Chicago – alguns aspectos práticos

1) Onde ficar?

O famoso letreiro luminoso do Teatro Chicago, no Theater District

A área central de Chicago é conhecida como “The Loop”, onde boa parte das atrações ficam (como o Millennium Park, o Art Institute of Chicago e a Sears Tower). É uma região compacta e de fácil locomoção à pé, além de ser cruzada por várias linhas do metrô — aliás, o nome da região deve-se ao fato de que várias linhas do metrô elevado percorrem o Loop de forma circular. Só que eu fiquei com a impressão de que o Loop é uma área basicamente comercial, daquelas que à noite fica bem vazia. Não sei até que ponto essa impressão é verdadeira, mas, se for para ficar no Loop, o melhor é escolher um hotel próximo ao chamado “Theater District” de Chicago (na área da esquina da Dearborn St com a Randolph St, no norte do Loop), onde muitos teatros da cidade ficam. Essa região pareceu-me bem movimentada à noite.

Vista da área norte de Chicago

Eu escolhi ficar o bairro de Near North, imediatamente ao norte do Loop, do outro lado do rio. Embora não tenha grandes atrações turísticas, a região tem vários hotéis, é próxima ao Loop (dá para ir à pé, basta cruzar o rio), além de ser cortada pelas linhas vermelha, roxa e marrom do metrô. Além disso, o trecho da Michigan Avenue que atravessa o bairro é conhecido como “Magnificent Mile”, pela alta concentração de lojas — o que pode animar os visitantes mais consumistas. Também é uma área com opções de bares e restaurantes — embora não tão estrelada como a área a oeste do Loop, de que falei no texto anterior –, facilitando quem não quer ir muito longe à noite para jantar. Finalmente, não muito longe do Near North, no bairro que fica logo em seguida ao norte, chamado Gold Coast, há uma área com ampla oferta de diversão noturna, entre a Rush e a State Streets. Por tudo isso, escolhi o Near North para ficar.

Entrada do hotel Dana, onde me hospedei

A propósito, o hotel em que eu fiquei foi o Dana Hotel and Spa, para o qual consegui um boa tarifa pelo booking.com. O atendimento foi atencioso, a localização é excelente e os quartos são bons — à exceção de um vidro do banheiro, que permite a visualização por quem estiver no quarto. Claro que isto pode “apimentar” uma relação em crise, mas pode também causar constrangimentos caso não exista muita intimidade entre os viajantes. Há também um bar no terraço do hotel, com lindas vistas da cidade.

Vista do terraço do nosso hotel à noite

2) Quanto tempo ficar?

Não gosto muito de sugerir o tempo que cada pessoa deve passar em um destino, já que cada um tem seu ritmo de fazer turismo e dispõe de mais ou menos tempo para ficar na cidade, de acordo com a programação. Eu, pessoalmente, não gosto de fazer as coisas correndo, mas também gosto de aproveitar a mesma viagem para conhecer vários lugares.

O que você tem que ter em mente é que Chicago é um destino “isolado” nos Estados Unidos, que fica difícil conhecer se não for de avião. Não dá para fazer como Boston e Nova Iorque, ou Miami e Orlando. Por isso, ir até lá e passar só um dia não deve compensar o “desvio”. Se for para fechar em um número, eu diria que 3 dias completos são razoáveis para conhecer a cidade.

3) Aeroportos

Chicago é servida por dois aeroportos, o O’Hare (código ORD) e o Midway (código MDW), mas o mais provável é que você chegue pelo O’Hare, já que ele é o segundo aeroporto mais movimentado dos Estados Unidos. É também onde está baseada a companhia United Airlines. O aeroporto é realmente gigantesco; por isso, recomendo chegar com bastante antecedência para não perder o voo.

De qualquer forma, ambos os aeroportos estão conectados ao “El”, o O’Hare com a linha azul e o Midway com a linha laranja. Estima-se o tempo de viagem até o centro em 45 minutos, a partir do O’Hare, e em 30 minutos, a partir do Midway.

Usamos o “El” tranquilamente quando chegamos no O’Hare e, após duas conexões, descemos bem próximos ao hotel. Na volta, como nosso voo saía do O’Hare relativamente cedo, ficamos com receio de depender do horário dos trens e pegamos um táxi. Não me lembro exatamente do valor da corrida, mas o Lonely Planet estima algo entre 35 e 45 dólares (eu acho que custou um pouco mais que isso, mas não tenho certeza).

4) Usando o metrô

Mapa do metrô de Chicago

Conforme relatei no texto anterior, o sistema de metrô de Chicago é conhecido como “El”, ou simplesmente “L”, de elevated, já que ele corre, em boa parte, por cima das ruas da cidade. Achei o sistema seguro, e mesmo à noite não tivemos problemas — embora a frequência possa assustar um pouco. Como disse acima, conseguimos pegar o metrô já na chegada, no aeroporto de O’Hare, sem problemas.

The El

Ainda no aeroporto, adquirimos um cartão que dava direito a viagens ilimitadas por três dias, ao custo de 14 dólares. Há outro para um dia, que custa US$ 5,75, e outro para sete dias, com preço de US$ 23,00. Como a viagem simples custa US$ 2,25, não sei dizer se valeu à pena, mas pelo menos usamos o metrô durante todo o período na cidade (que foi exatamente de três dias), sem preocupações. Todos os preços das tarifas você encontra no sítio da CTA (a Chicago Transit Authority).

Cuidado com malas muito grandes: algumas estações centrais (e antigas) são limitadas no quesito acessibilidade, o que significa ter que subir e descer escadas.

5) Praias em Chicago?

Sim, o Lago Michigan tem algumas praias dentro da cidade. Não as conheci, pois, quando visitei Chicago, no final de setembro, o clima já estava razoavelmente frio (durante o dia não passava dos 15 graus). Em todo caso, o Lonely Planet diz que as praias ficam bem animadas durante o verão; por isso, se você for entre junho e agosto, tente ver como é uma praia em Chicago e depois venha aqui contar suas impressões.

As principais faixas de areia de Chicago são a North Ave Beach, em frente ao Lincoln Park (região norte da cidade), Oak St Beach, no bairro de Gold Coast e a 12th St Beach, perto do Planetário Adler.

6) Mais restaurantes

No texto anterior, eu falei da crescente cena gastronômica de Chicago, com vários restaurantes estrelados no Guia Michellin. Mas o viajante com orçamento limitado (ou o mão-de-vaca) pergunta se não há outras dicas de restaurantes mais em conta.

Experimentei três restaurantes indicados no Lonely Planet numa faixa de preço mais tranquila. Aqui vão minhas impressões:

Twin Anchors e a cerveja “Maudite”

a) Twin Anchors (1655 N Sedgwick St): na região conhecida como Old Town, próximo à estação Sedgwick das linhas marrom e roxa do metrô, fica esse restaurante despretensioso, com decoração old school. Chamou a atenção a simpatia da atendente, que achou curioso dois brasileiros em Chicago. A especialidade local são as carnes — gigantescas, por sinal, dá para dividir tranquilamente. E ainda tem cervejas locais (como a da foto acima).

Restaurante Opera

b) Opera (1301 S Wabash Ave): na região ao sul do Loop, fica próximo ao Field Museum e ao Shedd Aquarium; a estação de metrô mais próxima é a Roosevelt (linhas vermelha, laranja ou verde). Dada a proximidade, almoçamos lá antes de fazer nosso passeio na beira do lago (de que falei nesse texto). Estava meio vazio, mas adorei a decoração oriental meio kitsch do lugar. Como a Chinatown de Chicago não fica muito longe dali, é essa a orientação do cardápio. E também tem cervejas locais!

Cerveja Krank Shaft no Opera

c) Nacional 27 (325 W Huron St): no bairro do Near North, fomos lá porque era perto do nosso hotel. Com pratos inspirados em vários países da América Latina (há ceviches no cardápio, por exemplo), a principal fonte é mesmo a cozinha mexicana. Fomos jantar durante a semana e estava meio vazio, mas parece que nos finais de semana rola ritmos latinos em uma pista de dança que há no local.

7) Para os chocólatras

Se você é chocólatra como eu, não deixe de conhecer a loja Vosges Haut-Chocolat, em Old Town, pertinho da estação Armitage, das linhas marrom e roxa. A proprietária, Katrina Markoff, apresenta chocolates misturados a sabores bem diferentes do usual: não tive coragem de comer o chocolate com bacon, mas o de sal negro e caramelo era delicioso! Outras misturas exóticas incluem chocolates com blood orange, banana e curry indiano, para ficar só em alguns. As plaquinhas com caramelo e um toque de sal também estavam deliciosas, trouxe para casa e todo mundo gostou. Aliás, pode ser uma boa lembrancinha para a família e os amigos.

Chicago – 10 motivos para você conhecer (Parte 2)

Sears Tower, vista do passeio de barco no rio

Este texto é uma continuação desse aqui.

5) Subir na Sears Tower e sentir um frio na barriga enquanto pisa em uma de suas plataformas de vidro: talvez seja o programa mais “turistão” de uma viagem a Chicago, mas quem se importa? O prédio (cujo nome oficial é Willis Tower), mesmo antes da queda das Torres Gêmeas, já ocupava o posto de mais alto dos Estados Unidos.

Vista da Sears Tower

A torre foi planejada, claro, para servir à companhia Sears (que já teve lojas inclusive no Brasil); porém, atualmente, é ocupada por várias empresas. Tem 108 andares, mas o Skydeck, a plataforma de observação, fica no 103.° andar. As vistas da cidade e do lago são lindas, e de lá é possível ver como, além do miolo do “The Loop”, a altura dos prédios diminui consideravelmente. Aliás, de lá se vê como a cidade é espalhada.

Japinhas em uma das caixas de vidro da Sears Tower

O grande barato do passeio, contudo, é entrar em uma das “caixas de vidro” que se projetam da fachada do prédio. Instaladas recentemente (em 2009), essas estruturas permitem que o visitante “saia” do prédio e “flutue” sobre a cidade, vendo a rua Wacker Drive a seus pés, lá embaixo (são 412 metros de altura!). Confesso que fiquei meio receoso de início (tenho medo de altura), mas quando vi uma japonesa saltitando sobre a plataforma, concluí que era seguro. Depois do medo do primeiro passo, fui me acostumando com a sensação. A propósito, o andar é todo fechado, inclusive as janelas — não há uma parte externa de observação, como no Empire State Building, em Nova Iorque.

Vista da Sears Tower para o norte. O prédio preto ao fundo, com duas torres em cima, é o John Hancock Center

Outra opção para ver a cidade lá de cima, (um pouco) mais baixa, é o John Hancock Center, mais ao norte da cidade. O observatório fica no 94.° andar, mas é possível tomar um drink apreciando a vista no Signature Lounge, que fica no 96.° andar.

Uma das cúpulas do Chicago Cultural Center

6) Admirar as cúpulas de vidro da antiga Biblioteca: o Chicago Cultural Center fica no centro da cidade, bem em frente à Wrigley Square do Millennium Park, e foi originalmente a Biblioteca Pública da cidade. Hoje em dia, abriga um escritório de turismo, onde é possível pegar informações sobre o prédio e sobre a cidade — a tia que nos atendeu foi simpaticíssima e teceu vários elogios ao Brasil, que ela havia conhecido há pouco tempo. Também tem exibições de arte e concertos na hora do almoço (veja a programação no escritório de turismo).

A outra cúpula do Chicago Cultural Center

Mas o grande objetivo da visita é ver as duas cúpulas de vidro gigantescas criadas por Louis Comfort Tiffany, uma das quais é a maior do mundo. Lindamente decoradas, as cúpulas são verdadeiros vitrais e enchem os olhos e o prédio de uma luz especial.

Pizzaria Uno, onde supostamente a iguaria foi inventada

7) Experimentar a famosa pizza de Chicago: essa famosa “iguaria” de Chicago mais parece uma torta que uma pizza. Tem uma massa alta, assada numa espécie de forma-assadeira redonda e alta. Não há muito consenso sobre o lugar que teria inventado esta receita local de pizza, mas um dos principais restaurantes apontados é a Pizzaria Uno (29 E Ohio St, na área de Near North), onde fomos. Dada a fama do lugar, chegue cedo, ou prepare-se para esperar um pouco. A decoração do lugar não tem nada de sofisticada, mas faz você se sentir dentro de um típico restaurante americano, o que torna a experiência, na minha opinião, interessante.

A cara da pizza...

Nossa pizza veio com pimentões, cebola, tomate e champignons por cima e, se eu me lembro bem, não há muitas variações (embora, salvo engano, haja uma versão mais simples, com menos “adereços”). É uma delícia, mas é também uma bomba: a desculpa perfeita que você estava procurando para sair da dieta, principalmente se a pizza for acompanhada de uma das cervejas que eles servem no local. Essa pizza da foto é tamanho pequeno, mas há versões maiores; ela foi, porém, perfeitamente suficiente para encher duas pessoas. Vá por mim, só peça uma maior se você estiver com mais pessoas, ou prepare-se para deixar muita comida no prato.

Não experimentei, mas, de acordo com o guia do Lonely Planet, a cadeia Giordano’s, com vários restaurantes pela cidade, oferece opções honestas caso a espera da Uno esteja muito longa.

Detalhe do mural "As Quatro Estações", de Marc Chagall

8) Andar pelo centro e descobrir obras de grandes nomes da arte: como eu mencionei no início da primeira parte do texto, o centro da cidade, conhecido como “The Loop”, é um verdadeiro museu a céu aberto, reunindo obras de artistas consagrados. Poucas cidades no mundo talvez ofereçam em suas ruas uma oferta tão qualificada de obras de arte — o que não deixa de dar uma certa invejinha. Não deixa de ser uma forma de democratizar o acesso à arte: afinal, ver um Picasso na esquina e não dentro de um museu certamente muda um pouco os paradigmas. Aqui vai um pequeno guia das principais obras:

Chicago, de Joan Miró

a) Chicago, de Joan Miró (69 W Washington St): lembra as esculturas do Miró que estão no Museu Reina Sofia em Madri ou na Fundação dele em Barcelona, mas num tamanho bem maior.

Picasso

b) Sem Título, de Pablo Picasso (50 W Washington St): pertinho da escultura do Miró, embora não tenha título, a escultura lembra um babuíno metálico gigante.

As Quatro Estações, de Marc Chagall

c) As Quatro Estações, de Marc Chagall (praça perto da esquina entre a Dearborn e a Monroe St): é, na verdade, um mural em forma de mosaico, bem ao estilo Chagall.

Flamingo, de Alexander Calder

d) Flamingo, de Alexander Calder (esquina das ruas Dearborn e Adams, em frente ao Kluczynski Federal Building): o pai dos móbiles modernos deu sua contribuição à arte de Chicago com essa linda escultura abstrata vermelha, que constrasta com as linhas retas e os vidros pretos do Kluczynski Federal Building, outro prédio do Mies van der Rohe.

Monument with Standing Beast, de Jean Dubuffet

e) Monument with Standing Beast, de Jean Dubuffet (100 W Randolph St): uma forma branca abstrata feita de fibra de vidro, com seus contornos bem delineados, parece ter sido desenhada à mão e recortada em um papel.

O "El" passando em frente à Harold Washington Library Center

9) Pegar o “El”, o famoso metrô elevado de Chicago, e ir parar em algum bairro residencial da cidade, conhecendo um outro lado dela: como disse acima, fora do miolo do The Loop, a cidade é bem diferente, com menos arranhacéus e um ar mais residencial. Ao norte há distritos como Near North, Gold Coast, Lakeview e Wrigleyville, com restaurantes, lojas e bares que podem render um bom passeio de algumas horas.

A estrutura do "El" sobre as ruas do centro da cidade

Mas o legal é pegar o metrô elevado da cidade para fazer o passeio, que faz você se sentir em um dos muitos filmes ou séries que se passam em Chicago, como “Curtindo a Vida Adoidado” ou “E.R.” (que ganhou na Globo o nome de “Plantão Médico”). O metrô elevado é algo que em qualquer outra cidade poderia ser sinônimo de degradação urbana (imagine morar perto de uma linha elevada de metrô), mas que acabou virando um dos símbolos de Chicago.

O apelido “El” (ou simplesmente “L”), aliás, vem de elevated em inglês. Apesar disso, algumas estações no centro da cidade são subterrâneas. O “El” chega até os aeroportos O’Hare e Midway e é possível comprar bilhetes múltiplos para vários dias (pretendo falar disso em outro texto).

Sobremesa no Blackbird

10) Aproveitar o crescente circuito gastronômico de Chicago: para quem não quer ficar só na pizza, Chicago tem ganhado destaque dentro dos Estados Unidos como destino gastronômico e conta com vários restaurantes estrelados no Guia Michelin. O precursor parece ter sido Charlie Trotter, e seu restaurante (chamado de… Charlie Trotter’s) tem duas estrelas do guia. Ainda assim, não me animei a conhecê-lo, pois fiquei com a impressão de que é um lugar muito formal (exige-se paletó, e os cozinheiros não podem rir na cozinha!!!)

Quis muito conhecer o restaurante Avec, da chef Koren Grieveson, recomendado tanto pelo Lonely Planet como pelo guia do Wallpaper, que parece não ser muito caro, tem uma decoração interessante (parece uma caixa de madeira), com algumas mesas comunais, sem contar o menu em si (tâmaras com bacon defumado chamaram minha atenção!). Só que estava fechado! Acabei indo no Blackbird (uma estrela do Michelin), que fica ao lado e tem a ajuda do mesmo chef executivo, Paul Kahan. O que eu achei: nos deixaram esperando do lado de fora, onde fazia um pouco de frio (não havia feito reserva porque era uma terça-feira e no hotel onde estava não acharam necessário). Depois de entrarmos, o atendimento foi atencioso, a comida estava boa (mas não achei inesquecível), e o preço foi um pouco salgado. O mesmo “grupo” ainda tem outro restaurante nas redondezas: o The Publican.

Parece que a tal culinária molecular também faz sucesso lá. O Alinea, do chef Grant Achatz, já foi mencionado pela jornalista Alexandra Forbes, do blog Boa Vida. E tem mantido suas 3 estrelas do Guia Michelin. Também achei interessante o Topolobampo, de comida mexicana, um dos preferidos na cidade pelo casal Obama (uma estrela no Michelin). Também chamaram minha atenção o Hot Chocolate e o Green Zebra, para os vegetarianos.

De todo modo, o que é preciso dizer é que você vai ter que sair do Loop para comer melhor. A região a oeste do Loop (que, assim como o Meatpacking District de Nova Iorque, já foi uma área de frigoríficos), principalmente a W Randolph St, se estabeleceu como um dos destinos gastronômicos: basta ver que, das minhas dicas, o Avec, o Blackbird, o The Publican e o Hot Chocolate ficam na região. Ir para o norte – para as áreas de Near North, Gold Coast e Lakeview — também é uma boa aposta.

Então, o que você está esperando para conhecer a cidade da Oprah e do Obama? Renovada e revitalizada, a cidade tem uma vibe de que é a próxima aposta americana, de que está em ascensão. E seus simpáticos habitantes, que ainda não adquiriram aquele ar blasé dos novaiorquinos, ficam orgulhosos de mostrá-la a quem se aventura por aquelas paragens.

Chicago – 10 motivos para você conhecer (Parte 1)

Chicago

Estava querendo escrever um texto sobre Chicago há tempos! Na viagem que fiz aos Estados Unidos em 2010, Chicago talvez tenha sido a grande surpresa. Certo, é uma cidade cheia de arranhacéus, mas isso não significa que ela seja feia ou opressora. Na verdade, os prédios altos ocupam só mesmo o miolo de Chicago; olhando-a por cima, dá para ver que o resto da cidade é bem menos vertical e bastante esparramado. Além do mais, o Lago Michigan – que mais parece um mar de tão grande — faz um contraponto ao mar de prédios.

O lago e os prédios vistos da Sears Tower

Chicago também é uma cidade que respira arte. O Art Institut of Chicago tem um acervo que não deixa nada a dever aos museus de Nova Iorque e de Washington. Há, ainda, esculturas de artistas como Picasso, Miró, Calder e Chagall encrustradas no centro da cidade, ao ar livre, para que qualquer um possa admirá-las. Alguns dos citados prédios são verdadeiras obras de arte da arquitetura moderna, desenhados por arquitetos de peso, como o holandês Mies van der Rohe; já o canadense Frank Gehry, o mesmo arquiteto que fez o Guggenheim de Bilbao, assinou um auditório de música no Millennium Park. E há ainda um circuito de teatros para aqueles com alguma saudade da Broadway.

Como eu fui em 2010, minhas observações são meio genéricas. Na verdade, meu objetivo com esse texto é mais convencer o leitor a visitar esta cidade que costuma ficar de fora dos roteiros da maioria dos brasileiros que visitam os Estados Unidos. Aqui vão meus 10 motivos para conhecer a “Windy City”, como Chicago é conhecida:

Calçadão em frente ao Lago Michigan

1) Fazer um passeio à pé pela margem do Lago Michigan até o Planetário Adler: como afirmei acima, o Lago Michigan, visto de sua margem ou mesmo do alto dos prédios do centro de Chicago, é bem vasto, perde-se de vista, dando a impressão de um mar bem calmo. Não vi se algum barco faz passeios por ele, mas um simples passeio pela margem já serve para apreciar sua beleza e ver o contraste entre as águas calmas de um lado, e o “mar de prédios” do outro. É impressionante como dois elementos tão distintos parecem harmonizar-se perfeitamente ali.

Buckingham Fountain

A partir do Millenium Park, aproxime-se da margem e comece a descer, rumo ao sul. Você logo verá a linda Buckingham Fountain, na área que já é chamada de Grant Park (embora a separação em relação ao Millenium Park parece ser apenas de uma rua). Embora exista uma avenida que acompanha a margem do lago, o calçadão (lakefront path) é amplo e bem tranquilo.

Shedd Aquarium

Siga descendo e logo você vai chegar ao Shedd Aquarium, o mais antigo do mundo! Não o visitei, mas há um mirante por ali de onde já é possível tirar lindas fotos. Mais adiante você verá o Field Museum, outra atração que pode servir de pausa no passeio. É um museu de história natural, e tem como grande atração Sue, a ossada mais completa de um Tyrannosaurus rex já encontrada!

Field Museum

Planetário Adler

Eu preferi contornar o aquário por fora e seguir pelo longo caminho que leva até o Planetário Adler, com sua linda cúpula. Na verdade, ele fica na ponta de uma península que avança sobre o lago. Como ele fica projetado, “entrando” no lago, as vistas dali são lindas! O planetário é o mais antigo das Américas e tem apresentações frequentes. Se você não quiser ver nenhuma apresentação, pode visitar só o prédio, onde há uma exposição abordando as descobertas sobre o universo e com alguns artefatos das expedições espaciais americanas; nesse caso, paga-se um valor só para a admissão (há um ingresso promocional que combina a visita com algum show). Independentemente de você visitar ou não o planetário por dentro, se o dia estiver bonito (como estava quando eu fui), não deixe de sentar-se um pouco no gramado do planetário para apreciar a vista da cidade e do lago.

Planetário Adler

Jardim em frente ao planetário e sua linda vista

Também às margens do lago, mas ao norte do caminho aqui descrito (depois do rio), fica o Navy Pier, com um daqueles parques de diversão típicos de filmes americanos — há uma roda gigante com mais de 40 metros de altura!

Cloud Gate, a grande atração do Millennium Park

2) Ver a arte por um outro prisma no Millennium Park: bem central, logo ao norte do Art Institut of Chicago, o Millennium Park é um dos lugares mais visitados da cidade. As grandes atrações do parque são intervenções de arte contemporânea que mostram como é possível (e interessante) mesclar obras de arte em um espaço público aberto.

Cidade e pessoas refletidas no Cloud Gate

A mais famosa delas, o Cloud Gate (apelidado carinhosamente de The Bean, ou “O Feijão”), é uma escultura gigantesca do artista anglo-indiano Anish Kapoor, feita de aço, com o formato de um… feijão (ou portão, você escolhe). O cloud do nome deve-se ao fato de que a estrutura é tão polida que reflete o céu. Mas todo mundo fica brincando de ver o próprio reflexo em diferentes formas, e que rendem muitas fotos legais.

Imagem projetada em um dos blocos da Crown Fountain

Outra obra/escultura/instalação do Millennium Park é a Crown Fountain. São duas “torres” de granito, uma de frente para a outra, mas com um grande espelho d’água entre ambas. O legal é que na parte de frente das torres há uma espécie de tela em que são exibidos vídeos — quando eu fui presenciei esse divertido vídeo de gente cuspindo água (foto acima).

Pritzker Pavilion

Também no parque fica o Jay Pritzker Pavilion, uma “concha” multiforme destinada principalmente a apresentações de música clássica (mas também para outras performances artísticas). Foi desenhado pelo arquiteto Frank Gehry, o mesmo do Guggenheim de Bilbao, e tem aquelas placas curvas, típicas do arquiteto e também presentes no museu espanhol. A maioria das apresentações são públicas: há alguns assentos fixos, mas muita gente senta no gramado mesmo.

Wrigley Square

Também no parque ficam a Wrigley Square — um semicírculo de colunas ao redor de uma fonte, cujo nome homenageia os doadores da família do magnata do chiclete William Wrigley Jr – e o Lurie Garden, com plantas nativas da região de Chicago.

Lurie Garden

Art Institute of Chicago, com seus leões

3) Conhecer o Art Institute of Chicago e apreciar obras-primas da arte americana: o acervo do Instituto de Arte de Chicago é enorme, equiparando-o, por exemplo, ao Metropolitan Museum em Nova Iorque. Há as tradicionais alas destinadas a artefatos egípcios, asiáticos, e à arte greco-romana. Há também um bom acervo de arte europeia e de impressionistas (como o Sisley que eu coloquei abaixo).

Quadro de Alfred Sisley

Art Institute of Chicago, Modern Wing

O Art Institute of Chicago tem atualmente dois prédios: o da frente, em estilo clássico, é vigiado por leões que são um dos símbolos da cidade; o anexo, chamado “Modern Wing”, do arquiteto italiano Renzo Piano, foi inaugurado em 2009.

Nighthawks, Edward Hopper

Mas meu grande interesse em visitar o museu foi ver algumas obras-primas da arte dos Estados Unidos, como coisas da Georgia O’Keeffe (que estudou lá) ou esse lindo quadro do Edward Hopper que me emocionou bastante ao vivo…

 

Passeio de barco pelo Rio Chicago

4) Fazer um passeio pelo rio que corta Chicago e ver seus arranhacéus por outros ângulos: se o tempo permitir (se você não for no auge do inverno ou se não estiver chovendo muito), recomendo com entusiasmo um passeio de barco pelo rio Chicago. Organizado pela Chicago Architecture Foundation, o passeio permite ver a área central da cidade (conhecida como “The Loop”) e boa parte dos prédios que a compõem de um ângulo diferente.

Nossa adorável guía

Os ingressos são vendidos na lojinha da fundação, localizada na Michigan Avenue, bem em frente ao Art Institute of Chicago. Já os barcos saem perto da ponte da Michigan Avenue que cruza o rio. Nossa guia era uma simpática senhora que sabia tudo sobre os prédios que nos circundavam e que apareciam a medida que o barco avançava. Ela nos contou que Chicago foi praticamente destruída em um incêndio em 1871 (colocaram a culpa em uma pobre vaca, depois a redimiram) e que, assim, a reconstrução foi oferecida a jovens e ousados arquitetos, que fundaram o que ficou conhecido como “Escola de Chicago”.

Tribune Tower

Wrigley Building e sua torre do relógio

Marina City, ou "Sabugo de Milho"

Chamaram a minha atenção, durante o passeio, a Tribune Tower, em estilo neogótico (onde funciona o Chicago Tribune); o Wrigley Building, com sua torre do relógio em estilo clássico; o Marina City (também conhecido como “Sabugo de Milho”, pela semelhança), uma tentativa de trazer de volta residentes para a área central da cidade; o IBM Plaza, projetado pelo arquiteto holandês Mies van der Rohe; a fachada sóbria e gigantesca do Merchandise Mart; a Sears Tower, claro, de que falarei a seguir; a Lake Point Tower, já perto do lago, com três pontas arredondadas, super exclusiva por estar sozinha em uma península; e o Aqua, com suas formas orgânicas que se projetam para fora do prédio.

IBM Plaza, do Mies van der Rohe

Merchandise Mart

A imponente e isolada Lake Point Tower

As projeções "orgânicas" do Aqua