que está fazendo o circuito fica (há quartos coletivos e área para camping, mas com lotação bem restrita, reservas são imprescindíveis); ali fizemos uma pequena pausa. Depois há um trecho muito bonito que cruza o Rio Ascensio e passa por bosques de lenga, uma árvore típica da região — é o percurso mais agradável. A parte final é que é dureza. É uma subida bastante íngreme, com trechos onde há pedras soltas que resvalam, e o vento às vezes é tão forte que eu tinha a impressão de que seria levado por ele. Nosso guia era bastante cauteloso, até porque nosso grupo incluía pessoas mais velhas, assim fomos devagar nesta parte. Ao final, chega-se a um pequeno lago, bem na base das Torres; a paisagem é linda, compensou todo o esforço.

Parte da trilha que passa por bosques de lenga

Parte da trilha nos bosques de lenga

O último trecho do trekking pelas pedras é difícil, mas a vista das Torres compensa

O último trecho do trekking pelas pedras é difícil, mas a vista das Torres se aproximando compensa

Devo dizer, porém, que o clima na região é bastante instável: um amigo me contou que quando chegou lá em cima, as Torres estavam encobertas por nuvens. Nós até pegamos um pouco de chuva no caminho, mas conseguimos ver as Torres. Por isso, faça o trekking se você gosta da caminhada em si; o caminho também é bonito e tem paisagens interessantes. Se você conseguir ver as Torres, ótimo, mas será apenas a recompensa final. O pacote all inclusive incluía um lanche, que nos deram já no começo do passeio e nós mesmos carregamos, e consistia de um sanduíche, um suco, um pacote de castanhas, uma fruta — ou seja, nada demais. A “refeição” é feita sentada nas pedras às margens do lago na base das Torres, com uma vista linda, mas também com muito vento. Depois disso, voltamos para o hotel, com uma pequena pausa novamente na hospedaria.

Salto Grande, ligando os lagos Pehoé e Nordenskjöld

Salto Grande, ligando os lagos Pehoé e Nordenskjöld

No dia seguinte, só dispúnhamos de metade do dia, o que não permitia fazer o passeio Full Paine. O hotel, porém, dispõe de excursões de meio dia, que podem ser adequadas também se você não quer ficar andando muito tempo e quer aproveitar um pouco do hotel. Optamos pelo passeio que visita o Salto Grante, uma cachoeira que une os lagos Nordenskjöld e Pehoé. Depois, há um trekking de uns quarenta minutos, em um campo mais aberto, até as margens do Lago Nordeskjöld. É uma caminhada tranquila e com paisagens de cair o queixo. O guia ia explicando um pouco da vegetação e da fauna local, mostrando o que íamos vendo no caminho. No final do passeio, chega-se a um mirante às margens do lago de onde se podem ver Los Cuernos, outra das formações rochosas famosas do parque, que fica do outro lado do lago Nordenskjöld. Infelizmente este dia estava bem nublado e só conseguimos ver parte dos Cuernos; mas, no geral, achei o passeio bem bacana.

Trecho da trilha que leva até o mirante para Los Cuernos

Trecho da trilha que leva até o mirante para Los Cuernos

Mirante para Los Cuernos: apesar de encobertos, a paisagem compensa

Mirante para Los Cuernos: apesar de encobertos, a paisagem compensa

Entre os passeios de um dia, há um trekking que percorre a outra margem do Nordenskjöld, na base dos Cuernos (e que é um dos trechos do “Circuito W”). Acredito, porém, que a melhor forma de vê-los como um todo é do outro lado do lago mesmo, como fizemos. Só torça para o dia estar menos nublado.

Vicunhas pastam tranquilamente na região

Vicunhas pastam tranquilamente na região

Todos os passeios são reservados no próprio hotel, não reservamos nada do Brasil. Eles têm número máximo de participantes e alguns são mais disputados — acho que é o caso do Full Paine (ainda assim, teríamos conseguido reservar se eu não tivesse feito confusão com as datas). Em todo caso, se houver algum passeio que você quer muito fazer, vale à pena perguntar a respeito com a pessoa que fizer o contato quando você reservar o hotel. Se não for o caso, funciona assim: no final da tarde, eles abrem um espaço na recepção, onde ficam guias e consultores que explicam o que você vai ver em cada passeio, qual o nível de dificuldade dos trekkings, etc. Embora eu já tivesse pesquisado a respeito, este contato in loco é bacana para você ter mais esclarecimentos sobre cada um dos passeios. Pergunte na recepção, assim que você chegar, qual o horário certinho em que eles começam a fazer as reservas; assim você se programa para chegar logo que abrir e não correr o risco de encontrar algum passeio esgotado.

Paisagem digna de calendário!

Paisagem digna de calendário!

Ao final do passeio de meio dia, retornamos ao hotel (já havíamos feito o check out depois do café), e logo uma van nos levou até nosso hotel em Puerto Natales. Como expliquei acima, eles podem te deixar em outros lugares, como Punta Arenas e El Calafate; convém perguntar se você tiver algum destino específico para depois de sua estadia. Conhecer o Parque Torres del Paine foi uma experiência incrível, da qual me lembrarei para o resto da vida. Apesar do preço caro da hospedagem, me arrependi de não ter programado um dia a mais no parque, há muito para se ver. Para quem gosta de caminhadas em contato com a natureza, é imperdível: as paisagens da Patagônia e as montanhas do parque são lindas, e vão te fazer lembrar daquelas fotos de calendário que a gente via quando criança. A diferença é que ao vivo é muito mais impactante.

Hoi An

Lanternas enfeitam as ruas de Hoi An

Lanternas enfeitam as ruas de Hoi An

Como afirmei no texto que escrevi sobre Hue, Hoi An foi outra das boas surpresas que o Vietnã me revelou, após uma pesquisa de viagem, antes de fechar o roteiro. Não que Hoi An seja um segredo bem escondido: há vários textos a respeito desta cidade na internet, inclusive em português. Ainda assim, como tenho procurado publicar sobre os lugares que visitei no Sudeste Asiático, acho que vale à pena escrever sobre lá. E tenho que admitir que nunca havia ouvido falar de Hoi An antes da pesquisa para a viagem, e acho que muita gente também nunca leu nada a respeito de lá.

Restaurante em Hoi An

Restaurante em Hoi An

Hoi An não é exatamente um destino cheio de atrações. Até tem algumas, e eu vou procurar listá-las neste texto (pelo menos as que eu visitei). O legal é experimentar a atmosfera da cidade, seu ar de cidade asiática antiga, sentar num café/bar/restaurante e ver o movimento. Ainda que hoje em dia muito dessa atmosfera seja para “vender turismo”, achei a experiência muito bacana. E penso que, se você está planejando uma viagem ao Vietnã, deveria experimentar também.

O rio Thu Bon, onde ficava o porto de Hoi An

O rio Thu Bon, onde ficava o porto de Hoi An

A cidade já foi um importante porto vietnamita, até o século XIX, quando o rio Thu Bon, junto ao qual a cidade está, assoreou-se, de modo que os navios já não conseguiam ali aportar. De todo modo, os séculos em que a cidade funcionou como porto deram um aspecto distinto à cidade, refletido principalmente em construções erguidas por mercadores chineses e japoneses que ali chegavam — embora mesmo povos europeus, como os portugueses e os holandeses, tenham usado este porto. Em 1999, o centro antigo da cidade foi inscrito pela UNESCO como Patrimônio Mundial, o que ajudou em sua preservação e promoveu um boom turístico.

Cena de rua em Hoi An

Cena de rua em Hoi An

Para chegar a Hoi An, é necessário usar a vizinha cidade de Danang. Nós chegamos de trem a partir de Hue, uma viagem de cerca de três horas. Quando estava pesquisando, li que este trecho (Hue — Danang) era um dos mais bonitos da ferrovia que cruza o país de norte a sul, e que portanto era uma viagem interessante. De fato, o trem passa em alguns trechos entre a montanha e o mar, mas demos o azar de sentar do lado errado do trem — para quem vai de Hue para Danang, o mar fica à esquerda, e nós estávamos do lado direito (se você estiver fazendo o sentido contrário, é só inverter). Além disso, o tempo estava péssimo, não dava para ver muita coisa — tanto que não tenho foto alguma para postar aqui desta viagem. Mas isso nem foi o pior. O trem não é exatamente confortável e não tem muitos lugares para colocar a bagagem. Como estava bem cheio, foi difícil acomodá-las. Coincidentemente, conhecemos um simpático casal de São Paulo que sentou conosco e, como já estavam no final da viagem pela Ásia, traziam umas bagagens bem grandes. Foi um sufoco. Pelo menos a companhia e a conversa nos entreteu até Danang. Já havíamos combinado com nosso hotel em Hoi An para nos pegar na estação de trem de Danang (que fica mais ou menos uma meia hora de carro de Hoi An). Pelo que eu pude apurar, saiu mais barato que um táxi.

O apertado trem entre Hue e Danang

O apertado trem entre Hue e Danang

Se você estiver em Hue, como nós, é possível também contratar um transfer até Hoi An, basta perguntar no hotel. De acordo com o Lonely Planet, a viagem de carro deve custar em torno de US$ 70,00. É bem mais caro que o trem; por outro lado, você vai com mais conforto e pode combinar algumas paradas para ver a paisagem que a gente deveria ter visto do trem — acredito que a rodovia e a ferrovia devam percorrer um caminho semelhante.

Na saída, pegamos um avião de Danang até Ho Chi Minh City, nossa última parada no giro pela Ásia, uma viagem que dura em torno de uma hora. Se você não tiver incluído Hue no seu roteiro pelo Vietnã e estiver em Hanói ou HCMC, acho que o deslocamento de avião até Danang é a forma mais rápida de chegar a Hoi An.

Rua com lanternas em Hoi An

Rua com lanternas em Hoi An

Como disse acima, a cidade não é cheia de atrações, mas é possível passar alguns dias por lá, descansando e curtindo a vibe do local. Nós ficamos dois dias, o que foi adequado dentro do nosso roteiro pelo sudeste asiático, mas teria passado mais um par de dias lá tranquilamente. Se você tiver só um dia, acho que não vale à pena o desgaste do deslocamento até ali — é bom lembrar que ele é feito normalmente via Danang, de onde ainda é necessário pegar um transporte até Hoi An.

Ponte Japonesa

Ponte Japonesa

A maior parte das atrações tem relação com o passado mercantil da cidade, de contato com outros povos. Assim, o primeiro “cartão postal” de Hoi An é a chamada Ponte Japonesa. Ela ganhou esse nome porque foi construída pelos japoneses para conectá-los ao lado chinês da cidade, atravessando um pequeno canal que corta o centro antigo de Hoi An. Os franceses, dentre outras barbaridades que fizeram durante o período em que dominaram a região, nivelaram a ponte para a passagem de carros. A ponte ganhou o formato de arco novamente em 1986. Atualmente, apenas pedestres e as onipresentes motocicletas passam por ali. Aliás, devo dizer que o trânsito na parte antiga de Hoi An, em comparação com as outras cidades que visitei no Vietnã, é bastante civilizado e tranquilo. As principais ruas da área, aliás, são apenas para pedestres, embora seja sempre necessário prestar atenção nas motos.

Acesso à Ponte Japonesa

Acesso à Ponte Japonesa

A ponte é coberta e tem um par de estátuas de macacos de um lado e um de cães do outro, animais presentes no horóscopo chinês. Não é necessário pagar para visitá-la; a grande dificuldade mesmo é conseguir evitar as hordas de turistas para conseguir uma boa foto. Já para as outras atrações de Hoi An que eu vou listar a seguir, é necessário comprar um ticket que dá acesso a várias atrações da cidade antiga. Não me lembro do preço mais, só me recordo que cada ticket dá acesso a cinco atrações e vale por três dias. O número de atrações da cidade antiga é bem maior, mas creio dificilmente você vai querer visitar mais que cinco, pois elas são muito parecidas. Em todo caso, basta comprar outro ticket. Eles estão a venda na entrada da maioria dessas atrações, e vêm com partes destacáveis que eles recolhem a cada atração que você visita.

Escultura de dragão na Congregação Cantonesa

Escultura de dragão na Congregação Cantonesa

Algumas das atrações mais visitadas em Hoi An são lugares construídos por comunidades chinesas. Hoi An servia de porto para mercadores vindos de diferentes lugares da China, e cada uma dessas comunidades, identificadas de acordo com as províncias de origem, tinha suas próprias tradições. Assim, elas construíram locais chamados em inglês de assembly hall (hoi quan em vietnamita) e que eu vou chamar aqui de congregações. Eram lugares para reuniões, encontros e comemorações dessas comunidades, embora todas pareçam templos para nossos olhos ocidentais. É que há sempre altares para as divindades que protegiam a comunidade e as viagens de navio que seus membros faziam, além dos onipresentes incensos.

Estátuas de cavalos no interior da Congregação Cantonesa

Estátuas de cavalos no interior da Congregação Cantonesa

A mais central e próxima da Ponte Japonesa é a Congregação Cantonesa. Chamam a atenção aqui as duas estátuas de dragão, uma na entrada e outra no lindo jardim do fundo, onde há também um mural em alto-relevo e uma ponte curva em estilo oriental. O interior do templo é adornado com muitas espirais de incenso e duas meigas estátuas de cavalos.

Entrada da Congregação de Fujian

Entrada da Congregação de Fujian

A mais interessante, porém (na minha opinião) é a Congregação de Fujian, dedicada à divindade Thien Hau, protetora dos marinheiros e pescadores. A entrada é um lindo portão de cor rosa; dentro, além de imagens das seis famílias da província de Fujian que emigraram para Hoi An, há várias representações da própria Thien Hau. As figuras vermelha e verde com feições demoníacas, que ladeiam um dos ambientes da congregação, são ajudantes da divindade que a avisam quando há embarcações em perigo.

Altar dedicado a Thien Hau na Congregação de Fujian

Altar dedicado a Thien Hau na Congregação de Fujian

Há outras congregações, como a de Chaozhou e de Hainan. Além das duas mencionadas, visitamos apenas a Congregação dedicada a todas as comunidades chinesas. Com uma entrada mais simples, na cor azul, não tem muitos atrativos, mas a visita é gratuita (ou seja, não precisa apresentar aquele ticket com partes destacáveis para entrar).

Congregação dedicada a todas as comunidades chinesas

Congregação dedicada a todas as comunidades chinesas

Outras atrações comuns em Hoi An, incluídas no ticket, são antigas casas de família que, hoje em dia, são abertas à visitação. O objetivo é passar uma ideia de como era a vida de importantes famílias da cidade antigamente; entretanto, como as famílias já não vivem ali, a experiência é semelhante a visitar um mini-museu. No geral, alguém vem coletar seu ticket e faz uma explicação meio robotizada sobre a casa e a família que ali vivia, num inglês que eu achei por vezes difícil de entender. Muitas vezes oferecem também algum souvenir, embora eu não tenha ficado com a impressão de que eles insistem muito para que você o compre. Creio que vale à pena visitar uma ou duas dessas casas, para se ter uma ideia de como são; mais que isso a experiência pode ficar repetitiva.

Casa da Família Tan Ky. Repare nos detalhes em madrepérola encrustados nas colunas

Casa da Família Tan Ky. Repare nos detalhes em madrepérola encrustados nas colunas

A primeira que visitamos foi a Tan Ky, na rua Nguyen Thai Hoc. O que mais me chamou a atenção foi o interior de madeira e algumas colunas com caracteres chineses de madrepérola incrustados. Como o fundo do casa dá para a rua que margeia o rio, a casa é frequentemente inundada nas enchentes do Thu Bon. Numa parede, eles marcam até onde foi a altura da água, e é impressionante ver como ela chega, às vezes, quase a cobrir o primeiro pavimento. Nas cheias, eles têm que movimentar todos os móveis para o segundo pavimento, para que eles não sejam danificados. Pelo que eu percebi das marcas, as enchentes costumam acontecer em novembro, às vezes outubro. Ou seja, melhor evitar conhecer Hoi An nessa época.

Marcas que mostram até onde foram as enchentes na Casa Tan Ky

Marcas que mostram até onde foram as enchentes na Casa Tan Ky

Também visitamos a Capela da Família Tran. Além de um jardim bonito (onde, dizem, enterravam as placentas dos bebês da família) e de um bonito altar em laca vermelha, não me chamou muito a atenção.

Jardim da capela da família Tran

Jardim da capela da família Tran

Altar em laca vermelha na capela da família Tran

Altar em laca vermelha na capela da família Tran

É possível visitar todas essas atrações que eu mencionei num único dia, pois são todas próximas umas das outras e a visita não vai te tomar mais que meia hora. Assim, no segundo dia, pegamos emprestadas bicicletas em nosso hotel e fomos dar uma volta pela região. Ficamos no Long Life Riverside Hotel, localizado na península de An Hoi, mas distante a uma rápida caminhada do centrinho histórico. No geral gostei do local: não sei se todos os quartos são assim, mas o nosso era exageradamente grande, por uma diária que saiu, à época, por pouco mais de R$ 170,00, quarto duplo (reservei pelo Hoteis.com). O café da manhã era bom, a decoração meio exagerada, mas no estilo de Hoi An, o transfer da estação de trem funcionou direitinho e tinham esse serviço de empréstimo de bicicleta, sem custos (embora acredite que outros hotéis também ofereçam bicicletas, pois vi vários turistas pedalando pela cidade).

Mercado de Hoi An

Mercado de Hoi An

Na realidade, para circular pelo centrinho, a bicicleta é desnecessária, nada fica a uma distância excessiva à pé. Com a bicicleta, atravessamos a ponte e fomos conhecer a ilha de Cam Nam, ainda no rio Thu Bon. Nas proximidades da ponte, há uma aglomeração urbana. Alguns hotéis e pousadas que eu pesquisei ficam nessa região; se não for muito longe da ponte, acho que pode ser uma boa opção de hospedagem. De todo modo, o resto da ilha é uma paisagem rural sem maiores destaques, mas serve para ter contato com uma paisagem mais bucólica. Do lado da cidade, também nas proximidades da ponte Cam Nam, há um mercado de comida bem típico, legal para ver frutas e vegetais do Vietnã.

Estava nublado, mas a praia é bonita, vai...

Estava nublado, mas a praia é bonita, vai…

Também com a bicicleta, fomos conhecer uma das praias que ficam nas proximidades da cidade. Na verdade, há uns resorts em Danang que ficam diretamente na praia, mas acho que ficando num deles perde-se completamente o charme de Hoi An. E é perfeitamente possível visitar uma das praias de bicicleta — do centro de Hoi An até a praia mais próxima, gastamos uns 20 minutos pedalando. A paisagem até lá também é bastante bucólica, com alguns canais e os onipresentes campos de arroz do Vietnã. A praia pareceu-me bonita; o problema é que o tempo estava péssimo, fechado, de modo que não chegamos a ficar propriamente na praia: tiramos umas fotos e voltamos. Em todo caso, acho que vale à pena o passeio, e se o tempo estiver bom quando você for, vale à pena experimentar uma praia vietnamita (e contar aqui como foi a experiência).

A parada para o chá na volta da praia tinha essa linda vista...

A parada para o chá na volta da praia tinha essa linda vista…

Para chegar até a praia, é só pegar a rua Tran Hung Dao, no centro de Hoi An, e seguir rumo ao leste, sempre na mesma via. Na volta, paramos numa birosquinha na beira de um canal e tomamos um chá apreciando a vista do rio e da linda vegetação do local.

Lanternas iluminam as ruas de Hoi An à noite

Lanternas iluminam as ruas de Hoi An à noite

À noite, vale à pena dar uma volta no centro histórico para ver as famosas lanternas de Hoi An, que decoram as ruelas principais, acesas. Aliás, várias barraquinhas na área vendem lanternas de diferentes cores e tamanhos. As lanternas, uma vez fechadas e embaladas, não ocupam muito espaço na mala, e podem ser uma lembrança bacana para dar um toque de Indochina à sua próxima festa. Além disso, nos arredores da ponte que liga o centro à península de An Hoi (onde ficava meu hotel), garotos vendem velas para serem acesas e colocadas no rio. Faça um pedido e observe sua vela ir se afastando aos poucos no meio das outras, formando um lindo espetáculo de luzes.

Lojinha vendendo lanternas em Hoi An

Lojinha vendendo lanternas em Hoi An

Vendedor de velas para colocar no rio

Vendedor de velas para colocar no rio

As duas principais ruas do centro histórico são a Tran Phu (que termina/começa na Ponte Japonesa) e a Nguyen Thai Hoc. Tem ainda a Bach Dang, que é a que margeia o rio, mas com menos atrativos para o turista. Boa parte das atrações que eu mencionei aqui, as lojinhas e vários restaurantes ficam nessas ruas e nas perpendiculares que as unem, de modo que é nesta região que você vai encontrar o buxixo de Hoi An. Também é o local para ver as lanternas coloridas acesas à noite.

Interior do restaurante Mango Mango

Interior do restaurante Mango Mango

Tenho duas recomendações de restaurantes. Nas proximidades do nosso hotel, na península de An Hoi, mas bem próximo à ponte, fica o lindo Mango Mango. Devo dizer que foi uma das refeições mais caras do Vietnã (custou uns 70 dólares por pessoa), mas tratava-se de um menu que incluía duas entradas, prato principal, sobremesa, e ainda um drink à escolha. Ou seja, no final nem ficou tão caro assim. E é, de fato, um dos restaurantes mais bem cotados de Hoi An. Na minha opinião, valeu muito a experiência.

Dumplings de entradinha no Morning Glory

Dumplings de entradinha no Morning Glory

O outro fica no centrinho histórico e é bastante procurado por turistas, o Morning Glory. Estava indicado no nosso guia, e o casal paulista que havíamos conhecido no trem nos recomendou vivamente. Apesar de não ser tão estiloso como o Mango Mango, fica numa casa antiga de Hoi An, ou seja, é bastante pitoresco. E a comida estava muito boa, não decepcionou. Embora estivesse bem cheio, conseguimos sentar sem reserva, mas talvez seja recomendável fazer uma, principalmente se o número de pessoas for maior.

Vista do terraço do Cargo Club

Vista do terraço do Cargo Club

Além dos dois restaurantes, fomos ao Cargo Club, que lembra mais um café, mas onde é possível comer também. Talvez tenha me deixando a lembrança de um café por causa da seção de doces e tortas, que não faria vergonha alguma numa pâtisserie francesa (aliás, essa é uma herança do período colonial que os vietnamitas souberam aproveitar). Também é bastante concorrido e tem uma vibe meio de “gringolândia”, mas as vistas do terraço superior para o rio são matadoras.

Interior do Q Bar

Interior do Q Bar

À noite, também fomos conhecer o Q Bar, na Nguyen Thai Hoc. A iluminação moderninha e a música meio eletrônica lembram pouco o resto de Hoi An, mas achei bem bacana o lugar, sem contar que serve para descansar um pouco do estilo vietnamita-colonial. Os drinks não são baratos mas são bem feitos, a frequência é interessante, e a simpática proprietária (australiana ou neozelandesa, não me lembro bem), veio conversar conosco. Considerando-se a falta de opções noturnas na cidade (as ruas ficam vazias bem cedo), fomos lá nas duas noites que passamos na cidade, só para bebericar algo e relaxar antes de dormir.

Em resumo, achei a experiência de Hoi An imperdível para quem vai ao Vietnã. Embora não seja uma cidade cheia de atrações turísticas, o ambiente de “cidade asiática antiga” é muito interessante, e a presença de turistas de vários lugares do mundo faz com que as opções para comer sejam acima da média, considerando-se o tamanho da cidade. Se você está planejando uma viagem ao Vietnã, considere incluir Hoi An no roteiro.

Meu roteiro pela Turquia

A clássica de İstambul: Aya Sofya

A clássica de İstambul: Aya Sofya

Em 2009, quando morei em Berlim, passei uns dias em Istambul antes de voltar para casa. Ali já me encantei com a cidade e com a Turquia, e fiquei com vontade de voltar. Na época, como estava com uma mala gigantesca (depois de três meses de Berlim…), resolvi ficar só em Istambul mesmo, para não ter que ficar me deslocando com o trambolho.

Neste ano, surgiu a oportunidade de voltar, e eu quis colocar outros lugares para conhecer. Precisaria voltar a Istambul, já que meus outros companheiros de viagem não conheciam a cidade, mas eu nem me importei — Istambul tem material para muitas visitas! Além disso, seria imprescindível conhecer a Capadócia. Também queríamos conhecer um pedaço da costa da Turquia, pois algumas fotos mostravam paisagens lindas. Com isso montamos o roteiro.

Konak Meydanı, İzmir

Konak Meydanı, İzmir

Iniciamos por Izmir, a terceira maior cidade da Turquia, na costa do Mar Egeu. Lá não tem praia — até é possível visitar algumas próximas — mas, sendo uma cidade grande, a utilizamos como ponto de partida. Assim, voamos direto para lá — a conexão em Istambul foi meio corrida, mas a imigração foi incrivelmente rápida, e conseguimos pegar o voo a tempo. Infelizmente o mesmo não aconteceu com nossas malas (só uma chegou), mas elas foram entregues no hotel no dia seguinte. Mesmo sem praia, a cidade tem um calçadão beira-mar agradável com restaurantes e algumas atrações, que podem ser visitadas num dia com tranquilidade. Usamos Izmir também para fazer uma viagem bate-e-volta até Bergama, ao norte, onde ficam as ruínas da cidade grega de Pergamon — nome também de um dos principais museus de Berlim, já que um dos templos do local foi retirado dali e levado até a Alemanha (mais informações neste texto).

Acropolis de Pergamon

Acrópole de Pergamon

Forte Ayasuluk em Selçuk

Forte Ayasuluk em Selçuk

Preciso comentar que em Izmir também pegamos um carro alugado que usamos tanto para conhecer Pergamon como para a primeira parte da viagem. De Izmir rumamos ao sul, até Selçuk, uma cidade pequena mas bastante pitoresca, cerca de uma hora de viagem. O objetivo era visitar Éfeso, uma das cidades antigas gregas mais bem preservadas. O sítio de Éfeso ficam bem próximo a Selçuk, que também tem algumas outras atrações, como o que sobrou do antigo Tempo de Ártemis (uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo), as ruínas da Basílica de São João, a mesquita Isa Bey e a Casa de Maria. Ou seja, há bastante para se ver em Selçuk, e achamos a cidade bem preparada para receber o turista, apesar de pequena. Em todo caso, a maioria dos roteiros oferecidos pelas agências prevê estadia em Kuşadası, uma cidade de praia nas proximidades. Preferimos ficar em Selçuk porque é mais próxima das atrações — algumas dá para conhecer à pé — e porque li informações de que Kuşadası não é uma das cidades de praia mais charmosas da Turquia. Mas é uma opção também, e com praia.

A famosa Biblioteca de Celso em Éfeso

A famosa Biblioteca de Celso em Éfeso

Piscinas naturais em Pamukkale

Piscinas naturais em Pamukkale

De Selçuk fomos até Pamukkale, mais para o interior, uma viagem de cerca de 3 horas de carro. Incluímos este local no roteiro por causa de sua impressionante paisagem, com montanhas de origem calcária que mais parecem nuvens — o nome em turco, aliás, significa “Castelo de Algodão”. A cidade é bem pequena e bem mais limitada do ponto de vista turístico, mas eu acho que valeu à pena o desvio — a paisagem é bastante impressionante. Além das formações geológicas, é possível visitar as ruínas de Hierápolis, outra cidade antiga que funcionava como estância termal e spa desde o século II a.C., construída na parte de cima das formações rochosas. O teatro antigo de lá foi um dos mais bem preservados que eu vi na viagem.

Teatro de Hierápolis

Teatro de Hierápolis

De lá rumamos para Bodrum, mais umas 3 horas de carro. Escolhemos Bodrum porque era uma região que reunia a possibilidade de aproveitar uma praia com algumas atrações. Também porque o guia dizia que era uma cidade que conseguira se preservar um pouco da invasão dos europeus sedentos por praia e sol, sem se descaracterizar. Isso é em parte verdade: as construções são em geral baixas, mantendo uma vibe de cidade grega; contudo, é impossível não notar um certo ar de balneário eurotrash. A praia que escolhemos para ficar, Bitez, também foi meio decepcionante — nada daquele mar azul, além de ser meio tumultuada — embora tenha alguns restaurantes bacaninhas.

A cidade de Bodrum vista a partir do Castela de São Pedro

A cidade de Bodrum vista a partir do Castela de São Pedro

Em todo caso, gostei bastante da visita ao Castelo São Pedro, construído na época das Cruzadas com pedras retiradas do Mausoléu de Halicarnasso, outra das Sete Maravilhas do Mundo Antigo (dá para ver que várias ficavam na Turquia). O centrinho de Bodrum, com ruas para pedestres, lojinhas e bares, também é bacana; além disso, a península de Bodrum tem várias outras praias, de repente há outras mais bonitas do que a que a gente escolheu. Vai ver você dá mais sorte.

Mercado de peixes de Fethiye, onde há alguns restaurantes

Mercado de peixes de Fethiye, onde há alguns restaurantes

De Bodrum fomos até Fethiye, já na costa sul da Turquia, onde deixamos o carro. Lá só passamos o resto do dia e dormimos uma noite, pois no dia seguinte logo cedo pegamos um barco para velejar por três dias, até Demre. Entretanto, achei Fethiye bem charmosa, e acho que vale alguns dias. Há praias nos arredores, e eu não perderia por nada a praia de Ölüdeniz, considerada uma das mais bonitas da Turquia. Nosso barco até deu uma paradinha lá, mas creio que ela merece uma estadia mais demorada. Um casal neozelandês que estava no barco conosco disse que eles a haviam conhecido antes do passeio e que gostaram muito.

Praia de Ölüdeniz (imagem obtida em http://www.yeniemlak.com/)

Praia de Ölüdeniz (imagem obtida em http://www.yeniemlak.com/)

Uma das praias em que paramos com o gület

Uma das praias em que paramos com o gület

Quero relatar a experiência do barco, chamado de gület em turco, em outro texto. Só gostaria de dizer que pensamos que ficar no barco por três dias seria um perrengue, mas até que foi tranquilo. Dá para tomar banho (com algumas limitações, claro), a comida no nosso barco estava boa (mas não espere nada elaborado) e as paisagens valem muito à pena! A água tem aquela cor azul-esverdeada que não deixa nada a dever às praias gregas. Enfim, foi ótimo para descansar e relaxar.

Um das paradas do gület foi na charmosa cidade de Kaş

Um das paradas do gület foi na charmosa cidade de Kaş

O barco para em Demre, mas é possível pegar um ônibus, incluído no valor do passeio, até Olympos. Dizem que a praia lá é bonita, ainda que Olympos em si seja uma vila sem muitas atrações. Nós, porém, seguimos de ônibus direto para Antalya, também na costa do Mediterrâneo. Antalya foi outra cidade que me deixou uma boa impressão. Tem umas praias, mas só as vi do ônibus, não sei dizer se são bacanas. É que só passamos uma tarde lá. Deixamos as malas num guarda-volumes na rodoviária e pegamos um táxi para o centro histórico, que eu achei bem charmoso. Ruas pequenas, muitos restaurantes, bares e cafés com gente jovem. O Portão de Adriano, numa das entradas da cidade antiga, e o Minarete-Flauta, bem alto e todo de tijolos, também me impressionaram. Eu teria passado uns dois dias lá tranquilamente, só curtindo esse centro histórico — embora uma visita à praia também pode servir de desculpa para demorar-se um pouco mais na cidade.

Detalhe do Portão de Adriano, em Antalya

Detalhe do Portão de Adriano, em Antalya

Telhados de Antalya com o minarete-flauta ao fundo

Telhados de Antalya com o minarete-flauta ao fundo

Infelizmente nosso roteiro não previa uma estadia em Antalya, e já à noite pegamos um ônibus para Göreme, na Capadócia. Era um ônibus noturno: saímos de Antalya por volta das 22h e chegamos em Göreme por volta das 7h da manhã. Como não sei se vou escrever algo específico a respeito, vou deixar aqui algumas dicas e impressões sobre essa viagem de ônibus na Turquia.

Embora as principais companhias de ônibus do país tenham sítios na internet, onde até há opção de se comprar passagens, nós não conseguimos fazê-lo. Cheguei até a enviar um e-mail para uma delas, que me respondeu que, de fato, compras de fora da Turquia não eram possíveis. Pois bem, deixamos para comprar em Izmir, assim que chegamos no país, sem dificuldades. Claro, como isso foi feito quase duas semanas antes da viagem em si, havia lugares de sobra no horário que escolhemos. Talvez, se você deixar para comprar muito em cima da viagem, ou chegar na Turquia pouco antes da viagem de ônibus programada, pode ter dificuldades.

Tínhamos duas opiniões diferentes a respeito dos ônibus na Turquia. A guia de viagem que contactamos disse que não eram muito confortáveis e que não havia ônibus-leito lá. O Lonely Planet afirmava que as viagens eram tranquilas e confiáveis. Aliás, cheguei a ler num guia, salvo engano o Rough Guide — de uma canadense que fez o passeio de barco comigo — que uma viagem de ônibus lá era uma das top experiences da Turquia. O que eu achei: não esperava um ônibus-leito, mas imaginei que fosse um pouco mais confortável. Achei as poltronas apertadas, quase como as dos aviões que a gente pega aqui no Brasil em viagens domésticas. Porém, para ser sincero, dormi a viagem quase inteira, então nem me incomodei muito. Dizem que são servidas algumas bebidas e, de fato, um dos meus companheiros viu o funcionário passando com água, suco, café e chá. Eu não vi porque estava dormindo. Os horários foram respeitados — a chegada foi um pouco depois do previsto, mas nada escandaloso. Enfim, acho que para um brasileiro que já viajou de ônibus por aqui, a viagem, desde que não muito longa, é tranquila, sim, nada muito diferente do que estamos acostumados . Havia vários gringos viajando conosco, indicando que é uma forma confiável de deslocar-se — mas daí a considerá-la uma das top experiences da Turquia é outra história. A companhia em que viajamos foi a Kamil Koç, pode ser que outras tenham ônibus mais confortáveis, mas de alguma forma eu acho isso improvável (outra bastante conhecida é a Metro Turizm).

Museu a Céu Aberto de Göreme

Museu a Céu Aberto de Göreme

Uma última dica a respeito: se for para a Capadócia, não se esqueça de frisar que a viagem é até Göreme (ou Ürgüp, se for essa a cidade onde for ficar). Evite descer na rodoviária em Nevşehir, pois há opções que seguem até as outras cidades da Capadócia. O guia que eu usei alerta para malandros que abordam turistas em Nevşehir, oferecendo hotéis e transporte até o destino final. De fato, quando o ônibus parou ali, descemos para dar uma esticada nas pernas e recebemos abordagens meio estranhas. Se não conseguir, tente contato com o hotel que você reservou e veja se é possível que eles busquem vocês em Nevşehir, que é bem próxima de Göreme.

Vale Paşabağı, Capadócia

Vale Paşabağı, Capadócia

A estadia na Capadócia foi de três dias, com guia e passeios já contratados. Ficamos baseados em Göreme e fazíamos os deslocamentos em uma van até as outras cidades e atrações. Os três dias foram suficientes e vimos muita coisa, mas, se você estiver com mais pressa, acho que dá para cortar um deles. Só tenha em mente o seguinte: os famosos passeios de balão às vezes são cancelados por questões climáticas. No dia em que chegamos, conhecemos dois americanos que estavam fazendo check out no  hotel; eles contaram que, no dia anterior, os balões tinham sido proibidos de voar, e como eles já estavam indo embora, acabaram não conseguindo fazer o passeio. Assim, mais dias representam uma maior flexibilidade, caso o balão não saia no dia marcado.

Passeio de balão na Capadócia

Passeio de balão na Capadócia

De lá pegamos um avião até Istambul, onde ficamos alguns dias até a volta. São dois os aeroportos que servem a Capadócia: o da já mencionada Nevşehir, e o de Kayseri, que foi de onde saímos. Kayseri é um pouco mais distante que Nevşehir, mas acho que compensa fazer uma pesquisa nos dois aeroportos, para ver o preço e o horário mais adequados para você. Só tenha em mente que, se for sair/chegar em Kayseri, o deslocamento é um pouco mais longo.

Indo para o aeroporto de Kayseri

Indo para o aeroporto de Kayseri

Istambul merece textos à parte, então vou encerrar o texto por aqui. Gostaria de fazer apenas algumas observações extras. O aluguel do carro e o tour na Capadócia foram contratados, ainda do Brasil, com a agência Argeus Tours (baseada em Ürgüp, na Capadócia), com a simpática Cíntia. Os preços não são exatamente baratos, mas gostamos do serviço. Nosso guia na Capadócia falava português e foi bom não ter que se preocupar com os deslocamentos, essenciais nessa região. Ela até elaborou um roteiro para o restante da viagem, mas acabamos fechando só o aluguel do carro e o tour na Capadócia mesmo. Sinceramente, foi tranquilo montar o restante da viagem por conta própria, mas se você estiver inseguro ou com preguiça mesmo, pode fechar tudo com eles.

Estrada entre Selçuk e Pamukkale

Estrada entre Selçuk e Pamukkale

Dirigir na Turquia foi bastante tranquilo: as estradas são boas, e muitas estavam duplicadas. A maior parte dos pedágios são automáticos — ainda estou aguardando a cobrança no cartão, então não sei dizer o valor. A própria Cíntia nos sugeriu o aluguel do carro nesta primeira parte da viagem e eu já tinha lido relatos de brasileiros na internet que também o recomendavam; de fato, gostamos da experiência e da liberdade de deslocamento que ele dá. Dentro das cidades, porém, pode ser difícil localizar-se e estacionar. Em Bodrum penamos para achar o hotel e para estacionar perto do centro, onde estão algumas atrações. Um GPS é fundamental; se você não tiver, alugue um. Outro ponto negativo de alugar um carro é o preço da gasolina na Turquia, que é caríssima. Tente um carro a diesel, que é um pouco mais barato. Para devolver o carro em Fethiye, pagamos uma taxa de deslocamento, mas nada estratosférico.

O mirante com esta linda vista fica na estrada entre Bodrum e Fethiye

O mirante com esta linda vista fica na estrada entre Bodrum e Fethiye

Não viajamos de trem na Turquia, e no nosso roteiro, salvo engano, só seria possível fazê-lo entre Izmir e Selçuk. Há, porém, os já mencionados ônibus. A diferença é a pouca flexibilidade no horário, além do deslocamento até as rodoviárias em cada cidade. Em todo caso, se os sítios das companhias de ônibus não permitem a compra daqui do Brasil, você pode pelo menos olhar os horários e se programar minimamente. Com estas dicas, espero que você se divirta e se encante pela Turquia tanto como eu.

Templos de Bangkok: Wat Phra Kaew, Wat Pho e Wat Arun

Vista do Wat Phra Kaew e do Grande Palácio a partir do Wat Arun

Vista do Wat Phra Kaew e do Grande Palácio a partir do Wat Arun

A Tailândia é um país majoritariamente budista; 95% dos tailandeses seguem o budismo da linha teravada, originária do sul da índia e do Sri Lanka. Essa linha apresenta imagens esguias de Buda, em diferentes posições, de modo que você dificilmente verá, na Tailândia, aquela tradicional imagem do Buda gordinho e sorridente, que a gente conhece mais no Brasil.

Wat Phra Kaew

Wat Phra Kaew

O rei da Tailândia (atualmente o monarca mais longevo do mundo) ocupa um lugar de destaque no budismo tailandês. Sendo assim, a capital do país, Bangkok, conta com uma infinidade de templos budistas, muitos abertos à visitação. Vou falar nesse texto dos três principais e mais visitados, que foi os que eu conheci. Como disse no outro texto sobre Bangkok, há muitas atrações na cidade e o tempo era curto. Além disso, já havíamos visitado muitos templos em Chiang Mai, uma cidade no norte da Tailândia que também é muito importante para a cultura e religião do país (quem sabe eu escrevo sobre lá em outro texto).

Mas se você estiver com tempo e gostar de visitar templos budistas (eu achei todos lindos), vale à pena pesquisar outros lugares na cidade. Eu, pessoalmente, se tivesse tido mais tempo, gostaria de ter visitado o lindo Wat Benchamabophit, que é a foto de capa do guia do Lonely Planet da Tailândia e é feito em mármore Carrara.

Wat Benchamabophit (imagem obtida na Wikipedia)

Wat Benchamabophit (imagem obtida na Wikipedia)

Comecemos pelo principal, o Wat Phra Kaew. Seu nome significa “Templo do Buda Esmeralda”, porque uma de suas estruturas abriga uma estátua de Buda de cor esverdeada (na verdade a pedra usada é outra, não é esmeralda de verdade) que é uma das principais imagens do budismo tailandês. A história conta que essa estátua foi roubada por invasores do Laos e recuperada 200 anos depois. Quando a capital do reino mudou para Bangkok, a estátua foi levada para lá e o grandioso Wat Phra Kaew foi construído para abrigá-la.

Yakshas guardando um dos portões do Wat Phra Kaew

Yakshas guardando um dos portões do Wat Phra Kaew

Quando fazia minha pesquisa sobre a Tailândia, li que a indumentária nos templos tailandeses era bastante estrita. Ou seja, nada de bermudas, saias curtas, tops com barriga a mostra… Confiando no respeito a essas regras, nossa primeira incursão em Chiang Mai para visitar templos foi feita com calça jeans. Qual não foi minha surpresa ao ver a gringaiada toda de bermuda entrando normalmente nos templos de lá. Assim, considerando-se o calor que faz na Tailândia, passamos a adotar a bermuda como vestimenta adequada, mesmo para visitar os templos.

Isso, porém, não vale para o Wat Phra Kaew. Talvez seja a importância que o local tenha para o budismo e para a realeza tailandesa – o templo fica ao lado do Grande Palácio, que, se hoje não é mais usado com frequência pela monarquia, ainda é um palácio real (aliás, a visita ao Wat Phra Kaew inclui uma visita a algumas partes deste palácio). O fato é que chegamos lá trajando bermudas, crentes que íamos entrar normalmente como havíamos feito em outros templos, e demos com os burros n’água.

A muvuca na entrada do Wat Phra Kaew

A muvuca na entrada do Wat Phra Kaew

A solução: na entrada do templo, eles alugam umas calças meio folgadas, como aquelas calças de bali que foram usadas uma época no Brasil. Assim, dá para vestir por cima da sua roupa – seja uma bermuda, seja uma sainha curta. As calças são horrorosas, mas foi a solução que encontramos para não precisar voltar ao hotel, que ficava longe. Bastou direcionar as fotos da cintura para cima, evitando que a feiosa aparecesse. Se você também não está a fim de passar calor dentro de uma calça no restante do dia, pode recorrer a elas também. Entretanto, se você prefere não passar esse “mico” de ficar usando a calça feiosa durante a visita ao templo, melhor ir de calça comprida. Também é bom evitar regatas e blusas sem manga, no caso das meninas.

Profusão de estupas e torres no Wat Phra Kaew

Profusão de estupas e torres no Wat Phra Kaew

O Wat Phra Kaew não é apenas um templo: é, na verdade, um emaranhado de construções e mini templos espalhados por uma grande área (de acordo com o Lonely Planet, o complexo tem mais de 100 construções). Lembra uma Disneylândia budista, tamanha a profusão de estupas e torres coloridas. Direcione pelo menos duas horas para a visita, principalmente se estiver fazendo calor — lembre-se que a vista também inclui o Grande Palácio ao lado.

A estátua do Buda Esmeralda

A estátua do Buda Esmeralda

A estátua do Buda Esmeralda fica no maior prédio do local, chamado de Ubosot, e é em si é meio decepcionante. É pequena e fica bastante elevada, distante do chão. Dentro do templo não é possível fotografar — a foto que eu consegui tirar e que está aqui foi feita do lado de fora, com bastante zoom, daí a péssima qualidade. Repare que ela traz vestimentas ricamente adornadas; consta que a cada estação ela é trocada pessoalmente pelo rei ou, hoje em dia, pelo príncipe (pois o rei já está bem velhinho).

Um dos murais do Wat Phra Kaew

Um dos murais do Wat Phra Kaew

De todo modo, vale andar bastante pelo complexo de construções que compõem o Wat Pha Kaew.  Os muros das extremidades, por exemplo, são decorados com pinturas murais que ilustram o épico Ramayana. Há também uma maquete com uma réplica do Angkor Wat, no Camboja (leia mais a respeito nos textos que eu escrevi sobre lá). Repare ainda nas gigantescas estátuas de guardiões chamados de yakshas (ou yakshis), próximas às entradas e saídas do complexo e na decoração de garudas, figuras míticas meio pássaro, meio humanas, usada em várias construções. Também metade pássaro, metade mulher, as elegantes estátuas de kinnaras, uma entidade mitológica do hinduísmo e do budismo, podem ser vistas no local.

A elegante kinnara no Wat Phra Kaew

A elegante kinnara no Wat Phra Kaew

Grande Palácio

Grande Palácio

O Grande Palácio é visitado, como dito, com o mesmo ingresso. Tome cuidado para não perder a entrada para lá, que é pequena e fica próxima à entrada do Wat Phra Kaew em si, à direita de quem entra. Há um outro portão, bem grande, por onde também é possível sair do Wat Phra Kaew, mas sem passar por dentro do Grande Palácio. Nós nos enganamos e saímos por lá, e depois não quiseram deixar a gente voltar, mesmo argumentando que não havíamos visto a entrada para o Grande Palácio. A solução foi dar uma de joão-sem-braço e voltar pela saída do Grande Palácio; como havia um grande movimento de pessoas, ninguém reparou na nossa “entrada”. Jeitinho brasileiro, claro, mas paciência, não havíamos feito de propósito, e só queríamos visitar o que o ingresso já inclui.

Grande Palácio

Grande Palácio

Embora ainda seja usado para algumas cerimônias, o Grande Palácio foi substituído no começo do século XX, durante o reinado do rei Rama V, pelo Palácio Dusit, mais moderno. Mesmo sendo mais antigo, o Grande Palácio tem alguns elementos de arquitetura ocidental, embora o típico telhado colorido com torres pontiagudas, bem tailandês, esteja presente. Ainda que menos chamativo que o templo vizinho, é um passeio bastante agradável e a visita tende a ser mais rápida. Alguns sisudos guardas, semelhantes aos ingleses, vigiam o local, e é comum ver pessoas tirando fotos ao seu lado sem que eles se movam um milímetro.

Wat Pho

Wat Pho

Mesmo que o Wat Phra Kaew seja o mais importante templo de Bangkok (e talvez da Tailândia), o Wat Pho, que fica ao lado, foi o meu preferido. Lá já não é obrigatório cobrir as pernas, ou seja, não é preciso alugar aquelas calças feias se você estiver de bermuda. A grande atração do local é a gigantesta estátua do Buda Deitado, com 46 metros de comprimento e 15 de altura! Fica até difícil fotografar a estátua inteira! A representação do Buda deitado representa sua morte e passagem para o nirvana. Para completar a grandiosidade, os pés da estátua são incrustados em madrepérola com símbolos budistas.

A gigantesca estátuta do Buda deitado no Wat Pho

A gigantesca estátuta do Buda deitado no Wat Pho

Os pés de madrepérola do Buda deitado

Os pés de madrepérola do Buda deitado

Além de ser um dos templos mais antigos da cidade, o Wat Pho foi um centro de medicina tradicional e massagem tailandesa. De fato, uma massagista me falou que comprou produtos para massagem lá em sua viagem à Tailândia (a escola mudou-se para um local próximo). De todo modo, é possível ainda fazer massagens dentro do Wat Pho, mas eu não sei se é boa e se a espera é grande, pois não procurei.

Fila de estátuas de Buda no Wat Pho

Fila de estátuas de Buda no Wat Pho

Além do templo que abriga o Buda Deitado, o complexo abriga muitas outras construções e uma impressionante coleção de 394 estátuas do Buda, em diferentes posições. Não sei se foi pelo horário (mais para o final do dia), mas achei o passeio lá bem mais tranquilo que no Wat Phra Kaew — em alguns lugares mal se via outros visitantes. Para apaixonar-se de vez pelo lugar, vale dizer que na entrada, depois de pagar o ingresso (50 bahts, quando fui), ganha-se um vale-água; a água em si você pega na saída do templo do Buda deitado. Ótimo para amenizar o calor de Bangkok!

Wat Pho

Wat Pho

O Wat Arun foi a única atração que visitamos do outro lado do Chao Praya, o rio que corta Bangkok (há algumas outras mencionadas pelos guias, mas não muitas). De todo modo, em qualquer passeio de barco pelo rio você avistará sua torre bem alta. O templo foi construído em estilo khmer e existe desde o século XVII, embora a torre tenha sido colocada depois.

Chegando de barco no Wat Arun

Chegando de barco no Wat Arun

De longe, o templo parece ser todo feito de uma pedra escura. De perto, é possível ver detalhes coloridos, com pequenas estátuas e flores. Os mosaicos enscrustrados, parecidos com aqueles usados pelo Gaudí em Barcelona, foram feitos com porcelana chinesa quebrada, que muitas vezes era usada como lastro por barcos mercantes vindos da China (e que portanto precisavam deixar essa porcelana em Bangkok para voltar). A única estátua do Buda gordinho que vimos na Tailândia fica bem na entrada do Wat Arun.

Wat Arun

Wat Arun

Olha a escada para subir no Wat Arun!

Olha a escada para subir no Wat Arun!

É possível subir até uma determinada altura na torre, mas já aviso que a escadinha não é para fracos. As vistas lá de cima são bem bonitas, com o rio, o Wat Pha Kaew e o Grande Palácio do outro lado.

Para chegar ao Wat Arun, desça na estação de barcos de Tha Tien, e de lá pegue um outro barco, que faz apenas essa travessia do rio até o templo, na outra margem.

Detalhes do Wat Arun

Detalhes do Wat Arun

Ushuaia

Ushuaia entre o mar e a montanha

Ushuaia entre o mar e a montanha

Ushuaia, no extremo sul da América do Sul, é um nome que sempre me despertou curiosidade. Como seria uma cidade instalada em um local tão extremo? Ali, o conceito de “fim do mundo” ganha contornos palpáveis. No ano passado, aproveitei uma viagem para a Patagônia para esticar até lá.

Ushuaia é, de fato, uma das cidades mais austrais (ao sul) do mundo. Há, na verdade, um pequeno povoado chileno, do outro lado do Canal Beagle e, portanto, um pouco mais ao sul que Ushuaia. Mas enquanto Puerto Williams (o tal povoado chileno) conta com cerca de 2.500 habitantes, muitos deles militares, Ushuaia é uma cidade já estabelecida, com mais de 50 mil habitantes e uma vida econômica mais diversificada. Com esse porte, Ushuaia realmente não encontra rivais mais ao sul.

Farol no Canal Beagle

Farol no Canal Beagle

Mas há outros motivos para conhecer este canto do planeta, do que simplesmente estar “onde o vento faz a curva”. As atrações estão mais ligadas à natureza, devo dizer; a cidade em si tem até umas partes bonitinhas, mas no geral não impressiona. De todo modo, a cidade tem algumas atrações também e serve de base para os passeios.

O canal, a cidade e as montanhas vistas do avião

O canal, a cidade e as montanhas vistas do avião

Dada sua posição remota, é mais fácil chegar lá de avião. É possível também ir de ônibus, mas é complicado, pois Ushuaia fica na Tierra del Fuego, uma ilha dividida entre o Chile e a Argentina. Aliás, para sair por terra, é necessário entrar em território chileno: não há barcos ou ferries que façam a ligação entre a Tierra del Fuego argentina e seu território continental. Os destinos mais factíveis de ônibus são Punta Arenas, no Chile, El Calafate e Río Gallegos, na Argentina. De avião, pegamos um voo de El Calafate, com cerca de uma hora de duração. Na volta, para Buenos Aires, o voo durou pouco mais de 3 horas. O pouso em Ushuaia, a propósito, impressiona: a cidade fica entre o Canal Beagle, um braço do mar que separa a  Tierra del Fuego da Isla Navarino, e uma série de montanhas com bastante neve no topo.

Tenho a impressão de que nunca faz muito calor em Ushuaia. Fomos em dezembro, já no final da primavera, quase verão, e a temperatura pouco superava os 10 graus, nas horas mais quentes. Segundo nos contaram, duas semanas antes de chegarmos ainda havia nevado. Nem imagino como deve ser aquilo no inverno. De todo modo, quando fomos, as estações de esqui estavam fechadas; por isso, se você quiser esquiar, tem que ir numa época mais fria ainda. Por outro lado, a natureza estava bem exuberante, e o passeio no Parque Nacional foi lindo. Escolha a época de acordo com seus interesses: mais esportes de neve ou mais trekkings.

A Iglesia de la Merced na movimentada Avenida San Martín

A Iglesia de la Merced na movimentada Avenida San Martín

A escolha do hotel deve levar em conta que a cidade tem uma parte mais baixa e uma parte mais alta. A Avenida San Martín, que corre mais ou menos paralela ao mar, é a principal via de comércio (pelo menos para turistas) e ainda fica na parte baixa. Por isso, ficar na San Martín ou nas proximidades pode ajudar no deslocamento diário, principalmente à noite, ao sair para jantar ou beber. Dali em diante é tudo praticamente subida. Ficamos na Hosteria Foike, um hotel pequeno, com cara de bed & breakfast. O lugar em si é fofo e o próprio dono, que mora em uma casa na parte da frente, nos recebeu, além de ter mandado um táxi nos buscar no aeroporto, sem custo extra. O problema principal de lá, na minha opinião, é que fica já na parte alta da cidade. Se você olhar num mapa, nem vai achar tão longe da San Martín, mas vá por mim: a subida não é moleza. Outro problema menor que eu constatei é que lá não havia ninguém na recepção à tarde, a não ser quando chegamos, no check in. Se precisar de dicas ou de contratar algum passeio, tem que aproveitar para fazê-lo de manhã, na hora do café.

Hosteria Folke, nosso hotel

Hosteria Folke, nosso hotel

Os quiosques que vendem os passeios pelo canal, na Avenida Maipú

Os quiosques que vendem os passeios pelo canal, na Avenida Maipú

Quanto às atrações propriamente ditas, comecemos com os passeios. Entre os mais procurados, estão os de barco pelo Canal Beagle. Contratamos o nosso diretamente no hotel; mas você pode também ir diretamente na Avenida Maipú (a que margeia o canal, abaixo da San Martín), na altura da rua Roca, onde há vários quiosques vendendo estes passeios de barco. Há uma versão mais simples, que visita apenas o farol e os lobos marinhos, não me lembro a duração. Fizemos a versão mais demorada, com cerca de 5 horas, que vai até uma ilha onde há pinguins, mais afastada de Ushuaia. Há ainda uma terceira versão, em que você pode descer na ilha dos pinguins — no nosso caso, todas as observações eram feitas de dentro do barco, embora ele chegue bem perto das ilhas, permitindo fotos relativamente próximas dos animais. Informe-se no hotel sobre a duração e o preço de cada um desses passeios, pois esqueci de anotar os valores. Devo dizer que faz muito frio nos barcos por causa do vento, embora eles contem com uma parte fechada com aquecimento. Para tirar fotos dos bichos e da paisagem, porém, é necessário enfrentar o frio. Leve proteção.

A ilha dos pinguins

A ilha dos pinguins

Ilha com lobos marinhos -- o cheiro é péssimo!

Ilha com lobos marinhos — o cheiro é péssimo!

O segundo passeio que fizemos foi no Parque Nacional Tierra del Fuego. O parque é bem grande e o passeio pode durar um dia inteiro, com várias possibilidades de trekking. O nosso passeio durou cerca de 4 horas e foi feito com um motorista particular, indicado pelo hotel. Nos custou 700 pesos argentinos (uns 70 dólares, dependendo da cotação, que anda uma loucura na Argentina), sem gorjeta. Eu achei caro e possivelmente há opções mais baratas nas agências da Avenida San Martín. Mas não havíamos contratado nada com antecedência e foi o que conseguimos arranjar no hotel enquanto tomávamos o café da manhã. A vantagem do passeio com motorista particular foi poder escolher as paradas com ele, além de termos maior flexibilidade no tempo em que ficávamos em cada lugar. De todo modo, pelo menos na época em que eu fui, achei o passeio ao parque imperdível: as paisagens são de tirar o fôlego!

O trem do fim do mundo, prestes a partir

O trem do fim do mundo, prestes a partir

O passeio ao parque pode ser combinado também com a atração El Tren del Fin del Mundo. Foi o que fizemos e vi que alguns tours guiados também fazem: o motorista nos deixou no embarque do trem e nos esperava no final do percurso, para continuarmos dentro do parque. Vi que havia alguns ônibus e vans esperando também no mesmo local, e por isso concluí que alguns tours seguem a mesma lógica. O trem na verdade começa fora do parque e, no meio do trajeto, entra em sua área. É beeeem lento — o percurso demora cerca de uma hora –, mas as paisagens são bem bonitas, valem à pena. Há uma parada no meio para observação de uma cachoeira, durante a qual as fotos na frente da maria-fumaça são disputadas a tapa. Além disso, durante o trajeto, informações em espanhol, inglês e português são fornecidas. Nelas fica-se sabendo que o trem é um dos mais estreitos do mundo e que a linha era usada por presidiários para recolher matérias-primas para a construção do presídio e da cidade. É preciso destacar que o preço do trem não estava incluído nos 700 pesos que pagamos pelo passeio; de todo modo, só precisamos, claro, pagar a ida. Aliás, temos descontos como integrantes do Mercosul — o que, a propósito, pudemos observar em várias outras atrações da Argentina nessa viagem. Fique de olho e pergunte sempre.

Paisagem avistada da janela do trem

Paisagem avistada da janela do trem

Nosso motorista nos mostrou um mapa e escolhemos alguns pontos para parar, também de acordo com o que havíamos conversado com o proprietário do hotel. Não sei dizer, de todo modo, se foram escolhas acertadas, mas gostei de todas. Veja as fotos e decida por conta própria; além disso, informe-se na internet, no hotel, com outras pessoas. O primeiro lugar onde paramos foi uma baía em frente à Isla Redonda, chamada de Ensenada Zaratiegui. Além da paisagem bonita, há uma lojinha onde um tio bem engraçado carimba no seu passaporte que você esteve “no fim do mundo” — detalhe, há uma foto do cara na etiqueta que acompanha o carimbo! Tirando a vergonha que eu sinto hoje quando passo em alguma imigração e o funcionário fica olhando para aquilo, até que é legal. Também de lá é possível mandar postais “do fim do mundo” pelo correio para os entes queridos no Brasil.

A Ensenada Zaratiegui. Ap fundo, a casinha onde é possível carimbar o passaporte

A Ensenada Zaratiegui. Ao fundo, a casinha onde é possível carimbar o passaporte

A paisagem no Lago Roca

A paisagem no Lago Roca

Depois fomos para as margens do Lago Roca, que é dividido entre a Argentina e o Chile — mas é claro que você só fica do lado argentino. A paisagem é deslumbrante e há uma cafeteria no local com uma empanada deliciosa para repor as energias. De lá fomos para um mirante, acessado por uma pequena trilha, de onde é possível avistar-se a Laguna Negra e algumas montanhas ao redor, com os picos nevados.

O mirante da Laguna Negra

O mirante da Laguna Negra

Trilha para o Mirador Lapataia

Trilha para o Mirador Lapataia

Por fim, fizemos o único trekking do passeio, super fácil. Para falar a verdade, no final da viagem, depois de passarmos pelo Parque Torres del Paine e por El Calafate, estávamos bem cansados. Há trilhas mais complexas dentro do parque, e na época do ano em que fomos elas devem ser lindas, pois a vegetação estava exuberante (no inverno deve ser mais complicado). Explicamos ao motorista e ele nos deixou na entrada da trilha que dá acesso ao Mirador Lapataia. Depois de uma pequena caminhada, chega-se ao mirante, de onde se tem lindas vistas da Baía Lapataia. De lá, desce-se por outra trilha e chega-se a um marco, que indica o final da Ruta Nacional 3: ela atravessa o país desde Buenos Aires. Ali também há uma outra trilha, mas só andamos um pouco pelas margens da Baía Lapataia, onde há alguns mirantes com lindas vistas para a baía e para as montanhas ao redor. Nosso motorista nos esperava próximo ao marco da RN 3.

Vista do Mirador Lapataia

Vista do Mirador Lapataia

Fim da Ruta Nacional 3, na Baía Lapataia

Fim da Ruta Nacional 3, na Baía Lapataia

É possível também visitar castoreiras dentro do parque, as represas formadas por castores. Como explicou nosso motorista, os castores são animais exóticos à região, tendo sido trazidos da América do Norte para a exploração de pele. Acontece que, uma vez introduzidos, os castores viraram uma espécie de praga, pois devastam e inudam vastas áreas de floresta de lenga, típicas da região, alterando o ecossistema local. Com esse retrato pouco amigável dos bichinhos, preferimos deixar para lá. Também avistamos raposas — essas sim típicas da região — mas, devo dizer, na Patagônia toda é relativamente fácil ver raposas.

Trilha para o Cerro Martial, com o teleférico ao lado

Trilha para o Cerro Martial, com o teleférico ao lado

O terceiro passeio que fizemos foi para o Cerro Martial. Não fica muito longe da cidade, mas não acho que dê para ir caminhando até lá: de táxi são uns 20 minutos de subida, numa estrada em zigue-zague. Pegamos o táxi na rua mesmo, na Avenida San Martín, e a corrida até lá deu uns 40 pesos. O táxi parou na entrada de um teleférico (aerosilla) que existe no local, mas ele estava fechado neste dia, não sei bem por quê. Uma pena, deve ser um passeio bem legal. Em todo caso, é possível fazer o caminho do teleférico à pé, por uma trilha bem bonita, margeando um riacho; só que são uns 45 minutos de caminhada, em subida, ou seja, não é um “simples passeio no bosque”. Chegando-se à parada final do teleférico, pode-se subir um pouco mais, para ir até o glaciar da montanha. Mesmo em dezembro, havia neve no local, apenas alguns metros depois do final da aerosilla. Também há trekkings no meio da neve, mas não sei dizer se são difíceis ou se valem à pena; de todo modo, há algumas informações sobre o grau de dificuldade em placas no local.

O Cerro Martial

A neve no Cerro Martial

De volta à base no teleférico, paramos para descansar numa linda casa de chá, onde também funciona uma lojinha com lembrancinhas. Devo dizer que nem sempre há táxis esperando para voltar à cidade (talvez com o teleférico funcionando eles sejam mais frequentes) mas, se aparecer algum já com passageiros, basta pedir para o motorista chamar outro táxi para você. Outra opção é combinar com o taxista que te levou um horário para voltar. Como não sabíamos quanto tempo íamos ficar lá — e, com  a aerosilla fechada, acabamos demorando mais do que havíamos pensado — preferimos deixar para procurar um táxi depois do chá.

A casa de chá na base do teleférico: tipo casa da vovó

A casa de chá na base do teleférico: parece casa da vovó

Há outros dois passeios bastante procurados em Ushuaia que não fizemos. O primeiro é para o Cerro Castor, uma estação de esqui bem grande não muito longe da cidade. Estava fechada quando fomos, por causa da época, já com pouca neve. Além disso, Ushuaia é também bastante procurada para cruzeiros para a Antártida. Mas não é um passeio curtinho: pelo que eu li, é preciso pelo menos uns 10 dias para ir até o continente gelado de barco. Por isso, é mais provável que você chegue lá com tudo arranjado, embora não seja impossível conseguir vagas de última hora em Ushuaia, desde que você tenha a disponibilidade de tempo que eu mencionei.

A entrada dos Museo Marítimo e Museo del Presidio

A entrada dos Museo Marítimo e Museo del Presidio

Na cidade de Ushuaia propriamente, há três museus. O mais visitado é o Museo del Presidio (onde também funciona um museu naval), que fica no cárcere desativado de Ushuaia. No começo do século XX, como forma de assegurar sua soberania na região, o governo da Argentina passou a mandar prisioneiros para Ushuaia, e a cidade, assim, começou mais como uma colônia penal. O presídio foi desativado em 1947. Este museu vale pelo local em si, para poder conhecer por dentro um presídio e suas estruturas. Também há alguns relatos interessantes sobre prisioneiros célebres que passaram pelo local, sejam presos políticos, sejam assassinos em série. Mas, no geral, achei o acervo pouco interessante. Havia uma visita guiada começando quando chegamos, mas tinha tanta gente acompanhando que desistimos de segui-la. Em todo caso, há muitas informações nas paredes, que pode-se ler por conta própria.

O interior do Museo del Presidio

O interior do Museo del Presidio

O outro museu que visitamos foi o Museu Yámana, numa rua perpendicular próxima à Avenida San Martín. Os yámana (também conhecidos como yagán) eram um dos povos que habitavam a Terra do Fogo antes de chegada dos europeus e, mesmo com o frio, andavam praticamente nus, pois mantinham sempre uma fogueira próxima a si — aliás é por isso que a região ficou conhecida como Terra do Fogo. O museu também fala dos outros povos indígenas da região, como os onas (ou selknam), que usavam curiosos adereços em alguns de seus ritos, os haush e os alakalufes. É pequeno, e vale a visita se você tiver curiosidade em saber como viviam esses povos, embora os outros dois museus da cidade também tenham informações a respeito.

Não visitamos o Museo del Fin del Mundo, que também fica nas proximidades da Avenida San Martín. Consta que traz informações sobre a região, sua natureza e como se deu sua ocupação.

Interior do Kalma Restó

Interior do Kalma Restó

Vista para o canal do Restaurante Kaupé

Vista para o canal do Restaurante Kaupé

Recomendo três restaurantes em Ushuaia. O primeiro é o Kalma Restó: pequeno, estilo bistrô, daqueles em que o chef vem se apresentar na mesa e explicar o cardápio, que conta com pratos preparados com a especialidades locais, como a centolla (aquele caranguejo gigante) e outros peixes. O segundo é o Kaupé, que fica na rua Roca, mas na parte mais alta da cidade. Parece uma casa, mas o estilo é mais formal que o do Kalma. Como fica mais acima, a subida para chegar lá é razoável, mas a vista vale à pena! Devo dizer que nem o Kaupé nem o Kalma não são restaurantes baratinhos, mas gostei do que comi em ambos. Finalmente, almoçamos um dia no Bodegón Fueguino: aqui o estilo é mais típico da região, e o lugar parece uma cantina, com bancos cobertos com pele de carneiro e muita madeira. Bom para comer especialidades da região, como o cordeiro. Nos três achei o atendimento bem atencioso.

Prato no Bodegón Fueguino

Prato no Bodegón Fueguino

Cerveja Cape Horn: delícia!

Cerveja Cape Horn: delícia!

Já o bar Macario 1910, num dos extremos da Avenida San Martín, é animado quase todos os dias. Bom para provar as cervejas locais: gostei tanto da Beagle como da Cape Horn, ambas com mais de uma variação de sabor. Na Avenida San Martín, aliás, há pelo menos duas lojas que vendem bebidas, onde é possível comprar tanto essas cervejas para levar como os famosos vinhos da Patagônia argentina. Na San Martín também há vários cafés que funcionam como lojas de chocolate, em que se pode comprar, por exemplo, fabricações próprias do alfajor.